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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Para quem ainda não percebeu o que se passou

Deixo a notícia do Mais Futebol. Vejam lá se metem na cabeça que o clube perdeu a maioria na SAD, a não ser que recompre as VMOCS nos próximos cinco anos. Como já explicámos muitas vezes e não vale a pena estar a repetir, o veto não vale nada na gestão operacional do futebol. O presidente demitiu-se um dia depois desta operação ter sido aprovada. O que aconteceu não teve nada que ver com a família, a Juve Leo, as pressões, nem o Catita nem com mais nada. Os negócios estão feitos. Ou melhor, faltam os "direitos de superfície do Estádio José de Alvalade".

Apesar de em cinco anos os bancos BES e BCP poderem ficar com a maioria do capital da SAD do Sporting, o clube manterá o controlo estratégico da sociedade. A garantia foi dada à agência Lusa por uma fonte próxima do processo, que releva a existência de 8,79 por cento de acções especiais na posse do clube.

Ora essas acções especiais garantem ao Sporting o direito de veto, que lhe permitem ter a última palavra em qualquer decisão. De resto, o Sporting pode também recuperar parte da posição que se tornará maioritária por partes dos bancos, tendo para isso de exercer a opção de compra sobre os valores agora negociados.

Os bancos adquiriram na semana passada 99,7 por cento dos 55 milhões de euros em valores mobiliários obrigatoriamente convertíveis em acções. Quando esses valores se converterem em acções, o que acontecerá durante um prazo de cinco anos, os bancos ficarão com 58 por cento do capital da SAD.

Outra alternativa nas mãos do Sporting, no caso de não querer exercer a opção de compra sobre os valores convertíveis em acções, passa pelo aumento de capital através da cedência em espécie dos direitos de superfície do Estádio José de Alvalade, que estarão avaliados entre os 15 e os 18 milhões de euros.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Fim da linha

Antes do ressurgimento, vale a pena parar dois minutos para pensar no significado da demissão e Bettencourt e sobretudo no seu timing: três dias depois de concluída a operação financeira que ao longo dos últimos quatro anos tem sido considerada fundamental para dar um novo fôlego ao clube: "Depois de garantir a subscrição de um empréstimo obrigacionista no valor de 18 milhões, agora a SAD leonina viu subscritos na totalidade os Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis (VMOC), em acções, a cinco anos, no valor de 55 milhões de euros." Depois de ter adquirido o Edífico Visconde para a sua empresa, ter vendido o Alvaláxia e depois de estar feito o escandaloso negócio da venda dos terrenos do antigo estádio Soares Franco concluiu que a sua missão no Sporting estava cumprida. A tarefa de encontrar um seguidor não foi fácil e a custo alguém conseguiu convencer um reticente Bettencourt a avançar. Não vale a pena estar agora a relembrar todas as peripécias que marcaram o mandato. Porém, com excepção do Ser Sporting, ninguém estranhou o timing da demissão e ninguém relembrou o facto de o clube não ter oficialmente a partir de amanhã mais nada para vender. A Academia já foi. As transmissões televisivas também. O património é passado. Em compensação os nossos credores (os bancos) assim como os nossos clientes (controlinveste) integram o conselho de administração da empresa que gere o nosso futebol. O trabalho está feito. Não há mais nada para vender. Se alguma vez alguém desconfiou que esta gente tinha um projecto o timing da demissão de Betencourt elucida, de vez, a natureza desse mesmo projecto. É pena que ela nunca tenha tido nada que ver com os interesses do Sporting. Vamos ver para onde vai Bettencourt exercer o seu ofício daqui a uns meses. Eu aposto que não volta para o Santander. Por sua vez, Rogério Alves, ou alguém do seu grupo, contactou há dois ou três meses um conhecido dirigente partidário e deputado à Assembleia da República para saber da respectiva disponibilidade para integrar o Concelho Leonino. Levou nega, mas nos bastidores as peças já se moviam há algum tempo. Era apenas uma questão de os negócios estarem feitos. Agora podem vir os pavões e os seus amigos palhaços.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Negócios da China

