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sexta-feira, 25 de março de 2011

O Sporting de Godinho Lopes e Luís Duque

Encontrei o Sr. Francisco, indeciso mas inclinado para votar na urna de Godinho e Duque. Confessou ter receio de estar a colocar mão no mesmo local onde já ficou entalada. Recupere-se a memória, desfaçam-se as dúvidas agora ou arrepender-se-á para sempre. Olhe que Godinho Lopes será o Godinhismo que se seguiu ao JEBismo, que se seguiu a todos os outros, filhos do mesmo pai. Franziu a testa e contestou-me que nos dois últimos títulos estava lá o Luís Duque. Mas Oh Sr. Francisco:

1. Foi nesse período que a SAD mais registou prejuízos.

1997/98 - 7,5 milhões de prejuízo

1998/99 - 2,5 milhões e meio

1999/00 - 11,5 milhões

2000/01 - 21,5 milhões

2001/02 - 22,7 milhões euros

2002/03 - 27,3 milhões

2003/04 - 9,2 milhões

T = 83 milhões de euros de prejuízo

Num estudo universitário intitulado “Sobre o (des)equilíbrio financeiro da primeira década [1997/98 a 2006/07] do Sporting, Sociedade Desportiva de Futebol, SAD” a análise é clara sobre o desastre financeiro dos anos “dourados” anos de GL e LD: é sensivelmente entre 1999/2000 e 2002/03 que se avalia o maior desastre financeiro (em todas as rubricas: Fundo de Maneio, Rácios de Financiamento, Margem de Auto-financiamento, etc., etc., etc. É obra!). Tomando de empréstimo o fantasma preferido da lista de GL para termo de comparação financeira recordo que, em período idêntico, Vale e Azevedo deixou um prejuízo de 37 milhões (incluindo o que meteu ao bolso) e um passivo de 133 milhões, a fazer fé nos dados disponíveis na Net. É só comparar os números para ter uma dimensão do desastre.

2. A gestão e equipa pouco credíveis de Godinho Lopes

O nº2 da lista - Nobre Guedes - sublinhou a importância da existência, nas empresas do grupo Sporting, de administradores comuns. Assim o era no tempo de Godinho Lopes que foi vice-presidente da SGPS, do Conselho Directivo e presidente da ESTÁDIO JOSÉ ALVALADE SA, da Sporting Comércio e Serviços e presidente da EMPRESAS IMOBILIÁRIAS (bem no plural pois eram efectivamente muitas).

Não sei se foi desta passagem pela SPORTING COMÉRCIO E SERVIÇOS que GL conheceu os indivíduos pertencentes ao BES e à PT que agora integram a sua lista. É apenas uma suposição por ser público o fantástico retorno publicitário (BES – 126 milhões de Euros; Portugal Telecom – 107 milhões) que estas duas empresas obtêm com o futebol português. Fica a dúvida se é desta que as marcas vão oferecer mais ao SCP do que o SCP tem oferecido às marcas.

Mas sei qual a factura da passagem de GL pela ESTÁDIO JOSÉ ALVALADE SA: construiu um estádio que derrapou em dezenas de milhões de euros (no folheto informativo "Roquette previu que custaria 75 milhões de euros (15 milhões de contos), mas custou para cima dos 100 milhões") sem relvado credível e - incrível! - sem pavilhão. Não me esqueço também que foi Godinho Lopes quem entregou o estádio e Alvaláxia ao arquitecto Tomás Taveira que assim nos tranquilizava: «Todo este tipo de apoio e estruturas ajudam a que o ir ao Estádio seja algo como uma saída familiar, porque enquanto uns estão no futebol, os outros poderão estar no cinema ou no ginásio. Vai ser bonito de ver e viver.» (jornal Sporting, Edição especial, Abril 2003). O que eu vi foi um fosso e cadeiras às cores. A hiper-estratificação (social e funcional) foi o reverso dos discursos sobre a “multi-funcionalidade” e “comodidade”. Uma orgânica arquitectónica que distingue e isola de forma meticulosa cada bancada ou sector, a que o espectador tem acesso. Sossego e privacidade total para as tribunas e repressão policial nas bancadas mais barulhentas. Acabaram-se os meninos à volta da 10A para os jogadores aprenderem coisas de Sporting e de verdade.

