O Sportinguista vive numa enorme ilusão. Se perguntarem a um sócio do Sporting a razão de ser Sportinguista, dir-lhe-á que o é porque alguém na família era, ele é e o seu filho ou filha são, e se ainda não tem descendência a primeira coisa que vai fazer quando a tiver é inscrevê-la a ferver de orgulho pelo Clube do coração.
O Sporting vive assim numa espécie de circuito perfeito de vasos comunicantes, onde a água circula na perfeição mas... se vai evaporando.
Um artigo do i de hoje revela alguns dados interessantes. Não é uma análise científica, mas deixa algumas ideias no ar que são perturbantes.
"Não há crianças do Sporting porque o Sporting nunca é campeão", diz a Patrícia, 10 anos, citada no artigo. Depois de 18 anos sem ganhar títulos, o medo que o saldo fisiológico da Nação Sportinguista fosse negativo (ninguém sabia ao certo) era grande. Os festejos pelo triunfo no campeonato vieram revelar que a demografia sportinguista estava afinal menos mal. Mas, daí para cá o mundo não parou (ao contrário do Sporting) e o saldo é bem possível que tenha estagnado ou se tenha mesmo invertido. Nenhum presidente do CD deste últimos 15 anos, nenhum candidato ao cargo, abordou jamais estas questões. O Sporting é o Sporting da época como a fruta. Passada a época logo se vê. Daqui a vinte ou trinta anos, pelo andar da carruagem, sem crianças, a continuação da espécie Sportinguista está seriamente ameaçada. Aguarda-nos um Sporting sem Sportinguistas. Na melhor das hipóteses, uma entidade virtual, com a sede e um CD baseados num qualquer paraíso fiscal.
O Museu do Sporting vai-se entretanto transformar num museu de cera.