De acordo com o jornal A Bola, a Sporting SGPS comprou 2.645.000 acções da SAD por 4.930.000 euros O que a notícia de A Bola não diz é a quem é que a SGPS comprou as acções e a que preço. Para isso temos que ir a O Jogo. Este informa-nos que a SGPS, o Sporting portanto, comprou as acções à Nova Expressão, do "sportinguista" Pedro Baltazar, em operação fora de bolsa. O que nenhum dos jornais refere é o valor de mercado das acções e o preço que o Sporting pagou por cada uma delas. Isto é, quanto é que nós, sócios do Sporting Clube de Portugal, pagámos pelas acções.
Pois bem, as acções da SAD andavam a ser negociadas aí na casa dos oitenta e poucos cêntimos. Mas eu, génio das finanças, fui fazer as complicadas contas e dividi os 4.930.000 euros pelas 2.645.000 acções. Deu 1.99. Isto é, o Sporting comprou as acções ao Baltazar a praticamente dois euros. Isto é, mais do dobro do preço de mercado. Não sei a quanto é o grande "sportinguista" - como disse em tempos um ilustre centurião (é ver nos arquivos da Roulote, amigos) - as comprou mas, com certeza, não deve ter perdido dinheiro. Aliás, segundo o DN, o negócio foi feito para o "sportinguista" (de acordo com o ilustre centurião, recordemos uma vez mais) Pedro Baltazar não perder 2,5 milhões de euros. Negócios da china é o que é. Investir sem riscos não é para todos. É só para alguns.

Fica assim definida a participação do clube na SAD nos moldes que abaixo se indicam. Vamos ver como as coisas evoluem nos próximos tempos.

No dia 3 de Dezembro de 2010 e pelo facto descrito no primeiro parágrafo desta comunicação, ao SCP passou a ser imputável, nos termos do art.º 20º do Código dos Valores Mobiliários, uma participação qualificada no capital social e direitos de voto da SPORTING SAD de 16.900.029 acções, correspondestes a 80,476 % do capital social e dos direitos de voto, por força de:
a) 13.441.222 acções de categoria B detidas pela SPORTING – SGPS, SA, correspondentes a 64,006% do capital social e direitos de voto;
b) 3.430.010 acções de categoria A detidas pelo SCP, correspondentes a 16,333% do capital social e direitos de voto;
c) 8.967 acções de categoria B detidas pelo SCP, correspondentes a 0,043% do capital social e direitos de voto;
d) 19.830 acções de categoria B detidas por membros dos órgãos de administração e de fiscalização do SCP e da Sporting SGPS, SA, correspondentes a 0,094% do capital social e direitos de voto.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A reestruturação financeira trocada por miúdos

Directa e integralmente retirado do Ser Sporting.
Por João Mineiro.
Tenho visto na blogosfera leonina, assim como nos jornais desportivos, muita falta de informação (ou desinformação consoante os casos), sobre o que é verdadeiramente o projecto de reestruturação financeira – tal como vem proposto desde o tempo de Filipe Soares Franco. Antes do mais há que esclarecer três pontos:

- Este projecto nada tem de semelhante com o que foi inicialmente negociado em 2005, ao contrário do que deixa entender aqui um blogger anónimo.

- O controlo da SAD não fica assegurado com 51% do capital, uma vez que não estão garantidos 51% dos direitos de voto mas apenas 26,33%.

- A reestruturação financeira não permitirá investimentos avultados no futebol, como adiante se mostra, ao invés do que é dado a entender em asneiras difundidas pela Lusa e publicadas em diversos meios de comunicação.

A operação, tal como estava anteriormente planeada, processar-se-á em 3 passos.

Passo 1 – Operação Harmónio

Uma operação harmónio é uma operação através da qual uma empresa reduz parte do seu capital para cobrir prejuízos acumulados, aumentando-o em seguida através da emissão de novas acções. No fundo, é o assumir da incapacidade de recuperar prejuízos passados, “limpando” os mesmos dos capitais próprios através de uma redução de capital.

Desgraçadamente, esta é a segunda operação do género que a SAD leonina propões aos accionistas em apenas 6 anos. Já em 30 de Junho de 2004 o capital social foi reduzido de 54,9 M.€ para 22 M.€, sendo a diferença de 32,9 M.€ destinada à cobertura de prejuízos acumulados nos exercícios anteriores…

É necessário esclarecer que a operação harmónio agora proposta, com uma redução de capital de 21 M.€ e um novo aumento de capital de 18 M.€, não irá traduzir-se numa entrada de fundos uma vez que o Sporting (Clube) irá participar no aumento de capital através de novo financiamento bancário. Os recursos postos à disposição da SAD serão utilizados para abater dívida bancária no mesmo montante, no âmbito da reestruturação. Trata-se portanto de uma mera operação de recomposição de capitais e absorção de prejuízos.

