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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A época não está totalmente perdida

O Sporting sempre ganha em qualquer coisa. Segundo se pode ler aqui é o clube que domina os noticiários.
Pelas piores razões, é certo, mas sempre ganhamos em qualquer coisita... Não há dúvida: somos o clube do ecletismo!

domingo, 10 de maio de 2009

(In)decência e liberdade da imprensa

«Paulo Cristóvão, em directo para a rádio Alenquer...» foi este o primeiro dos únicos jornalistas a colocar uma questão ao candidato da lista 'Ser Sporting'. Na sala, estavam presentes muitos jornalistas de microfone na mão. Ao meu lado, o inconfundível Nuno Luz, passou o tempo todo a brincar com o seu telemóvel novo (pela pinta é dos que tuitam, cruzes!), interrompendo apenas para ordenar ao operador de câmara que filmasse o Dias da Cunha. Alguém quer colocar mais perguntas? Ninguém queria...

Como ninguém quis, n'A Bola, no dia da última AG, perguntar a J. Roquete o porquê do seu projecto ter falhado. Como justificaria ele apoiar a radical reformulação de um projecto que partia do reconhecimento da caducidade dos modelos de gestão iniciados nos mandatos - incluindo o seu - anteriores? Vítor Serpa, não quis saber disso. O próprio director, encarregou-se do serviço ao domicilio, fazendo, na 1ª página, uma ode ao pai de um "Projecto" ancorado num património que já era, aclamando o sinistro empresário como alguém genuinamente precupado com o futuro de um clube que ele próprio afundara num passivo asfixiante e que, na hora certa, qual agente priviligiado, soube sair de cena e salvaguardar o "seu".
Enquanto V. Serpa beijava a mão, o outro acompanhante ajoelhava-se abaixo do nível do ventre de Roquete e dava-nos a fotografia de capa: Roquete, olhando-nos de cima, com o seu ar de rigor, à frente da sua lareira de rigor, sentado no seu canapé de rigor. No dia da AG, folheei o resto do jornal à procura de uma voz que transmitisse as razões do 'Não', mas foi em vão..

Nesse mesmo dia, O Jogo, tratou - não sei se cobrou - da encomenda do mapa dos Núcleos que defendiam o 'Sim', sabendo nós depois, através do jornal Sporting, que muitos dos representantes estavam convencidos de ter votado numa descentralização do poder de voto. Quem apenas ouviu SF falar nesses dias o resultado só podia ser este: nem sabiam bem no que estavam a votar. Nem eles nem um amigo meu que votou 'Sim' porque era "a favor que os Núcleos pudessem votar sem vir a Lisboa". É um tipo com doutoramento ou lá o que é.

Apresentados os primeiros candidatos, A Bola, continua na estratégia da não notícia. No pasquim do Bairro Alto mudam-se as comadres mas a "conversa" sempre a mesma. Lembro-me logo desse sujeito anafado, trabalhador sem pudor, de nome Bernardo Ribeiro. Nos últimos anos, ao primeiro parágrafo seu, já o via a ronronar e a roçar pelos pés da secretária a cada vez que escrevia o nome 'Soares Franco'. Nem quero imaginar o seu vigor jornalístico se a dama dos seus olhos passar agora a ser precisamente aquele que lhe segurava a trela e amansava o pêlo...

foto: Carlos Cruz, administrador da Cofina e vogal do CD presidido por SF e candidato a seu sucessor


Em certa medida, o nosso jornalismo desportivo é aquilo que os consumidores querem e permitam que o seja. Há muito que não compro o Record ou a Bola. Vou preferindo a Internet e a blogosfera. Aqui, regra geral, consigo encontrar a decência, diversidade e liberdade que a imprensa desportiva tem preferindo mandar pro caixote.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Não notícia

