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sexta-feira, 22 de agosto de 2008
O sucesso jamaicano
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Os chupistas ou vai mas é trabalhar malandro
1. Marco Fortes, aqui: "Não estava à espera. Foi um lançamento normal. Diria que a 70% das minhas capacidades. Por isso estranhei os aplausos e depois o resultado", confidenciou ao DN sport o jovem sportinguista. Marco Fortes terminou em segundo lugar na compe- titiva reunião espanhola, tornando-se também no primeiro português a superar a mítica barreira dos 20 metros , acrescentando 57 centímetros ao seu próprio recorde nacional (19,51) fixado a 27 de Fevereiro em Espinho.Um feito impar, que apanhou os especialistas de surpresa, realizado por um atleta que continua a treinar em part-time. Uma longa "travessia do deserto", afastou-o dos resultados que prometia em júnior, quando conquistou a medalha de bronze nos Europeus em 2001. "Cheguei a passar períodos em que treinei sozinho. Em 2005 e 2006, tive a possibilidade de ser orientado pelo técnico cubano Gustavo Ventura. Devo-lhe boa parte da minha recuperação mas, infelizmente, ele teve que regressar ao seu país", recorda. Mas o lançador apressa-se a recordar que teve a felicidade de reencontrar o seu actual técnico, o ucraniano Vladimir Zinchenko, antigo campeão do lançamento do disco radicado em Portugal. "É uma sorte ter a sua ajuda. Mas não esperava para já esta marca. Tanto mais que Zinchenko não é técnico profissional e só me pode treinar depois do seu trabalho , o que na prática resulta só poder orientar-me à hora de almoço ou ao fim do dia", atira, como que justificando o retardar na evolução. "É a alta competição à portuguesa. Mas sou um felizardo por poder contar com o seu saber, a sua ajuda. Agora só penso no dia-a-dia. Amanhã não sei o que me espera."
2. Pedro Dias, aqui: "Para vir a Pequim2008 tive de gastar muito dinheiro do meu bolso, para ter material adequado para competir. Investi no sonho de uma vida. Mas para futuro é complicado se não surgirem os apoios necessários e, se não houver motivação - que não tenho neste momento -, poderá acontecer situação de eu abandonar”, disse. O atleta do Sport Algés e Dafundo questiona o futuro: “Infelizmente sou amador. Tenho 26 anos, praticamente pago para fazer judo e é complicado. Estou a estudar devagarinho, em Gestão e Administração, e é preciso pensar no futuro. Recebo bolsa do COP agora, mas porque estou na elite do judo. Para continuar a receber essa bolsa é preciso manter-me no topo, caso contrário...”. “Aos 26 uma pessoa começa a pensar em casar, ter família e uma casa. E é complicado. Precisava de um patrocinador que permita ter ajuda básica para estabilizar”, acrescentou. Pedro Dias diz que “não é fácil treinar todos os dias duas vezes, estudar e dar aulas a crianças para ganhar alguns tostões”. “No final do mês estar a juntar os trocos todos a ver se tenho dinheiro para pagar as minhas contas é muito complicado”, lamentou. Segundo o atleta, a situação de Telma Monteiro, que representa o Benfica, é totalmente diferente: “Vive num mundo completamente à parte em que tem todas as condições e mais algumas para atingir o estrelato”. "
3. O valor das famosas bolsas olímpicas (página 13) é o seguinte: 1250 euros mensais para medalhados; 1000 euros para finalistas; 750 euros para semi-finalistas e 500 euros para qualificados. É com um apoio de pouco mais de 200 contos por mês do Estado que os atletas se preparam para ganhar uma medalha olímpica. Os melhores, os melhores...