Passo 2 – Emissão de VMOC (Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis)

Por sua vez a emissão de VMOC (não são mais que obrigações que pagam juro até à conversão em acções) representa, apenas, substituição de dívida – obrigações emitidas para pagamento de dívida bancária. As obrigações permitem uma maior folga na tesouraria da SAD, através da redução anual do reembolso de capital em dívida de 55 milhões de euros, mas quase nenhuma poupança de custos/juros nos próximos anos. Imagine-se, a título de exemplo, que a entrada de fundos substitui dívida bancária com um prazo de reembolso de 20 anos – em média reduz-se o reembolso durante esse período em 2,75 M.€ por ano. Ou seja, 10% do investimento realizado em jogadores nos últimos meses !!! Ver aqui… Outra opção seria investir este dinheiro em jogadores e galopar em direcção a um passivo de 450 M.€, o que é impensável.

Essa folga de tesouraria, tem no entanto um custo brutal para os Sportinguistas. Ao emitir os VMOC, o Sporting perde a maioria do capital da SAD se não entregar os seus últimos activos à sociedade. As contas são as seguintes:

- Sporting detém actualmente 68,60% do capital da SAD de 42 M.€

- Sporting passará a deter 83,09% do capital da SAD após operação harmónio (assumindo que subscreve a totalidade do aumento de capital), do novo capital social de 39 M.€ (41 – 21 + 18)

- Sporting passará a deter 34,47% do capital da SAD após operação harmónio e emissão de VMOC, do novo capital social de 94 M.€ (39 +55)

A forma “encontrada” para garantir 51% do capital da SAD na posse do Sporting é um novo aumento de capital em espécie, ou seja, a entrega de activos à SAD por parte do SCP. O valor desses activos (X) pode facilmente ser calculado resolvendo a seguinte equação:

[(34,47% * 94 M.€) + X] / (94 M.€ + X) = 50,01%

Ou seja, X = 29,2 M.€.

Estima-se portanto que a SAD irá ficar com um capital final de cerca de 123 M.€.

Passo 3 – Integração da Academia e dos direitos de superfície do Estádio

Conhecendo a avaliação feita à Academia de pouco mais de 20 M.€ – cujo relatório nunca foi público – mas que assumia incompreensivelmente que o novo aeroporto em Alcochete não traz valor acrescentado aos terrenos, e uma vez que esse valor não perfaz os 29 M.€ acima calculados, resta ao Clube passar também para a SAD os direitos de superfície do Estádio José Alvalade.

Resultado final da reestruturação proposta

Antes ainda de revermos as consequências um facto: é absolutamente inaceitável que toda esta engenharia financeira nunca tenha sido claramente explicada aos sócios.

- No Congresso Leonino, realizado em Santarém, José Castro Guedes, mentor do projecto, limitou-se a mostrar alguns slides com as contas da reestruturação financeira numa base de caixa, recusando-se a entregar esses mesmos slides aos 50 sócios/delegados presentes, bem como qualquer outro elemento contabilístico do Grupo Sporting, conforme requerido por 8 delegados presentes, representando 200 votos de sócios. Esse requerimento nunca teve resposta, prevalecendo em Santarém a exposição contabilística de “mercearia”;

- A Sporting Comércio e Serviços foi vendida à SAD sem ser conhecido sequer um balanço da sociedade; a avaliação da Academia nunca foi tornada pública; a autorização para a redução de participação na SAD e trespasse da Academia nunca tiveram aprovação em AG;

- As Assembleias Gerais têm sido um desfilar de silêncios, justificados com a necessidade de “não maçar os sócios”, ou por “falta de condições de segurança”;

- Os pedidos de elementos informativos, ao abrigo do art.20º/1/d dos Estatutos, são constantemente ignorados, motivo mais que suficiente para impugnar qualquer Assembleia Geral. Este pedido e consequente recusa, assinada pelos serviços do Clube, são apenas um triste exemplo;

- A informação enviada para as redacções deixa entender que tudo não passa de uma operação para “dotar a SAD da capacidade necessária de investir na sua equipa de futebol“.

Ora sendo o futebol a única actividade capaz de gerar mais-valias regulares que nos levem à redução do passivo, a venda da sua gestão e capital a terceiros tem de ser explicada de forma transparente. Uma opção pela privatização da principal modalidade do Sporting e pela venda de 50% dos activos que lhe restam exige clareza.

