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domingo, 22 de março de 2009

O Artur Soares Dias tinha auricular?

Não se pode dizer que o jogo, até aquele momento, nos fizesse prever aquilo. Mas, conhecer os membros da quadrilha talvez ajude a explicar como o homicidio da verdade desportiva foi dolo não de um homem só mas de um gangue do gamanço.

foto: mark holthusen

quinta-feira, 31 de julho de 2008

As maravilhas do e-mail ou rentistas

Chegou a seguinte mensagem por e-mail, tal qual a podem encontrar em baixo.

Como é que é possível que numa semana um jogador, com nome de super-herói, esteja quase a ser transferido de um clube japonês para um francês por 4 milhões de euros (pela totalidade do seu passe) e na semana seguinte um clube assumidamente corrupto pague 5,5 milhões de euros por 50% do seu passe a um clube da segunda divisão do Uruguai, para o qual ele nunca jogou?

Esse mesmo clube uruguaio foi o mesmo a quem o Sporting pagou a transferência (pelo que sei muito inflacionada) de Rodrigo Tiuí apesar de ele ter vindo do Fluminense. Será que alguém sabe a verdadeira razão destas golpadas? Eu explico!

Se bem se recordam, os senhores azuis e os verdes, tinham uns fundos muito engraçados com uma empresa chamada First Portuguese Football Players Fund, S.A.

No Outono constou que a UEFA andava a investigar esses fundos e quem é que os detinha, por isso os dois clubes foram bem rápidos a recomprar as percentagens dos passes que eram propriedades dos dois fundos.

A venda foi rápida mas não livre de esquemas. O Sporting trocou acções pela parte dos passes (sendo que o valor das acções eram o dobro do que a parte dos passes tinha sido avaliada, e o Porto pagou em dinheiro.

Mas como um dos principais investidores nestes fundos era um senhor chamado Juan Figger algo mais teve que ser negociado, pois este empresário além de ganhar dinheiro paga comissões a muita gente.

Logo após fechar o seu fundo, o Sporting comprou 50% do passe de Rodrigo Tiuí por 650 mil euros a Juan Figger (que usa o Atlético Rentista para estes esquemas), após este ter pago pevides pela totalidade do passe ao Fluminense. Além do mais no futuro se o rapaz for vendido ainda fica com 50% da transferência. Um belo favor.

Se no caso do Sporting não foi muito dinheiro, pois os valores da recompra da parte dos passes já tinham sido exagerados (o valor das acções era o dobro do que o Sporting tinha avaliado no seu relatório e contas a participação do fundo), no caso do clube corrupto assumido já se teve que fazer as coisas de forma diferente.

O Fundo detinha 9% do passe de Quaresma (além de 16,7 dos passes de Ivanildo, Paulo Machado e Vieirinha). E esses 9% poderiam valer bem mais (pelo menos é a teoria dos corruptos, do que os tais 1,7 milhões pagos. Ora quando o seu presidente Corruptamente Flatuente diz que o Quaresma só sai por 40, os tais 9% valeriam 3,6 milhões... mais do dobro do que o que foi pago.

Mas na altura, o dinheiro na SAD corrupta não era muito (era preciso comprar 50% do passe de Lisandro!) e o acordo foi feito da mesma forma que tinha sido feito com o Sporting. Comprar um Jogador a Figger pelo tal clube Uruguaio. O Figger comprava por 3 ou 4 milhões, vendia metade do passe por 5 ou 6 e o negócio estava concluido. Figger ganhava o seu, e algumas contas nas Cayman e nas Antilhas Holandesas também!

E assim aconteceu, com a chegada do Super-Hulk!

Mais uma história com final feliz... e com bolsos cheios.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Filhos de um granda sistema

Arsène Wenger disse um dia que 80 por cento de uma época se decide no periodo de contratações. Em Portugal, é por causa de artistas como este que a fasquia desce para aí para metade. Passados dois anos de ter entregue uma taça ao FCP ei-lo de volta. C'um Olegário!


terça-feira, 15 de abril de 2008

"Futebol para intelectuais"

Como eles vão andar muito caladinhos nos próximos tempos, cedo aqui um pouco de espaço a uma voz lampiónica. Vale a pena ler. Uma vez sem exemplo.