Há dias em que a a explicação para a redução contínua das vendas e tiragens dos "jornais" desportivos se torna evidente. Ontem, um candidato à presidência do Sporting lançou a sua campanha e apresentou a sua equipa. Também ontem, um terceiro candidato lançou a sua candidatura mas não apresentou a sua equipa. Na primeira página de hoje de A Bola, podemos encontrar uma primeira página gigantesca com um dos candidatos e a notícia da sua potencial aliança com outro potencial candidato que potencialmente poderá continuar a ocupar o cargo de presidente da mesa da AG na lista do candidato que não apresentou qualquer nome da sua lista. Quanto ao primeiro candidato a que nos referimos nem uma nota na primeira página.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Debate democrático e imprensa II

Já tinha feito referência a dois jornais numa posta anterior. Faltava A Bola. O jornal da Travessa da Queimada faz hoje uma primeira página gigantesca com o ex-presidiário e o pai do défice. Destaques destes por aqueles lados geralmente só se encontram quando o Benfas ganha um joguinho. Não coloco a primeira página daquele jornal aqui na roulote, para vossa visualização, porque, apesar de tudo, a pornografia (nada contra) não está incluída nos nossos rigorosos critérios editoriais. Temos o pleno. A Bola, Record e o Jogo estão pela situação. A Última Roulote alinha pela sportinguização.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Debate democrático e imprensa

As AG gerais são uma chatice. É só gritaria e ninguém se entende. Certo. Então onde é que os sócios se podem informar sobre a vida do clube e ter acesso a pontos de vista divergentes. O Leão da Estrela escreve sobre O Jogo. Pelo que a esse respeito está tudo dito. Olhando hoje para o Record temos uma entrevista de duas páginas ao mentor do projecto financeiro. Isabel Trigo Mira lá aparece, mas sem qualquer tipo de destaque minimamente comprável àquele. Alguém foi falar com a oposição, ou ela é só um produto da nossa imaginação?

terça-feira, 12 de agosto de 2008

A monocultura do vazio

Por motivos profissionais aqui há uns anos fui obrigado a ler parte substancial da imprensa desportiva. E quando digo ler, digo ler desde a fundação até à actualidade. Nesses tempos, lutava com o meu colega de trabalho para saber quem é que ia ficar com A Bola, justamente intitulada durante anos como "o jornal de todos os desportos" ou a Bíblia do Futebol. Durante anos ouvi dizer que a Bola era o jornal português melhor escrito. Essa experiência de leitura não só o confirmou como me colocou na desconfortável e um tudo nada sentimental posição de ter saudades de um tempo que não vivi. Tratava-se de facto de um jornal monumental. Arrisco mesmo a dizer do melhor que a humanidade já viu. Não apenas a nível de escrita, como pelo próprio papel que desempenhou no desenvolvimento do desporto, sobretudo futebol, ciclismo e hóquei em patins, colocando-o ao mesmo nível da arte ou da ciência. Era de facto um jornal especializado, apaixonado por desporto e com um importantíssimo papel político que não cabe aqui desenvolver. Isto para dizer à semelhança do Cherbakov também eu deixei de dar para esse peditório, dado que o contraste com o passado que vim a conhecer tornou o presente insuportável. No meu caso já faz alguns anos, com intervalos ocasionais, que se observam exclusivamente quando não consigo ver os jogos do Sporting. De resto a Bola, como o Record e o Jogo tornaram-se prostíbulos, no duplo sentido do termo. A luta de audiências a isso obriga, mas a subordinação absoluta aos interesses instalados à volta do futebol, que vão desde os clubes, aos dirigentes passando pelos empresários, apenas de forma muito generosa permite que se possa continuar a tratar a imprensa desportiva como qualquer coisa que se aproxime do jornalismo. À vacuidade absoluta da imprensa no terreno do futebol (veja-se, para não ir mais longe, a questão do apito dourado) junta-se também o desprezo às outras modalidades, e até mesmo a tudo o que seja futebol e ultrapasse a esfera dos três grandes. Temos assim três pasquins que nem sequer se dedicam à monocultura do futebol. Dedicam-se simplesmente à monocultura do vazio. Aqui, como noutras áreas, a única possibilidade de mudança está no poder dos consumidores dizerem não.