Neste cenário final o Sporting e a intervenção dos sócios ficam limitados a:

- Gestão das modalidades;

- 25% das quotizações dos sócios,

- 50,1% de uma SAD que deixa de controlar – onde terá direito a apenas 26,3% dos direitos de voto. Note-se, a título explicativo, que as acções do tipo B estão limitadas a 10% dos direitos de voto e o Sporting apenas detém 16,33% de acções do tipo A, sem limitações de voto, conforme resulta do artigo 13º dos Estatutos da SAD.

É isto que os sócios querem?

Alternativas

Finalmente chegamos à questão final: existe alternativa?

Claro que sim.

Toda a reestruturação montada não vai permitir mais que uma ligeira redução dos encargos de tesouraria, implicando um custo imediato de alguns M.€ em custos bancários na montagem da operação, obrigando a uma perda total de poder por parte dos sócios com e ao esvaziar do Clube dos seus activos.

Por forma a conseguir o mesmo efeito de tesouraria há que renegociar a dívida bancária para prazos mais alargados, ajustando os reembolsos de capital aos anos de venda de jogadores da formação e oferecendo em contrapartida novos colaterais aos credores. Ou reduzir a massa salarial do Grupo Sporting em 200 mil € /mês. Ou criar um Fundo de Investimento para os passes da formação. Ou criar fundos de Fomento Desportivo. Ou vender o “naming” do estádio durante alguns anos, por doloroso que seja. Ou recuperar a dinâmica de merchandising do Clube através da rede de Núcleos do Sporting.

Ou, a hipótese mais valiosa de todas, com um efeito equivalente à reestruturação proposta pela “Geração da Dívida”. Recuperar/angariar 20.000 sócios – a base de todo o programa Ser Sporting.

Não seria essa verdadeiramente a solução de futuro que o Sporting necessita?

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A ruptura (ou não)

No que era suposto ser uma linha de continuidade muita coisa mudou. Sairam Carlos Freitas, Soares Franco, Pedro Barbosa e Miguel Ribeiro Telles (as principais figuras dos últimos anos). Já aqui tínhamos referido a solidariedade entre os membros da anterior equipa de gestão do clube e da SAD. Com ferros mataram Dias da Cunha, Meireles e Peseiro, com ferros, mas devagar, morreram às mãos da equipa de Bettencourt.
Neste contexto o que parece ser estrutural no SCP e na SAD não é a troca de treinador. Esta mais parece ser uma consequências das guerrilhas internas, onde Sá Pinto, Nobre Guedes (não esqueçamos que foi o arquitecto da operação financeira que Soares Franco propôs aos sócios) e Salema Garção, para quem se inventou uma nova função no futebol mundial, apenas e só (provavelmente) para o prendar pelos serviços prestados, ocupam os lugares vagos.
Isto é, acabámos de assistir sob o manto da continuidade a mais um golpe palaciano no lugar de Alvalade. As consequências desportivo-financeiras ainda estão por apurar. O projecto de Soares Franco passou numa versão um pouco mais moderada. Acredito que rapidamente, antes do final do mandato, vamos ter a conclusão do projecto financeiro de Soares Franco, embora liderado por outros e beneficiando, com certeza, outros interesses alheios ao SportingCP. Na comunicação o suposto carisma e a entrada à bravo da quinta foi um desastre, que se resolveu com silêncio e dinheiro. Dinheiro que está a ser gasto à bruta. Sobre a política contratações haverá mais para dizer no futuro. A impressão com que fico, das contratações concretas, é que depois de reforços de qualidade duvidosa, para os preços pagos, algo que torna patente não somente o desespero desportivo mas também a falta de conhecimento do mercado e de capacidade negocial, o peso de um falhanço estará nas mãos de Carvalhal. Ou seja, embora mal e porcamente gastos, os 10 ou 15 milhões que agora se vão estoirar garantem uma almofada de segurança à direcção numa época desportiva desastrosa e possibilitam as operações financeiras que todos aguardamos com a expectativa do costume.
E para acabar, mais uma frase feita: é preciso que algo mude para que tudo possa continuar na mesma.

sábado, 10 de outubro de 2009

E vocês sabiam?

