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sábado, 20 de março de 2010
À rasca
Quando parecia que, apesar dos erros que foram sendo cometidos, o futebol do Sporting caminhava para alguma estabilidade e normalidade, eis que o famoso botão de autodestruição volta a ser usado. O que está a acontecer em torno de Izmailov é completamente inaceitável. Tendo em conta que se trata de um jogador que em três anos não deu origem a um único problema, que em mais do que um momento jogou com problemas físicos, que abdicou de férias para acelerar o processo de recuperação de uma lesão e que finalmente recusou uma transferência para um clube onde iria ganhar quatro vezes mais eu só encontro uma explicação para o que está a acontecer. O Sporting está à rasca de dinheiro, cortesia da mente que resolveu contratar Pongolle, por exemplo, e apenas para nos referirmos à conjuntura. Tendo em conta a escassez a direcção do Sporting negociou o jogador. O jogador não aceitou a transferência. Costinha foi contratado e está a implementar o modelo do Porto do Sporting. Mais do que preparar a próxima época parece ser essencial realizar dinheiro já. Para isso é preciso fazer com que o jogador tenha um ambiente insustentável junto dos adeptos e que queira sair pelo seu próprio pé. Pelos vistos está a ser conseguido. O ambiente insustentável junto dos adeptos não vou alimentar. O Izmailov é um dos melhores de sempre que já passaram pelo Sporting. Tudo isto é inaceitável e um problema sério é tentaram fazer de nós idiotas.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Gente Gira no futebol
Há três anos o Olegário fodeu o Sporting ao expulsar o Caneira, levando o FCP ao empate e à vitória por 5-4 nas grandes penalidades. Lembro-me bem da injustiça daquele jogo e da brava atitude do Paulo Bento que depois do jogo insinuou umas tantas verdades a necessitarem de ser ditas e simultaneamente me tranquilizava ao sentir haver alguém que defendia o Sporting. Três anos antes foi talvez o José Pratas. E antes talvez o Calheiros ou A. Valente, não sei..
Enfim, durante uma catrefada de anos fomos convivendo com um sistema de arbitragem que premiava e distinguia os filhos obedientes às regras do jogo sujo em detrimento lógico dos que lá andassem pelo jogo limpo. Uns tiveram azar com a Carolina e com a Judite. Os outros reformaram-se a tempo ou por susto e outros, provavelmente, andam ainda empoleirados na 1ª divisão ou até a fazer jogos internacionais.
Contra isto tudo e contra as nomeações o Sporting pouco pôde fazer para alterar a situação. Porém surgiu uma oportunidade de alterar as coisas. Minto. Pensava eu que surgia... aquela coisa do não sei quê Dourado mas que afinal não devia ter grande importância já que o próprios clubes acabaram por chumbar qualquer alteração digna às leis de prevenção/punição de corrupção. Mas também não deviam ter grande importância para o empregador de Paulo Bento que resolveu adoptar a postura do "no pasa nada" para não se "intrometer na justiça". Nem um pio. Para ele, toda aquela gente com quem convivia e convive é gente da boa. Das vantagens e conveniências desta postura nunca o empregador teve coragem de falar abertamente. Paralinkiando a certeira definição encontrada no Cacifo, o Sporting foi cúmplice por omissão.
Três anos depois d'Olegário, cá estamos todos outra vez. Eu, vocês e o Paulo Bento que, naturalmente revoltado com a Paixão sofrida, volta a defender o Sporting e a insinuar mais ou menos as mesmas verdades. Mas a verdade, e é aqui que quero chegar, é que não vale a pena o Paulo andar a redizer que somos demasiado bonzinhos com os árbitros e as nomeações. Se o "somos" se dirige aos adeptos, a mim, então eu confesso que da minha parte não sei o que fazer mais. Já assobiei, insultei, escrevi.. tanto que já não tenho mais latim pra isto. Se o "somos" é dirigido à administração do Sporting eu pergunto ao nosso treinador se ainda acredita que eles terão a coragem ou a vontade para fazerem o que pede? Eu aposto que não vão ter, tal como nunca tiveram quando era a hora. Quando todos nós esperávamos que tivessem. Vai lá agora o homem pegar no megafone e lutar pela nomeação por sorteio, pela demissão do Madaíl ou apelar à intervenção do Laurentino no Conselho de Arbitragem, no CJ ou o raio que o parta. Não foi antes, não é agora que vai!
