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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Gangsta Rap
Um dos problemas da "crise" do Sporting é que, mesmo que não queiramos, ela faz equivaler Sporting Clube de Portugal com a sua secção de futebol. Noutras modalidades profissionais, como o andebol e o futsal as coisas não correm terrivelmente. No atletismo, o desinvestimento em atletas e equipamentos levou a uma degradação de resultados. Na prática desportiva, o Sporting perdeu praticantes e chegou mesmo ao disparate de permitir a uma empresa privada abrir um ginásio nas suas instalações. Enfim, há problemas mas nada de francamente irresolúvel. Mas a verdadeira e inultrapasável crise está mesmo no futebol, e apesar de tudo ela vai afundando consigo outras áreas do clube E por mais que dê voltas à cabeça só os WU-Tang Clan é que oferecem uma resposta. É o guito. Transferências, transmissões e trafulhifes patrimoniais diversas. Só devolvendo o controlo destes fluxos aos sócios é que o clube se pode salvar. Como temos todos os dias oportunidade de verificar, a prometida transparência resultante da constituição de uma sociedade anónima terá sido a maior de todas as fraudes associadas ao projecto Roquette. As contas da sociedade mantêm secretas, no que concerne ao essencial, e os sócios do clube nunca mais puderem saber nada. Tiraram-nos o clube para nos oferecer crises. Prometeram-nos transparência para nos dar desprezo.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Prognósticos
Sobre o que se passou ontem e os resultados da votação não tenho muito a dizer. o golpe está dado. Quando a 28 de Maio de 2008 nos propuseram um pacote de três medidas votadas em boco e no final da referida AG o presidente da mesa vem dizer que afinal duas delas passaram e uma chumbou (a passagem da SCS para a SAD) muitas questões se levantaram. A resposta a essas questões surgiu ontem. Agora é esperar para ver. Eu aposto que o investimento no futebol nos vai dar um campeonato brevemente e depois vem o resto. Estou com o n_sardas quando diz que não falta muito para nos proporem a passagem do estádio para a SAD. Bettencourt ontem já falou na revisão de estatutos e João Pedro Silva já vem acrescentar umas achas à fogueira. Diz ele:
"Para não variar, a Assembleia-geral decorreu em clima de grande crispação, com a polarização do costume e os atropelos, de parte a parte, à liberdade de expressão e de opinião. O tumulto, o insulto, a vaia e a ameaça de agressão física parecem ser infelizmente elementos indispensáveis nas Assembleias-gerais do Sporting. Apenas por delito de opinião.
Considero, com muita pena minha, porque tenho sempre um impulso muito grande de participar e dar a minha opinião, que este formato começa cada vez mais a ser um exercício de pura auto-flagelação, onde a única coisa que se faz de jeito é votar."
Portanto, os meus prognósticos para os próximos tempos, provavelmente depois de ganharmos um campeonato, com o alto patrocínio da Olivedesportos, que também deve estar muito contente com os resultados de ontem: Estádio para a SAD, fim das Assembleias-Gerais, criação de uma Assembleia Delegada ou alargamento do Conselho Leonino.
Façam bom proveito.
"Para não variar, a Assembleia-geral decorreu em clima de grande crispação, com a polarização do costume e os atropelos, de parte a parte, à liberdade de expressão e de opinião. O tumulto, o insulto, a vaia e a ameaça de agressão física parecem ser infelizmente elementos indispensáveis nas Assembleias-gerais do Sporting. Apenas por delito de opinião.
Considero, com muita pena minha, porque tenho sempre um impulso muito grande de participar e dar a minha opinião, que este formato começa cada vez mais a ser um exercício de pura auto-flagelação, onde a única coisa que se faz de jeito é votar."
Portanto, os meus prognósticos para os próximos tempos, provavelmente depois de ganharmos um campeonato, com o alto patrocínio da Olivedesportos, que também deve estar muito contente com os resultados de ontem: Estádio para a SAD, fim das Assembleias-Gerais, criação de uma Assembleia Delegada ou alargamento do Conselho Leonino.
