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quarta-feira, 5 de junho de 2013

O futebol como laboratório - Istambul

Já aqui tínhamos chamado a atenção para o papel dos adeptos de futebol e na construção da versão egipcia da Primavera Árabe. Ou seja, nem todos os adeptos e apreciadores da modalidade são alienados culturais, desligados do mundo que os rodeia. Na Turquia, essa tradição de intervenção das claques na vida social e política é antiga. Para dar um exemplo caricato, algures no passado adeptos do Besiktas e do Fenerbache colocaram de lado as suas diferenças para lutar em conjunto contra a caça à baleia. I shit you not. Os recentes protestos naquele país, que se iniciaram em Istambul e entretanto se estenderam a outras cidades do país. mostram um outro lado desta realidade. Um lado que também nós por cá conhecemos: as tácticas policiais de repressão e controlo dos adeptos de futebol classificados, genericamente, como categoria social perigosa. Longe das câmaras de televisão, todas as técnicas repressivas que agora são utilizadas contra os manifestantes nas praças turcas, já haviam sido testadas nos adeptos. No caso português esse parece, apesar de tudo, e apesar de não ser uma dimensão desprezível,  ser o lado menos gravoso do que se vai passando no mundo do futebol. A constituição das SAD's e os esquemas de circulação de capital entre aquelas, fundos, bancos e empresas de construção fazem, também em Portugal, do futebol um laboratório privilegiado a partir do qual se podem interpretar processos que se estendem para outras esferas da vida e que daí provenientes também procuram colonizar o futebol, subtraindo-lhe algumas das características que o tornam num mundo à parte. Como dizia o outro, alienado é a tua tia. Vale a pena ver com atenção o artigo linkado em baixo. Pedíamos desculpa pela interrupção e voltaremos à emissão normal logo que possível.

Yet the recent demonstrations have seen a remarkable solidarity among fans. Traditional enmities have been put aside to fight the common enemy of the police. Opposing fans have been glimpsed arm-in-arm in scenes that would have been unthinkable only a week ago.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Discussão da alteração estatutária

A proposta de alteração de estatutos do Sporting vai ser publicada na próxima edição do jornal 'Sporting', que estará nas bancas a partir de quarta-feira, 13 de Julho. É uma boa iniciativa da direcção, e que deveria ser instituída como modelo de boa prática. Publicitar as propostas antes da sua discussão em AG é fundamental para que os debates decorram de forma transparente e informada. Não aconteceu com a nova Fundação mas pode acontecer com a alteração dos estatutos. É comprar o jornal do Sporting.

sábado, 25 de junho de 2011

Vive la résistance

Não somos só nós que vemos no apoio ao nosso "faltering, penniless club" como um acto de desafio. Na Líbia o futebol também já se juntou à resistência ao regime de Khadafi,Uma série de jogadores da selecção daquele país integrou a oposição armada. Era convidá-los, um dia destes, para fazer uma jogatana em Alvalade, com as receitas a reverterem para a resistência.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A reestruturação financeira trocada por miúdos

Directa e integralmente retirado do Ser Sporting.
Por João Mineiro.
Tenho visto na blogosfera leonina, assim como nos jornais desportivos, muita falta de informação (ou desinformação consoante os casos), sobre o que é verdadeiramente o projecto de reestruturação financeira – tal como vem proposto desde o tempo de Filipe Soares Franco. Antes do mais há que esclarecer três pontos:

- Este projecto nada tem de semelhante com o que foi inicialmente negociado em 2005, ao contrário do que deixa entender aqui um blogger anónimo.

- O controlo da SAD não fica assegurado com 51% do capital, uma vez que não estão garantidos 51% dos direitos de voto mas apenas 26,33%.

- A reestruturação financeira não permitirá investimentos avultados no futebol, como adiante se mostra, ao invés do que é dado a entender em asneiras difundidas pela Lusa e publicadas em diversos meios de comunicação.

A operação, tal como estava anteriormente planeada, processar-se-á em 3 passos.

Passo 1 – Operação Harmónio

Uma operação harmónio é uma operação através da qual uma empresa reduz parte do seu capital para cobrir prejuízos acumulados, aumentando-o em seguida através da emissão de novas acções. No fundo, é o assumir da incapacidade de recuperar prejuízos passados, “limpando” os mesmos dos capitais próprios através de uma redução de capital.

