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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

AG, auditoria e Kafka

O Jogo informa-nos que depois de o Leão de Verdade ter desistido da AG para exigir uma auditoria externa às contas de todo o grupo Sporting o presidente da mesa da AG do clube marcou a mesma para dia 25 de Janeiro (um sábado às 15 h) no Pavilhão Paz e Amizade em Loures. Os primeiros subscritores e principais impulsionadores não sabem nada sobre o assunto nem foram informados pela direcção sobre a AG. O que é que se passa? Vem aí mais uma golpada?

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Análise de conteúdo

A oligarquia que gere o Sporting não descansa. Hoje é a vez de Ernesto Ferreira da Silva dar mais uma entrevista. Em linguagem técnica chama-se a isto apalpar o terreno. O homem que lidera a BDO, a auditora da SAD e do BPN, a única que o BPN não despediu (vá-se lá saber porquê), acha que os sportinguistas têm de de avaliar esta direcção pelos resultados apresentados neste mandato. Trata-se portanto de esquecer o passado. Acha também que os sportinguistas têm de estar "orgulhosos do trabalho feito por toda a SAD". Eu como sportinguista não estou nem deixo de estar orgulhoso do trabalho da SAD. É a direcção do Sporting que me tem de prestar contas. A SAD não me é rigorosamente nada. Com um requinte sociológico só comparável a homens como Durkheim, Weber ou Bourdieu diz que o problema da militância, que é reduzido no discurso de Silva à aquisição de bilhetes de época (isto é, à questão do consumo), está relacionado com o facto de as pessoas sairem menos de casa do que no passado, e que, por conseguinte, é um problema que afecta inúmeras outras actividades de consumo cultural. Mais ainda, relaciona essa quebra com o processo de gentrificação e comodificação das cidades "Não é por acaso que os autarcas se queixam de que os centros das cidades estão desertos." Mande de lá esses estudos e essas referências bibliográficas homem, que está a caminho de um lugar central na teoria social contemporânea. Passada a análise macro, continua a sua análise aos comportamentos associados aos consumos culturais populares no nível micro. Diz que os adeptos são todos uns bêbados de merda: "em Outubro estive em Londres e vi o Chelsea-Liverpool, jogo disputado às 13h30 de domingo. As pessoas ficam com o resto do dia livre após uma boa partida; àquela hora não terão ingerido tanto álcool como noutras alturas do dia, o que, convenhamos, não é despiciendo". Resta saber para o que é que não é despiciendo, já que o senhor Silva, num passo de génio, liga o consumo de álcool e o grau de preenchimento das bancadas às transmissões televisivas para o médio oriente. Como se diz aqui na rua "sempre a bombar". Para o caso da sua candidatura não dar certo, é o próprio jornal que lança a hipótese Rogério Alves. Para não se correr o risco de não ficar tudo em família.
Sobre o congresso e apesar da propalada crise de militância, a que aludiu umas perguntas acima, tinha medo que aparecessem dez mil pessoas: "achámos impossível fazer um Congresso para dez mil delegados e puxámos pela imaginação!". Mais, portanto, do que numa série de jogos esta época.