Façam bom proveito.
sábado, 10 de outubro de 2009
E vocês sabiam?
Pelos vistos a Academia já passou para a SAD e as VMOCS já foram aprovadas. Sabiam? O Record pelos vistos sabe. Agora só falta passar a Comércio e Serviços para o plano que foi Chumbado no Pavilhão Atlântico se concretizar na Íntegra. Fica a notícia para os mais distraídos, entre os quais me incluo. Eu pensava que A Academia ainda era do Sporting e que as VMOCS tinham sido chumbadas. Pelos vistos não foi bem assim. Vamos lá ver na terça se a Hidra dá a machadada final no clube, que vem sendo adiada desde 2006.
A passagem da Academia para a SAD e a autorização dos associados para a emissão de VMOC, os outros dois pontos do plano de reestruturação acordado com os bancos, BES e BCP, estão já aprovados desde maio de 2008, quando Soares Franco convocou os associados para a reunião magna que decorreu na Sala Tejo do Pavilhão Atlântico.
Nessa noite, as duas medidas que, estatutariamente, não careciam de uma maioria qualificada, receberam a aprovação dos sócios, que apenas rejeitaram a passagem da Sporting Comércio e Serviços para a SAD. É que esta medida carecia de dois terços dos votos, fasquia que não foi atingida por escassos 4 por cento. A aprovação dos dois primeiros pontos foi transmitida e aceite pelos presentes.
A passagem da Academia para a SAD e a autorização dos associados para a emissão de VMOC, os outros dois pontos do plano de reestruturação acordado com os bancos, BES e BCP, estão já aprovados desde maio de 2008, quando Soares Franco convocou os associados para a reunião magna que decorreu na Sala Tejo do Pavilhão Atlântico.
Nessa noite, as duas medidas que, estatutariamente, não careciam de uma maioria qualificada, receberam a aprovação dos sócios, que apenas rejeitaram a passagem da Sporting Comércio e Serviços para a SAD. É que esta medida carecia de dois terços dos votos, fasquia que não foi atingida por escassos 4 por cento. A aprovação dos dois primeiros pontos foi transmitida e aceite pelos presentes.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
A (de)Missão de Paulo Bento
Sábado, 20h30. No telejornal da RTP1 surge uma notícia de um sujeito que fora militar, polícia e mais não-sei-quê e que havia decidido tudo abandonar. Não tinha nascido para aquilo. Ao microfone conta-nos como explicou à namorada qua afinal havia Outro e que era o momento de romper, assumir o chamamento e abraçar antes o Sacerdócio. Mais depoimento menos depoimento a peça jornalísitica chegava ao fim. O 70x7 travestido de Telejornal prosseguiu com notícias sobre vítimas de um terramoto e outras tretas de menor interesse mas eu continuava "ligado" à notícia...
**********
O Paulo Bento tem de ter qualquer de coisa especial. É uma espécie de special 'one thousand and one'. Primeiro de tudo, é um fofinho. Se fosse um animal, embora da família equus asinus, seria arraçado de Koala e possível de se apadrinhar. Quem não nunca viu cafés com preços indexados ao Paulo Bento, gente com um Paulo Bento no porta-chaves? Se o Jorge Gabriel é o neto predileto das avós portuguesas, Paulo Bento é o tio preferido dos sobrinhos. Quem não acha piada ter um tio com aqueles trejeitos, aquela autonomia linguística, de quem levamos uma bolachada se nos sentarmos no cadeirão dele mas que, sempre ao despedir-se, dá 20 euros pro gelado? É um bom homem, com certeza. Se fosse uma empregada doméstica era uma beleza. Podia partir uns pratos de vez em quando mas... puxa, quem abriria mão de alguém tão dedicado, com vontade, esforçado, de tamanha confiança?
