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terça-feira, 6 de julho de 2010

Vender em baixa

Diz o senso comum que para fazer um bom negócio é preciso comprar em baixa e vender em alta. No Sporting, ou melhor, na SAD, fazem tudo ao contrário. Confirma-se o novo contrato de cedência dos direitos televisivos do futebol, à PPTV, do grupo Controlinveste, propriedade de Joaquim Oliveira, o tal que é também proprietário dos três jornais para onde o FCP sopra as notícias e de 30% da "nossa" SAD. A venda dos direitos até 2017/1018 foi feita por 108 milhões, o que dá os tais 15 milhões por época. O Benfica está a pedir pelo menos o dobro e arrancou com uma exigência de 40 milhões. Agora, a questão que se coloca é saber quem é que no seu perfeito juízo vai renegociar um contrato que era válido até 2013 num momento em que o clube está no lodo e, por conseguinte, as audiências estão em baixa? Que raio de gestores são estes? Por um lado, dizem-nos que vamos ser campeões por outro e nas medidas de gestão fica claro que eles próprios não acreditam nisso. Ou alguém que espera ser campeão nos próximos dois anos vai renegociar um contrato quando está em baixa em vez de o fazer quando tem mais poder negocial? Mais um belo negócio, a acrescentar a uma infindável lista. O Santander não o quer de volta?

Cooperação estratégica

Depois de feito o negócio segue-se a assadura dos concorrentes, como lhes chamou Bettencourt na AG, em lume brando. Ontem, Dias Ferreira, numa tentativa de limpar um bocado o negócio, já havia referido a possibilidade de Moutinho usar algumas das cláusulas de desvinculação introduzidas nos últimos anos pela FIFA. Não percebi muito bem, mas aparentemente por Moutinho já ter mais de cinco anos de contrato cumpridos poderia sair pagando o que faltava do seu contrato mais uns trocos. Mas o que é verdadeiramente interessante é a ofensiva mediática de hoje. Olhando para o DN, o JN e o Jogo assistimos a um relato meticuloso das incompetências que possibilitaram este negócio. Até o habitualmente solícito Jean-Paul Lares desta vez malha forte. O mais curioso é reparar na propriedade dos referidos órgãos de comunicação: todos pertencem à Olivedesportos, que por sua vez detém 20% da SAD por via directa e mais 10% por via da Nova Expressão, empresa desse grande sportinguista que dá pelo nome de Pedro Baltazar. Para cúmulo, refira-se que, ao contrário do que sucede com o Benfica, que está a pedir 40 milhõs, a SAD já negociou e vendeu os direitos televisivos até 2019, por 15 milhões de euros à mesma Olivedesportos.