INDECOROSAMENTE SACADO DO 442
2. Pedro Dias, aqui: "Para vir a Pequim2008 tive de gastar muito dinheiro do meu bolso, para ter material adequado para competir. Investi no sonho de uma vida. Mas para futuro é complicado se não surgirem os apoios necessários e, se não houver motivação - que não tenho neste momento -, poderá acontecer situação de eu abandonar”, disse. O atleta do Sport Algés e Dafundo questiona o futuro: “Infelizmente sou amador. Tenho 26 anos, praticamente pago para fazer judo e é complicado. Estou a estudar devagarinho, em Gestão e Administração, e é preciso pensar no futuro. Recebo bolsa do COP agora, mas porque estou na elite do judo. Para continuar a receber essa bolsa é preciso manter-me no topo, caso contrário...”. “Aos 26 uma pessoa começa a pensar em casar, ter família e uma casa. E é complicado. Precisava de um patrocinador que permita ter ajuda básica para estabilizar”, acrescentou. Pedro Dias diz que “não é fácil treinar todos os dias duas vezes, estudar e dar aulas a crianças para ganhar alguns tostões”. “No final do mês estar a juntar os trocos todos a ver se tenho dinheiro para pagar as minhas contas é muito complicado”, lamentou. Segundo o atleta, a situação de Telma Monteiro, que representa o Benfica, é totalmente diferente: “Vive num mundo completamente à parte em que tem todas as condições e mais algumas para atingir o estrelato”. "
3. O valor das famosas bolsas olímpicas (página 13) é o seguinte: 1250 euros mensais para medalhados; 1000 euros para finalistas; 750 euros para semi-finalistas e 500 euros para qualificados. É com um apoio de pouco mais de 200 contos por mês do Estado que os atletas se preparam para ganhar uma medalha olímpica. Os melhores, os melhores...
INDECOROSAMENTE SACADO DO 442
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Só te lembras de Santa Bárbara nas Olimpíadas - II
Sem pedir autorização ao dono, deixo aqui um resumo de uma posta de um bloguista da Colectividade Desportiva, que vos incito a lerem:
"Ciclicamente – sobretudo quando ocorrem competições desportivas que de algum modo permitem comparar em termos internacionais o valor da expressão competitiva do pais, como é o caso dos Jogos Olímpicos - fala-se de política desportiva. Mas é sol de pouca dura. Fala-se com a mesma intensidade e profundidade com que, de repente, se deixa de falar. E enquanto se fala repetem-se os habituais lugares-comuns. Não vem grande mal ao mundo. Mas é sintoma de um problema profundo. Esse sim, a poder merecer alguma reflexão: o de existir um pensamento político pouco estruturado em matéria de política desportiva.
(…)
Os dirigentes políticos e desportivos não desejam rupturas. E não apreciam os que as propõem. Detestam idealismos rebeldes. E radicalismos. Gostam do que têm. Se possível com mais “apoios”. Aqui reside tudo: mais apoios. Uns dizem que faltam. Outros dizem que nunca houve tantos como agora. Mas uns e outros unidos sobre a magna/magia questão dos apoios.
(…)
Esta debilidade no pensamento político/desportivo não pode deixar de ter consequências nas “ políticas”. O que explica, por exemplo, uma clara desconformidade entre as “políticas”-o “que se faz”- e a matriz ideológica que supostamente as inspiraria. Não é um problema actual ou deste ou daquele governo. Os governos, em parte, são aquilo que as oposições e os governados condicionam.
(…)
E aqui há uma “questãozinha”: há países que têm níveis de desenvolvimento económico, demográfico e social equivalentes ou inferiores aos nossos mas apresentam resultados e indicadores desportivos superiores. E das duas, uma: ou investem verbas superiores nas políticas públicas desportivas, o que em alguns casos não ocorre; ou têm níveis superiores de organização e qualidade desportivas o que lhes permite maximizar os recursos disponíveis. Vale a pena pensar nisto ou vamos aguardar pelos “dias de maior sorte”segundo o apelo do homem do leme???"
Quanto à "questãozinha", já aqui levantada, está bem escarrapachada nesta ligação que o Pantera descobriu.
