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sexta-feira, 4 de julho de 2008

50 anos sobre a vitória do Brasil no Mundial da Suécia

Para a generalidade dos brazucas esta foi a melhor selecção de sempre. A que tinha os melhores jogadores. Os dois primeiros: Pelé - aquele que, como disse um dia Romário (e bem), "quando está calado é um poeta" - e Garrincha. Com eles juntos, o Brasil nunca perdeu.

Vale a pena transcrever um trecho do livro 'Estrela Solitária, um brasileiro chamado Garrincha', de Ruy Castro, onde relata um lance do Mané, durante um jogo de preparação para o Mundial com a equipa da Fiorentina:
"O Brasil já ganhava por 3 a 0, mas o quarto gol, que foi o de Garrincha, aos trinta minutos do segundo tempo, sangrou a Fiorentina até a morte. Garrincha transformou os italianos em soldadinhos de cartas, um derrubando o outro à sua passagem. Robotti foi o primeiro que ele driblou. Magnini apareceu para ajudar Robotti e também foi driblado. Cervato veio ajudar Magnini e foi igualmente driblado. O goleiro Sarti abandonou a meta para enfrentar Garrincha e também foi fintado. Com o gol vazio, Garrincha poderia ter chutado, mas Robotti conseguira voltar para combatê-lo. Garrincha tirou-o da jogada com um drible de corpo e Robotti teve de segurar-se na trave para não cair. Garrincha, então, apenas caminhou com a bola até dentro do gol. Já no fundo das redes, deu-lhe um peteleco para pegá-la com as mãos, enfiou-a debaixo do braço e começou a voltar, frio, devagar e mudo, para o centro do campo".

Tudo isto também para vos mostrar um dos mais belos sites sobre história do futebol que já pus a vista em cima:
http://oglobo.globo.com/especiais/memoria/copa58/
É restrito a 1958, mas é de ler e chutar por mais. Já que não tem jeito para se salvaguadar em transferências de ex-jogadores, bem podia o Sporting dedicar-se a fazer um site parecido dedicado às grandes conquistas e memórias do passado.

PS - Quem tiver interesse e quiser conhecer mais sobre esse mundial e essa selecção é dar uma espreitadela no blog "Futebol, Política e Cachaça" (têm de ir procurando pelo blog abaixo pois foram postadas várias durante o último mês. vale a pena)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Garrincha: A Alegria do Povo III

Diz Ruy Castro, «Nesta miniexcursão, o Botafogo derrotou o célebre Milionários de Bogotá por 6X5 e os que assistiram à partida garantem que, aquela, sim, é que fora a maior exibição de Garrincha. Nunca se vira nada igual a seu baile em Gambetta, o grande lateral argentino conhecido como “El Campin”.
Um lance dessa partida ficou célebre. Numa disputa de bola junto à linha lateral, Garrincha driblou seguidamente Gambett. Este caía, se levantava e caía de novo a cada drible. Seria driblado até morrer, mas não desistiria. Em pleno combate, os dois saíram sem querer pela lateral e os dribles continuaram na grama ao lado do campo. O juiz e o bandeirinha podem ter visto mas não ousaram interromper a beleza do lance – dois grandes homens no mano-a-mano por uma bola. Ali estava a quintessência do futebol. A jogada só foi paralisada quando Garrincha e Gambetta já estavam na pista de carvão. Os dois foram tirados do seu transe mágico pelo apito do juiz. Gambetta não voltou para o campo – substituiu-se.»

Isto e toda a história, como já disse, podem vê-la neste livro.

Garrincha: A Alegria do Povo II

Peço emprestado o título do Yazalde que já de si emprestado era. É o melhor que temos para o lembrar, 25 anos após a sua morte.

O meu contributo não vai em video mas em prosa. Mais concretamente transcrevo-vos dois trechos da magnífica obra de Ruy Castro «Estrela Solitária - um brasileiro chamado Garrincha»


No primeiro, a situação passa-se no Mundial de 1958, onde o Brasil defrontou, na cidade de Gotemburgo, a temida URSS em jogo decisivo. Ganhou por dois a zero mas pareceram muitos mais.


«”Monsieur Guigue, gendarme nas horas vagas, ordena o começo da partida. Didi centra rápido para a direita: 15 segundos de jogo. Garrincha escora a bola com o peito do pé: 20 segundos. Kuznetov parte sobre ele. Garrincha faz que vai para a esquerda, não vai, sai pela direita. Kuznetov cai e fica sendo o primeiro João* da Copa do Mundo: 25 segundos. Garrincha dá outro drible em Kuznetov: 27 segundos. Mais outro: 30 segundos. Outro. Todo o estádio levanta-se. Kuznetov está sentado, espantado: 32 segundos. Garrincha parte para a linha de fundo. Kuznetov arremete outra vez, agora ajudado por Voinov e Krijveski: 34 segundos. Garrincha faz assim com a perna. Puxa a bola para cá, para lá e sai de novo pela direita. Os três russos estão esparramados na grama, Voinov com o assento empinado para o céu. O estádio estoura de riso: 38 segundos. Garincha chuta violentamente, cruzado, sem ângulo. A bola explode no poste esquerdo da baliza de Iashin e sai pela linha de fundo: 40 segundos. A plateia delira. Garrincha volta para o meio do campo, sempre desengonçado. Agora é aplaudido.
A torcida fica de pé outra vez. Garrincha avança com a bola. João Kuznetov cai novamente. Didi pede a bola: 45 segundos. (…). Vavá a Didi, a Garrincha, outra vez a Pele, Pele chuta, a bola bate no travessão e sobe: 55 segundos. O ritmo do time é alucinante. É a cadência de Garrincha. Iashin tem a camisola empapada de suor, como se já jogasse há várias horas. A avalanche continua. Segundo após segundo, Garrincha dizima os russos. A histeria domina o estádio. E a explosão vem com o gol de Vavá, exactamente aos três minutos.”

Foi assim que o repórter Ney Bianchi reproduziu em Manchete Desportiva aquele começo de jogo, como se tivesse um olho na bola outro no cronómetro. Mas não estava longe da verdade. Outro jornalista, Gabriel Hannot, diria que aqueles foram os maiores três minutos da história do futebol (…).
E ainda faltavam 87 minutos para o jogo acabar! A continuar daquele jeito, já havia russos contemplando uma temporada na Sibéria. Nunca o orgulho do “científico” futebol soviético fora tão desmoralizado, e pelo mais improvável dos seres: um camponês brasileiro, mestiço, franzino, estrábico e com as pernas absurdamente tortas. (…).
Garrincha nascia ali, não apenas para o mundo, mas para o próprio Brasil. (…)
Sua única frase, que resumia tudo o que sentia, era: “Eu tava com fome de bola”


* João era o nome que, dizia-se, Garrincha dava a todos os seus adversários de marcação directa.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Garrincha: A Alegria do Povo

Faz hoje 23 anos que se apagou o anjo das pernas tortas.porque quem gosta de futebol tem de gostar de garincha...

Saudações Leoninas