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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Cadernos do balneário

À semelhança do que sucedeu com Paulo Bento, agora é a vez de Ricardo Sá Pinto não conseguir manter o silêncio no momento da saída. São aqueles que mais falam em união e amor à camisola os que, no Sporting, se apressam a incendiar a tenda. A razão imediata (o que não significa que não existam outras) do incidente entre Sá Pinto e Liedson foi patética e repete-se milhões de vezes todas as semanas em milhares de locais: uns preferem apoiar os seus colegas de trabalho; outros humilhar os seus subordinados. Uns acham que estão apenas a fazer o seu trabalho e acham que não têm de ser insultados por isso. Outros acham que o cliente tem sempre razão. Tanto discutimos isto entre nós a propósito do assobiar ou não um jogador, como estamos constantemente a travar este debate no nosso quotidiano e em especial no nosso local de trabalho. O que é patético em Sá Pinto é a utilização que está a fazer do incidente para queimar o melhor jogador da equipa por um desabafo deste último no banco de suplentes. Um desabafo que não teria consequência rigorosamente nenhuma, não fosse a carica do nosso exaltado director desportivo saltar com facilidade. E depois claro, anda por aí muita gente sedenta do sangue de Liedson, desde que passou a ser convocado para a selecção. Na blogosfera sportinguinta, e fora dela, há muita gente que não consegue engolir a convocatória de mais um "brasileiro" e então apressa-se a julgar Liedson que, independentemente das suas opiniões sobre os adeptos, a que tem todo o direito, se limitou, na privacidade do balneário, a defender um dos seus colegas mais jovens de um ataque extemporâneo do director desportivo. Divergências destas existem em todo o lado. Andar à pancada por isso é patético. Fazer comunicados hooliganescos no rescaldo ainda é pior.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

um segundo antes do 'Golo!!!' e três antes do 'tomem filhos da puta!'

Foram dez segundos.
Nos primeiros sete ele constrói, cresce, agiganta-se, faz porco-sapato dum, sacanagem c'outro. ao oitavôôôôohhh!!! eeeehhh!!! oooolllééééé!!!! três em um. ao nono, de súbito, um silêncio no estádio.

variação brusca que me estala os tímpanos. não é de respeito. tampouco por reverência ou cumplicidade. faz-se silêncio porque a obra se solta e fica à mercê do deus-dará. a hipótese de ver tudo desfeito com o vento ou como naquelas obras de arte budistas de arroz colorido que, uma vez concluídas, são desmanchadas de imediato pelos próprios criadores. calma que isto não é o Tibete. Alvalade XXXI (isto sim é um "re-naming" digno de gente): ele cruza, a obra prestes a desfazer-se como um karma....

não se desfaz. faz-se. História, Arte e Poesia. no número primo a Obra-Prima. deus-deu. 3-1.