"Ciclicamente – sobretudo quando ocorrem competições desportivas que de algum modo permitem comparar em termos internacionais o valor da expressão competitiva do pais, como é o caso dos Jogos Olímpicos - fala-se de política desportiva. Mas é sol de pouca dura. Fala-se com a mesma intensidade e profundidade com que, de repente, se deixa de falar. E enquanto se fala repetem-se os habituais lugares-comuns. Não vem grande mal ao mundo. Mas é sintoma de um problema profundo. Esse sim, a poder merecer alguma reflexão: o de existir um pensamento político pouco estruturado em matéria de política desportiva.
(…)
Os dirigentes políticos e desportivos não desejam rupturas. E não apreciam os que as propõem. Detestam idealismos rebeldes. E radicalismos. Gostam do que têm. Se possível com mais “apoios”. Aqui reside tudo: mais apoios. Uns dizem que faltam. Outros dizem que nunca houve tantos como agora. Mas uns e outros unidos sobre a magna/magia questão dos apoios.
(…)
Esta debilidade no pensamento político/desportivo não pode deixar de ter consequências nas “ políticas”. O que explica, por exemplo, uma clara desconformidade entre as “políticas”-o “que se faz”- e a matriz ideológica que supostamente as inspiraria. Não é um problema actual ou deste ou daquele governo. Os governos, em parte, são aquilo que as oposições e os governados condicionam.
(…)
E aqui há uma “questãozinha”: há países que têm níveis de desenvolvimento económico, demográfico e social equivalentes ou inferiores aos nossos mas apresentam resultados e indicadores desportivos superiores. E das duas, uma: ou investem verbas superiores nas políticas públicas desportivas, o que em alguns casos não ocorre; ou têm níveis superiores de organização e qualidade desportivas o que lhes permite maximizar os recursos disponíveis. Vale a pena pensar nisto ou vamos aguardar pelos “dias de maior sorte”segundo o apelo do homem do leme???"
Quanto à "questãozinha", já aqui levantada, está bem escarrapachada nesta ligação que o Pantera descobriu.
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Outros indicadores
Apesar de andar tudo um bocado stressadito, consequência da mania das grandezas, que vê na falta de medalhas um indicador da crise vale a pena olhar para a coisa por outro prisma, alargando um pouco o campo de análise: o número de atletas presentes nos jogos (valeria a pena analisar as políticas de formação da comitivas, e sobretudo o número de atletas que atingiram os mínimos olímpicos, mas neste momento não tenho dados nem vagar para a tarefa). Quem for ao site do COP poderá encontrar o número de modalidades em que o país esteve representado. Não tive para ter o trabalho de discriminar por olimpíada mas em Estocolmo em 1912 foram 2 e em 2004 em Atenas foram 17.