O antigo estádio implicava despesas anuais de manutenção de aproximadamente 2,5 milhões de euros ao passo que "a exploração do novo estádio e do complexo Alvalade XXI proporcionaria receitas anuais de 5 a 10 milhões de euros" (SCP, Inauguração, programa oficial, Agosto 2003). Foram tantas as receitas que até o Bingo fechou. Tiveram de vender aquilo tudo.

A vertigem pelo espaço urbanizável era tal que sendo obrigatória a lotação de 50 mil espectadores preferiram contabilizar os lugares atrás dos ecrãs gigantes, atribuindo-os aos cegos, já que estes não viam o campo.

GL já presidiu muito e mal. Para além disto e do que nos conta Ricardo Andorinho, convém relembrar que, em cinco daqueles seis órgãos, GL tinha como vice Diogo Gaspar Ferreira, sinistro membro que, mais tarde, vendeu os terrenos do antigo estádio, abaixo do valor de mercado, a uma promotora imobiliária (MDC) da qual viria ser administrador. Será PPC o seu braço direito credível desta vez?

Mas voltemos a Luís Duque e ao seu petit amie Freitas. Acertam duas em dez contratações. Assim também eu e saía bem mais barato. Prescindia dos 86 mil euros de prémio depositados, em 2006/07, na conta do Freitas por ter preterido o Fábio Coentrão (nem com a dica do rapaz..) e pelo 2º lugar alcançado na Liga. Bom, aqui o Sr. Francisco lá me deu razão. Também ele conhecia bem os danos irreparáveis de Freitas, parte deles em parelha com Duque e tão bem descrita na Magnus Opus de Zeferino Boal: 70 milhões de despesa versus 5 milhões de retorno.

Realmente, para quem repete a palavra credível 86 vezes por debate isto é muito pouco. Eu quero mais. Mais credibilidade e competência. Eu também. Com outras pessoas e, já agora, que percebam de bola.

sábado, 28 de novembro de 2009

Do verbo

O exagerado ênfase que muitos colocam na comunicação e na sua importância no funcionamento de qualquer organização é seriamente irritante. Paleio não significa necessariamente acção, mas a própria palavra pode ser entendida como uma forma de acção. Isto é, a comunicação não deixa de ser indicativa do que se vai passando na organização e do que os seus líderes, aqueles que habitualmente "comunicam" com o povo, vão pensando. A notícia de que finalmente o Sporting assinou com a CML o protocolo que nos vai permitir ter os terrenos para construir o pavilhão nas imediações do estádio não mereceu da parte da direcção (pelo menos que eu tenha tido conhecimento) qualquer manifestação pública de regozijo. Aquilo que é um momento histórico na vida do clube mereceu menos paleio da direcção do que meia dúzia de tipos que protestam volta e meia com o treinador ou com isto ou com aquilo. Isto é, para a direcção é mais importante criticar os seus próprios sócios e ameaçá-los de expulsão do que aproveitar a ocasião do protocolo para promover de forma clara não somente as outras modalidades profissionais do clube como também contribuir para a tão necessária união em torno do clube. Ninguém é contra o pavilhão! Mas a nossa direcção parece-lhe ser indiferente. Para a nova direcção o pavilhão parece ser uma promessa eleitoral que se tem de cumprir (e ainda bem) mas nada de especialmente entusiasmante.
Uma segunda boa notícia que marcou a semana do clube foi o facto de o Conselho de Justiça da FPF ter dado provimento à reclamação apresentada pelo Sporting sobre o recurso rejeitado pela Comissão de Disciplina da Liga. O caso é importante não apenas pelo seu valor individual, mas também porque deveria ser um passo na clarificação de muitas das situações que ensombram a arbitragem a de um modo mais geral a regulação do futebol em Portugal. Seria, portanto, mais uma ocasião para o nosso clube mostrar publicamente que está empenhado na reestruturação e clarificação do futebol português, para além de continuar também sedento do sangue de Duarte Gomes. Resultado: nem uma palavra.
Numa rara semana onde tivemos duas boas notícias pode ser que hoje tenhamos a terceira. BORA LÁ!!!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Política de terra queimada

