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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Desconstruindo a Verdade - Parte II

Num post alusivo à saída de Moutinho do Sporting (ver aqui) avançava três hipóteses para o verdadeiro sucedido. Hoje o Presidente do meu Clube nas suas declarações sobre João Moutinho disse: «Foi sempre um profissional fantástico». Assim, acabou por desvendar que era a 2ª hipótese (a de que a venda do Moutinho ao Porto foi operada por um lapso derivado de incompetência na não inclusão de uma cláusula de salvaguarda), e, consequentemente lançou um engodo para disfarçar o erro cometido por ele, enquanto responsável subjectivo, e por outros, enquanto responsáveis objectivos.
Pois, ninguém no seu perfeito juízo ou com coerência, pode afirmar que um jogador é uma maçã podre por não querer treinar (mau profissional) e depois vir dizer que sempre foi um fantástico profissional. Até o pode fazer, mas sempre com uma contradição insanável na lógica do discurso.
Mas afinal, é do nosso Presidente que se trata.
Glória, Glória, Glória.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Desconstruindo a Verdade

«Bettencourt explicou também que esta foi a única saída do Sporting face "aos insistentes pedidos de João Moutinho para sair". "A única proposta que recebemos foi a do FC Porto. Tentámos que ele esperasse mais tempo, de forma a que pudesse surgir alguma oferta do estrangeiro, mas o João perdeu as estribeiras e forçou uma saída para o FC Porto, dizendo-nos que tinha dado a palavra ao FC Porto".»

Ou seja, o jogador é que detinha o poder negocial, bastou forçar.
Entretanto é dito que ele já tinha dado a palavra ao porto, dando a entender que sem conhecimento do Clube, já o jogador negociava com o porto.

A seguir:

«"No início da época, o representante do jogador, Pini Zahavi, disse-nos que o máximo que se conseguiria com a sua transferência seria 7,5 milhões de euros", contou José Eduardo Bettencourt, voltando a frisar que "recebeu zero propostas por João Moutinho", além da do FC Porto.»


Ou seja, antes da rábula já o moutinho estava à venda.
Ou seja, foram colocá-lo à venda, quando antes já tinham perguntado ao empresário quanto é que conseguiriam por ele? E depois aparece a surpresa porto?

Continua:

«Perante estes factos, o Sporting optou por vender o jogador ao único clube que apresentou uma proposta. "Tive uma reunião com Pinto da Costa, que me disse que o Moutinho só jogaria no FC Porto se o Sporting visse isso com bons olhos. O negócio foi feito porque o Sporting quis, porque não queria uma maçã podre no seu pomar, não queria alguém que não fosse um exemplo nem dignificasse a bandeira do clube", frisou Bettencourt.»

Ou seja, o empresário disse que o máximo que conseguiria eram 7,5 milhões, ninguém tinha oferecido nada, mas o amigo pinto da costa oferece 11 milhões menos o resto das contrapartidas.
Entretanto, já o porto tinha falado com o moutinho, o que afinal hoje parece normal, em virtude dos factos relatados e não assumidos na conferência de impressa de ontem.
Ou seja, já desde Junho que o empresário andava a negociar moutinho, o porto foi informado e ofereceu um valor superior ao que o empresário disse que arranjava.
O presidente vem justificar que o moutinho tinha dado a sua palavra ao porto, e apresenta este facto como uma surpresa.
Das duas uma, o Porto falou com o jogador sem o conhecimento do Sporting, e a lisura do corrupto é mentira ou o Porto falou com o jogador após autorização dada pelo Sporting ao empresário e sem a inclusão de uma cláusula de salvaguarda, o que é incompetência.
Existe uma terceira e sombria hipótese, que era a da não inclusão dessa cláusula de salvaguarda e esperar que o Porto se adiantasse, tendo em conta o histórico do processo, e neste caso só um palerma ficaria surpreso com o aparecimento do Porto no processo.


A finalizar:

«Era um jogador que não tinha condições para ser capitão. E, como não queremos ninguém contrariado, penso que chegámos a um bom fim desta triste história. Apesar da mágoa profunda pela forma como o processo foi conduzido, estamos satisfeitos por vê-lo partir".»

