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domingo, 23 de agosto de 2009

Orçamento watch

O Sporting Clube de Portugal defrontou hoje, no seu terreno, o Sporting Clube de Braga, uma equipa com cerca de 1/3 do orçamento do Sporting. O Braga venceu a partida por 1-2.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Caça de Mitos Sportinguistas # Missão 1: os orçamentos (1ª parte)

Há mitos com fundo de verdade – ‘os sportinguistas são mais belos e inteligentes’. Há mitos hilariantes – ‘seis milhões de lampiões’. Mas, na sua maioria, os mitos são perigosos. Nos dias de hoje, a facilidade de acesso a informação estatística ajuda-nos de sobremaneira a liquidar com os mitos que nos atrapalham a vida verde-e-branca. Por isso resolvi perder algum tempo a pesquisar esses lugares-comuns que enganadoramente muitos julgam como verdadeiros. Vamos ao primeiro mito.

Mito 1 – ‘O SCP tem um orçamento muito mais baixo e por isso já não é nada mau estarmos em 3º lugar’.
O mito apoia-se no seguinte argumento:
Para ganhar o campeonato é muito importante ter o melhor orçamento. O nosso orçamento é muito mais baixo, logo será pouco provável ganharmos o campeonato.

Na verdade, é menos um mito do que uma parvoíce. O argumento cai logo por terra por partir de pressupostos inválidos.

1.
Está por provar que haja uma relação causal determinista entre os orçamentos dos três grandes e a classificação final, seja agora ou em competições passadas.
a) O valor do orçamento não traduz o valor financeiro do plantel.
i) Para 2008/09 a relação orçamento/gastos com aquisições de passes foi:
FCP: €40 milhões / €24,2 milhões; SCP: €25 milhões / €9,65 milhões; SLB: €30 milhões / €27,41 milhões.
Isto não traduz os gastos com o plantel porque, como é óbvio, ambos dependem de múltiplos factores tais como os proveitos (receitas de vendas, da liga dos campeões, etc.) previstos realizar. Os orçamentos dizem respeito a um conjunto muito grande de investimentos e gastos dos quais os ordenados e pagamentos de transferências são apenas uma parte;
ii) Este ano, o saldo entre transferências (entradas/saídas) foi:
FCP: + €29,45 milhões; SCP: - €6,22 milhões (negativo); SLB: - €20,31 milhões (negativo);

b) O orçamento não reflecte o valor “real” do plantel
i) O valor real do plantel não corresponde ao saldo das transferências da última(s) época(s)
ii) Se reflectisse, não estaríamos agora com os mesmo pontos do Leixões.
iii) Nos últimos 4 campeonatos, apenas um - 2005/2006 - terminou com uma classificação em consonância com a classificação dos respectivos orçamentos. E a diferença pontual foi apenas de um ponto entre os três.

2. Os gastos anuais em aquisições não reflectem senão uma ínfima parte do valor “real” do plantel.
a) O valor do plantel não se resume aos jogadores comprados neste ano. Mas mesmo se assim quisermos analisar…
b) … teria de se contrabalançar subtraindo os gastos/receitas em percentagens de passes de jogadores que já faziam/já não fazem parte do plantel. A título de exemplo, dos €9,6 milhões gastos pelo SCP apenas €2,65 milhões são mais-valias reais (50% do passe de Postiga + passe de Ricardo Baptista, que nem joga!). A grande parte dos gastos corresponde aos passes de Izmailov e Grimi que já cá estavam. O mesmo para Di Maria no SLB; Inversamente, só 29% do total das nossas receitas em venda de passes corresponde a perca efectiva de jogadores (Purovic).
c) … teria de se contrabalacar com as desvalorizações (reais) por via das saídas de jogadores cujo valor não foi contabilizado. Exemplo: no SLB saíram Rui Costa, Leo, Petit e Freddy Adu. Quanto valiam eles?? Raramente se faz este cálculo;
d) … teria de se contrabalançar com o cálculo das aquisições a “custo zero”. No SCP, Caneira, Roca, Carriço, Pereirinha, etc. No SLB Suazo…
e) Hoje em dia, é comum comprarem-se apenas parcelas dos passes. Essa despesa não corresponde ao valor "real" a adicionar ao plantel, isto é, 50% do passe do Postiga - €2,5 milhões - ou do Hulk - €5,5 milhões - corresponderá, em termos de valor "real" a adicionar ao valor do plantel, a €5 e €11 milhões, respectivamente.

Ainda assim, se somente as contabilidades das alíneas b) e e) fossem tidas em conta e, ainda que erroneamente, se associar o valor financeiro ao valor “real” das aquisições desta época, o saldo seria o seguinte:
FCP: + €25,75 milhões; SCP: - €4 milhões; SLB: - €27,25 milhões.
Ou seja, da época transacta para a actual, o SLB teria valorizado o seu plantel em quase 7 vezes mais que o SCP, ao passo que o FCP teria desvalorizado o seu na mesma proporção que o SLB se valorizou. É nestes números absurdos que caímos se seguirmos os argumentos das pessoas que alimentam este mito e, acima de tudo, desvalorizam o peso de outros factores na avaliação de um plantel. Mas, como diria Walter Franco, "o ab(surdo) não h(ouve)".