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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

No comprendo

Uma pessoa está uns dias sem escrever e os eventos multiplicam-se; sinal evidente de um clube ainda (esperemos) sem rumo definido. Sem um auxiliar de memória, nestes últimos dias tivemos direito a uma venda mais ou menos disparatada de Miguel Veloso. Ainda não se percebe se essa venda faz parte de um processo de limpeza de balneário dos jogadores da formação do passado, de uma nova relação com a formação - para contrabalançar esta ideia Cedric foi chamado para a equipa principal (e bem) e André Santos habilita-se a ser titular no próximo jogo - ou resulta de urgente necessidade de dinheiro. Neste âmbito leu-se também uma entrevista de Mil Homens cujo sentido não é compreensível de imediato. Não percebo se traduz um desinvestimento na formação ou se pelo contrário a compreensão de que o modelo de passagem para a equipa principal enquanto rampa de lançamento para voos mais altos é insustentável. Claro que conhecendo aquela gente a primeira hipótese não é de descartar. A segunda seria indicativa de progressos. Tivemos o caso Liedson, mais ou menos bem resolvido pela direcção, com o Sporting e Liedson a serem danos colaterais do circo que se vive na Federação. Enfim, um clube cujo rumo ainda não se percebe.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Caça de Mitos Sportinguistas # Missão 1: o orçamento (2ª parte)

Ainda está por inventar uma fórmula que consiga equacionar o “real” valor de um plantel. Onde factores externos como o contexto, a especulação, a influência dos empresários, a margem de progressão dos jogadores sejam “extraídos” e onde factores internos como a experiência, "influência no grupo”, maturidade, vínculo emocional, entre muitos outros, sejam introduzidos. Não obstante nada nos impede de tentar fazer avaliações o mais objectivas possível.
À luz de dois critérios ‘de mercado’: os salários e a estimativa do crrecto “preço de venda” retomemos o mito 1.

O Mito 1 apoia-se no seguinte argumento:
Para ganhar o campeonato é muito importante ter o melhor orçamento. O nosso orçamento é muito mais baixo, logo será pouco provável ganharmos o campeonato.

O argumento vai abaixo também por não ser suficientemente sólido do ponto de vista do valor “real”, ou (vai dar ao mesmo) da qualidade do plantel.

1. Em contra-corrente com o senso-comum
o nosso gasto com salários não parece ser bastante menor que o dos rivais. Comparando as despesas salariais dos quatro jogadores mais bem pagos de cada plantel (só tive acesso a estes) temos:
Média de Gastos anuais: FCP – €1,365 milhões; SCP - €1,2 milhões; SLB - €1,38 milhões;
Total de Gastos anuais: FCP - €5,46 milhões; SCP – €4,8 milhões; SLB - €5,52 milhões.
A diferença do SCP p'rós rivais ronda os 600 a 700 mil euros. É quanto vale o empréstimo do Pele ao Portsmouth. Inferior mas insignificante.

Passemos ao valor “real” dos plantéis. Para não entrarmos em discussões intermináveis resolvi tomar como índice a classificação feita por
este sítio. Pese embora ser uma avaliação de mercado onde factores como a idade e internacionalizações enviesam um pouco a avaliação “real do plantel”, não outra e é ela que nos servirá de análise.

2. O valor “real” dos três plantéis não anda muito longe uns dos outros.
O plantel do FCP (25 jogadores) é avaliado em €114,4 milhões; o do SCP (24 jogadores) em €99,1 milhões; o do SLB (24 jogadores) em €112 milhões.
O que dá uma média por jogador de: FCP - €4,576 milhões; SCP - €4,129 milhões; SLB - €4,667 milhões.
Mas, se procedermos aos ajustes relativos ao enviesamento da idade que os seguintes casos retratam:
Moreira, €3,5 milhões / Quim, €2,8 milhões;
Liedson, €10,5 milhões /
Lisandro, €13 milhões
… aos ajustes relativos ao enviesamento do estatuto de internacional:
Luisão, €10,5 milhões / Polga, 6€ milhões / Bruno Alves, €9 milhões
… aos ajustes do enviesamento de jogadores que nunca jogaram na 1ª Liga:
Stepanov, €3 milhões
… aos ajustes reativos ao enviesamento por burrice:
Miguel Veloso, €10,5 milhões / Vukevick, €6,5 milhões;
Derlei, €2,5 milhões / Nuno Gomes, €6 milhões

… e fizermos aquela que é talvez a mais fiel das análises:
3. Avaliando os jogadores, posição a posição, de forma o mais imparcial possível, é legítimo considerar os três "onzes" (18 ou 24) os mais equilibrados, desde há um par de temporadas para cá.