"Um clube cujo presidente é acusado de corrupção activa sagrou-se campeão frente a uma equipa cujos jogadores têm os salários em atraso. Viva o futebol português!

Há países em que o futebol se resume aos pontapés que se dão na bola. Uma tristeza. Aquela frase com que as mulheres costumam definir o nosso passatempo preferido, para amesquinhar o jogo e quem gosta de o ver, não se aplica ao futebol português: «Isso são 11 homens a correr atrás de uma bola.» Nada mais falso. Além dos jogadores a correr atrás da bola, parece que há juízes a correr atrás de um bilhete grátis, advogados a correr atrás de uma brecha na lei, juristas em geral a correr atrás de uma prescrição. É preciso saber muito de leis para compreender o futebol português. A mim, que sou um pobre ignorante, faltam-me muitos conhecimentos para o entender.

Primeiro, faltam-me noções de direito. No código penal português, como é lógico, a tentativa de corrupção tem uma pena maior do que a coacção. Na justiça desportiva, coacção dá descida de divisão e tentativa de corrupção implica perda de seis pontos. Só um jurista muito sofisticado pode compreender o espírito destas leis. No futebol português, uma equipa acusada de ter um jogador inscrito irregularmente, como o Belenenses, arrisca perder seis pontos. Uma equipa acusada de corromper dois árbitros, como o Porto, arrisca perder os mesmos seis pontos. Um erro burocrático tem a mesma pena que um crime. É possível que um homicídio, no âmbito de um jogo de futebol, em Portugal, valha ao assassino uma admoestação verbal. No máximo, um cartão amarelo.

Depois, faltam-me conhecimentos de português. O presidente da Liga de clubes, Hermínio Loureiro, cuja eleição foi apoiada por Pinto da Costa há mais de um ano, prometeu celeridade a lidar com este caso baseado nas escutas que se conhecem, também, há mais de um ano. Celeridade, notem bem. Eu pensava que celeridade queria dizer rapidez. Afinal, significa 14 meses.

Finalmente, faltam-me conhecimentos de xadrez. O futebol português ficou de tal modo sofisticado que parece o jogo dos reis. Reparem: o Benfica joga hoje com os axadrezados sem saber se um ou mais dos antigos dirigentes do Boavista vão, ou não, passar algum tempo no xadrez. Há notícia de árbitros que vão a casa de dirigentes buscar um cheque que, não sendo cheque-mate, pode ser suficiente para matar um jogo. Não sei se hei-de recomendar ao Chalana a táctica do 4-4-2 ou a do gambito do rei.

P.S.: No Paços de Ferreira-Guimarães, o Paços teve um golo mal anulado e um penalty não assinalado. Na minha opinião, o jogo mais interessante da época vai ser o Guimarães-Porto. Será curioso descobrir qual das duas equipas será mais beneficiada."

Ricardo Araújo Pereira, na sua crônica no Jornal A Bola.

sábado, 5 de abril de 2008

Crime e castigo II

... Posso perceber pouco ou nada da natureza jurídica de coisas como ‘notas de culpa’ e ‘elementos de prova’, mas uma coisa, eu e todos os mamíferos de duas patas, possuímos: é o sentido de justiça. Neste patamar (não o da lei stricto sensu, mas o seu espírito), já todos nós conseguimos perceber quando este sentido está a ser invertido. O Castigo pode também ser interpretado como forma de compreender o conjunto social de cada momento histórico e geográfico específico. No castigo em questão, e após uma inevitável comparação com o castigo italiano, o castigo françês e o castigo polaco, é com profunda mágoa que concluo assim a rubrica “é uma justiça (desporiva) portuguesa com certeza – 2ª lição”:
Assassinato da verdade desportiva >> Credibilidade do futebol português pela pia >> Castigo: 6 pontos de penalização (como frisou o Pantera, os mesmos pontos a serem retirados ao Belenenses por utilização indevida de Meyong, por ter jogado 11min noutro clube!) numa época onde tudo está decidido >> Ilação: sobrevive a impunidade.