Se houvesse uma Liga da Honestidade Paulo Bento era penta-campeão ("ninguém lhe pode acusar de não ser honesto", atirava um repórter depois de PB classificar como a "pior exibição de sempre" o jogo em que a Alemanha ficou a saber que o nosso treinador ainda é o mesmo do pior resultado de sempre). Eu próprio, dou por mim a começar as frases com um "Como homem nada contra, sim senhor...".
Enfim, o único senão nesta porra toda é que PB ganhou a maior parte do seu respeito e autoridade com base numa série de pressupostos (o contexto todos sabemos) que pouco têm a ver com a suas capacidades técnicas enquanto treinador de futebol. Paulo Bento em termos tácticos e fluidez de jogo é mau demais. A gestão e recrutamento de talentos é uma nulidade. O futebol há muito estava moribundo e agora já morreu. Acabou. E isto é capaz de ser importante.
**********
Paulo Bento deveria perceber que o seu estatuto está sustentado em pressupostos errados e os seus méritos não lhe salvarão os créditos que ainda lhe restam. Paulo devia fazer como o padreco e retirar-se! Que reflicta. Que tente escutar rapida e tardiamente o chamamento interior enquanto vai retardando (se contendo?) o chamamento exterior. Se vai para o estrangeiro, para dirigente, para político, se vai pra o Paulo Bento Sport Clube ou pro raio que o parta, tanto faz. Mas que se vá de treinador do Sporting!!! É que aqui tem de estar o melhor.
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O Paulo Bento tem de ter qualquer de coisa especial. É uma espécie de special 'one thousand and one'. Primeiro de tudo, é um fofinho. Se fosse um animal, embora da família equus asinus, seria arraçado de Koala e possível de se apadrinhar. Quem não nunca viu cafés com preços indexados ao Paulo Bento, gente com um Paulo Bento no porta-chaves? Se o Jorge Gabriel é o neto predileto das avós portuguesas, Paulo Bento é o tio preferido dos sobrinhos. Quem não acha piada ter um tio com aqueles trejeitos, aquela autonomia linguística, de quem levamos uma bolachada se nos sentarmos no cadeirão dele mas que, sempre ao despedir-se, dá 20 euros pro gelado? É um bom homem, com certeza. Se fosse uma empregada doméstica era uma beleza. Podia partir uns pratos de vez em quando mas... puxa, quem abriria mão de alguém tão dedicado, com vontade, esforçado, de tamanha confiança?
Se houvesse uma Liga da Honestidade Paulo Bento era penta-campeão ("ninguém lhe pode acusar de não ser honesto", atirava um repórter depois de PB classificar como a "pior exibição de sempre" o jogo em que a Alemanha ficou a saber que o nosso treinador ainda é o mesmo do pior resultado de sempre). Eu próprio, dou por mim a começar as frases com um "Como homem nada contra, sim senhor...".
Enfim, o único senão nesta porra toda é que PB ganhou a maior parte do seu respeito e autoridade com base numa série de pressupostos (o contexto todos sabemos) que pouco têm a ver com a suas capacidades técnicas enquanto treinador de futebol. Paulo Bento em termos tácticos e fluidez de jogo é mau demais. A gestão e recrutamento de talentos é uma nulidade. O futebol há muito estava moribundo e agora já morreu. Acabou. E isto é capaz de ser importante.
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Paulo Bento deveria perceber que o seu estatuto está sustentado em pressupostos errados e os seus méritos não lhe salvarão os créditos que ainda lhe restam. Paulo devia fazer como o padreco e retirar-se! Que reflicta. Que tente escutar rapida e tardiamente o chamamento interior enquanto vai retardando (se contendo?) o chamamento exterior. Se vai para o estrangeiro, para dirigente, para político, se vai pra o Paulo Bento Sport Clube ou pro raio que o parta, tanto faz. Mas que se vá de treinador do Sporting!!! É que aqui tem de estar o melhor.