Pelos vistos a Academia já passou para a SAD e as VMOCS já foram aprovadas. Sabiam? O Record pelos vistos sabe. Agora só falta passar a Comércio e Serviços para o plano que foi Chumbado no Pavilhão Atlântico se concretizar na Íntegra. Fica a notícia para os mais distraídos, entre os quais me incluo. Eu pensava que A Academia ainda era do Sporting e que as VMOCS tinham sido chumbadas. Pelos vistos não foi bem assim. Vamos lá ver na terça se a Hidra dá a machadada final no clube, que vem sendo adiada desde 2006.

A passagem da Academia para a SAD e a autorização dos associados para a emissão de VMOC, os outros dois pontos do plano de reestruturação acordado com os bancos, BES e BCP, estão já aprovados desde maio de 2008, quando Soares Franco convocou os associados para a reunião magna que decorreu na Sala Tejo do Pavilhão Atlântico.

Nessa noite, as duas medidas que, estatutariamente, não careciam de uma maioria qualificada, receberam a aprovação dos sócios, que apenas rejeitaram a passagem da Sporting Comércio e Serviços para a SAD. É que esta medida carecia de dois terços dos votos, fasquia que não foi atingida por escassos 4 por cento. A aprovação dos dois primeiros pontos foi transmitida e aceite pelos presentes.

domingo, 12 de abril de 2009

Esclarecimento

Em posta anterior escrevi sobre a AG que se aproxima. O que está lá escrito é o seguinte: "Antes de voltarmos ao debate sobre as vmocs, a Academia, o Estádio e a SCS temos outra decisão pela frente: a alteração dos estatutos do clube. O principal ponto das alterações propostas pela direcção é a criação de uma Assembleia-Geral referendária. Associada a este ponto estará certamente a ideia da criação de uma Assembleia Delegada ou uma extensão e alteração do papel do Conselho Leonino." O argumento desenvolve a partir daí. A mesma posta, ou pelos menos as ideias aí expostas, mereceram alguns comentários noutros blogs, mesmo que esses comentários não nomeassem directamente a minha posta. Quase todos eles apresentam o calendário e falam em equívocos. Admito que a pressa e o tom possam ter causado alguns equívocos nos leitores. A "alteração de estatutos" a que me referia é "apenas" transitória. Mas penso que o essencial do argumento de mantém. O resto do argumento segue para a Assembleia Delegada. É certo que não é isso que vai a votação na próxima sexta-feira. Porém, penso que é impossível votar em consciência na próxima AG sem ter em consideração as ideias que já foram postas a circular num passado recente por membros do Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal e por algumas personagens que lhes são próximas. A aprovação da Assembleia Geral referendária, para além dos traços de golpe que apresenta, e que já foram sublinhados noutros blogs, servirá para aprovar sem uma maioria de 2/3 uma medida que pode partir o clube em dois. Uma medida fracturante, portanto. A provação desta medida tratá consigo, certamente, novas revisões estatutárias. Era a isso que a minha posta tentava aludir. Espero que o esclarecimento esteja feito.