Desgraçadamente, esta é a segunda operação do género que a SAD leonina propões aos accionistas em apenas 6 anos. Já em 30 de Junho de 2004 o capital social foi reduzido de 54,9 M.€ para 22 M.€, sendo a diferença de 32,9 M.€ destinada à cobertura de prejuízos acumulados nos exercícios anteriores…

É necessário esclarecer que a operação harmónio agora proposta, com uma redução de capital de 21 M.€ e um novo aumento de capital de 18 M.€, não irá traduzir-se numa entrada de fundos uma vez que o Sporting (Clube) irá participar no aumento de capital através de novo financiamento bancário. Os recursos postos à disposição da SAD serão utilizados para abater dívida bancária no mesmo montante, no âmbito da reestruturação. Trata-se portanto de uma mera operação de recomposição de capitais e absorção de prejuízos.

Passo 2 – Emissão de VMOC (Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis)

Por sua vez a emissão de VMOC (não são mais que obrigações que pagam juro até à conversão em acções) representa, apenas, substituição de dívida – obrigações emitidas para pagamento de dívida bancária. As obrigações permitem uma maior folga na tesouraria da SAD, através da redução anual do reembolso de capital em dívida de 55 milhões de euros, mas quase nenhuma poupança de custos/juros nos próximos anos. Imagine-se, a título de exemplo, que a entrada de fundos substitui dívida bancária com um prazo de reembolso de 20 anos – em média reduz-se o reembolso durante esse período em 2,75 M.€ por ano. Ou seja, 10% do investimento realizado em jogadores nos últimos meses !!! Ver aqui… Outra opção seria investir este dinheiro em jogadores e galopar em direcção a um passivo de 450 M.€, o que é impensável.

Essa folga de tesouraria, tem no entanto um custo brutal para os Sportinguistas. Ao emitir os VMOC, o Sporting perde a maioria do capital da SAD se não entregar os seus últimos activos à sociedade. As contas são as seguintes:

- Sporting detém actualmente 68,60% do capital da SAD de 42 M.€

- Sporting passará a deter 83,09% do capital da SAD após operação harmónio (assumindo que subscreve a totalidade do aumento de capital), do novo capital social de 39 M.€ (41 – 21 + 18)

- Sporting passará a deter 34,47% do capital da SAD após operação harmónio e emissão de VMOC, do novo capital social de 94 M.€ (39 +55)

A forma “encontrada” para garantir 51% do capital da SAD na posse do Sporting é um novo aumento de capital em espécie, ou seja, a entrega de activos à SAD por parte do SCP. O valor desses activos (X) pode facilmente ser calculado resolvendo a seguinte equação:

[(34,47% * 94 M.€) + X] / (94 M.€ + X) = 50,01%

Ou seja, X = 29,2 M.€.

Estima-se portanto que a SAD irá ficar com um capital final de cerca de 123 M.€.

Passo 3 – Integração da Academia e dos direitos de superfície do Estádio

Conhecendo a avaliação feita à Academia de pouco mais de 20 M.€ – cujo relatório nunca foi público – mas que assumia incompreensivelmente que o novo aeroporto em Alcochete não traz valor acrescentado aos terrenos, e uma vez que esse valor não perfaz os 29 M.€ acima calculados, resta ao Clube passar também para a SAD os direitos de superfície do Estádio José Alvalade.

Resultado final da reestruturação proposta

Antes ainda de revermos as consequências um facto: é absolutamente inaceitável que toda esta engenharia financeira nunca tenha sido claramente explicada aos sócios.

- No Congresso Leonino, realizado em Santarém, José Castro Guedes, mentor do projecto, limitou-se a mostrar alguns slides com as contas da reestruturação financeira numa base de caixa, recusando-se a entregar esses mesmos slides aos 50 sócios/delegados presentes, bem como qualquer outro elemento contabilístico do Grupo Sporting, conforme requerido por 8 delegados presentes, representando 200 votos de sócios. Esse requerimento nunca teve resposta, prevalecendo em Santarém a exposição contabilística de “mercearia”;

- A Sporting Comércio e Serviços foi vendida à SAD sem ser conhecido sequer um balanço da sociedade; a avaliação da Academia nunca foi tornada pública; a autorização para a redução de participação na SAD e trespasse da Academia nunca tiveram aprovação em AG;

- As Assembleias Gerais têm sido um desfilar de silêncios, justificados com a necessidade de “não maçar os sócios”, ou por “falta de condições de segurança”;

- Os pedidos de elementos informativos, ao abrigo do art.20º/1/d dos Estatutos, são constantemente ignorados, motivo mais que suficiente para impugnar qualquer Assembleia Geral. Este pedido e consequente recusa, assinada pelos serviços do Clube, são apenas um triste exemplo;

- A informação enviada para as redacções deixa entender que tudo não passa de uma operação para “dotar a SAD da capacidade necessária de investir na sua equipa de futebol“.

