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quinta-feira, 9 de abril de 2009

Back to basics

Um dos sintomas de alerta para se saber quando um clube está perto do abismo é a falta de lucidez dos próprios adeptos que já não sabem pra onde se virar, a quem rezar, e é vê-los esperneando sem entender o porquê, apurando responsabilidades aqui, e logo depois acolá, saltando em torno de um rol infinito de hemorragias, sem perceber o que verdadeiramente as desencadeou.

Quando pensavamos que tudo já tinha acabado, os jogos desta 4ª feira vieram repisar a ferida e agravar a Vergonha dos 12-1. Por mais voltas que se dê, esta é que é esta!

A verdade é que estes dois jogos vieram expôr a nú as desculpas esfarrapadas que têm vindo a empurrarar-nos para o abismo: equipas com ritmo, experiência e qualidade idênticas à nossa - o FCP - e equipas com jogadores oriundos da formação, e com "massa corporal" idênticas à nossa - o Barcelona - afinal dominam na Europa, goleiam germânicos orçamentais que nos goleiam... pisam-nos na ferida.
Com tranquilidade, longe do susto, voltemos a pensar no que aconteceu e, para tal, é fundamental metermos as coisas em perspectiva, e parar de crucificar barrigas e cabelos de jogadores. De justificações desconexas está o Sporting cheio.

É a cultura, estúpido? Sim! É a atitude? Sim? É a táctica, estúpido? Sim! É da merdosa gestão de activos? Sim, estúpido! É da Poltítica desportiva? Bingo!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Caça de Mitos Sportinguistas # Missão 2: a juventude da equipa

Desmascarada a falácia do orçamento que, de tanto batida e rebatida, se tornou num mito que turva a nossa visão sobre os problemas da equipa, chegamos à segunda missão.
O mito 2 parte dum consenso gerado por sermos conhecidos como um plantel composto por muitos jogadores vindos da ‘Escola de Formação’.

Mito 2 – O Sporting é uma equipa inexperiente e pouco “madura”.
O argumento é: 'A experiência e maturidade são muito importantes. O SCP tem um conjunto de jogadores muito jovens e “tenrinhos”, fruto da aposta na ‘Formação’. Logo o Sporting tende a falhar mais devido à falta de experiência e maturidade*.'

1. Sob ponto de vista estatístico o SCP não é o mais inexperiente ou imaturo dentre os três grandes. MUITO pelo contrário.
A média de idades dos plantéis é:
FCP – 23,7; SCP – 24,3; SLB – 25,1;
Mas como a classificação na tabela é, antes de tudo, “obra” dos seus intervenientes…
A média de idades dos 18 mais utilizados é:
FCP – 25,5; SCP – 25,61; SLB – 25,56;
A média de idades dos 11-base mais utilizados é:
FCP – 24,7; SCP – 26,6; SLB – 26;
A média de anos no clube dos 18 mais utilizados é:
FCP – 2,5; SCP – 3,1; SLB – 2,9;
A média de anos no clube dos 11 mais utilizados é:
FCP – 2,7; SCP3,6; SLB – 2,2;

A média de anos de 1ª ou 2ª Liga dos 18 mais utilizados é:
FCP – 3,9; SCP – 4,9; SLB – 4,7
A média de anos de 1ª ou 2ª Liga dos 11 mais utilizados é:
FCP – 3,9; SCP – 5,4; SLB – 4,1

O FCP tem no plantel 1 jogador oriundo da ‘Formação’ do clube e faz parte dos 18 mais utilizados.
O SCP tem no plantel 7 jogadores oriundos da ‘Formação’ do clube e 3 deles estão nos 18 mais utilizados.
O SLB tem no plantel 3 jogadores oriundos da ‘Formação’ do clube e nenhum deles estão nos 18 mais utilizados.

Jesualdo tem 62 anos, 3 anos de FCP e 25 anos de treinador profissional;
Paulo Bento tem 39 anos, 5 (+4 como jogador) anos de SCP e 5 anos de treinador profissional;
Quique Flores tem 44 anos, 1 de SLB e 6 de treinador profissional.