terça-feira, 7 de abril de 2009

A mulher de César

Antes de voltarmos ao debate sobre as vmocs, a Academia, o Estádio e a SCS temos outra decisão pela frente: a alteração dos estatutos do clube. O principal ponto das alterações propostas pela direcção é a criação de uma Assembleia-Geral referendária. Associada a este ponto estará certamente a ideia da criação de uma Assembleia Delegada ou uma extensão e alteração do papel do Conselho Leonino. A cerca de 10 dias do assunto vale a pena iniciar o debate, ou à falta dele fazer desde já uma declaração de voto: não. E porquê? Por uma série de motivos.
Antes de mais pelo momento em que a proposta é feita. Cerca de 10 ou 15 dias antes da repetição da AG que teve lugar a 28 de Maio do ano passado e que deliberou sobre os temas acima expostos. O que transparece das propostas da direcção é a ideia de fazer passar a todo o custo as medidas que já foram chumbadas o ano passado. Assim sendo, parece-me no minímo perigoso levar a cabo uma revisão estatutária onde uma suposta ideia de modernidade e inovação está ligada a um conjunto particular de medidas, concorde-se ou não com elas. Em segundo lugar parece-me injustificável uma revisão estatutária cerca de um mês antes das eleições. A melhor solução, neste quadro, seria aguardar pelo desfecho das eleições. Este período de espera teria a vantagem evidente de possibilitar que as diferentes listas apresentem um projecto na verdadeira acepção do termo. Um projecto onde revisões estatutárias, gestão económica e política desportiva estivessem estreitamente articuladas, oferecendo aos sócios uma verdadeira escolha entre propostas sólidas e simultaneamente permitisse legitimar sem margem para dúvidas a proposta vencedora, qualquer que ela seja. Coisa que no presente cenário certamente não sucederá.
Por outro lado, a proposta para a criação da Assembleia Referendária e da Assembleia Delegada vai contra as lógicas que governam os privilégios dos sócios no presente quadro e são apresentadas por uma direcção que já manifestou vontade de se livrar dos sócios e dos processos de tomada de decisão democráticos. Neste momento os estatutos do Sporting privilegiam os sócios com maior participação na vida do clube. Por maior participação entenda-se anos de sócio. Este anos de sócio são privilegiados proporcionalmente com maior número de votos. Ora mantendo o mesmo espiríto também deveremos premiar os sócios mais empenhados na vida do clube. A participação em AG's é um indicador fundamental dessa participação. Revela, antes de mais, uma vontade e uma disponibilidade para se envolver na vida do clube para além do simples consumo do espectáculo desportivo ou do depósito do voto em urna. Manifesta um desejo de debater e discutir a vida do clube e tomar decisões informadas. Um dos argumentos a favor da proposta de alteração de estatutos é a possibilidade de permitir a participação de uma maior número de sócios. Perante este argumento, é necessário relembrar que nunca uma direcção perdeu tantos sócios como esta. Em segundo lugar, e para além da reduzida dimensão da massa associativa do clube neste momento, a participação em AG's é reduzida. A média andará pelos 300/400 sócios. Em momentos excepcionais, como nas Assembleias do Pavilhão Atlântico, essa participação tem rondado os 3000 sócios. Nada que impossibilite a tomada de decisões e números que poderiam ser mantidos, sem custos e sem perda de democraticidade e eficácia deliberativa, com a construção de um pavilhão nas imediações do estádio e com um maior respeito pelos sócios. Este argumento sustenta-se no exemplo do Barcelona. Para responder, basta perceber como funciona a Assembleia do Barcelona: um sócio/um voto; assembleia delegada sorteada anualmente entre os cerca de 100 mil sócios do clube. Serei completamente a favor da criação de uma assembleia delegada no dia em que o Sporting voltar a ter 100 mil sócios e aparecem 15 mil em todas as AG's. Nesse contexto faz sentido sortear sócios para que possam caber todos num pavilhão para que a discussão e o debate possam ter lugar. Até lá, a única coisa que transparece da vontade da direcção é acabar com o debate no clube. Como? A tomada de decisões pressupõe informação. Onde é que em Portugal neste momento um adepto do Sporting pode ter acesso a informação e a debate sobre a vida do clube? A imprensa desportiva anda entretida a especular sobre transferências e arbitragens. A vida dos clubes e a opinião independente não passam por ali. No jornal do clube apenas encontram espaço as propostas da direcção. Não é só desta. Sempre foi assim. O site do clube é mais para vender mercadorias. Os blogs, convenhamos, são um universo limitadíssimo. O único e o verdadeiro espaço de debate e confronto de opiniões sobre o clube é a AG. Um órgão que deveria merecer o máximo respeito de todos os sportinguistas mas sobretudo de todos os democratas. A AG, mais do que o referendo ou as eleições, é o o órgão democrático por excelência. Matá-la é matar a democracia. Trocá-la por outra coisa qualquer que será sempre um retrocesso relativamente ao que temos.

Temos plano

O Sporting divulgou ontem em pormenor à CMVM o plano de restruturação financeira proposto por Filipe Soares Franco. O projeto do Conselho Diretivo prevê a passagem para a SAD "dos direitos do clube relativos quer ao imóvel, quer aos demais elementos que integram a Academia Sporting PUMA, por valor não inferior a 21 milhões de euros", bem como da Sporting Património e Marketing, através de "fusão por incorporação" na SAD, "com a consequente transmissão do direito de superfície sobre o Estádio José Alvalade, mantendo o clube a propriedade do solo".