O futebol português é uma palhaçada por isto tudo. Todos anos o circo volta à cidade com os palhaços do costume. Vêm com outros nomes e penteados mas o número é sempre o mesmo. Na sua sorte, o leão, talvez por ser o mais temido, sempre acaba chicoteado, sem ter por onde fugir, sem ninguém que o defenda. E nós apanhados de surpresa com tamanha injustiça.
Enfim, durante uma catrefada de anos fomos convivendo com um sistema de arbitragem que premiava e distinguia os filhos obedientes às regras do jogo sujo em detrimento lógico dos que lá andassem pelo jogo limpo. Uns tiveram azar com a Carolina e com a Judite. Os outros reformaram-se a tempo ou por susto e outros, provavelmente, andam ainda empoleirados na 1ª divisão ou até a fazer jogos internacionais.
Contra isto tudo e contra as nomeações o Sporting pouco pôde fazer para alterar a situação. Porém surgiu uma oportunidade de alterar as coisas. Minto. Pensava eu que surgia... aquela coisa do não sei quê Dourado mas que afinal não devia ter grande importância já que o próprios clubes acabaram por chumbar qualquer alteração digna às leis de prevenção/punição de corrupção. Mas também não deviam ter grande importância para o empregador de Paulo Bento que resolveu adoptar a postura do "no pasa nada" para não se "intrometer na justiça". Nem um pio. Para ele, toda aquela gente com quem convivia e convive é gente da boa. Das vantagens e conveniências desta postura nunca o empregador teve coragem de falar abertamente. Paralinkiando a certeira definição encontrada no Cacifo, o Sporting foi cúmplice por omissão.
Três anos depois d'Olegário, cá estamos todos outra vez. Eu, vocês e o Paulo Bento que, naturalmente revoltado com a Paixão sofrida, volta a defender o Sporting e a insinuar mais ou menos as mesmas verdades. Mas a verdade, e é aqui que quero chegar, é que não vale a pena o Paulo andar a redizer que somos demasiado bonzinhos com os árbitros e as nomeações. Se o "somos" se dirige aos adeptos, a mim, então eu confesso que da minha parte não sei o que fazer mais. Já assobiei, insultei, escrevi.. tanto que já não tenho mais latim pra isto. Se o "somos" é dirigido à administração do Sporting eu pergunto ao nosso treinador se ainda acredita que eles terão a coragem ou a vontade para fazerem o que pede? Eu aposto que não vão ter, tal como nunca tiveram quando era a hora. Quando todos nós esperávamos que tivessem. Vai lá agora o homem pegar no megafone e lutar pela nomeação por sorteio, pela demissão do Madaíl ou apelar à intervenção do Laurentino no Conselho de Arbitragem, no CJ ou o raio que o parta. Não foi antes, não é agora que vai!
O futebol português é uma palhaçada por isto tudo. Todos anos o circo volta à cidade com os palhaços do costume. Vêm com outros nomes e penteados mas o número é sempre o mesmo. Na sua sorte, o leão, talvez por ser o mais temido, sempre acaba chicoteado, sem ter por onde fugir, sem ninguém que o defenda. E nós apanhados de surpresa com tamanha injustiça.
terça-feira, 20 de maio de 2008
terça-feira, 13 de maio de 2008
Leitura obrigatória
Depois do inacreditável espectáculo que figuras como Guilherme Aguiar, Valentim Loureiro, António Sérgio ou Joaquim Evangelista nos estão a oferecer, nada como ir ler o Golpe de Estádio de Marinho Neves, disponibilizado pelo Pontapé na Lógica. Porque quem não sabe é como quem não vê.