Equipa jovem, o tanas!
Seja qual for o peso atribído a cada um dos critérios utilizados, só há uma conclusão geral a tirar: O Sporting é, nítidamente, o clube mais “velho” e “experiente” dentre os três grandes! Tenho dito: os mitos são perigosos.
Mais um mito caçado.


*Consideremos a experiência e maturidade como dois conceitos que coexistem e se mesclam quando revelados sob o relvado.

#Fonte:
http://www.zerozero.pt/

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Caça de Mitos Sportinguistas # Missão 1: o orçamento (2ª parte)

Ainda está por inventar uma fórmula que consiga equacionar o “real” valor de um plantel. Onde factores externos como o contexto, a especulação, a influência dos empresários, a margem de progressão dos jogadores sejam “extraídos” e onde factores internos como a experiência, "influência no grupo”, maturidade, vínculo emocional, entre muitos outros, sejam introduzidos. Não obstante nada nos impede de tentar fazer avaliações o mais objectivas possível.
À luz de dois critérios ‘de mercado’: os salários e a estimativa do crrecto “preço de venda” retomemos o mito 1.

O Mito 1 apoia-se no seguinte argumento:
Para ganhar o campeonato é muito importante ter o melhor orçamento. O nosso orçamento é muito mais baixo, logo será pouco provável ganharmos o campeonato.

O argumento vai abaixo também por não ser suficientemente sólido do ponto de vista do valor “real”, ou (vai dar ao mesmo) da qualidade do plantel.

1. Em contra-corrente com o senso-comum
o nosso gasto com salários não parece ser bastante menor que o dos rivais. Comparando as despesas salariais dos quatro jogadores mais bem pagos de cada plantel (só tive acesso a estes) temos:
Média de Gastos anuais: FCP – €1,365 milhões; SCP - €1,2 milhões; SLB - €1,38 milhões;
Total de Gastos anuais: FCP - €5,46 milhões; SCP – €4,8 milhões; SLB - €5,52 milhões.
A diferença do SCP p'rós rivais ronda os 600 a 700 mil euros. É quanto vale o empréstimo do Pele ao Portsmouth. Inferior mas insignificante.

Passemos ao valor “real” dos plantéis. Para não entrarmos em discussões intermináveis resolvi tomar como índice a classificação feita por
este sítio. Pese embora ser uma avaliação de mercado onde factores como a idade e internacionalizações enviesam um pouco a avaliação “real do plantel”, não outra e é ela que nos servirá de análise.

2. O valor “real” dos três plantéis não anda muito longe uns dos outros.
O plantel do FCP (25 jogadores) é avaliado em €114,4 milhões; o do SCP (24 jogadores) em €99,1 milhões; o do SLB (24 jogadores) em €112 milhões.
O que dá uma média por jogador de: FCP - €4,576 milhões; SCP - €4,129 milhões; SLB - €4,667 milhões.
Mas, se procedermos aos ajustes relativos ao enviesamento da idade que os seguintes casos retratam:
Moreira, €3,5 milhões / Quim, €2,8 milhões;
Liedson, €10,5 milhões /
Lisandro, €13 milhões
… aos ajustes relativos ao enviesamento do estatuto de internacional:
Luisão, €10,5 milhões / Polga, 6€ milhões / Bruno Alves, €9 milhões
… aos ajustes do enviesamento de jogadores que nunca jogaram na 1ª Liga:
Stepanov, €3 milhões
… aos ajustes reativos ao enviesamento por burrice:
Miguel Veloso, €10,5 milhões / Vukevick, €6,5 milhões;
Derlei, €2,5 milhões / Nuno Gomes, €6 milhões

… e fizermos aquela que é talvez a mais fiel das análises:
3. Avaliando os jogadores, posição a posição, de forma o mais imparcial possível, é legítimo considerar os três "onzes" (18 ou 24) os mais equilibrados, desde há um par de temporadas para cá.

Posto tudo isto, era bom que se admitisse de uma vez por todas que a diferença existente na qualidade dos plantéis dos três grandes é praticamente insigificante.
Acho que está na hora de dar como “caçado” o primeiro mito.


