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segunda-feira, 7 de junho de 2010
quinta-feira, 7 de maio de 2009
A Ironia no Futebol
Como diriam os grandes mestres do futebol, tipo Fernando Santos: o futebol é isto.
Ora a ironia sendo uma figura de estilo utilizada na linguagem, pode e muitas vezes é utilizada como parte descritiva de uma situação da vida real. Foi o que aconteceu na semana passada como o ex-treinador do Bayern. O Klinsmann, cuja equipa nos deu duas goleadas históricas (bem sei que para alguns isto nunca aconteceu e não passa de propaganda) foi despedido pelos maus resultados. Podia dizer que é bem feito por nos ter goleado, é um castigo proporcional, mas parece-me que para aquela gente o facto de ter goleado o melhor Sporting dos últimos 30 anos é irrelevante.
O que é relevante é o facto de a 4 jornadas do fim do campeonato e após uma resultado histórico na champions o treinador da equipa bávara ter sido despedido pelos maus resultados. Os maus resultados seriam o ameaçar dos objectivos no campeonato, quando o Bayern estava a 3 pontos do 1º classificado. O que só revela que quem gere aquela equipa não percebe nada de gestão futebolística, quanto muito pode perceber de futebol, que é o essencial não para fazer dinheiro com o futebol mas para ganhar títulos. O tipo que tem a mania que percebe de gestão futebolística dá pelo nome de Franz Beckenbauer, e segundo sei, foi alguém que deu uns pontapés na bola enquanto jovem (tipo Rui Santos) e nunca foi gestor de empresa nenhuma, logo só alguém tão desqualificado para o cargo como este protótipo de gestor desportivo altamente especializado é que podia tomar uma decisão deste nível.
Outra forma de ironia é aquela que às vezes aparece dentro das quatro linhas, o futebol jogado. A este ponto reporta-se a meia-final entre o Chelsea e o Barcelona.
Devo dizer que festejei o golo do Barcelona como se fosse o golo do Sporting na meia-final da taça Uefa contra o Az Alkmar. Por formação pré-concebida desejo sempre que as equipas inglesas percam. Primeiro porque os adeptos na sua maioria são ingleses, e esse povo para mim evoluíram de uns piratas para uma raça prepotente e com manias de superioridade que nos tratam como terceiro mundistas (não sei se se lembram da recepção ao Ronaldo após o Euro 2004). A única coisa que se aproveita daquele país são realmente as bifas que aparecem em albufeira e portimão à procura de alcoól e de homens latinos. A sério Ronaldo se queres definitivamente entrar para a história do futebol mundial pisga-te daí para a Espanha ou para Itália. No primeiro existem os clubes com maior peso histórico para o futebol mundial devido à base de apoio popular que possuem (os orientais com a sua inclinação anglo-saxónia não contam para as contas da Uefa). O segundo é onde se pratica o futebol mais chato e mais difícil para os avançados. Quem triunfa lá triunfa no mundo inteiro mesmo sem ganhar nada na europa - Maradona.
p.s.: para quem acha que o árbitro foi nitidamente prejudicar o chelsea proponho que faça o seguinte exercício: substitua o abidal pelo caneira e o anelka pelo aimar, jogando nos actuais clubes, e sendo o árbitro português.
Ora a ironia sendo uma figura de estilo utilizada na linguagem, pode e muitas vezes é utilizada como parte descritiva de uma situação da vida real. Foi o que aconteceu na semana passada como o ex-treinador do Bayern. O Klinsmann, cuja equipa nos deu duas goleadas históricas (bem sei que para alguns isto nunca aconteceu e não passa de propaganda) foi despedido pelos maus resultados. Podia dizer que é bem feito por nos ter goleado, é um castigo proporcional, mas parece-me que para aquela gente o facto de ter goleado o melhor Sporting dos últimos 30 anos é irrelevante.