Ora sendo o futebol a única actividade capaz de gerar mais-valias regulares que nos levem à redução do passivo, a venda da sua gestão e capital a terceiros tem de ser explicada de forma transparente. Uma opção pela privatização da principal modalidade do Sporting e pela venda de 50% dos activos que lhe restam exige clareza.

Neste cenário final o Sporting e a intervenção dos sócios ficam limitados a:

- Gestão das modalidades;

- 25% das quotizações dos sócios,

- 50,1% de uma SAD que deixa de controlar – onde terá direito a apenas 26,3% dos direitos de voto. Note-se, a título explicativo, que as acções do tipo B estão limitadas a 10% dos direitos de voto e o Sporting apenas detém 16,33% de acções do tipo A, sem limitações de voto, conforme resulta do artigo 13º dos Estatutos da SAD.

É isto que os sócios querem?

Alternativas

Finalmente chegamos à questão final: existe alternativa?

Claro que sim.

Toda a reestruturação montada não vai permitir mais que uma ligeira redução dos encargos de tesouraria, implicando um custo imediato de alguns M.€ em custos bancários na montagem da operação, obrigando a uma perda total de poder por parte dos sócios com e ao esvaziar do Clube dos seus activos.

Por forma a conseguir o mesmo efeito de tesouraria há que renegociar a dívida bancária para prazos mais alargados, ajustando os reembolsos de capital aos anos de venda de jogadores da formação e oferecendo em contrapartida novos colaterais aos credores. Ou reduzir a massa salarial do Grupo Sporting em 200 mil € /mês. Ou criar um Fundo de Investimento para os passes da formação. Ou criar fundos de Fomento Desportivo. Ou vender o “naming” do estádio durante alguns anos, por doloroso que seja. Ou recuperar a dinâmica de merchandising do Clube através da rede de Núcleos do Sporting.

Ou, a hipótese mais valiosa de todas, com um efeito equivalente à reestruturação proposta pela “Geração da Dívida”. Recuperar/angariar 20.000 sócios – a base de todo o programa Ser Sporting.

Não seria essa verdadeiramente a solução de futuro que o Sporting necessita?

sábado, 3 de julho de 2010

O estalar do verniz

A Assembleia-Geral que se realizou na passada quarta-feira foi uma AG histórica e pena é que os níveis de participação que se observaram nos últimos anos não se tenham mantido para esta AG. Em causa estava a aprovação do orçamento para a época 2010/2011 e a cooptação dos novos membros do Conselho Leonino e de Nobre Guedes, aliás Castro Guedes, para o Conselho Directivo. E a que é que se assistiu? Bem, o orçamento passou com cerca de 65% de votos favoráveis, 28% votos contra e 7% de abstenções. A prenda de anos do conselho directivo para o Sporting Clube De Portugal foi o "Trespasse da Academia e cedência do respectivo contrato de Leasing para a Sporting SAD a realizar em 01 de Julho de 2010". Os votos de um feliz aniversário, portanto. Para além desta vergonha, e entre inúmeros episódios, destaco mais um dos efeitos perniciosos da simples existência da SAD: o orçamento do Sporting Clube está neste momento reduzido a cerca de 16 milhões de euros e no relatório e contas o futebol, isto é, a SAD está completamente ausente, CMVM oblige. Portanto, doravante o futebol torna-se inexcrutinável pelos sócios do clube, que no relatório e contas não tiveram também direito a qualquer esclarecimento sobre a situação das empresas nas quais o Sporting detém participações. Resultado: 35% dos votos não foram favoráveis ao orçamento apresentado. Quem é que se lembra de um valor destes na história não só do Sporting mas do futebol português? Já Castro Guedes foi aprovado por ainda menos gente: 50%.
Por fim, aquela que começou por ser uma pacífica assembleia-geral acabou em quase estado de guerra civil com Dias Ferreira e Bettencourt a sistematicamente serem rudes, mal-educados e desrespeitosos para os sócios. Isto é, os sócios interessam à SAD enquanto clientes, veja-se a nova campanha das Gameboxes centrada em torno da ideia do amor à camisola, mas enquanto parceiros na governação do clube parecem ser um empecilho. O ar de frete de Bettencourt não enganava. Aquilo a que em dia do aniversário do clube se assistiu no auditório de Alvalade foi uma vergonha. Pelos vistos continua. Vamos aguardar pelos acontecimentos das próximas horas.