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Talhantes e retalhistas
Quem nos lê conhece a nossa posição relativamente à direcção e não apenas em relação às propostas que vão ser apresentadas à AG do clube na próxima reunião. Quem nos conhece também poderá julgar que o nosso NÃO!!!! se deve a uma certa "pureza" (se quiserem ser simpáticos) ou à nossa obstinação e fúria anti-projecto Roquette, em geral, e Soares Franco, em particular (se não quiserem ser tão simpáticos). Pois bem, o meu não em particular não se deve nem a qualquer purismo nem a qualquer obstinação. Outros defensores do "Não" têm colocado a questão em termos de "confiança". Para esta corrente a proposta é boa, simplesmente não existe confiança em quem a vai executar. Assim, o meu "não" não se deve também à falta de confiança da direcção de Soares Franco, antes pelo contrário; com esta direcção sei sempre com o que contar. O meu não deve-se ao simples facto de esta proposta ser má e até os seus defensores, sejam eles acérrimos ou moderados, serem obrigados a recorrer à desonestidade intelectual para defender as suas posições.
Apesar de para muitos a questão da Academia ser essencial, penso que não é. Pelo contrário, vai servir de lebre à aprovação do essencial para esta direcção. O problema da transferência da Academia do clube para a SAD é só um. A realização de uma eventual mais valia resultante de uma eventual venda dos terrenos onde a mesma se situa irá passar a ser repartida entre o clube (de acordo com a percentagem que tiver na SAD) e os accionistas, o que significa uma eventual perda de receitas futura, a troco de quase nada agora. O problema está neste quase nada.
O cerne da questão encontra-se no empréstimo obrigacionista (desculpem se falhar algum termo técnico, mas espero que percebam a ideia, que penso corresponder à realidade dos factos). Com este empréstimo de 60 milhões de euros o clube ficará daqui a 5 anos numa posição minoritária na SAD (com ou sem academia, com ou sem estádio, é outra questão). A única forma de evitar isto é aquilo a que alguns chamam "operação harmónio". Isto é, o clube acompanhar a parada (se quiserem podem pensar a partir da metáfora do póquer). Agora pergunto eu: quem é que está a ver o Sporting a ter 60 milhões de euros daqui a cinco anos para acompanhar um aumento de capital? E se estão a ver o clube a ter 60 milhões de euros daqui a 5 anos porque não pensar em ir abatendo gradualmente a divída até lá?
Podem-me dizer, como diz o João Pedro Silva, que as acções de classe A, garantem ao clube, mesmo que em minoria na SAD, uma palavra relevante em todas as decisões a serem tomadas. Aqui temos que distinguir duas questões: a formal e a operacional, se assim lhe quiserem chamar.
Comecemos pela operacional. Partindo do princípio que não vão ser os sportinguistas a subscrever 60 milhões de euros em títulos, teremos que imaginar que serão alguns poucos grandes accionistas. A quem interessa o clube? A minha resposta é bancos, empresas de comunicação social, empresários e potenciais empresários de jogadores, lavadores de dinheiro e empresas de construção civil. Qualquer um destes grupos e seus agentes terá agendas e negócios próprios que muitas vezes se encontrarão em conflito com os interesses do Sporting, que supostamente iriam passar a representar (veja-se o peso da Olivedesportos na SAD e os conflitos de interesses que daí resultam, apenas para dar um exemplo; não será por acaso que a Sporting Comércio e Serviços que neste momento controla as receitas de publicidade e de transmissões televisivas e que neste momento é controlada pelo Sporting também se poderá transferir para a SAD, caso os sócios dêem o seu aval a esta proposta). Qualquer agente ou instituição que subscreva um número suficiente de títulos não o irá fazer se não tiver qualquer tipo de garantia, por mais informal que seja, de que vai ter uma palavra importante nas operações de gestão quotidiana do clube. Ou então estamos a falar de imbecis, o que não me parece ser claramente o caso. Espero ter então resolvido a parte operacional.