Estocolmo: 1912 - 6
Antuérpia: 1920 - 14
Paris: 1924 -23
Amsterdão:1928 -32
Los Angeles:1932 - 6
Berlim:1936 - 19
Londres:1948 - 46
Helsínquia:1952 - 71
Melbourne/Estocolmo:1956 -11
Roma:1960 -65
Tóquio: 1964 - 20
México: 1968 -20
Munique:1972 - 29
Montreal: 1976 - 19
Moscovo:1980 -10
Los Angeles: 1984 -36
Seul: 1988 - 65
Barcelona:1992 - 103
Atlanta:1996 - 106
Sidney:2000 - 62
Atenas :2004 - 82
Pequim:2008 - 78
Estocolmo: 1912 - 6
Antuérpia: 1920 - 14
Paris: 1924 -23
Amsterdão:1928 -32
Los Angeles:1932 - 6
Berlim:1936 - 19
Londres:1948 - 46
Helsínquia:1952 - 71
Melbourne/Estocolmo:1956 -11
Roma:1960 -65
Tóquio: 1964 - 20
México: 1968 -20
Munique:1972 - 29
Montreal: 1976 - 19
Moscovo:1980 -10
Los Angeles: 1984 -36
Seul: 1988 - 65
Barcelona:1992 - 103
Atlanta:1996 - 106
Sidney:2000 - 62
Atenas :2004 - 82
Pequim:2008 - 78
O Horror, o Caos, a Loucura e a Degenerescência da Raça
O escândalo que se tem feito à volta da participação da comitiva portuguesa nos JO é um exagero e não tem razão de ser. Ou melhor, tem toda a razão de ser, mas essa razão não se encontra nos resultados. Estes, aliás, correm o risco de ser um dos melhores JO de sempre para a Pátria. Tirando Atenas, em 2004, onde Obikwelu, Paulinho e Rui Silva ganharam medalhas e Los Angeles, em 1984, onde Rosa Mota, Carlos Lopes e António Leitão cumpriram igualmente o feito, as restantes participações portuguesas (com excepção destas duas magníficas excepções onde a Pátria averbou três medalhas Olímpicas) saldaram-se por um total de 0,1 ou 2 medalhas no máximo. Se Nelson Évora subir ao pódio a coisa até fica acima da média. Tendo em conta estes números sugiro à malta que se preocupa exclusivamente com as medalhas que relaxe o nervo. A coisa está completamente dentro do padrão. A esses gostaria ainda de perguntar se o seu interesse pelas modalidades surge uma vez de quatro em quatro anos à boleia do fervor nacionalista, ou se são capazes de me dar mais um ou dois nomes de qualquer uma das modalidades em que o país esteve representado nos JO (isto claro para além dos que lá estão. Exemplo: Algum leitor da Roulote me sabe dizer, sem recurso ao Google o nome de mais duas judocas portuguesas? Ou de mais dois ou três velejadores? Ou seja lá do que for?)?
Quem se lixa é sempre o mexilhão ou pequeno como o teu cérebro
ou ainda o que é que eu tenho a ver com a formação técnica débil, os poucos técnicos qualificados ou os poucos jovens na prática desportiva? Afinal eu sou apenas um miserável Secretário de Estado do Desporto e só sirvo para ser fotografado ao lado dos medalhados e meter a cabeça debaixo da areia sempre que há merda.
O secretário de Estado da Juventude e Desporto, Laurentino Dias, sublinhou hoje que a participação de um pequeno país, "débil" como Portugal, nos Jogos Olímpicos é uma "tremenda aventura". "Para um país como Portugal, os Jogos Olímpicos são uma tremenda aventura. Porquê? Porque nós somos o país que somos: 10 milhões de habitantes, uma economia débil, uma formação técnica débil, poucos técnicos qualificados, poucos jovens na prática desportiva e somos um país pequeno na Europa, a que pertencemos. E no mundo, então, somos um país muito pequeno".
O secretário de Estado da Juventude e Desporto, Laurentino Dias, sublinhou hoje que a participação de um pequeno país, "débil" como Portugal, nos Jogos Olímpicos é uma "tremenda aventura". "Para um país como Portugal, os Jogos Olímpicos são uma tremenda aventura. Porquê? Porque nós somos o país que somos: 10 milhões de habitantes, uma economia débil, uma formação técnica débil, poucos técnicos qualificados, poucos jovens na prática desportiva e somos um país pequeno na Europa, a que pertencemos. E no mundo, então, somos um país muito pequeno".
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Só te lembras de Santa Bárbara nas Olimpíadas - I
O Obikwelu é mesmo bom e disso todos sabem. A sua postura e humildade conferem-lhe a aura de campeão, mesmo quando não traz medalhas. Ainda assim, para as ganhar são precisas outras componentes, como as físicas e materiais.
