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terça-feira, 22 de março de 2011

O voto que mais se justifica...

...por todas as razões e mais alguma.

Hoje, entre as 18:30 e as 20:30, no auditório do Estádio José Alvalade, a apresentação pública formal da Candidatura Independente ao Conselho Fiscal e Disciplinar. Oportunidade para sessão de esclarecimentos.

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Quais são as principais respostas que esperam obter com a auditoria?
FA - A última auditoria no Sporting foi mandada fazer em 1995, no mandato de Pedro Santana Lopes, após a saída de Sousa Cintra. Na altura, o Sporting tinha um passivo de 27 milhões de euros e um activo considerável, com prédios, terrenos e outros bens imobiliários. 16 anos depois, temos um passivo gigante e não temos activos praticamente nenhuns. Esta evolução tem de ser explicada. Algum dia terá de ser feito, até para pacificar e recuperar o clube.


É de investimento que mais se tem falado nesta campanha…

JM – É precisamente por isso que é fundamental ter um CFD independente. É que, neste momento, não existe informação nem transparência.
FA – A minha pergunta é a seguinte: será que os sócios estão na posse de toda a verdade? Acho que não. É necessária a consciencialização do sócio anónimo que tem pouca informação e conhecimentos económicos. Tem de ser simplificada o economês pesado que se tem utilizado para falar do clube e que não explica que estão, na realidade, a matar o Sporting.


Um CFD independente não pode ser considerado uma força de bloqueio pela direcção?
JM – Nós não queremos ser uma força de bloqueio, mas temos de perceber que o CFD não pode estar cerceado, como até aqui, por opiniões que vêm de cima, do conselho directivo. Não há a tal separação de poderes. O que tem acontecido até agora é que um auditor e um credor do clube têm lugar no actual CFD. São executores e controladores ao mesmo tempo.
FA – E esta situação irá permanecer com a lista candidata ao CFD proposta pela candidatura de Godinho Lopes. Caso ganhe, a promiscuidade vai continuar, já que José Maria Ricciardi [presidente do Banco Espírito Santo de Investimento] integra o elenco como vice-presidente. Depois, o próprio candidato a presidente do CFD está envolvido com Carlos Barbosa, um dos principais elementos da lista para a direcção de Godinho Lopes, na direcção do Automóvel Clube de Portugal. Com estas relações, as pessoas não têm uma total independência.


E como vão tratar a informação se forem eleitos?
JM – Nós propomos organizar indicadores de gestão, que podem ser muito facilmente perceptíveis pelos sócios, comparáveis de ano para ano. Estes dados seriam depois publicitados entre os sócios, nos finais das épocas desportivas. Queremos fazer um livro branco dos últimos 15 anos, para se aprender com os erros que foram cometidos, e começar a ter uma informação transparente. Com isto, o nível de discussão no Sporting vai automaticamente elevar-se, já que os números falam por si. No passado, das vezes que solicitámos oficialmente informações nas vésperas de assembleias-gerais, acabou, na grande maioria dos casos, por ser recusada. Esta situação é sintomática. A partir do momento em que se fecha o clube aos sócios eles vão embora e, neste momento, é assustadora a curva descendente do número de associados efectivos com cotas em dia.

no jornal "Público", 20.23.2011

quinta-feira, 17 de março de 2011

Que projecto para o Sporting?