As restantes operações financeiras, a apresentar e votar numa futura AG da SAD, implicam "a redução do valor nominal das ações para 1 euro cada e subsequente aumento de capital em 20 milhões de euros"; a "contratação de um empréstimo intercalar" para financiar o referido aumento; a "emissão de VMOC's até ao montante de 55 milhões de euros ao valor nominal de 1 euro cada, com prazo máximo de 5 anos para a conversão em ações da SAD"; e a "venda à SAD de 100% do capital social da Sporting Comércio e Serviços [que gere os direitos de TV] pelo valor de 20 milhões de euros".

terça-feira, 31 de março de 2009

Mais ideias construtivas

Deverá portanto optar-se pela total recusa da emissão de VMOCs como solução financeira do Clube, devendo ser pensada, se algum dia se revelar possível, a recompra das acções em bolsa, com as seguintes condições:

- Recompra, a 5 euros, das acções ainda detidas pelos Sócios que participaram na primeira oferta pública (quota suplementar)

- Recompra a valor de bolsa ou ao valor nominal das restantes acções no mercado

- Criação de clausulas estatutárias que obriguem a SAD ao mesmo tipo de divulgação de informação pública a que está hoje obrigada

Como alternativa deverá promover-se uma operação que alivie a tesouraria do Clube. Duas opções a considerar:

- Emissão de empréstimo obrigacionista, remunerado à taxa fixa de 3%, com prazo de 3/4 anos

- Criação de um fundo, remunerado à taxa fixa de 3%, usado para comprar dívida do Clube à banca. O fundo seria criado com remuneração garantida e não teria prazo de vencimento definido. Deverá ser garantida alguma liquidez às unidades de participação

Num período de 3 anos esta operação, num montante de cerca de 40 M.€, permitiria:

- Poupar entre 0,5 e 1,1 M.€ em juros, face a um juro bancário de 3,5% ou 4,0%, ou mais em caso de subida repentina das taxas de juro

- Desafogar a tesouraria num montante superior a 10 M.€, devendo garantir-se que a maior parte deste valor é usado para redução do restante passivo bancário

- Envolver Sócios e Adeptos numa solução não fracturante, sem venda da SAD, e remunerando o investimento

- Remunerar parte do juros em serviços Sporting, tentando aproveitar um possível efeito fiscal

O investimento seria por exemplo de apenas 1.000 €, para 40.000 investidores (Sócios ou adeptos).

sábado, 21 de março de 2009

Comparações

Imaginem um país, governado por um primeiro-ministro.

Este tenta aprovar uma medida que exige o voto favorável de 2/3 da assembleia. A medida é rejeitada.

Mas o primeiro-ministro não se conforma com o veredicto da assembleia soberana. E meses depois, ao mesmo tempo que revela que não irá recandidatar-se, informa que, ainda que sem a aprovação necessária e contra a anterior decisão da assembleia, tomou a medida à mesma. Mais: tomou-a em termos tais que se a assembleia não vier a aprová-la a posteriori, o país ficará num grande sarilho, obrigado a pagar de imediato a totalidade da sua dívida externa.

O primeiro-ministro vai mais longe. Umas semanas depois deste anúncio e a apenas dois meses do fim do seu mandato, apresenta uma proposta de revisão da constituição. A alteração é só uma: que a medida em causa deixe de estar sujeita a aprovação da assembleia e possa ser referendada sem qualquer discussão prévia. E anuncia de imediato que, em caso de aprovação, o referendo terá lugar logo duas semanas depois.

O que se diria deste primeiro-ministro? Deste responsável que ignora deliberações da assembleia que rege o seu país, que desconsidera minorias, que toma medidas desrespeitando a constituição, que ensaia alterações constitucionais ad hoc para levar a sua avante e que, num momento em que a legitimidade se lhe esgota, tenta comprometer irremediavelmente os seus sucessores e o próprio país?

Este país, meus amigos, é o Sporting Clube de Portugal. Este primeiro-ministro é Filipe Soares Franco. E os cidadãos, aqueles que podem pôr cobro a este estado de coisas, somos nós, todos nós, sócios do Sporting Clube de Portugal.

Chegou o momento. O momento em que se tenta colocar a primeira pedra do «Clube sem sócios mas com adeptos que não se intrometam na gestão nem tenham voto nas eleições dos órgãos sociais» - que é ao mesmo tempo a última pedra da sepultura do Clube que ao longo de mais de um século se ergueu como «unidade indivisível constituída pela totalidade dos seus associados».

Chegou o momento. O momento de dizer “Não!”, “Basta!”, de virar a página, de analisar o passado, avaliar o presente e de uma vez por todas olhar o futuro nos olhos, sem receio nem temor.

O filósofo irlandês Edmund Burke disse um dia que «Tudo o que é necessário para que o Mal triunfe é que os homens bons não façam nada». É pois a hora de cada Sportinguista ser mais Esforçado, Dedicado e Devotado do que nunca na defesa do seu, do nosso Clube. E a Glória é que, no fim da luta, ele continue a ser nosso.