Posto tudo isto, era bom que se admitisse de uma vez por todas que a diferença existente na qualidade dos plantéis dos três grandes é praticamente insigificante.
Acho que está na hora de dar como “caçado” o primeiro mito.


Fontes:
http://www.futebolfinance.com/
http://dn.sapo.pt/
http://www.transfermarkt.co.uk
http://www.zerozero.pt
http://sporting.planetaportugal.com/

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Caça de Mitos Sportinguistas # Missão 1: os orçamentos (1ª parte)

Há mitos com fundo de verdade – ‘os sportinguistas são mais belos e inteligentes’. Há mitos hilariantes – ‘seis milhões de lampiões’. Mas, na sua maioria, os mitos são perigosos. Nos dias de hoje, a facilidade de acesso a informação estatística ajuda-nos de sobremaneira a liquidar com os mitos que nos atrapalham a vida verde-e-branca. Por isso resolvi perder algum tempo a pesquisar esses lugares-comuns que enganadoramente muitos julgam como verdadeiros. Vamos ao primeiro mito.

Mito 1 – ‘O SCP tem um orçamento muito mais baixo e por isso já não é nada mau estarmos em 3º lugar’.
O mito apoia-se no seguinte argumento:
Para ganhar o campeonato é muito importante ter o melhor orçamento. O nosso orçamento é muito mais baixo, logo será pouco provável ganharmos o campeonato.

Na verdade, é menos um mito do que uma parvoíce. O argumento cai logo por terra por partir de pressupostos inválidos.

1.
Está por provar que haja uma relação causal determinista entre os orçamentos dos três grandes e a classificação final, seja agora ou em competições passadas.
a) O valor do orçamento não traduz o valor financeiro do plantel.
i) Para 2008/09 a relação orçamento/gastos com aquisições de passes foi:
FCP: €40 milhões / €24,2 milhões; SCP: €25 milhões / €9,65 milhões; SLB: €30 milhões / €27,41 milhões.
Isto não traduz os gastos com o plantel porque, como é óbvio, ambos dependem de múltiplos factores tais como os proveitos (receitas de vendas, da liga dos campeões, etc.) previstos realizar. Os orçamentos dizem respeito a um conjunto muito grande de investimentos e gastos dos quais os ordenados e pagamentos de transferências são apenas uma parte;
ii) Este ano, o saldo entre transferências (entradas/saídas) foi:
FCP: + €29,45 milhões; SCP: - €6,22 milhões (negativo); SLB: - €20,31 milhões (negativo);

b) O orçamento não reflecte o valor “real” do plantel
i) O valor real do plantel não corresponde ao saldo das transferências da última(s) época(s)
ii) Se reflectisse, não estaríamos agora com os mesmo pontos do Leixões.
iii) Nos últimos 4 campeonatos, apenas um - 2005/2006 - terminou com uma classificação em consonância com a classificação dos respectivos orçamentos. E a diferença pontual foi apenas de um ponto entre os três.

2. Os gastos anuais em aquisições não reflectem senão uma ínfima parte do valor “real” do plantel.
a) O valor do plantel não se resume aos jogadores comprados neste ano. Mas mesmo se assim quisermos analisar…
b) … teria de se contrabalançar subtraindo os gastos/receitas em percentagens de passes de jogadores que já faziam/já não fazem parte do plantel. A título de exemplo, dos €9,6 milhões gastos pelo SCP apenas €2,65 milhões são mais-valias reais (50% do passe de Postiga + passe de Ricardo Baptista, que nem joga!). A grande parte dos gastos corresponde aos passes de Izmailov e Grimi que já cá estavam. O mesmo para Di Maria no SLB; Inversamente, só 29% do total das nossas receitas em venda de passes corresponde a perca efectiva de jogadores (Purovic).
c) … teria de se contrabalacar com as desvalorizações (reais) por via das saídas de jogadores cujo valor não foi contabilizado. Exemplo: no SLB saíram Rui Costa, Leo, Petit e Freddy Adu. Quanto valiam eles?? Raramente se faz este cálculo;
d) … teria de se contrabalançar com o cálculo das aquisições a “custo zero”. No SCP, Caneira, Roca, Carriço, Pereirinha, etc. No SLB Suazo…
e) Hoje em dia, é comum comprarem-se apenas parcelas dos passes. Essa despesa não corresponde ao valor "real" a adicionar ao plantel, isto é, 50% do passe do Postiga - €2,5 milhões - ou do Hulk - €5,5 milhões - corresponderá, em termos de valor "real" a adicionar ao valor do plantel, a €5 e €11 milhões, respectivamente.