Infelizmente, não é uma reflexão positiva aquela que aqui vos trago. Também não é apocalíptica! Primeiro, porque o assunto o não justifica e, depois, porque the show must go on e irá, seguramente, continuar....
Já aqui tinha falado neste absurdo em que se tornou a eleição no Sporting, em que em vez de ideias agregadoras e mobilizadoras, os candidatos decidiram jogar para cima da mesa nomes. Tudo começou com o "director desportivo". O absurdo ia-se cavando à medida que se iam sucedendo os "candidatos" a director desportivo. Depois vieram os candidatos a vices e a presidentes de AG. Sucederam-se os candidatos a treinadores e até olheiros. Agora vêm, finalmente os candidatos a velha glória de serviço.
Este caso das "velhas glórias" é especialmente chocante porque eles são símbolos do Clube, são bandeiras. Se se remetem à condição de simples apoiantes deste ou daquele candidato, se se prestam a participar neste desígnio que deveria ser empolgante, como simples peões de brega, é porque eles próprios, que são símbolos, que são bandeiras, acham que não há nada para simbolizar para além de se transformarem em mero emblema do seu candidato.
Na prática, hipotecar as "glórias" desta forma é como o Sporting passar a ter, não uma única bandeira, mas tantas bandeiras nos mastros do estádio quantas as facções dentro do Clube. Na prática é isto, porque as velhas glórias têm este estatuto. O Sporting não parece capaz de gerar uma realidade única, passível de ser acolhida por uma única voz, a que os outros símbolos se submetam. O resultado é isto: cada "velha glória" para seu lado...
Chamo-lhes velhas glórias, mas deveria chamar-lhes "glórias defuntas" porque ao tomarem partido por este ou por aquele candidato, estão prestes a perder o estatuto de velha glória e a ganhar o novo estatuto, mais prosaico, de apoiantes da lista vencedora ou derrotada da próxima eleição. Ficámos sem ou quase sem símbolos com esta eleição. Nenhum de nós, no fundo, no fundo, vai perdoar a estes apoiantes muito especiais o apoio à lista derrotada, no caso da nossa lista vencer, ou irá deixar de os culpar por terem contribuído para a derrota da lista em quem votámos.
Eu também não! Se o meu candidato não ganhar, não reconheço a nenhum outro, por mais "velhas glórias" (alguns de glória mais que duvidosa...) que tenham arrebanhado para o seu séquito, capacidade para unir os Sportinguistas na sua pluralidade e incluo no desastre as "glórias" que os apoiaram. Não há "democracia" que me faça perdoar-lhes.

Um projecto para o Sporting, que é dele?

O Sporting, que muitos dizem revelar nesta profusão de nomes de candidatos, de apoiantes e de apoiantes a candidatos a candidatos, uma enorme vitalidade, revelou afinal uma coisa que eu já há muito, muito tempo vinha receando: está totalmente esfrangalhado.
Falo por mim. Ao ponto a que isto chegou, vou apoiar um candidato e se ele não ganhar desligo-me do Clube. Não há cá "democracias". Nestas coisas de clubes, ou há ou não há capacidade para erguer um projecto colectivo e eu estou ou não estou disposto a participar nele.
Neste caso, ou há uma vontade colectiva clara, ou há tolerância e vontade de consenso, ou eu abandono a luta. Como, de resto, já há muito, milhares de Sportinguistas fizeram, fartos da confusão em que se tornou o Clube. E fizeram-no sem que alguém tenha conseguido parar a sangria. Hoje (dizem, não sei se alguém sabe ao certo) parece que há pouco mais de 15 000 sócios pagantes nos Sporting. Já fomos mais de 100 000...
Dito por outras palavras, vou escolher o candidato que me parece mais capaz de unir os Sportinguistas deste Sporting de hoje, que se quer moderno, a enfrentar o século XXI, e se ele não ganhar afasto-me porque não reconheço nos outros qualquer capacidade para fazer o que um candidato a Presidente do Conselho Directivo do Sporting tem absolutamente de fazer se quiser devolver capacidade de sobrevivência ao Sporting: unir os Sportinguistas!
A existência de uma tão grande diversidade de apoiantes e de figuras, figurinhas e figurantes que apoiam este ou aquele candidato diz-me, a mim, que estes candidatos, com excepção do meu, não estão dispostos a encontrar um ponto de encontro com os outros e regenerar a capacidade de continuar este projecto colectivo que se chama Sporting Clube de Portugal.
O Sporting é um CLUBE e os Sportinguistas têm de estar reunidos em torno do "ideal Sporting". Se não estão, é preciso uni-los. Se não houver capacidade para o fazer não vale a pena continuar. A presente campanha eleitoral indicia que há candidatos que não querem unir os Sportinguistas, que apenas os querem dividir para assim tomar conta do poder e continuar a mungir a vaca.
Esta é a realidade a que chegou o Sporting hoje e é preciso, creio eu, que todos estejamos conscientes dela.
Todos pensamos pela nossa cabeça e todos temos o direito e o dever de o fazer, mas um projecto colectivo faz-se unindo as visões de todos numa só. Tempos houve em que a pluralidade de ideias sobre o Sporting deu origem a uma única realidade, pujante e por isso vencedora. Hoje só subsistem divergências profundas e daí as derrotas.
Se ganhar o candidato que entendo mais capaz de superar essas divergências continuo a achar que vale a pena prosseguir a luta. Se não ganhar, desta é que já não aguento mais e vou mesmo embora.
Eu quero unidade.