A famosa história do capitão.
O capitão foi indigitado por paulo bento, e apoiado pelo presidente no início do ano passado.
Miraculosamente a história apareceu num jornal.
Mais milagrosamente ainda, a tal conversa onde o moutinho perdeu forçou a saída também apareceu num jornal antes da conferência de imprensa.
Tendo em conta que a história que aparece no jornal foi secundada pelo presidente e é pouco abonatória para moutinho, não deve ser muito difícil descobrir o bufo.
Teria de ser uma das pessoas envolvidas na conversa ou a quem eles contaram.

Esta história que hoje vem no DN e no JN é curiosamente complementada com aquela que ontem uma andorinha que contou pelo calor da noite:
Que o Sporting a precisar de dinheiro decidiu que iria vender moutinho, que este seria um alvo mais fácil de concretizar dentro do histórico e da assumida vontade de sair do jogador.
Dai ter mandatado o seu empresário para isso.
Moutinho ao saber da história da braçadeira, sem considerar motivo para tal (visto que até o actual presidente concordou com esta medida) passou-se e disse que não era nenhuma mercadoria para ser tratado com o estavam a tratar e disse que a sair seria como ele quisesse e que queria ir para o porto.
Como se viu, com o tal mandato sem salvaguarda, o Clube viu-se de mãos atadas e com urgência em fazer negócio, o resto é história.

Entretanto a mesma andorinha ontem disse-me que o Izmailov também queria que lhe dessem asas.
Curiosamente o DN hoje apresenta o negócio como certo.

No meio disto tudo continuo com uma dúvida, será que o presidente do porto desta vez cumprimentou o presidente do Sporting?

Cooperação estratégica

Depois de feito o negócio segue-se a assadura dos concorrentes, como lhes chamou Bettencourt na AG, em lume brando. Ontem, Dias Ferreira, numa tentativa de limpar um bocado o negócio, já havia referido a possibilidade de Moutinho usar algumas das cláusulas de desvinculação introduzidas nos últimos anos pela FIFA. Não percebi muito bem, mas aparentemente por Moutinho já ter mais de cinco anos de contrato cumpridos poderia sair pagando o que faltava do seu contrato mais uns trocos. Mas o que é verdadeiramente interessante é a ofensiva mediática de hoje. Olhando para o DN, o JN e o Jogo assistimos a um relato meticuloso das incompetências que possibilitaram este negócio. Até o habitualmente solícito Jean-Paul Lares desta vez malha forte. O mais curioso é reparar na propriedade dos referidos órgãos de comunicação: todos pertencem à Olivedesportos, que por sua vez detém 20% da SAD por via directa e mais 10% por via da Nova Expressão, empresa desse grande sportinguista que dá pelo nome de Pedro Baltazar. Para cúmulo, refira-se que, ao contrário do que sucede com o Benfica, que está a pedir 40 milhõs, a SAD já negociou e vendeu os direitos televisivos até 2019, por 15 milhões de euros à mesma Olivedesportos.

Para memória futura



segunda-feira, 5 de julho de 2010

Autolink

Para não dizerem que não vos avisámos: aqui, aqui e aqui. É claro que a subserviência ao FCP ainda merecerá rios de tinta, mas para já ficamo-nos pelos arquivos.

P.S. Informação útil para quem seguir o primeiro link. O Portsmouth, como sabem, já está na segunda e na falência.

sábado, 3 de julho de 2010

Bye, bye Moutinho

O Moutinho, que era do Benfica quando era pequenino, foi para o Porto, depois de uma passagem inglória pelo Sporting.
Não deixas saudades nenhumas.
De capitão a vilão vai um pequeno passo.
Os nosso olhar volta-se agora para a direcção e para o seu papel nesse pequeno passo e para as consequências de tudo isto...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Há quem não se cale (II)

É menos importante que o "há quem não se cale" do post anterior, que terrorismo de estado com a complacência da tão sofisticada sociedade mundial moderna é mais importante que o divino futebol. É menos relevante, mas começa a ser um "há quem não se cale" ensurdecedor.
Em Dezembro, com o período do transferências aberto e em agradável recessão (é bonito ver jogadores no mesmo clube mais de seis meses), João Moutinho, o nosso capitão, falou novamente. Para dizer isto que se lê no site d'A Bola:

"O mercado está aberto e vamos ver o que acontece. Pode ou não acontecer, não sei, mas estou concentrado no Sporting e em cumprir os objectivos do clube".