O que é relevante é o facto de a 4 jornadas do fim do campeonato e após uma resultado histórico na champions o treinador da equipa bávara ter sido despedido pelos maus resultados. Os maus resultados seriam o ameaçar dos objectivos no campeonato, quando o Bayern estava a 3 pontos do 1º classificado. O que só revela que quem gere aquela equipa não percebe nada de gestão futebolística, quanto muito pode perceber de futebol, que é o essencial não para fazer dinheiro com o futebol mas para ganhar títulos. O tipo que tem a mania que percebe de gestão futebolística dá pelo nome de Franz Beckenbauer, e segundo sei, foi alguém que deu uns pontapés na bola enquanto jovem (tipo Rui Santos) e nunca foi gestor de empresa nenhuma, logo só alguém tão desqualificado para o cargo como este protótipo de gestor desportivo altamente especializado é que podia tomar uma decisão deste nível.
Outra forma de ironia é aquela que às vezes aparece dentro das quatro linhas, o futebol jogado. A este ponto reporta-se a meia-final entre o Chelsea e o Barcelona.
Devo dizer que festejei o golo do Barcelona como se fosse o golo do Sporting na meia-final da taça Uefa contra o Az Alkmar. Por formação pré-concebida desejo sempre que as equipas inglesas percam. Primeiro porque os adeptos na sua maioria são ingleses, e esse povo para mim evoluíram de uns piratas para uma raça prepotente e com manias de superioridade que nos tratam como terceiro mundistas (não sei se se lembram da recepção ao Ronaldo após o Euro 2004). A única coisa que se aproveita daquele país são realmente as bifas que aparecem em albufeira e portimão à procura de alcoól e de homens latinos. A sério Ronaldo se queres definitivamente entrar para a história do futebol mundial pisga-te daí para a Espanha ou para Itália. No primeiro existem os clubes com maior peso histórico para o futebol mundial devido à base de apoio popular que possuem (os orientais com a sua inclinação anglo-saxónia não contam para as contas da Uefa). O segundo é onde se pratica o futebol mais chato e mais difícil para os avançados. Quem triunfa lá triunfa no mundo inteiro mesmo sem ganhar nada na europa - Maradona.
Voltando à segunda ironia, a meia final de ontem, posso afirmar que gostei e não sinto pena pelo Chelsea. Na primeira volta vieram jogar à Italiana, logo o conceito do futebol de ataque em Inglaterra já é passado. Por isso fiquei muito feliz quando a bola o Iniesta entrou na baliza, foi o desmoronar do sistema defensivo, calculista e de contra-ataque do chelsea. Imaginam o que seriam uma semana inteira do génio táctico do Hiddink e da supremacia da defesa, dos defensores do ganhar por 1-0 em vez de 4-3. A mesma ironia estendeu-se ao árbitro do encontro. Vi o jogo e tenho de confirmar que o Chelsea tem razões de queixa da arbitragem, mas pensem bem no irónico desta situação: um clube de ricos de Londres cujo dono é um oligarca russo e que usa o clube como a sua lavandaria e que no seu consciente é dono de meio mundo, que paga a quem quer e compra quem quiser, é prejudicado para o benefício ir para um clube do povo catalão, que é gerido por sócios, que não tem sad e cuja equipa ainda patrocina a unicef de borla! Querem maior ironia do que esta. O árbitro se é ladrão é um robin dos bosques, embora me possa parecer que a incompetência está bem ao nível da nossa arbitragem.