O que vocês já não sabem é que eu me lembrei duma entrevista que, meses atrás, o Marco Fortes deu ao jornal Sporting onde ele falava das suas condições de trabalho. E uma vaga memória me dizia que o cenário estava longe da “melhor preparação de sempre” (onde é que eu já ouvi isto?), como agora afirma o presidente do COP. Após duas googladas, graças ao bendito blog “Sporting: o Rei do Atletismo” (para quando o regresso?) consegui encontrar a dita. Como factos pesam mais do que especulações sobre intenções ou da boa “educação” dos atletas, vamos direitinho a eles:
«J.S. - Como são passados os seus dias?
M.F. - Os meus dias são complicadíssimos. Acordo de manhã, vou à fisioterapia ou à massagem e depois fico à deriva, porque tenho tido problemas com o meu treinador e nunca sei se vou ter acompanhamento. Grande parte do meu trabalho é feito sozinho, obviamente com orientação, e não tem sido fácil. (...)»
(os "problemas" são melhor decifrados no Record:) «Mas mantém-se bastante céptico relativamente ao futuro, já que continua muito dependente da disponibilidade do seu treinador, o ucraniano Vladimir Zinchenko, que ganha a vida graças a uma oficina de automóveis que possui na Pontinha, nos arredores de Lisboa, só o podendo treinar nas horas vagas… quando as tem.
(...)
“Cheguei a passar períodos em que treinei sozinho.” (...). Voltou a treinar-se com Zinchenko, tanto mais que a federação o financiou. “Mas este ano a federação deixou de o ajudar e pode dizer-se que, agora, ele me treina por carolice. Por eu estar na alta competição, tem direito a 500 euros anuais (não chega a 50 euros mensais) e para ele me acompanhar a algumas provas sou eu que o subsidio.”».
«J.S. - Como é o seu relacionamento com o Professor Mário Moniz Pereira?
M.F. - O relacionamento entre ele e os atletas era mais frequente quando o Clube tinha a sua própria pista. Aí, ele podia ««controlar»» toda a gente. Como ele diz, "não há nada melhor do que ter as tropas debaixo de olho". Agora, é mais difícil acompanhar todos os atletas, porque cada um treina em seu local.»
Mais. Em Janeiro deste ano, o clima de (in)satisfação da Comissão de Atletas Olímpicos (CAO) com a acção governativa para os Jogos Olímpicos era de tal modo acrimonioso que não tiveram papas na língua quando expressaram assim o seu descontentamento na Assembleia da Republica.
O que vocês já não sabem é que eu me lembrei duma entrevista que, meses atrás, o Marco Fortes deu ao jornal Sporting onde ele falava das suas condições de trabalho. E uma vaga memória me dizia que o cenário estava longe da “melhor preparação de sempre” (onde é que eu já ouvi isto?), como agora afirma o presidente do COP. Após duas googladas, graças ao bendito blog “Sporting: o Rei do Atletismo” (para quando o regresso?) consegui encontrar a dita. Como factos pesam mais do que especulações sobre intenções ou da boa “educação” dos atletas, vamos direitinho a eles:
«J.S. - Como são passados os seus dias?
M.F. - Os meus dias são complicadíssimos. Acordo de manhã, vou à fisioterapia ou à massagem e depois fico à deriva, porque tenho tido problemas com o meu treinador e nunca sei se vou ter acompanhamento. Grande parte do meu trabalho é feito sozinho, obviamente com orientação, e não tem sido fácil. (...)»
(os "problemas" são melhor decifrados no Record:) «Mas mantém-se bastante céptico relativamente ao futuro, já que continua muito dependente da disponibilidade do seu treinador, o ucraniano Vladimir Zinchenko, que ganha a vida graças a uma oficina de automóveis que possui na Pontinha, nos arredores de Lisboa, só o podendo treinar nas horas vagas… quando as tem.
(...)