O pior está ainda, no entanto, para chegar. Dizem os defensores da proposta que "Enquanto o Sporting Clube de Portugal for detentor de acções de classe A, terá sempre o controlo de gestão da SAD, o que é o mesmo que dizer que esta será governada pelos dirigentes do Clube, eleitos pelos sócios". Para rebater esta afirmação nada melhor do que me socorrer do leitor nsantos que comenta no post acima linkado
"O que diz a Lei
"Sociedades que resultem da personalização jurídica das equipas. Disposições particulares
Artigo 30.º
Participação do clube fundador
1 - No caso referido na alínea b) do artigo 3.º, a participação directa do clube fundador no capital social não poderá ser, a todo o tempo, inferior a 15% nem superior a 40% do respectivo montante.
2 - No caso referido no número anterior, as acções de que o clube fundador seja titular conferem sempre:
a) O direito de veto das deliberações da assembleia geral que tenham por objecto a fusão, cisão, transformação ou dissolução da sociedade e alteração dos seus estatutos, o aumento e a redução do capital social e a mudança da localização da sede;
b) O poder de designar pelo menos um dos membros do órgão de administração, que disporá de direito de veto das deliberações de tal órgão que tenham objecto idêntico ao da alínea anterior.
3 - Para além do disposto no número anterior, os estatutos da sociedade desportiva podem subordinar à autorização do clube fundador as deliberações da assembleia geral relativas a matérias neles especificadas.
4 - O clube fundador pode participar no capital social da respectiva sociedade desportiva através de uma sociedade gestora de participações sociais, desde que nesta detenha a maioria do capital social."
Na Lei não se encontra nada que diga que a SAD será gerida pelo Sporting.
O que a Lei fala é de poder de veto em AG. Pelas regras da CMVM quem tem maioria é quem governa."
Assim o Sporting poderá passar apenas a ter uma palavra decisiva nas "deliberações da assembleia geral que tenham por objecto a fusão, cisão, transformação ou dissolução da sociedade e alteração dos seus estatutos, o aumento e a redução do capital social e a mudança da localização da sede". Isto é, em nada. Isto é, o Sporting passa (por favor queiram-me acompanhar metáfora) do papel de primeiro-ministro (ou governo) da SAD para o papel de Presidente da República da SAD. A gestão quotidiana do clube pode, assim, passar, porventura, para as mãos de qualquer um sem que os sócios se possam pronunciar sobre o assunto a não ser que este diga respeito a fusões, cisões ou dissolução da sociedade (um bocado como o poder de veto e de declarar guerra do presidente da república, mas quem continua a decidir sobre os impostos, as estradas e o orçamento de estado é o primeiro-ministro). Podem, ainda assim, rebater dizendo que os sócios neste momento já não mandam grande coisa. Concordo. Mas por enquanto ainda temos o poder de convocar assembleias-gerais extraordinárias onde se pode demitir a direcção, e esta por sua vez tem um controle sobre a SAD. No futuro isso poderá não acontecer, e não acontecerá certamente (ou já se esqueceram das palavras de Soares Franco quando este dizia que queria um clube à inglesa - sem sócios).
Colocamos assim o rabo na boca da pescadinha. Se esta proposta for aprovada então é que não nos resta mais nada a não ser confiar que quem estiver no clube lá esteja para o beneficiar. Mas se assim não for temos que comer e calar. Podem-me chamar legalista e formalista, se quiserem, mas acho que prefiro confiar nos estatutos do clube e na racionalidade dos meus consócios (mesmo que discorde muitas vezes e violentamente de muitos) do que num tipo qualquer que eu nem sei quem possa ser. E isto tudo a troco do quê?
P.S. Dizer ainda que acho inacreditável como homens crescidos acreditam em histórias da carochinha. João Pedro Silva, responde a um dos comentários ao seu post com a inacreditável ideia de que, a propósito da participação da Nova Expressão (que não nos esqueçamos tem como cliente quase único a Olivedesportos) no capital da SAD que estamos "teoricamente perante uma posição sportinguista". E pergunto eu (para não ir para outros caminhos): e no dia em que a bolha bolsista (que Soares Franco disse no Pavilhão Atlântico ser responsável pelo estado das contas do clube), das dotcom, do imobiliário ou seja lá do que for (e se se lembrarem tivemos sete ou oito crises bolsistas de grande escala nos últimos 10 anos) rebentar e o senhor Baltazar tiver uma família para sustentar e tiver de eventualmente e contra o seu mais profundo desejo vender as suas participações na SAD do Sporting, acha que ele vai pedir o número de sócio a um potencial comprador?