Agora na final, como não sou de patriotismos bacocos, e aos portugueses que estão em Inglaterra não tenho nada de torcer por eles, só espero que ganhe a equipa que joga melhor e mais futebol de ataque, o Barcelona, que é uma equipa de sócios e não dos yankees americanos e que o ronaldo faça uma exibição ao nível do que já nos habituou a representar a selecção Portuguesa.p.s.: para quem acha que o árbitro foi nitidamente prejudicar o chelsea proponho que faça o seguinte exercício: substitua o abidal pelo caneira e o anelka pelo aimar, jogando nos actuais clubes, e sendo o árbitro português.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Golavrás, indigenização e as voltas de Mestre Cândido na tumba
Durante a infância interroguei-me de forma cobarde sobre o significado do termo golavrás, o aportuguesamento da expressão inglesa goal-average. Digo cobarde porque apesar de cedo ter compreendido que se tratava de uma fórmula de desempate entre equipas em situação de igualdade pontual não fui, até tempos bem recentes, capaz compreender o seu significado: nem a etimologia da palavra, inteiramente estranha aos meus ouvidos, nem o modo como se processaria o tal sistema de desempate. Nem nunca tive coragem para perguntar a quem quer fosse o seu significado. Porém, para onde quer que escutasse lá estava a palavra. Golavrás para aqui, golavrás apara ali. Vicissitudes existenciais várias levaram-me a travar contacto com o sistema do futebol português e a obra do antropólogo Arjun Appadurai, "Dimensões culturais da globalização, a modernidade sem peias". Appadurai considera o conceito de indigenização fundamental para compreender a globalização dos desportos anglo-saxónicos e em especial o entusiasmo com que são vividos em contextos pós-coloniais. Referindo-se ao caso do críquete na Índia e interrogando-se sobre como uma uma prática tão profundamente britânica acaba por se tornar um dos símbolos nacionais e um dos lazeres preferidos de uma ex-colónia o autor vê na indigenização o instrumento essencial para a apropriação do críquete por parte dos comedores de chamussas. O que é então a indigenização? No fundo, e para sermos levemente tautológicos (como o futebol português, diga-se), a indigenização é uma espécie de vernacularização. Isto é, tornar próximo algo que é à partida distante e estranho. Entre muitos outros factores, Appadurai destaca a questão linguagem. Para resumir com exemplos concretos trata-se de transformar o linesman em bandeirinha. O off-side em fora de jogo. O goal em golo, mas também em baliza. A chilena em pontapé de bicicleta.
Em Portugal, no chamado tempo das "balizas às costas", um conjunto de homens, entre os quais se destacava Mestre Cândido de Oliveira, levaram a cabo essa épica e impensável tarefa, oferecendo-nos para a posteridade o futebol português. Inventaram a imprensa e os clubes. A espelunca que hoje responde pelo nome de A Bola (que encontra entre os seus fundadores Cândido de Oliveira e Ribeiro dos Reis) foi durante os seus primeiros vinte anos de vida um projecto jornalístico, desportivo, cultural e estético absolutamente deslumbrante. Acabaram com o amadorismo farsola e diletante das equipas de Carcavelos e impuseram o futebol moderno e competitivo. Criaram uma linguagem própria para o futebol em Portugal e libertaram-na do peso arrogante e da estranheza exótica dos anglicismos. Escreveram livros sobre tácticas que ainda hoje continuam actuais. No final da II Guerra Mundial o Campeonato Nacional de Futebol, à revelia dos medos e interesses do Estado Novo (que recorde-se enviou Mestre Cândido para o Tarrafal, donde voltaria para treinar os Cinco Violinos) e à boleia do entusiasmo popular, era uma realidade. Mais tardia do que na maioria dos países mais "modernizados" da Europa, mas uma realidade de qualquer forma. Daqui para a frente seria de pensar no avanço do futebol português e no seu aperfeiçoamento gradual. No seu progresso. Na progressiva clarificação dos regulamentos e no acentuar da sua competitividade, que resultaria também de um desenvolvimento económico, político e urbano mais equilibrado. Tudo falsas esperanças. Entregues aos Hermínios, aos Lelos, aos Laurentinos, aos Madaís, Valentins, Mesquitas e a muitos outros da mesma extracção damos por nós a discutir conceitos que já nem os inventores do jogo utilizam. São cinquenta anos de trabalho que dia-a-dia são mandados para o lixo. Um final previsível para uma posta que cansa o leitor. Mestre Cândido deve estar a dar voltas na tumba. Por cá a indigenização não passa de uma corruptela.