“Cheguei a passar períodos em que treinei sozinho.” (...). Voltou a treinar-se com Zinchenko, tanto mais que a federação o financiou. “Mas este ano a federação deixou de o ajudar e pode dizer-se que, agora, ele me treina por carolice. Por eu estar na alta competição, tem direito a 500 euros anuais (não chega a 50 euros mensais) e para ele me acompanhar a algumas provas sou eu que o subsidio.”».
«J.S. - Como é o seu relacionamento com o Professor Mário Moniz Pereira?
M.F. - O relacionamento entre ele e os atletas era mais frequente quando o Clube tinha a sua própria pista. Aí, ele podia ««controlar»» toda a gente. Como ele diz, "não há nada melhor do que ter as tropas debaixo de olho". Agora, é mais difícil acompanhar todos os atletas, porque cada um treina em seu local.»
Mais. Em Janeiro deste ano, o clima de (in)satisfação da Comissão de Atletas Olímpicos (CAO) com a acção governativa para os Jogos Olímpicos era de tal modo acrimonioso que não tiveram papas na língua quando expressaram assim o seu descontentamento na Assembleia da Republica.
Pequim 2008

Apesar do título da posta ser Pequim 2008, não é meu objectivo fazer uma retrospectiva dos jogos em si! Sendo o Sporting o clube mais medalhado a nível nacional e com relevância no panorama internacional, há que dar aqui alguma importância devida ao JO. Gostaria que este post fosse motivado por inúmeros momentos de felicidade, mas não, o que preciso é de desabafar! Poderia estender-me a falar de toda a participação portuguesa, mas há 2 casos que me estão a revoltar.
Primeiro, com base nas declarações feitas ontem pelo inevitável Rui Santos, o ciclista Sérgio Paulino andou a receber uma bolsa mensal de mil e muitos euros durante estes 4 anos tendo em vista a preparação dos JO. Todo esse dinheiro, para 1 mês antes da competição vir anunciar que tem asma e afinal não pode ir! Fogo será isto mesmo verdade?! Por um lado considero que todos os atletas o que mais ambicionam é participar nos JO, pois são o esplendor máximo das modalidades. Também considero que a saúde dos atletas é mais importante que qualquer participação. Mas porra, só terá sido detectada a asma a 1 mês da partida?! Só agora nessa altura é que reparou que Pequim tem índices de poluição elevadíssimos?! Tenho pena que um medalhado de prata em Atenas se comporte desta maneira. À mulher de César não basta ser séria, tem de parecer...e neste caso não parece.
Segundo, e este é que custa mais porque ouvi as declarações em directo e sei que é verdade, Marco Fortes. Não é que, após ter sido eliminado no lançamento do peso, com 2 nulos e 18,05m (muito abaixo do record pessoal 20,13) o gajo vem dizer que a hora foi prejudicial para o seu desempenho..."A esta hora é bom é estar na caminha"..."na caminha de perna esticada a descansar"...FODASSE! Mas o que é isto?! Podemos AINDA não ter as melhores condições para preparar convenientemente os JO, mas o estado (nós) gastou 15 milhões de euros na preparação deste evento! 15 milhões não podem ser investidos em mandriões!!! Pior! Sim há pior! Este Marco Fortes é atleta do Sporting!! Por algum motivo o COP veio pedir, sem referenciar nomes, mais profissionalismo e brio! Ah! Também acho piada às noticias que tentam "esconder" a caminha.
Para finalizar gostaria de agradecer ao Obikwelu o esforço que fez devido ao seu problema no joelho, e humildade que demonstrou ao serviço do Sporting e de Portugal. Gostei de ver o pedido de desculpas...talvez os outros atletas tivessem também que trabalhar nas obras para aprenderem a não dizer parvoíces.
E claro, muitos parabéns à Vanessa Fernandes, que apesar de ser Benfiquista, tem elevado bem alto o nome de Portugal. Foi a 21ª medalha de sempre para Portugal. É um exemplo a seguir. Esperança agora no Nelson Évora, Naíde, Gustavo Lima...
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