Apesar de para muitos a questão da Academia ser essencial, penso que não é. Pelo contrário, vai servir de lebre à aprovação do essencial para esta direcção. O problema da transferência da Academia do clube para a SAD é só um. A realização de uma eventual mais valia resultante de uma eventual venda dos terrenos onde a mesma se situa irá passar a ser repartida entre o clube (de acordo com a percentagem que tiver na SAD) e os accionistas, o que significa uma eventual perda de receitas futura, a troco de quase nada agora. O problema está neste quase nada.
O cerne da questão encontra-se no empréstimo obrigacionista (desculpem se falhar algum termo técnico, mas espero que percebam a ideia, que penso corresponder à realidade dos factos). Com este empréstimo de 60 milhões de euros o clube ficará daqui a 5 anos numa posição minoritária na SAD (com ou sem academia, com ou sem estádio, é outra questão). A única forma de evitar isto é aquilo a que alguns chamam "operação harmónio". Isto é, o clube acompanhar a parada (se quiserem podem pensar a partir da metáfora do póquer). Agora pergunto eu: quem é que está a ver o Sporting a ter 60 milhões de euros daqui a cinco anos para acompanhar um aumento de capital? E se estão a ver o clube a ter 60 milhões de euros daqui a 5 anos porque não pensar em ir abatendo gradualmente a divída até lá?
Podem-me dizer, como diz o João Pedro Silva, que as acções de classe A, garantem ao clube, mesmo que em minoria na SAD, uma palavra relevante em todas as decisões a serem tomadas. Aqui temos que distinguir duas questões: a formal e a operacional, se assim lhe quiserem chamar.
Comecemos pela operacional. Partindo do princípio que não vão ser os sportinguistas a subscrever 60 milhões de euros em títulos, teremos que imaginar que serão alguns poucos grandes accionistas. A quem interessa o clube? A minha resposta é bancos, empresas de comunicação social, empresários e potenciais empresários de jogadores, lavadores de dinheiro e empresas de construção civil. Qualquer um destes grupos e seus agentes terá agendas e negócios próprios que muitas vezes se encontrarão em conflito com os interesses do Sporting, que supostamente iriam passar a representar (veja-se o peso da Olivedesportos na SAD e os conflitos de interesses que daí resultam, apenas para dar um exemplo; não será por acaso que a Sporting Comércio e Serviços que neste momento controla as receitas de publicidade e de transmissões televisivas e que neste momento é controlada pelo Sporting também se poderá transferir para a SAD, caso os sócios dêem o seu aval a esta proposta). Qualquer agente ou instituição que subscreva um número suficiente de títulos não o irá fazer se não tiver qualquer tipo de garantia, por mais informal que seja, de que vai ter uma palavra importante nas operações de gestão quotidiana do clube. Ou então estamos a falar de imbecis, o que não me parece ser claramente o caso. Espero ter então resolvido a parte operacional.
O pior está ainda, no entanto, para chegar. Dizem os defensores da proposta que "Enquanto o Sporting Clube de Portugal for detentor de acções de classe A, terá sempre o controlo de gestão da SAD, o que é o mesmo que dizer que esta será governada pelos dirigentes do Clube, eleitos pelos sócios". Para rebater esta afirmação nada melhor do que me socorrer do leitor nsantos que comenta no post acima linkado
"O que diz a Lei
"Sociedades que resultem da personalização jurídica das equipas. Disposições particulares
Artigo 30.º
Participação do clube fundador
1 - No caso referido na alínea b) do artigo 3.º, a participação directa do clube fundador no capital social não poderá ser, a todo o tempo, inferior a 15% nem superior a 40% do respectivo montante.