sexta-feira, 2 de maio de 2008
Azeiteiros
Eram para aí umas quatro da tarde e numa das portas de acesso ao estádio está um homem nos seus quarenta anos acompanhado pelo que presumo ser o seu filho. Puto para aí com cinco ou seis anos. Na revista a coisa começa a ficar demorada. O homem estava armado com uma mala onde trazia umas perigosas sandes de queijo e uma garrafa de meio litro de água. O stewart dizia ao senhor que não poderia entrar no estádio com a garrafa. O senhor educadamente ofereceu-se apara retirar a tampa à mesma, procedimento habitual nalguns milhares de estádios em todo o mundo. Mas não no nosso. O stewart continuou a impedir a entrada ao senhor: tinha que deixar a mala à porta. No curso da conversa a verdade, qual azeite, vem à tona. A direcção de marketing do Sporting deu ordens aos porteiros para não deixar entrar no estádio qualquer tipo de comidas ou bebidas - é mau para o negócio. Eu segui para bancada enquanto o senhor algures entre o atrapalhado e estupefacto continuava o seu diálogo com a direcção de marketing do Sporting.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Guerra sem quartel
Esta não-notícia do jornal Record, que não respeita os mínimos dos mínimos do jornalismo decente, é reveladora das estratégias que guiam a acção dos dirigentes do Sporting e o incómodo que os pedidos de esclarecimento dos sócios vão causando. Sobre isto, para além do asco que me assalta, dizer que o essencial foi dito pelos King Lizards e pelo Leão da Estrela. Resta saber o que vão dizer aqueles que habitualmente são céleres em acusar os outros de divisionismo, populismo e demagogia. O pessoal do consenso, da respeitabilidade e da união.
terça-feira, 15 de abril de 2008
"Futebol para intelectuais"
Como eles vão andar muito caladinhos nos próximos tempos, cedo aqui um pouco de espaço a uma voz lampiónica. Vale a pena ler. Uma vez sem exemplo.
"Um clube cujo presidente é acusado de corrupção activa sagrou-se campeão frente a uma equipa cujos jogadores têm os salários em atraso. Viva o futebol português!
Há países em que o futebol se resume aos pontapés que se dão na bola. Uma tristeza. Aquela frase com que as mulheres costumam definir o nosso passatempo preferido, para amesquinhar o jogo e quem gosta de o ver, não se aplica ao futebol português: «Isso são 11 homens a correr atrás de uma bola.» Nada mais falso. Além dos jogadores a correr atrás da bola, parece que há juízes a correr atrás de um bilhete grátis, advogados a correr atrás de uma brecha na lei, juristas em geral a correr atrás de uma prescrição. É preciso saber muito de leis para compreender o futebol português. A mim, que sou um pobre ignorante, faltam-me muitos conhecimentos para o entender.
Primeiro, faltam-me noções de direito. No código penal português, como é lógico, a tentativa de corrupção tem uma pena maior do que a coacção. Na justiça desportiva, coacção dá descida de divisão e tentativa de corrupção implica perda de seis pontos. Só um jurista muito sofisticado pode compreender o espírito destas leis. No futebol português, uma equipa acusada de ter um jogador inscrito irregularmente, como o Belenenses, arrisca perder seis pontos. Uma equipa acusada de corromper dois árbitros, como o Porto, arrisca perder os mesmos seis pontos. Um erro burocrático tem a mesma pena que um crime. É possível que um homicídio, no âmbito de um jogo de futebol, em Portugal, valha ao assassino uma admoestação verbal. No máximo, um cartão amarelo.
Depois, faltam-me conhecimentos de português. O presidente da Liga de clubes, Hermínio Loureiro, cuja eleição foi apoiada por Pinto da Costa há mais de um ano, prometeu celeridade a lidar com este caso baseado nas escutas que se conhecem, também, há mais de um ano. Celeridade, notem bem. Eu pensava que celeridade queria dizer rapidez. Afinal, significa 14 meses.
