Não sei se as pessoas sabem, mas dia 28 vai acontecer um fenómeno, nómeno, ou epifenómeno digno das melhores versões B rosweltianas.
Não sendo despiciendo o que o
Cacifo escreve, resolvi também aderir à solene iniciativa.
É que na monumental praça do campo pequeno vai decorrer a corrida das bandarilhas (acho que é isso).
O Sporting, ou quem parece que dirige o clube decidiu, em mais uma prova de génio, calar os detractores do regime franquista através de uma exibição de ecletismo no clube - Uma corrida desportiva com o binómio touro (animal mamífero, ruminante, artiodáctilo, com par de chifres não ramificados, ocos e permanentes, do género Bos) - homem (animal bípede da família dos primatas pertencente à subespécie Homo sapiens sapiens).
De facto os dois animais vão competir na arena, sendo que uns vão a pé e outros vão se movimentar através de outros animais se moventes designadamente um cavalo (do latim caballu, é um mamífero hipomorfo, da ordem dos ungulados, uma das sete espécies modernas do género Equus. Esse grande ungulado é membro da mesma família dos asnos e das zebras, a dos equídeos). Portanto tudo gente próxima.
Não podia de deixar de me associar a esta grandiosa demonstração de pujança ecléctica do clube, e nunca é demais frisar que após mais um ano desta iniciativa o COI está mesmo a pensar atribuir mais uma medalha de honra ao Sporting pelos serviços prestados na divulgação e sedimentação desta modalidade onde pontificam os bois.
Aliás ainda não experimentei, mas já me garantiram que quando o acto atinge o seu zénite, espetar a bandarilha, é possível atingir o prazer mental. No fundo é como espetar uma baioneta num invasor (céus como tenho saudades daqueles tempos de invasões napoleónicas).
Eu atrever-me-ia a sugerir umas quantas acções para engrandecer ainda mais a nível planetário e arredores a grandiosidade do Sporting, e como a tradição é para se manter e apoiar eu sugeria, assim, logo antes de o touro entrar, colocava-se um cristão preso a uma estaca e largava-se o touro a ver se o marrava, e aproveitar de seguida à tourada para promover um auto de fé com a queima dos hereges apóstatas e afins.
Aí para alturas do ano novo, uma demonstração de vivissecção de raças impuras e criminosos, de forma a apoiar o espírito da lei e da ordem natural das coisas.
Pela altura da primavera um escrutínio das mancebas maduras e não desfloradas de forma a apurar a sua castidade para servirem os bons moços da nossa terra. Aproveitando o Tejo, as que se julgarem impuras irão ser amarradas com pesos e deitadas ao rio, donde as mal julgadas, obviamente iriam emergir à superfície por desígnios metafísicos.
E para não ser muito extenso para encerrar a temporada, antes das idas a banhos, aproveitar o recinto do estádio, pois até tem um fosso, para se realizarem um tradicional evento de leões e cristãos, donde os mais fortes ganham aos mais fracos.
Durante o período de férias poderia-se mesmo fazer constar das festas oficiais do clube uma caça à raposa (agora que aqueles sub-desenvolvidos dos britânicos a proibiram é altura de os fazer ver o que é um país desenvolvido e de cultura humanística), e umas lutas de cães e ursos com cães.
Sei que a minha contribuição é modesta, mas penso que o ecletismo do clube e o seu nome poderiam ter muito a ganhar com o patrocínio, também, destas causas.
Ave, Mauricius, morituri te salutant