O momento da noite: Muitos momentos memoráveis numa AG histórica. Um deles foi quando Dias Ferreira do alto do seu racismo de classe perguntou a um sócio o significado da palavra falacioso, que este havia utilizado para descrever as justificações que Dias Ferreira dava para os procedimentos da AG. Mas o grande momento da noite foi quando Bettencourt disse qualquer coisa do género "no Benfica uma coisa destas era aprovada em 10 minutos" referindo-se à trabalheira que deu e vai dando a tentativa de alienar a Academia de Alconhete. Largas secções da AG responderam com um sonoro "Vivó Benfica!".

sábado, 26 de junho de 2010

Assembleia-Geral na quarta

Ao circular na página do Record descobri que o Conselho Leonino aprovou o orçamento para a época de 2010/11. Na mesma notícia descobri também que o orçamento vai ser submetido a Assembleia-Geral do clube na próxima quarta-feira. Ainda assim, não sei o local nem a hora. Apesar das melhorias sensíveis na comunicação do clube, visíveis, por exemplo, no novo site ou nos e-mails que vou recebendo anunciando eventos das modalidades e do futebol juvenil, no caso da democracia interna não se observam essas transformações. Nem e-mail nem qualquer informação no site. A única informação que ali se encontra é que o Conselho Leonino aprovou o orçamento e que há AG na quarta. Assim, fica aqui o aviso. Quarta-feira há assembleia-geral.

sábado, 23 de janeiro de 2010

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O que é que a SAD dá ao clube?

Eu não sei, nem faço ideia. Sei que tem contribuído para o clube se afundar num passivo gigantesco, tem obrigado a alienar património de forma sucessiva e tem obrigado a acabar com outras modalidades. Eu pela minha parte, seguindo a questão colocada pelo Miguel do Sector B32, acho que talvez seja chegada a hora de discutir a hipótese de cortar a mesada à criança mal comportada, mal educada e arrogante e talvez colocarmos a possibilidade de doravante as quotas que os sócios do clube pagam passarem a ficar exclusivamente no clube.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Unanimidade e aclamação

A mudança da direcção do Sporting pelos vistos não se reflecte numa mudança de direcção na relação com os sócios. Mais uma vez tivemos uma Assembleia-Geral à socapa. No dia 10 de Julho pelos vistos houve AG para aprovar o orçamento para este ano. Eu só soube do acontecimento porque A Bola me informou que o orçamento foi aprovado por unanimidade e aclamação.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Debate democrático e imprensa II

Já tinha feito referência a dois jornais numa posta anterior. Faltava A Bola. O jornal da Travessa da Queimada faz hoje uma primeira página gigantesca com o ex-presidiário e o pai do défice. Destaques destes por aqueles lados geralmente só se encontram quando o Benfas ganha um joguinho. Não coloco a primeira página daquele jornal aqui na roulote, para vossa visualização, porque, apesar de tudo, a pornografia (nada contra) não está incluída nos nossos rigorosos critérios editoriais. Temos o pleno. A Bola, Record e o Jogo estão pela situação. A Última Roulote alinha pela sportinguização.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Referendo

Nada me move contra o referendo, antes pelo contrário. Gostava era que houvessem muitos, mesmo se com um carácter apenas consultivo. Pena é que apenas se lembrem de consultar os sócios para destruir o clube. O último referendo em que participei era para saber que modalidades é que queria que o Sporting mantivesse. O basquetebol e o hóquei em patins foram ao ar. Racionalidade económica oblige. Lá para 1996, se não me engano. Gostava, por exemplo, que em 2002 tivessem feito um referendo: "Caro consócio, em tempos de recursos limitados o Sporting Clube de Portugal debate-se com uma escolha. Gostaríamos de conhecer a sua opinião. Prefere que, por cerca de 7 milhões de euros, o Sporting contrate uma jovem promessa chilena, para reforçar o plantel de futebol, ou que, com o mesmo montante, se construa um pavilhão polidesportivo para que as modalidades de alta-competição tenham direito a um espaço próprio, e também para melhorar as condições para a prática desportiva por parte dos sócios do clube?".