Finalmente, faltam-me conhecimentos de xadrez. O futebol português ficou de tal modo sofisticado que parece o jogo dos reis. Reparem: o Benfica joga hoje com os axadrezados sem saber se um ou mais dos antigos dirigentes do Boavista vão, ou não, passar algum tempo no xadrez. Há notícia de árbitros que vão a casa de dirigentes buscar um cheque que, não sendo cheque-mate, pode ser suficiente para matar um jogo. Não sei se hei-de recomendar ao Chalana a táctica do 4-4-2 ou a do gambito do rei.
P.S.: No Paços de Ferreira-Guimarães, o Paços teve um golo mal anulado e um penalty não assinalado. Na minha opinião, o jogo mais interessante da época vai ser o Guimarães-Porto. Será curioso descobrir qual das duas equipas será mais beneficiada."
Ricardo Araújo Pereira, na sua crônica no Jornal A Bola.
"Um clube cujo presidente é acusado de corrupção activa sagrou-se campeão frente a uma equipa cujos jogadores têm os salários em atraso. Viva o futebol português!
Há países em que o futebol se resume aos pontapés que se dão na bola. Uma tristeza. Aquela frase com que as mulheres costumam definir o nosso passatempo preferido, para amesquinhar o jogo e quem gosta de o ver, não se aplica ao futebol português: «Isso são 11 homens a correr atrás de uma bola.» Nada mais falso. Além dos jogadores a correr atrás da bola, parece que há juízes a correr atrás de um bilhete grátis, advogados a correr atrás de uma brecha na lei, juristas em geral a correr atrás de uma prescrição. É preciso saber muito de leis para compreender o futebol português. A mim, que sou um pobre ignorante, faltam-me muitos conhecimentos para o entender.
Primeiro, faltam-me noções de direito. No código penal português, como é lógico, a tentativa de corrupção tem uma pena maior do que a coacção. Na justiça desportiva, coacção dá descida de divisão e tentativa de corrupção implica perda de seis pontos. Só um jurista muito sofisticado pode compreender o espírito destas leis. No futebol português, uma equipa acusada de ter um jogador inscrito irregularmente, como o Belenenses, arrisca perder seis pontos. Uma equipa acusada de corromper dois árbitros, como o Porto, arrisca perder os mesmos seis pontos. Um erro burocrático tem a mesma pena que um crime. É possível que um homicídio, no âmbito de um jogo de futebol, em Portugal, valha ao assassino uma admoestação verbal. No máximo, um cartão amarelo.
Depois, faltam-me conhecimentos de português. O presidente da Liga de clubes, Hermínio Loureiro, cuja eleição foi apoiada por Pinto da Costa há mais de um ano, prometeu celeridade a lidar com este caso baseado nas escutas que se conhecem, também, há mais de um ano. Celeridade, notem bem. Eu pensava que celeridade queria dizer rapidez. Afinal, significa 14 meses.
Finalmente, faltam-me conhecimentos de xadrez. O futebol português ficou de tal modo sofisticado que parece o jogo dos reis. Reparem: o Benfica joga hoje com os axadrezados sem saber se um ou mais dos antigos dirigentes do Boavista vão, ou não, passar algum tempo no xadrez. Há notícia de árbitros que vão a casa de dirigentes buscar um cheque que, não sendo cheque-mate, pode ser suficiente para matar um jogo. Não sei se hei-de recomendar ao Chalana a táctica do 4-4-2 ou a do gambito do rei.
P.S.: No Paços de Ferreira-Guimarães, o Paços teve um golo mal anulado e um penalty não assinalado. Na minha opinião, o jogo mais interessante da época vai ser o Guimarães-Porto. Será curioso descobrir qual das duas equipas será mais beneficiada."
Ricardo Araújo Pereira, na sua crônica no Jornal A Bola.
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