Fontes:
http://www.futebolfinance.com/
http://dn.sapo.pt/
http://www.transfermarkt.co.uk
http://www.zerozero.pt
http://sporting.planetaportugal.com/

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Caça de Mitos Sportinguistas # Missão 1: os orçamentos (1ª parte)

Há mitos com fundo de verdade – ‘os sportinguistas são mais belos e inteligentes’. Há mitos hilariantes – ‘seis milhões de lampiões’. Mas, na sua maioria, os mitos são perigosos. Nos dias de hoje, a facilidade de acesso a informação estatística ajuda-nos de sobremaneira a liquidar com os mitos que nos atrapalham a vida verde-e-branca. Por isso resolvi perder algum tempo a pesquisar esses lugares-comuns que enganadoramente muitos julgam como verdadeiros. Vamos ao primeiro mito.

Mito 1 – ‘O SCP tem um orçamento muito mais baixo e por isso já não é nada mau estarmos em 3º lugar’.
O mito apoia-se no seguinte argumento:
Para ganhar o campeonato é muito importante ter o melhor orçamento. O nosso orçamento é muito mais baixo, logo será pouco provável ganharmos o campeonato.

Na verdade, é menos um mito do que uma parvoíce. O argumento cai logo por terra por partir de pressupostos inválidos.

1.
Está por provar que haja uma relação causal determinista entre os orçamentos dos três grandes e a classificação final, seja agora ou em competições passadas.
a) O valor do orçamento não traduz o valor financeiro do plantel.
i) Para 2008/09 a relação orçamento/gastos com aquisições de passes foi:
FCP: €40 milhões / €24,2 milhões; SCP: €25 milhões / €9,65 milhões; SLB: €30 milhões / €27,41 milhões.
Isto não traduz os gastos com o plantel porque, como é óbvio, ambos dependem de múltiplos factores tais como os proveitos (receitas de vendas, da liga dos campeões, etc.) previstos realizar. Os orçamentos dizem respeito a um conjunto muito grande de investimentos e gastos dos quais os ordenados e pagamentos de transferências são apenas uma parte;
ii) Este ano, o saldo entre transferências (entradas/saídas) foi:
FCP: + €29,45 milhões; SCP: - €6,22 milhões (negativo); SLB: - €20,31 milhões (negativo);

b) O orçamento não reflecte o valor “real” do plantel
i) O valor real do plantel não corresponde ao saldo das transferências da última(s) época(s)
ii) Se reflectisse, não estaríamos agora com os mesmo pontos do Leixões.
iii) Nos últimos 4 campeonatos, apenas um - 2005/2006 - terminou com uma classificação em consonância com a classificação dos respectivos orçamentos. E a diferença pontual foi apenas de um ponto entre os três.

2. Os gastos anuais em aquisições não reflectem senão uma ínfima parte do valor “real” do plantel.
a) O valor do plantel não se resume aos jogadores comprados neste ano. Mas mesmo se assim quisermos analisar…
b) … teria de se contrabalançar subtraindo os gastos/receitas em percentagens de passes de jogadores que já faziam/já não fazem parte do plantel. A título de exemplo, dos €9,6 milhões gastos pelo SCP apenas €2,65 milhões são mais-valias reais (50% do passe de Postiga + passe de Ricardo Baptista, que nem joga!). A grande parte dos gastos corresponde aos passes de Izmailov e Grimi que já cá estavam. O mesmo para Di Maria no SLB; Inversamente, só 29% do total das nossas receitas em venda de passes corresponde a perca efectiva de jogadores (Purovic).
c) … teria de se contrabalacar com as desvalorizações (reais) por via das saídas de jogadores cujo valor não foi contabilizado. Exemplo: no SLB saíram Rui Costa, Leo, Petit e Freddy Adu. Quanto valiam eles?? Raramente se faz este cálculo;
d) … teria de se contrabalançar com o cálculo das aquisições a “custo zero”. No SCP, Caneira, Roca, Carriço, Pereirinha, etc. No SLB Suazo…
e) Hoje em dia, é comum comprarem-se apenas parcelas dos passes. Essa despesa não corresponde ao valor "real" a adicionar ao plantel, isto é, 50% do passe do Postiga - €2,5 milhões - ou do Hulk - €5,5 milhões - corresponderá, em termos de valor "real" a adicionar ao valor do plantel, a €5 e €11 milhões, respectivamente.