Debate democrático e imprensa

As AG gerais são uma chatice. É só gritaria e ninguém se entende. Certo. Então onde é que os sócios se podem informar sobre a vida do clube e ter acesso a pontos de vista divergentes. O Leão da Estrela escreve sobre O Jogo. Pelo que a esse respeito está tudo dito. Olhando hoje para o Record temos uma entrevista de duas páginas ao mentor do projecto financeiro. Isabel Trigo Mira lá aparece, mas sem qualquer tipo de destaque minimamente comprável àquele. Alguém foi falar com a oposição, ou ela é só um produto da nossa imaginação?

Indicadores

A AG de amanhã vai-nos oferecer um indicador fundamental relativamente ao futuro do clube. Pela primeira vez, desde que me lembro, vamos ter contagem não apenas de votos mas também de eleitores. Essa contagem vai permitir perceber onde é que se situam as posições conservadoras e as posições progressistas dentro do clube. É este o verdadeiro debate. Entre os conservadores que assinam de cruz as propostas da direcção, e que paradoxalmente correm o risco, com o seu sentido de voto, de apagar de vez a natureza associativa e democrática do clube, e os progressistas que, também paradoxalmente, ao procurarem aprofundar essa mesma tradição do clube se arriscam a lançá-lo para os trilhos da modernidade. Caminho por onde se pode lançar para o futuro sem desprezar os valores que fazem do Sporting Clube de Portugal uma verdadeira associação. Uma associação de e entre pessoas que se juntam para praticar desporto e também para consumir espectáculos desportivos. No plural, para que o Sporting seja um dia tão grande como os maiores da Europa. Obviamente que este futuro está dependente não apenas desta AG como da próxima, que decorrerá em princípio no dia 8 de Maio. Mas se a proposta da direcção chumbar, desta vez, com uma diferença considerável entre votos e sócios (por exemplo, 60% dos votos para 40% dos sócios) então poderemos estar confiantes no futuro.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

A convocatória

A carta que hoje recebi do Concelho Directivo não me exorta somente a comparecer na Assembleia Geral, relembrando-me da importância da minha presença, e de todos os outros, para o clube. Não. No melhor espiríto de democrático a convocatória também me explica como poderei votar devidamente esclarecido no referendo. E como? diz o CD em primeiro lugar: "O Conselho Directivo promoverá novamente a ampla divulgação do plano de reestruturação aos sócios". E pergunta-se o sócio: " E vão divulgar tão intensamente como fizeram o ano passado?" ou " E vai ser tão específica e para além de qualquer margem para dúvidas, como acontece com as contas do clube?". Mais. O CD continua e compromete-se a organizar " as sessões de esclarecimento e de debate necessárias". E pergunta-se o sócio: " essas sessões serão levadas a cabo pelo presidente demissionário que depois não se vai responsabilizar pelas medidas que forem eventualmente aprovadas? Ou vão ser levadas a cabo por aquele senhor que está à frente daquela consultora muito conhecida que auditava as contas do BPN e cuja competência e honestidade estão acima de qualquer suspeita?". Mas depois, passado um bocado, o sócio continua a interrogar-se " Mas uma sessão de esclarecimento não é bem a mesmo coisa que um debate, pois não? é que num debate temos partes que esgrimem opiniões numa sessão de esclarecimento temos alguém que explica a outra pessoa ou a outras pessoas como as coisas são". O sócio, preocupado com o futuro do seu clube, não consegue parar de pensar: "Mas numa sessão de esclarecimento pressupõe-se que as pessoas a serem esclarecidas estão na posse de todos os dados. Não teria sido cortês, já que o referendo se destina a fazer votar uma proposta em concreto, que pela clareza e pela transperência e pelos valores democráticos o Conselho Directivo tivesse incluído desde logo a proposta na carta que me enviou?". O sócio, qual vaca ruminante cujas tetas alimentam o clube continua apreensivo: "e então mas se é para esclarecimento porque é que no ano passado a direcção não enviou a convocatória para a AG? E porque é que também não enviou um dossier a explicar as medidas que queria fazer aprovar o ano passado? E já este ano porque é que também não explica na carta porque é que as medidas chumbadas há menos de 12 meses em AG vão ser novamente submetidas a voto?" Depois desta torrente de perguntas o sócio começa-se a sentir confuso e não sabe bem o que é que há-se pensar. E começa, então, a pensar noutros sócios que pediram esclarecimentos ao Coselho Directivo e à SAD. Pensa até na Mafalda Mouton. E pensa, e pensa, e pensa, que pensa...pensa sem parar, sem saber ao certo o que há-de pensar.