Apesar de manter a esperança (ser do Sporting prepara-nos para a vida) que venha a ser feita um mínimo de justiça, estas coisas fazem-me realmente espécie. Dão-me fúria. Por isso, sempre que penso...
naqueles que andam a gozar com os adeptos portugueses e a fecharem-se em desculpas esfarrapadas,
nos que contribuíram e contribuem para o logro que é adeptos andarem a sofrer com lances e jogadas com a certeza destas estarem dependentes apenas da sorte, do azar, da capacidade dos jogadores e da qualidade do árbitro,
naqueles que alimentaram e alimentam um sistema podre que continuamente protege os poderosos ao mesmo tempo que a arraia-miuda, essa, fode-se sempre,
... as náuseas são tantas que só me restabeleço depois de ouvir música e relaxar.

http://portugalunderground.blogspot.com/2007/07/aqui-del-rock-h-que-violentar-o-sistema.html
http://www.youtube.com/watch?v=0u8tBFudWog

P-S: Em virtude da roulote (apesar de ser a Última) ser também um espaço aberto às crianças foi entretanto substituida a anterior canção por estas duas que já só têm uma ou outra asneira.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Crime e castigo I

Colocada a pergunta de anteontem, e após árdua pesquisa pela web, encontrei finalmente uma explicação para facto da Comissão disciplinar da Liga ter considerado que apenas o crime de corrupção na forma tentada - sanção com perda de três pontos em cada caso, em vez de descida de divisão (forma consumada, como no caso do Boavista) - se tenha verificado. Para o CD da Liga, é pois no pressuposto de que a “actuação do árbitro tivesse condicionado o resultado desportivo” onde reside a diferença nas notas de culpa dos dois clubes portuenses e que alterou a qualificação do crime e impediu a aplicação da pena mais grave. Ora, partindo do princípio que os gajos que decidiram isto não estavam bêbados, então, digam-me lá com que bases/indícios/provas é que decidiram isso? No resultado em si? Na análise dos peritos? Como eles não me dizem, mais uma vez fui tentar averiguar esta arte de punir:
Porto 0 – 0 Beira-mar - Mourinho fez descansar meia-equipa nesse jogo por causa do jogo da ½ final da Liga dos Campeões e os seus jogadores não conseguiram marcar um golo numa partida onde, segundo os peritos que a PJ convocou para analisar o jogo, Augusto Duarte perdoa uma expulsão clara a um jogador do FCP. Portanto, deve ter sido com base no resultado.
FCP 2 – 0 Estrela – Como o FCP venceu presume-se que a actuação do árbitro não condicionou o resultado apenas porque houve três foras-de-jogo que os peritos avaliaram, ao que parece, como bem assinalados. Foras de jogo que, se não me engano, são assinalados pelos árbitros auxiliares. Muito bem. Sem mais comentários.

Para lá deste insolúvel mistério, outras questões há que para as quais rapidamente forneço explicações plausíveis.
Porque tardou a tanto a agir a justiça desportiva?
Calculismo. Para ver no que to dava. Isto é, se o ‘Apito Dourado’ não tivesse chegado à fase de julgamento andava-se agora alegremente a assobiar para o lado.
Porque actuou agora a justiça desportiva e não espera pela decisão dos julgamentos dos tribunais?
Uma vez acusados os arguidos de corrupção activa, a justiça desportiva, ao antecipar-se à decisão final dos tribunais civis, pode evitar que uma hipotética decisão de sanção desportiva emanada por estes últimos seja invalidada porque… entretanto já foi aplicada uma sanção pela instância desportiva. Fazendo assim com que possíveis futuras sentenças dos tribunais comuns tenham apenas como consequência multas e penas suspensas.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Crimes, Fruta e Justiça

Para quem (sim, eles existem) ainda lhe sobra dúvidas sobre se Pinto da Costa (ou Papa ou Engenheiro Máximo ou Padre da Freguesia das Antas ou Administrador do prédio das Antas ou Bimbo da Costa ou Giorgio, conforme o grau de amizade) era (vamos fazer fé neste tempo verbal) uma das cabeças de um Polvo funesto que se entretinha, em prol do benefício e malefício de uns e doutros, a traficar influências, a subornar e (sobretudo) compensar classificatoriamente os "bons" árbitros através de falsificações (foram certificados 555 crimes destas alterações de nota),
para aqueles que exclamam: “então o pinto da costa ia comprar árbitros numa época em que Mourinho foi o treinador e o Porto campeão da taça Uefa?!”,
a todos eles, dedico estas passagens em forma de prelúdio:

FC Porto 2 - 0 Estrela da Amadora, 19ª jornada
«(...) Jacinto Paixão [JP] telefona a [António] Araújo [empresário e lacaio de PC]. Segundo o Ministério Público [MP], com a intenção de pedir ao FC Porto prostitutas para o final do jogo. Araújo telefona a Pinto da Costa [PC] pelas 13h00 e diz-lhe que lhe ligaram a pedir “fruta para dormir”.» (...)
«Sabe-se apenas que Araújo, a quem também chamam Coronel, pagou €150 a cada uma das prostitutas e que ligou três vezes a Jacinto Paixão, farto, presume-se, de estar a fazer sala com as meninas.» (...)
«Fechada a porta, Celina confessou à PJ que o árbitro lhe pediu para tratá-lo simplesmente por Paixão.» (...)
«” [JP:] Desafio esses senhores (PJ e MP) a dizer-me, cara a cara, se estive com elas (prostitutas), quanto aos meus colegas não sei…”,(…). PC, por seu lado, considerou impensável a oferta de prostitutas a JP “pois corria no mundo futebolístico que ele seria homossexual”. Jacinto é casado e tem dois filhos.»

Beira-Mar 0 - 0 FC Porto, 31ª jornada
«(…), só termina [telefonema] quando Araújo [acompanhado, no carro, pelo árbitro Augusto Duarte] entra na rua onde reside o presidente portista. Sem o saber está lá uma equipa de vigilância da PJ.» (...)
«Quando regressava da cozinha, a ex-companheira de PC garante que viu o presidente do FC Porto entregar a Duarte um envelope branco com dinheiro. Concretamente 2.500 euros.» (...)
«PC nega ter entregue a Duarte qualquer quantia em dinheiro e afirma que Carolina não ouviu qualquer conversa porque estava doente e acamada. Duarte, por sua vez, garante que foi apenas a casa de PC pela primeira vez para uma conversa de circunstância. Mas Duarte disse também que teve oportunidade de visitar o jardim na companhia de Carolina, nomeadamente o local destinado aos animais domésticos.» (...)
«Os três peritos que a PJ convocou para analisar as imagens do jogo detectaram prejuízos para os aveirenses na primeira parte, com Duarte a perdoar um cartão vermelho a um jogador do FC Porto, situação que poderia ter desequilibrado a partida. No final, a equipa de arbitragem encontrou-se com Pinto de Sousa [também conhecido pelos “amigos” por Cabeça de Giz], presidente do Conselho de Arbitragem da FPF, numa marisqueira de Matosinhos. Nesse hiato temporal, PC fala com Pinto de Sousa e fica no ar a ideia de que podem jantar juntos no Porto. PC está já num restaurante da cidade. Pinto de Sousa torce o nariz. “Isso é francesihas”, diz rumando para Matosinhos. Onde paga o jantar à equipa de arbitragem. (…) No posto de escuta, em Paranhos, Porto, os investigadores ouviram PC queixar-se a Pinto de Sousa: “O Augusto não esteve nada bem, é verdade que não esteve mal mas não deu cheirinho nenhum, só deixou passar uns livres e há um penálti que o gajo não vê sobre o McCarthy.”»
(fonte: «Apito Dourado: Toda a história», Eugénio Queirós, distribuído pelo Record)

Posto isto, e antes de partir para outra dedicação, alguém me poderia explicar seriamente qual é a parte do crime de corrupção que aqui não está consumada??


PS - Ainda vos podia transcrever partes que explicam como foi orquestrado o resultado (relatório do árbitro e as decisões saídas dos inquéritos disciplinares) da novela da camisola do Rui Jorge rasgada por Mourinho ou até partes de escutas relativas ao jogo Nacional 3 – 2 Benfica com o habitual trio de intérpretes Pinto da Costa, Araújo e Augusto Duarte, e muito mais coisas giras com os artistas do costume, mas por cansaço não o vou fazer. Para abrir a pestana, hoje em dia basta um ‘clik’ e escrever “Apito Dourado”.