Sempre e cada vez mais ao serviço e na defesa da Cidadania Sportinguista, o Movimento Leão de Verdade não vai faltar à chamada. No respeito pelas regras e pelas instituições que é seu timbre, tudo fará para pôr a nu este assalto final ao associativismo e para impedir que ele triunfe.

Todos juntos, conseguiremos. Pelo Sporting, «Não Passarão!».

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Mas... ou Orwell


A minha opinião sobre a entrevista está expressa, na íntegra, no cacifo, que, numa jogada de antecipação, fez a leitura que se impunha. Depois é sempre giro ver a Centúria a fazer (com muita gargalhada e galhofa pelo meio) aquilo que numa gíria que eles muito bem dominam se chama insider trading. A palhaçada ainda não acabou. A chantagem já recomeçou. A palavra chave da entrevista é "mas". Mas também poderia ser "vaga de fundo". O homem ainda se podia candidatar se o projecto de "modernidade e inovação" tivesse pernas para andar. Nada me move contra Soares Franco em particular e é-me indiferente o projecto das VMOCS e da SCS andar para a frente com ou sem ele. Não quero é o projecto. Seja ele o proponente ou seja um seu sucessor. Muito se falou também na seriedade da entrevistadora. Foi relativamente óbvio que Judite de Sousa não dominava o assunto. O conhecimento que tinha era de leituras superficiais de jornais. Depois de Soares Franco anunciar a nova AG para votar as VMOCS (que nojo de expressão) e a passagem da SCS para a SAD a pergunta que se impunha era se os sócios não tinham já votado essas medidas a 28 de Maio. Ficou no bolso. Do SCP não se falou muito.

Adenda 00:39 - As perguntas que o LdV enviou à Judite de Sousa. Pelos vistos não foi só por desconhecimento que algumas questões não foram colocadas.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Eu preferia dizer mal do Rochemback mas em vez disso tenho que andar aqui a escrever sobre VMOCS

Cavalgando a maré de bons resultados (lol) Soares Franco já iniciou os preparativos para uma nova reedição dos debates sobre as vmocs e a transferência dos direitos de transmissão televisiva do clube para a SAD e para a treta da redução do passivo que nunca mais se reduz. No outro dia, num jornal qualquer eram 150 milhões. Ontem na Bola são 245. Nada de esquisito haveria nisto dado que nós já conhecemos e reconhecemos as tendências ideológicas de Soares Franco e do projecto Roquette há muito tempo. O mais esquisito, com H maiúsculo, são duas coisas. Uma que nos parece evidente. Depois da Assembleia-Geral de 28 de Maio (quem quiser que vá ao arquivo que agora não tenho tempo para linkar para as respectivas postas) a Roulote e mais uma série de blogs defenderam que a dita AG tinha decorrido à margem da legalidade e que as propostas da direcção não teriam sido aprovadas, ao contrário do que esta considerava. Falou-se na altura em providências cautelares e etc. Verificamos agora que nada disso foi necessário. Foi a própria direcção a reconhecer a ilegalidade dos seus procedimentos da referida AG e a imoralidade das suas interpretações no pós-acontecimento. Aqui chegados, encontramos a segunda cena esquisita. Eu diria mesmo bué esquisita. Então como é que uma direcção marca novamente uma AG para aprovar medidas que a própria já considerava aprovadas sem dar qualquer explicação aos sócios pelo facto? Se já estavam aprovadas as medidas não precisam de ir novamente à AG. Se não foram aprovadas, a direcção tem de nos explicar o que é que se passou naquela AG e os motivos pelos quais cerca de 7 meses após os sócios as terem chumbado aquelas propostas vão novamente a AG. Facto que se torna ainda mais estranho tendo em conta actual clima económico, altamente benéfico para o clube e a SAD, com as taxa de juro a baixar consecutivamente. O que dissemos na altura da última AG no Pavilhão Atlântico mantém-se. Mais uma vez, é a menos de seis meses das eleições e a dois do congresso que se toma uma decisão destas, que pode implicar o fim do clube? Ainda neste grau de cenas maradas, é igualmente sinistro como os chamados "jornais" desportivos apresentam o processo: não o apresentam. Fazem de microfone para Soares Franco. Muito mais haveria para dizer, e certamente que lá teremos que nos andar a chatear com esta coisa outra vez durante mais um mês, mas olhem, é a vida. Como dizia o outro, não é fácil ser verde.