O recambulesco aconteceu antes do início e não no fim do jogo.
Faltavam cerca de 10 minutos para o inicio do encontro, dirijo-me à porta de entrada e reparo numa fila anormal. Mais uns segundos e vejo que algo se passa, a fila está parada e uma data de indivíduos aos gritos e insultos para com a segurança ou lá o que são que fazem o controlo de entrada no estádio. Mais uns minutos e alguém na fila grita que as portas estão fechadas porque o sistema de leitura nos torniquetes não funciona. Mais gritos e impaciência e empurrões e sugestões de entrada à força por parte de alguns adeptos. Nisto, quando já estavam as equipas em campo lá abriram as portas e entrou toda a gente de avalanche sem qualquer controlo ou revista (logo desta vez que não levei a minha AK-47). Mas o importante é que o sistema de entrada nos torniquetes já estava a funcionar, pelo menos deu luz verde à minha entrada. Como esta brincadeira quando entrei no estádio o jogo já ia com 5 minutos! Se isto acontece no jogo com o porto é que há mesmo um levantamento popular.
Passando ao jogo jogado desta vez ainda houve uns 60 minutos (com boa vontade) em que a equipa do Sporting se preocupou com quem tinha ido à bola.
A entrada foi frouxa e o golo apareceu quando já se esperava pelo intervalo, em que postiga marcou um golo à ponta de lança a sério (realmente o rapaz consegue jogar bem com outro ponta de lança ao lado), apesar da posição irregular.
Depois na segunda parte boa entrada (não é alheio a isto a entrada do Vukcevic) e o segundo golo de penalti. A partir daí quem quisesse ver espectáculo é melhor seguir o conselho do paulo bento e ir ao cinema (se calhar não bocejava tanto, mas devia de ser da hora!
Quanto à equipa do Sporting mais do esquema e táctica habitual, desta vez foi bem aproveitada a subida dos laterais contra em equipa do belenenses que jogou com três defesas, mas eles não são o barcelona nem jogaram com três avançados para impedir a subida dos laterais.
Esta equipa do belém pouco têm da equipa da época passada, com a venda dos melhores jogadores e mais um carregamento de jogadores brasileiros de nível discutível parecem uma equipa de futebol de praia, sem objectividade e sem agressividade.
Também me parece que o Roca anda a perder o gás e o izma vai fazer falta, mas para compensar o Patrício negou o golo ao adversário e com isso evitou um fim de jogo sofrido.
Pelo Sporting não foi precisa muita agressividade mas quando ela é precisa nota-se a falta dela, e em especial e isto é a colocação de moutinho a trinco, claramente um desperdício.
Muito saudada foi a entrada em campo de Vuk, e quem é adepto do Sporting e convive com outros adeptos dentro e fora do estádio, daqueles que não se limitam e não frequentam blogues percebem o porquê.
Isto dá tema para uma posta sobre o assunto, mas sintetizando a relação adepto-equipa, os adeptos revêem-se nalguns tipos de jogadores e neste caso desde a saída de Sá Pinto que o Sporting não tinha um jogador agressivo e com carisma que entusiasmasse a massa associativa.
É que se há algo que me aflige nesta equipa do Sporting, há excepção de derlei (mas este já está no fim da linha) e tonel, é que a equipa é composta por jogadores copinho de leite, a começar pelo capitão que não impõe respeito a ninguém e passando por outros que não são capazes de discutir com o árbitro, encostar a cabeça e chamar nomes aos adversários. Se calhar quem só jogou à bola em amigáveis não percebe estas coisas próprias da bola. Mas é algo da essência própria do futebol, que nasceu com ele (apesar dos burocratas da fifa que nunca jogaram á bola e os comentadores que também não, quererem transformar o futebol em basquet com os pés) e que os adeptos vêm em alguns jogadores e que escasseiam na equipa do Sporting.
Recordo a apresentação de figo no barcelona, quando o treinador Cruijff, que tinha conquistado 5 campeonatos e uma liga dos campeões, iria discursar não o conseguiu por ser brindado com uma monumental assobiadela. E porquê? Porque se atreveu a dispensar um dos ídolos da equipa, Stoitchkov. É que a história é assim mesma, e ninguém a vai mudar, quem os adeptos recordam e quem eles idolatram são os jogadores e não os treinadores (se o scolari vencer no chelsea já não se vão lembrar do mourinho), e quanto mais malucos e sem cabeça são os jogadores mais idolatrados são. Exemplos: maradona, best, o já citado stoichkov, edmundo, cantona, garrincha, gascoine, entre outros. Parece existir uma correlação entre o não alinhamento no sistema dos treinadores e a genialidade, e é ténue a linha que separa a genialidade da loucura.
Mas vamos esperar que a sempre atenta e expedita direcção sadista do Sporting faça o que se espera que quem perceba de gestão futebolística.
p.s.:
Aqui pode-se ver a iniciativa da ofensiva 1906 relativamente ao preço dos bilhetes. É caso para perguntar onde estiveram os restantes 25 mil adeptos, se tudo está bem, o presidente é o melhor gestor dos clubes portugueses, o treinador é o melhor dos últimos 25 anos e o plantel é melhor do que nos anos passados, então este fenómeno é da twilight zone!
p.s. 2: por esquecimento a seguir ao jogo de barcelona não prestei uma devida homenagem. Mas como mais vale tarde do que nunca, aproveito agora para deixar a minha sentida homenagem aos 9 mil que se perderam: na deslocação a madrid para a taça uefa no ano de 95 (se a memória não me falha) e apenas aos mil e poucos que conseguiram este ano regressar a espanha. Sic Transit Gloria Mundi...
Saudações Leoninas