Ainda assim, se somente as contabilidades das alíneas b) e e) fossem tidas em conta e, ainda que erroneamente, se associar o valor financeiro ao valor “real” das aquisições desta época, o saldo seria o seguinte:
FCP: + €25,75 milhões; SCP: - €4 milhões; SLB: - €27,25 milhões.
Ou seja, da época transacta para a actual, o SLB teria valorizado o seu plantel em quase 7 vezes mais que o SCP, ao passo que o FCP teria desvalorizado o seu na mesma proporção que o SLB se valorizou. É nestes números absurdos que caímos se seguirmos os argumentos das pessoas que alimentam este mito e, acima de tudo, desvalorizam o peso de outros factores na avaliação de um plantel. Mas, como diria Walter Franco, "o ab(surdo) não h(ouve)".

quinta-feira, 31 de julho de 2008

As maravilhas do e-mail ou rentistas

Chegou a seguinte mensagem por e-mail, tal qual a podem encontrar em baixo.

Como é que é possível que numa semana um jogador, com nome de super-herói, esteja quase a ser transferido de um clube japonês para um francês por 4 milhões de euros (pela totalidade do seu passe) e na semana seguinte um clube assumidamente corrupto pague 5,5 milhões de euros por 50% do seu passe a um clube da segunda divisão do Uruguai, para o qual ele nunca jogou?

Esse mesmo clube uruguaio foi o mesmo a quem o Sporting pagou a transferência (pelo que sei muito inflacionada) de Rodrigo Tiuí apesar de ele ter vindo do Fluminense. Será que alguém sabe a verdadeira razão destas golpadas? Eu explico!

Se bem se recordam, os senhores azuis e os verdes, tinham uns fundos muito engraçados com uma empresa chamada First Portuguese Football Players Fund, S.A.

No Outono constou que a UEFA andava a investigar esses fundos e quem é que os detinha, por isso os dois clubes foram bem rápidos a recomprar as percentagens dos passes que eram propriedades dos dois fundos.

A venda foi rápida mas não livre de esquemas. O Sporting trocou acções pela parte dos passes (sendo que o valor das acções eram o dobro do que a parte dos passes tinha sido avaliada, e o Porto pagou em dinheiro.

Mas como um dos principais investidores nestes fundos era um senhor chamado Juan Figger algo mais teve que ser negociado, pois este empresário além de ganhar dinheiro paga comissões a muita gente.

Logo após fechar o seu fundo, o Sporting comprou 50% do passe de Rodrigo Tiuí por 650 mil euros a Juan Figger (que usa o Atlético Rentista para estes esquemas), após este ter pago pevides pela totalidade do passe ao Fluminense. Além do mais no futuro se o rapaz for vendido ainda fica com 50% da transferência. Um belo favor.

Se no caso do Sporting não foi muito dinheiro, pois os valores da recompra da parte dos passes já tinham sido exagerados (o valor das acções era o dobro do que o Sporting tinha avaliado no seu relatório e contas a participação do fundo), no caso do clube corrupto assumido já se teve que fazer as coisas de forma diferente.

O Fundo detinha 9% do passe de Quaresma (além de 16,7 dos passes de Ivanildo, Paulo Machado e Vieirinha). E esses 9% poderiam valer bem mais (pelo menos é a teoria dos corruptos, do que os tais 1,7 milhões pagos. Ora quando o seu presidente Corruptamente Flatuente diz que o Quaresma só sai por 40, os tais 9% valeriam 3,6 milhões... mais do dobro do que o que foi pago.

Mas na altura, o dinheiro na SAD corrupta não era muito (era preciso comprar 50% do passe de Lisandro!) e o acordo foi feito da mesma forma que tinha sido feito com o Sporting. Comprar um Jogador a Figger pelo tal clube Uruguaio. O Figger comprava por 3 ou 4 milhões, vendia metade do passe por 5 ou 6 e o negócio estava concluido. Figger ganhava o seu, e algumas contas nas Cayman e nas Antilhas Holandesas também!

E assim aconteceu, com a chegada do Super-Hulk!

Mais uma história com final feliz... e com bolsos cheios.