Muito te agradecemos, caro João, o profissionalismo. Já mentalidade de funcionário, mesmo que te renda umas distinções de "empregado do mês", dispensamo-la num capitão do Sporting (pelo menos, do Sporting tal como o conhecíamos).

Pergunta: Não haverá ninguém no balneário ou nas imediações a mostrar "cojones" para o presentear com um mui "working class", nada monárquico "porque no te callas?". E, de caminho, teriam a gentileza de entregar a braçadeira ao Liedson?

É com tristeza que repetimos: fartos destas crianças do Sporting que teimam em não querer respeitar, em não querer saber o que é o Sporting.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Do amor à camisola

O "caso" Moutinho tem feito disparar as referências ao amor à camisola. Não vou elaborar muito sobre o assunto, senão para deixar duas notas. Ele (o amor) provavelmente nunca existiu, ou a existir terá sido uma excepção, como bem prova o nascimento do objecto das nossas paixões e desejos: um bando de gajos trocou uma sociedade recreativa por um clube desportivo a troco de banhos quentes. Em segundo lugar, e para não terem simplesmente de acreditar em mim, deixo uma sugestão bibliográfica, que espero que funcione igualmente a modos que argumento de autoridade.
É óbvio que o facto de o amor à camisola nunca ter existido de forma nenhuma desculpa Moutinho, mas isso é conversa para mais 500 posts.

João Rodrigues e José Neves, “Do Amor à Camisola: Notas Críticas da Economia Política do Futebol”, em José Neves e Nuno Domingos (org.), A Época do Futebol. O Jogo Visto pelas Ciências Sociais, Assírio e Alvim, Lisboa, 2004, pp. 165-229.

domingo, 27 de julho de 2008

Qual é que é o problema desta gente?

Será que não há um gajo que saia da formação do Sporting e fique contente por ganhar uns bons milhares de contos a jogar à bola, ainda por cima no seu clube? Um, ao menos! Nem peço mais...

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Recomendações de bo(r)la

Vamos ser campeões! Parece que é desta.
Visto que a equipa que terminou com vinte de avanço mantém os seus melhores jogadores, não sei se foi um bicho que lhes mordeu ou se acham que é por se armarem em mourinhos que as coisas vão resultar. Apesar de achar estúpidas estas tiradas à la psicologia positiva do cais do sodré, abdico das minhas preferências filosóficas desde que o Sporting não faça figura de lampião, vença troféus e vá mais longe na champions. Como tal, resolvi ajudar o Sporting, e, sem o saber… a mim mesmo. Comecemos por mim. Auto-ajudei-me, porque acabei por evitar enfartes no miocárdio na minha pessoa devido à exposição contínua ao desfecho do Apito Final Dourado. A solução foi emigrar para um país longínquo onde a justiça, é certo, também comete erros grosseiros, também demora a actuar, mas jamais com a dimensão desta porca vergonha!
Quis então a vida levar-me durante os últimos meses até ao Brasil.
Aproveitei e decidi trabalhar de forma gratuita para o Barbosa (é bom frisar nomes).
Diagnosticadas as necessidades da equipa, deixo aqui as recomendações de contratações a efectuar no campeonato brasileiro.
Uma coisa é certa: daqui não vão sair jogadores passarinhos, nem comissões para abutres, nem postas de pescada atiradas ao ar. Para o...