Com base nesta notícia é caso para dizer que o pavilhão morreu.
E é o meio próprio para mandar soares franco pró caralho.
Tal como os políticos em vésperas de deixarem o puleiro, este tipo deu a machadada e abriu caminho para que nos próximos 4 anos não seja possível a construção do pavilhão. Só se for demolirem a casa dele em cascais e fizerem um court de ténis um mini pavilhão para a prática de polo aquático.
Reparem bem no encanto do presidente da câmara com a proposta do Sporting. Mais uma vez o Sporting colocou os seus interesses ao serviço de terceiros e prejudicou os seus próprios interesses.
Como Sportinguistas é mesmo o que queremos é mais projectos imobiliários e mais casas. Vamos investir nesta novidade que é dinheiro certo.
No fim o tipo que é presidente do Sporting vingou-se. Há má fila foi negociar uma dívida na qual os terrenos que vez de irem para o pavilhão (que ele despreza) irão para reabilitação urbana (e não, não se vai reabilitar alterando o PDM e construindo um pavilhão não sei onde).
A vingança, portanto, consumou-se no fim soares franco consegui o que queria, um clube só de futebol. O resto já está em marcha.
Se alguém lhe aplicar um correctivo tipo dias ferreira (que funcione mesmo) terá a minha simpatia e o meu agradecimento.

terça-feira, 31 de março de 2009

Uma posta não destrutiva

De vez em quando surgem boas ideias na blogosfera. As modalidades e o tipo de acordo seriam um caso a pensar. Mas era capaz de ser uma boa ideia para o Sporting e para Lisboa.

quinta-feira, 19 de março de 2009

A gestão do ecletismo e outras mentiras

Nem com sondagens encomendadas aos seus parceiros amestrados SF consegue sustentar a sua visão maniqueísta do ecletismo. Resumindo, fica claro para quem a leu que os sócios revelam um forte envolvimento e comprometimento com o 'ecletismo'. Diria até, bastante mais do que seria de supor. Imaginem se a sondagem contemplasse apenas o distrito de Lisboa...

Não sei se é pior a mania de SF nos tomar a todos por burros ou sua prepotência em querer vingar a sua obstinação em acabar com o ecletismo à custa muita areia para os olhos. Levado pela mentira nada o detém. E é vê-lo por com ar de virgem contabilista com a questão da quotização (lembram-se disto?) ou ainda pregando pela sustentabilidade…

A Franco e todos os gestores que acharam ‘muito cool’ imitar o Arena de Amesterdam e de importar os conceitos mercantilistas norte-americanos de gestão de recintos desportivos e cagar de fininho na história e idiossincrasia leoninas (em particular) e do desporto português (em geral), exigem-se as seguintes respostas:

Quanto perdemos até hoje por terem decidido estrategicamente não construir um pavilhão e uma pista de atletismo? Quanto perdemos por termos listas de espera de pessoas que querem praticar ginástica de leão ao peito? (já foram 7666, hoje somente 1100 praticantes!). Quanto é que perdemos, semanalmente, em patrocínios, apoios, mobilização, sócios e vitórias nas modalidades?

Como grandes gestores que são com certeza fizeram já fizeram a avaliação dos resultados esperados versus resultados obtidos..
A propósito da crise, alguém graffitou na parede duma faculdade de Lisboa: “Estes economistas para quê?!”. Está na altura de nós perguntarmos: “Estes gestores para quê?!"
Reflectemos nisso, caros consócios, e
stes gestoresinhos para quê?!...