Ainda assim, se somente as contabilidades das alíneas b) e e) fossem tidas em conta e, ainda que erroneamente, se associar o valor financeiro ao valor “real” das aquisições desta época, o saldo seria o seguinte:
FCP: + €25,75 milhões; SCP: - €4 milhões; SLB: - €27,25 milhões.
Ou seja, da época transacta para a actual, o SLB teria valorizado o seu plantel em quase 7 vezes mais que o SCP, ao passo que o FCP teria desvalorizado o seu na mesma proporção que o SLB se valorizou. É nestes números absurdos que caímos se seguirmos os argumentos das pessoas que alimentam este mito e, acima de tudo, desvalorizam o peso de outros factores na avaliação de um plantel. Mas, como diria Walter Franco, "o ab(surdo) não h(ouve)".

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Oxímoro

"O presidente do FC Porto teve a hombridade de me telefonar a transmitir a eventual decisão do seu clube para o jogo de quarta-feira, tendo mostrado a preocupação de que se a decisão fosse não comparecer tal não deveria ser considerado como uma agressão ao Sporting"

Dizem os manuais que um oxímoro é uma figura de estilo que harmoniza dois conceitos opostos numa só expressão. No fundo, é isso que é quando aplicado para fins poéticos e literários. Ou seja, quando não é utilizado inadvertidamente. Apesar de no futebol português ser uma figura de estilo recorrente ela não se encontra reflexivamente popularizada. Já em inglês a expressão é utilizada sem grande parcimónia no dia-a-dia: para adjectivar pessoas que são ignorantes ou que não sabem do que falam. Já todos vimos e ouvimos a expressão moron, como em "you're a moron". Pois bem, moron, como imaginam, deriva de oximoron. O presidente do concelho directivo do Sporting Clube de Portugal e da Sporting SAD conseguiu pois a proeza de juntar "hombriedade" e "presidente do FC Porto" na mesma frase. Um oxímoro, portanto. Mais um a juntar à longa lista que o futebol português foi produzindo.
Para além, da riqueza formal, a expressão de Filipe Soares Franco também merece uma análise mais substantiva. Antes de mais, por entrar em contradição com as declarações de Paulo Bento, que afirmou, no mesmo dia, estar a preparar o jogo de quarta-feira. Mas para além desta contradição, que não revelará mais do que os problemas de comunicação na estrutura da Sporting SGPS, o oxímoro mostra acima de tudo a falta de comprometimento da actual direcção com aquilo que de forma algo antiquada poderemos apelidar de verdade desportiva. Falta de comprometimento que se manifesta de diversas formas.
Antes de mais, pela incapacidade de tomar uma posição no golavrás gate. O Sporting manteve uma posição de neutralidade, como se à margem dos acontecimentos, que em nada ajuda a dignificar o papel que pretendemos, e exigimos, desempenhe na reforma do futebol português. Em segundo lugar, e como explicou José Manuel Meirim no domingo no jornal Público, o golavrás não era a única porta do cavalo no regulamento da Taça da Liga (A Última Roulote não faz publicidade). Segundo Meirim, no dia 23 vieram a lume factos que poderiam colocar em causa a regularidade da participação do FC Porto na Taça da Liga. O problema tinha que ver com a composição da equipa do Porto no jogo com o Vitória de Setúbal. Meirim cita os regulamentos: "Durante a competição [...] os clubes são obrigados a fazer participar nas suas equipas em cada jogo pelo menos 5 jogadores que tenham sido incluídos na ficha técnica como efectivos em um dos dois últimos jogos oficiais da época em curso, salvo caso de força maior, comunicado à Liga com a antecedência mínima de 5 dias antes da realização do respectivo jogo e, desde que, os motivos invocados sejam considerados pela Liga como justificativos". Mais uma vez voltamos a uma questão linguística, pelos vistos o maior problema do futebol português. Do onze inicial do FC Porto no jogo com Vitória de Setúbal apenas Pedro Emanuel havia sido sido efectivo num dos dois últimos jogos. Meirim continua a citar os regulamentos: "De acordo com o RC [regulamento de competições], o que é um jogador efectivo? Se lermos o RC (se não bastasse a norma transcrita), este contrapõe, com rara clareza, efectivo a suplente (artigos 18.