É difícil compreender o comunicado do Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal rejeitando a marcação de uma Assembleia-Geral extraordinária, convocada pelos sócios. É difícil porque, em qualquer instituição com um minímo de dignidade, uma direcção com um desempenho como aquele que a de Godinho Lopes tem vindo a demonstrar já teria pedido a demissão e já se teria evaporado no anonimato, para evitar a vergonha de aparecer em público. Mas como se isso não chegasse, e depois de tudo aquilo que aconteceu e que não vale a pena relembrar porque é óbvio para todos, o Conselho Directivo resolveu entrar em guerra com a Mesa da AG. Os termos em que o comunicado é redigido são absolutamentamente lamentáveis. Cheio de julgamentos de intenções, a contestação à potencial convocatória de uma AG não só não se baseia num único facto como procura lançar lama para cima de todos aqueles que se encontram envolvidos no processo. Desde logo a Mesa da AG, o orgão máximo do clube. Mas não se fica por aí. Lança suspeitas, como se Godinho Lopes tivesse em condições de lançar suspeitas sobre quem for, sobre um candidato às anteriores eleições que tem todo o direito de participar, de corpo inteiro, em toda a vida associativa do clube. Mas pior de tudo, e como é típico de todos os autoritarismos e irracionalismos, confunde mais de um milhar de sócios do Sporting como uma seita, que conspira insidiosamente para destruir o clube por dentro. E a essa suposta seita opõe "todos os sócios,
adeptos, funcionários e atletas do Sporting Clube de Portugal" apelando "para que
mantenham a serenidade que se impõe e para que continuem a apoiar as
equipas do nosso Clube". Pelos vistos há mil sócios do Sporting, ou mais, que não são sportinguistas. São o inimigo interno que urge destruir. E com ele, todos os seus apoiantes. Sejam eles órgãos democraticamente eleitos do clube, candidatos eleitorais ou comentadores. O Sporting é Godinho Lopes e José Maria Ricciardi. Todos os outros são, para o Conselho Directivo, os inimigos.
Em baixo uma cópia do comunicado. Para que não desapareça nem seja esquecido
«O Comunicado hoje
divulgado pela Mesa da Assembleia Geral consubstancia uma atitude que,
no entender do Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal, viola
claramente o que está estatutariamente definido para a convocatória de
uma Assembleia Geral Extraordinária.
Consequentemente, esta
atitude configura, no entender do Conselho Directivo do Sporting Clube
de Portugal, uma posição parcial, não isenta, na linha de outras
publicamente assumidas por membros da Mesa da Assembleia Geral,
inquestionavelmente colados a um ex-candidato. A Mesa da Assembleia
Geral deve ter independência e equidistância para com todos os sócios do
Sporting Clube de Portugal.
De todos os pressupostos exigíveis
para a marcação de uma Assembleia Geral com estas características não há
um só que se verifique: justa causa, pagamento do custo integral da sua
realização e verificação de toda a documentação. Esta violação dos
estatutos e da lei não deixará de merecer a resposta adequada.
Os
valores de transparência, isenção, imparcialidade, independência,
solidariedade institucional, que deveriam ser apanágio da MAG são mais
uma vez colocados em causa, mostrando-se indiferente ao actual momento
próprio para transferência de jogadores, a uma necessária, histórica e
decisiva reestruturação financeira do Clube e da Sporting SAD, a uma
campanha de Sócios e recuperação da equipa principal de futebol sob o
comando do prof. Jesualdo Ferreira.
Esta indiferença da MAG
chega ao ponto de, desde que a equipa está a ganhar, ter faltado a todos
os jogos, numa clara manifestação de alheamento e incómodo face à
evidente recuperação da equipa.
O Conselho Directivo solicitou,
com carácter de urgência, ao Conselho Fiscal e Disciplinar um parecer
sobre os factos em apreço, aguardando serenamente a sua divulgação.
O
Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal tem como dever zelar e
proteger o Clube, seja de quem for. E garante a todos os sócios e
adeptos que, com elevado sentido de responsabilidade, continuará a
assegurar a estabilidade e o regular governo e funcionamento do clube em
todas as suas vertentes.
Apelamos a todos os sócios, adeptos,
funcionários e atletas do Sporting Clube de Portugal para que mantenham a
serenidade que se impõe e para que continuem a apoiar as equipas do
nosso Clube.
22 Janeiro de 2013