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domingo, 1 de junho de 2008

O tempo fará com que a mentalidade se vá invertendo

No futuro o Sporting vai deixar de ter a maioria de capital da SAD? Os sócios incomodam-se sempre com isto, em qualquer clube. Para si, esta questão é ou não é importante?

Primeiro: quando foi feita a lei das sociedades desportivas, não se permitia que os clubes tivessem mais de 40% das SAD. O espírito da lei era exactamente os clubes não controlarem o capital social de uma SAD. Foi introduzida depois, na lei, uma variável que permite, de uma forma indirecta, os clubes terem mais de 50% das SAD. Não conheço nenhuma empresa cotada em bolsa em que um accionista com 40% não domine qualquer assembleia-geral.

Até ao dia em que alguém fizer uma OPA e ficar com os outros 60 por cento….

O Sporting tem acções da classe A, e os accionistas que fizessem uma OPA, que são os que têm acções da classe B, numa assembleia-geral, mesmo com 60% do capital, só teriam direito a 10% dos votos. Os estatutos da SAD do Sporting blindam essa possibilidade [de alguém controlar que não o clube].

No futuro, seria preocupante para si, como sportinguista, que o clube viesse a poder seguir um caminho igual ao do Manchester United, ou do Chelsea, em que um magnata investe e depois tenta conseguir os melhores resultados para oferecer aos adeptos?

No Sporting, e na SAD, isso não é [actualmente] possível. A gestão será sempre do Sporting.

Mas, se fosse possível, isso era preocupante?

O novo paradigma da competitividade pode passar necessariamente por isso. Eu tenho uma cabeça bastante aberta relativamente a esses temas, desde que se mantenha o espírito de adepto ligado a um emblema.

Como em Inglaterra?

Culturalmente, em Inglaterra todos os clubes nasceram como sociedades. O que eles têm depois é uma associação de adeptos, que elegem e que negoceiam com o detentor do capital da sociedade os benefícios que vão ter. A gestão está entregue a quem investe. Os clubes em Portugal têm raízes culturais totalmente diferentes, e portanto, não estão preparados para essa revolução. O tempo fará com que a mentalidade se vá invertendo.

Relativistas pós-modernos

Quando Soares Franco diz que recebeu "um enorme voto de confiança"não posso deixar de pensar no total desrespeito pelos arranjos institucionais que tornam o Sporting num clube democrático. O que estava em jogo na assembleia-geral não eram votos de confiança de nenhum tipo. O que estava em jogo era a aprovação de três medidas, votadas num pacote único, e que precisavam de uma maioria de dois terços. Maioria que não foi conseguida. Não houve portanto nenhum voto de confiança. O completo desprezo pelos estatutos do clube e a concentração dos discursos em questões como o "voto de confiança" é, se assim lhe quiserem chamar, uma forma de ignorar os arranjos institucionais que tornam o Sporting governável, e que recordo também foram aprovados em sede de Assembleia-Geral. Quanto muito pode-se falar, para utilizar essa expressão tão popular no futebol português que é "vitória moral". Nunca em voto de confiança. Perdeu mas esteve a ganhar. E por isso, porta-se como se tivesse ganho, com total desprezo pelos estatutos do clube. O modo como fala em "minorias de bloqueio" é disso mesmo ilustrativo. O que vale é que o clube desses chatos chamados sócios está quase a desaparecer.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Um clube diferente - Acto III

Realizou-se dia 28 de Maio de 2008, uma AG Extraordinária proposta pelo Conselho directivo do SCP.

Da ordem de trabalhos constava um ponto único. Ver aqui.

O resultado da votação foi de 63,71% Sim, e 36,29% Não.

Não havendo maioria de 2/3 na referida votação a proposta foi chumbada.

CONDUÇÃO DA ORDEM DE TRABALHOS

A condução da ordem de trabalhos correu de forma profundamente lamentável.

Um dos primeiros oradores, sócio Dias Ferreira, apresentou-se com um discurso que o próprio anunciou demorar cerca de 24 minutos. Após esgrimir argumentos com o presidente da mesa, alegou o facto de em seu favor cinco sócios inscritos terem abdicado dos seus tempos de intervenção. A negociação de «minutos» prosseguiu durante alguns instantes, que acabou numa decisão do presidente da mesa em conceder ao sócio em causa metade do tempo concedido. Ia a intervenção já ultrapassando largamente o tempo estipulado, quando o presidente da mesa interrompeu afirmando que estenderia o tempo em mais quatro minutos na sequência de mais uma desistência em favor do orador.

Cerca das 23,30 horas, foi entregue à mesa um requerimento que prescindia da palavra dos sócios ainda inscritos que não a tinham usado, passando de imediato à votação.

A confusão nos longos minutos que se seguíram, resultou na tentativa de votação de braço no ar do requerimento, frustrada pela impossibilidade dos serviços a conseguírem concretizar.

Neste longo período ninguém usou da palavra.

Entretanto deram entrada na mesa outros dois requerimentos, que não foram sujeitos a votação. Facto para o qual não houve nenhuma explicação.

Posteriormente o presidente da mesa tomou a decisão de conceder um minuto a cada um dos ainda inscritos, mas abrindo a votação de imediato.

Acto contínuo, uma grande maioria dos sócios desloca-se para a zona das urnas a fim de exercer o direito de voto, por um lado, sendo que por outro, ainda alguns sócios tentavam usar da palavra.

Acredito que o presidente da mesa, pessoa pela qual tenho consideração, fará uma reflexão destes acontecimentos para que os evite no futuro, a bem da dignidade e grandeza que o órgão máximo do nosso Clube merece

Sobre os vergonhosos acontecimentos de ontem na AG ver ainda: Visão Leonina e King Lizards.

Recordo finalmente a intervenção conclusiva da AG. Foi de Vasco Lourenço, que revoltado dizia que o modo como a AG foi conduzida não só foi uma vergonha, como não foi inocente. Penso não estar a mentir se disser que o capitão nem sequer estava inscrito para falar e subiu espontaneamente ao palanque. Por oposição, Soares Franco quando instado pelo Presidente da Mesa da AG sobre a sua disponibilidade para deixar algumas palavras à AG, depois de contados os votos, com o sportinguismo, o entusiasmo, o desejo de transparência e acountability, o carisma e a vontade de união que o caracteriza declinou com um singelo" não".

Um clube diferente - Acto II

O que acontece é que a proposta que Filipe Soares Franco, presidente leonino, leva à assembleia geral, tem uma curiosa coincidência de premissas com a intenção manifestada por Vale e Azevedo, em 2001, na altura Presidente do Sport Lisboa e Benfica, de constituir uma SAD “aberta”, ou seja, em que a maioria do capital (51%) estivesse cotada em bolsa, à mercê de um qualquer investidor – contra o que se passa actualmente, em que 51% do capital pertence ao clube e os restantes 49% está disperso pelos mais variados accionistas...
A história e os tribunais já julgaram Vale e Azevedo – apesar da sua coragem inicial de ter revelado, pela primeira vez, os rostos do “sistema”, arrastou o nome do Benfica pela lama como nunca tinha acontecido e como nunca mais acontecerá -, expulso de sócio em assembleia geral.
Se a proposta de Soares Franco for aprovada, a história e os sócios do Sporting o julgarão. Uma coisa é certa: depois de hoje, nada ficará como dantes no clube leonino.

Via Leão da Estrela.

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Desculpem a falta de criatividade, mas neste momento não dá para mais. Com um forte abraço para os King Lizards, José Gomes e João Mineiro, e um sincero vai-te foder para o Verde CDV.