Lugar do Abel
Se o ano passado nos ensinou alguma coisa foi que para se ganhar troféus ou ir longe na champions não basta ter cara de bom rapaz. Convém também saber - e que possa! - jogar à bola. Por isso, apesar da pobreza saloia em matéria de laterais direitos, a minha escolha vai para o
Thiaguinho, Botafogo, 23 anos
Pontos positivos –Velocidade, rápido a partir para o ataque; muito boa técnica e visão de jogo; Sabe defender. Originalmente é um trinco; Revelação recente ao alto nível – preço baixo; Jogador com maior índice de desarmes até agora.
Pontos negativos – É uma descoberta recente; Joga como lateral/médio ala e arrisca demasiado no ataque; Incerteza sobre a solidez do seu futebol.
Ou
Wagner Diniz, Vasco da Gama, 24 anos
Pontos positivos – Durante o campeonato carioca era considerado a arma mais perigosa da equipa e responsável por uns incríveis cinco penaltis a favor; Velocidade e excelente habilidade; Participação na manobra ofensiva.
Pontos negativos – Caiu de produção no início do brasileirão; Já foi sondado pelo Palmeiras e São Paulo – preço mais inflacionado; Deve melhorar posicionamento táctico. Alguma lentidão na recuperação. Melhor do que o que temos mas acho que não chega a ser um Rogério em termos defensivos.


Lugar do Moutinho (Espero que não, mas já sei o que a casa gasta. E para o caso do pior acontecer):
Hernanes, São Paulo, 23 anos
Pontos positivos – será muito provavelmente um dos melhores da sua posição no futuro. Em Espanha chamam-lhe o novo Pirlo. Um dos melhores jogadores do campeonato.
Pontos negativos – É cobiçado pelo Barcelona que terá oferecido €12 milhões. O São Paulo vem dizer que só sai pelo valor da cláusula de rescisão - €25 milhões -, mas continuam as conversações. Seria troca por troca e, a meu ver, a melhor forma de compensar a perda que ele representa.
Ou
Ramires, Cruzeiro, 21 anos
Pontos positivos – Mesmo muitos. A aquisição certa e realista. Podem ler e observá-lo aqui.
Pontos negativos – Só o preço (apesar de menos que o Hernanes). Para piorar, foi convocado à última hora para a selecção olímpica.


Lugar do Romagnoli
À moderna ou à antiga, só temos um número dez de raiz. Por muito bem que ele jogue todos sabemos das insuficiências e limitações físicas do Pipi.
Dário Conca (argentino), Fluminense, 25 anos
Pontos positivos – a minha primeira recomendação. É o Deco do Fluminense; Leitura de jogo muito acima da média; Técnica e qualidade de passe excelentes; Raçudo; Especialista em bolas paradas. Sabe defender em pressão alta; Ofuscado pelo protagonismo da estrela Thiago Neves (a caminho de um "grande" europeu), faz com que a sua negociação (diria entre €4 a 5 milhões) se aparente mais “facilitada”;
Pontos negativos – Fraca estrutura física (60 kg, 1.68m) apesar de por vezes aguentar bem o choque; alguma inconstância (por vezes “desaparece” do jogo); pouca agressividade na defesa; quase todo o jogo passa apenas pelo pé esquerdo;

Ou, caso não haja assim tanto para gastar mas sempre há o Tiuí pra trocar,
Keirrison, Curitiba, 19 anos
Pontos positivos - Campeão Brasileiro série B 2007 e Campeão e artilheiro do Paranaense 2008. Faro de golo e capacidade de concretização; Também joga como (falso) ponta de lança.
Pontos negativos – incógnita na adaptação de um salto para um grande clube europeu. O passe está avaliado entre €3 a 4 milhões. Mas três lados dividem o passe de Keirrison. O Coritiba (20%), a Massa Sports (40%) e a um empresário (40%). É uma confusão dos diabos mas, em Abril 2009, estará livre para sair sem se pagar nada ao clube.

Ou, não tendo nada a ver com isto,
Mohamed Aboutreika


P.S. – Mais uma ano passou, e tal como o paulinho aqui vaticinou, o Liedson ficou. Dizem por cá que ele pode ainda vir a ingressar no Corinthians. Acho piada, pois realmente não estou a vê-lo querer ir jogar para a 2ª divisão. Não será com esta que vou perder a aposta. De qualquer forma, não era má ideia ir antecipando uma possível “troca” com o Dentinho daqui a um ano, caso o levezinho queira regressar (não é ao calhas que ambos jogam com o 31).
Ah, e não deixem de acompanhar de perto Marquinhos, 18 anos, do Vitoria da Bahia. Foi “só” o craque-reveleção do campeonato até agora.