º, n.º 7 e 26.º, n.º 8). Efectivos são os 11 jogadores que iniciam o jogo como titulares". Tendo em conta esta regulamentação finalmente chegamos a um comunicado da Liga Portuguesa de futebol Profissional, datado de 24 de Setembro de 2007 que faz uma outra leitura:« a) existe uma obrigação de "participação efectiva de pelo menos 5 jogadores que tenham sido efectivamente utilizados"; (b) por "efectivamente utilizados" entendem-se os jogadores que fizeram parte da formação inicial ou foram suplentes utilizados.» O ponto de chegada deste imbróglio tem simplesmente que ver com o facto de o comunicado da Liga se referir a uma expressão (efectivamente) que efectivamente não existe nos regulamentos. Para Meirim trata-se de uma alteração da regra por via imprópria, tornando-a inválida.
Mas como se não bastasse o facto de irmos defrontar um adversário em situação irregular na competição que exercia simultaneamente pressão sobre terceiros com a conivência da direcção do Sporting Clube de Portugal, é necessário reflectir sobre os comentários da posta mesmo aqui em baixo, onde são apontadas duas causas ao insucesso desportivo do clube nos últimos anos: os baixos orçamentos e as arbitragens. Sabendo-se que o presidente do FC Porto é um dos principais responsáveis pela degradação do futebol português nos últimos 30 anos e um dos principais suspeitos em vários processos judiciais relativos a corrupção na arbitragem não seria do mais elementar bom senso que a direcção do Sporting Clube de Portugal, na defesa dos mais básicos interesses do clube, se abstivesse de traficar com um representante suspenso de uma organização desportiva? Mais ainda, não se exigiria à direcção do Sporting Clube de Portugal que de alguma forma procurasse uma alteração nos regulamentos disciplinares da FPF e da LPFP para que a suspensão dos dirigentes condenados por crimes corrupção correspondesse uma incapacidade para o exercicío de cargos desportivos durante o período da suspensão?
Não podemos, igualmente, separar estas questões de duas outras. Por um lado, dos benefícios económicos derivados das vantagens competitivas adquiridas por meios ilícitos. Ainda relacionado com a questão das vantagens competitivas convém relembrar que a sua institucionalização coloca os outros competidores em condições de desigualdade em momentos posteriores. Certamente que se poderá argumentar, e com razão, que o próprio FC Porto foi durante décadas prejudicado, em detrimento de Sporting e Benfica, pelo tipo de vantagens competitivas que veio nos últimos 25 anos a adquirir. Isso não legitima, na minha opinião, procedimentos irregulares. Por outro lado, e para além das questões financeiras associadas aos resultados desportivos, é de salientar o facto de o próprio modelo de gestão empresarial que vem sendo defendido pelas diversas direcções do Sporting Clube de Portugal nos últimos 13 anos coloca em causa o regime de concorrência a que estão sujeitas as competições desportivas em Portugal, e no resto da Europa. Se em Inglaterra, para além dos adeptos do Manchester United foi o próprio governo de Tony Blair a inviabilizar a OPA de Rupert Murdoch sobre o clube, com base no conflito de interesses, no caso português com SAD's e clubes sistematicamente no vermelho o futebol não apresenta um intesse económico directo evidente. A não ser que cadeias televisivas, mediadores mediáticos (passe o pleonasmo) patrocinadores, bancos, empresários de jogadores e empresários da construção civil criem um consórcio que tem por base a exploração do futebol português em regime fechado e em detrimento da verdade desportiva, subjugada aos interesses económicos, que poderão fazer rodar campeões ao ritmo das receitas de quotização, serviços de dívida e audiências. Mas nada disto parece interessar à actual direcção do Sporting Clube de Portugal. Recito de memória: Pinto da Costa teve a hombriedade de ligar a dizer que o Porto se calhar não ia comparecer ao jogo amanhã. O que vale é que mesmo escasseando o pão, no rectângulo circo é que nunca falta.