2 - No caso referido no número anterior, as acções de que o clube fundador seja titular conferem sempre:
a) O direito de veto das deliberações da assembleia geral que tenham por objecto a fusão, cisão, transformação ou dissolução da sociedade e alteração dos seus estatutos, o aumento e a redução do capital social e a mudança da localização da sede;
b) O poder de designar pelo menos um dos membros do órgão de administração, que disporá de direito de veto das deliberações de tal órgão que tenham objecto idêntico ao da alínea anterior.
3 - Para além do disposto no número anterior, os estatutos da sociedade desportiva podem subordinar à autorização do clube fundador as deliberações da assembleia geral relativas a matérias neles especificadas.
4 - O clube fundador pode participar no capital social da respectiva sociedade desportiva através de uma sociedade gestora de participações sociais, desde que nesta detenha a maioria do capital social."
Na Lei não se encontra nada que diga que a SAD será gerida pelo Sporting.
O que a Lei fala é de poder de veto em AG. Pelas regras da CMVM quem tem maioria é quem governa."
Assim o Sporting poderá passar apenas a ter uma palavra decisiva nas "deliberações da assembleia geral que tenham por objecto a fusão, cisão, transformação ou dissolução da sociedade e alteração dos seus estatutos, o aumento e a redução do capital social e a mudança da localização da sede". Isto é, em nada. Isto é, o Sporting passa (por favor queiram-me acompanhar metáfora) do papel de primeiro-ministro (ou governo) da SAD para o papel de Presidente da República da SAD. A gestão quotidiana do clube pode, assim, passar, porventura, para as mãos de qualquer um sem que os sócios se possam pronunciar sobre o assunto a não ser que este diga respeito a fusões, cisões ou dissolução da sociedade (um bocado como o poder de veto e de declarar guerra do presidente da república, mas quem continua a decidir sobre os impostos, as estradas e o orçamento de estado é o primeiro-ministro). Podem, ainda assim, rebater dizendo que os sócios neste momento já não mandam grande coisa. Concordo. Mas por enquanto ainda temos o poder de convocar assembleias-gerais extraordinárias onde se pode demitir a direcção, e esta por sua vez tem um controle sobre a SAD. No futuro isso poderá não acontecer, e não acontecerá certamente (ou já se esqueceram das palavras de Soares Franco quando este dizia que queria um clube à inglesa - sem sócios).
Colocamos assim o rabo na boca da pescadinha. Se esta proposta for aprovada então é que não nos resta mais nada a não ser confiar que quem estiver no clube lá esteja para o beneficiar. Mas se assim não for temos que comer e calar. Podem-me chamar legalista e formalista, se quiserem, mas acho que prefiro confiar nos estatutos do clube e na racionalidade dos meus consócios (mesmo que discorde muitas vezes e violentamente de muitos) do que num tipo qualquer que eu nem sei quem possa ser. E isto tudo a troco do quê?
P.S. Dizer ainda que acho inacreditável como homens crescidos acreditam em histórias da carochinha. João Pedro Silva, responde a um dos comentários ao seu post com a inacreditável ideia de que, a propósito da participação da Nova Expressão (que não nos esqueçamos tem como cliente quase único a Olivedesportos) no capital da SAD que estamos "teoricamente perante uma posição sportinguista". E pergunto eu (para não ir para outros caminhos): e no dia em que a bolha bolsista (que Soares Franco disse no Pavilhão Atlântico ser responsável pelo estado das contas do clube), das dotcom, do imobiliário ou seja lá do que for (e se se lembrarem tivemos sete ou oito crises bolsistas de grande escala nos últimos 10 anos) rebentar e o senhor Baltazar tiver uma família para sustentar e tiver de eventualmente e contra o seu mais profundo desejo vender as suas participações na SAD do Sporting, acha que ele vai pedir o número de sócio a um potencial comprador?
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