Em Portugal, no chamado tempo das "balizas às costas", um conjunto de homens, entre os quais se destacava Mestre Cândido de Oliveira, levaram a cabo essa épica e impensável tarefa, oferecendo-nos para a posteridade o futebol português. Inventaram a imprensa e os clubes. A espelunca que hoje responde pelo nome de A Bola (que encontra entre os seus fundadores Cândido de Oliveira e Ribeiro dos Reis) foi durante os seus primeiros vinte anos de vida um projecto jornalístico, desportivo, cultural e estético absolutamente deslumbrante. Acabaram com o amadorismo farsola e diletante das equipas de Carcavelos e impuseram o futebol moderno e competitivo. Criaram uma linguagem própria para o futebol em Portugal e libertaram-na do peso arrogante e da estranheza exótica dos anglicismos. Escreveram livros sobre tácticas que ainda hoje continuam actuais. No final da II Guerra Mundial o Campeonato Nacional de Futebol, à revelia dos medos e interesses do Estado Novo (que recorde-se enviou Mestre Cândido para o Tarrafal, donde voltaria para treinar os Cinco Violinos) e à boleia do entusiasmo popular, era uma realidade. Mais tardia do que na maioria dos países mais "modernizados" da Europa, mas uma realidade de qualquer forma. Daqui para a frente seria de pensar no avanço do futebol português e no seu aperfeiçoamento gradual. No seu progresso. Na progressiva clarificação dos regulamentos e no acentuar da sua competitividade, que resultaria também de um desenvolvimento económico, político e urbano mais equilibrado. Tudo falsas esperanças. Entregues aos Hermínios, aos Lelos, aos Laurentinos, aos Madaís, Valentins, Mesquitas e a muitos outros da mesma extracção damos por nós a discutir conceitos que já nem os inventores do jogo utilizam. São cinquenta anos de trabalho que dia-a-dia são mandados para o lixo. Um final previsível para uma posta que cansa o leitor. Mestre Cândido deve estar a dar voltas na tumba. Por cá a indigenização não passa de uma corruptela.
sábado, 1 de novembro de 2008
Que clube é este? - Uma posta fora do timing
#Obs: Eu estava para escrever sobre a AG de 5ª feira. Mas como o relato estava a dar-me uma tremenda sensação de déjá vu, saquei dum flash-back e ele acabou por capotar.
O mundo é composto de mudança, dizem. Com este dito popular na mente regresso a Portugal, depois de quase seis meses fora, com ânsia por novidades. Para terem uma ideia da minha perspectiva, lembro que em Maio, quando me pus a andar, era este o cenário:
O mundo é composto de mudança, dizem. Com este dito popular na mente regresso a Portugal, depois de quase seis meses fora, com ânsia por novidades. Para terem uma ideia da minha perspectiva, lembro que em Maio, quando me pus a andar, era este o cenário:
- Com o escândalo do Apito todos os Srs. doutores responsáveis pelo desporto-rei prometiam que as ultrajantes e obsoletas leis da F.P.F. - elas próprias cúmplices do sistema - iriam definitivamente mudar.
- Pinto da Costa, suspeito de graves vigarices era recebido por Soares Franco, no nosso estádio, com abraços, charutos e outros salamaleques.
- Tinham entregue a braçadeira de capitão a um puto que não tinha (nem podia ainda ter) competências para a "carregar".
- Depois de um longo historial onde predominou esse modelo esteta do 'Joga Bonito' o Sporting tinha resolvido romper o ciclo e há muito que se dedicava ao estilo não menos pateta do 'Joga Feio'.
- Os dirigentes do Sporting diziam que já faltava pouco para a realização do Congresso.
- Os dirigentes do Sporting nada diziam sobre a AG Extraordinária requerida por um grupo de sócios.
- O treinador do Sporting embirrava com um jogador cujo nome terminava em 'Vic'.
- Jogadores da 'cantera' só queriam e só pensavam em jogar num grande (ou médio, vá lá) clube europeu.
- O Sporting não tinha um 2º equipamento tão despersonalizado (que raio é que aquilo tem a ver com o SCP?!)
Chego cá,
- As leis sobre a verdade desportiva foram votadas pelos clubes para ficar tal e qual como estão. Bravo! Bis!
- Pinto da Costa, acusado de várias e graves vigarices e interditado de acompanhar o FCP aos jogos, continua a ser recebido por Soares Franco, no nosso estádio (e nos outros todos), com abraços, charutos e salamaleques, com a diferença de desta vez ser tratado por Jorge Nuno. (Eu confesso que pagava só pra conhecer os iluminados que fizeram estas leis. Qual Gato Fedorento, qual quê?! Mas há coisa mais hilariantemente subversiva que isto?!! Puta que o pariu!).
- O Sporting joga com o pior 2º equipamento de que tenho memória.
- e o resto é fazer 'copy paste' dali de cima.
Porreiro, pá.
Com tudo isto ainda há quem se divirta a escrever que malucos são os argentinos por escolherem o Maradona pra seleccionador. Ou que o problema da militância não passa dum efeito do subprime. Ou que agora não é o timing. Valha-nos o Nosso Liedson!
PS - E valham-nos os nossos dois reforços de Outono: o Stan e o Anjo Extreminador!
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
A Tourada do Sporting
Não sei se as pessoas sabem, mas dia 28 vai acontecer um fenómeno, nómeno, ou epifenómeno digno das melhores versões B rosweltianas.
Não sendo despiciendo o que o Cacifo escreve, resolvi também aderir à solene iniciativa.
É que na monumental praça do campo pequeno vai decorrer a corrida das bandarilhas (acho que é isso).
O Sporting, ou quem parece que dirige o clube decidiu, em mais uma prova de génio, calar os detractores do regime franquista através de uma exibição de ecletismo no clube - Uma corrida desportiva com o binómio touro (animal mamífero, ruminante, artiodáctilo, com par de chifres não ramificados, ocos e permanentes, do género Bos) - homem (animal bípede da família dos primatas pertencente à subespécie Homo sapiens sapiens).
De facto os dois animais vão competir na arena, sendo que uns vão a pé e outros vão se movimentar através de outros animais se moventes designadamente um cavalo (do latim caballu, é um mamífero hipomorfo, da ordem dos ungulados, uma das sete espécies modernas do género Equus. Esse grande ungulado é membro da mesma família dos asnos e das zebras, a dos equídeos). Portanto tudo gente próxima.
Não podia de deixar de me associar a esta grandiosa demonstração de pujança ecléctica do clube, e nunca é demais frisar que após mais um ano desta iniciativa o COI está mesmo a pensar atribuir mais uma medalha de honra ao Sporting pelos serviços prestados na divulgação e sedimentação desta modalidade onde pontificam os bois.
Aliás ainda não experimentei, mas já me garantiram que quando o acto atinge o seu zénite, espetar a bandarilha, é possível atingir o prazer mental. No fundo é como espetar uma baioneta num invasor (céus como tenho saudades daqueles tempos de invasões napoleónicas).
Eu atrever-me-ia a sugerir umas quantas acções para engrandecer ainda mais a nível planetário e arredores a grandiosidade do Sporting, e como a tradição é para se manter e apoiar eu sugeria, assim, logo antes de o touro entrar, colocava-se um cristão preso a uma estaca e largava-se o touro a ver se o marrava, e aproveitar de seguida à tourada para promover um auto de fé com a queima dos hereges apóstatas e afins.
Aí para alturas do ano novo, uma demonstração de vivissecção de raças impuras e criminosos, de forma a apoiar o espírito da lei e da ordem natural das coisas.
Pela altura da primavera um escrutínio das mancebas maduras e não desfloradas de forma a apurar a sua castidade para servirem os bons moços da nossa terra. Aproveitando o Tejo, as que se julgarem impuras irão ser amarradas com pesos e deitadas ao rio, donde as mal julgadas, obviamente iriam emergir à superfície por desígnios metafísicos.
E para não ser muito extenso para encerrar a temporada, antes das idas a banhos, aproveitar o recinto do estádio, pois até tem um fosso, para se realizarem um tradicional evento de leões e cristãos, donde os mais fortes ganham aos mais fracos.
Durante o período de férias poderia-se mesmo fazer constar das festas oficiais do clube uma caça à raposa (agora que aqueles sub-desenvolvidos dos britânicos a proibiram é altura de os fazer ver o que é um país desenvolvido e de cultura humanística), e umas lutas de cães e ursos com cães.
Sei que a minha contribuição é modesta, mas penso que o ecletismo do clube e o seu nome poderiam ter muito a ganhar com o patrocínio, também, destas causas.
Ave, Mauricius, morituri te salutant
sábado, 28 de junho de 2008
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