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quinta-feira, 19 de março de 2009

A gestão do ecletismo e outras mentiras

Nem com sondagens encomendadas aos seus parceiros amestrados SF consegue sustentar a sua visão maniqueísta do ecletismo. Resumindo, fica claro para quem a leu que os sócios revelam um forte envolvimento e comprometimento com o 'ecletismo'. Diria até, bastante mais do que seria de supor. Imaginem se a sondagem contemplasse apenas o distrito de Lisboa...

Não sei se é pior a mania de SF nos tomar a todos por burros ou sua prepotência em querer vingar a sua obstinação em acabar com o ecletismo à custa muita areia para os olhos. Levado pela mentira nada o detém. E é vê-lo por com ar de virgem contabilista com a questão da quotização (lembram-se disto?) ou ainda pregando pela sustentabilidade…

A Franco e todos os gestores que acharam ‘muito cool’ imitar o Arena de Amesterdam e de importar os conceitos mercantilistas norte-americanos de gestão de recintos desportivos e cagar de fininho na história e idiossincrasia leoninas (em particular) e do desporto português (em geral), exigem-se as seguintes respostas:

Quanto perdemos até hoje por terem decidido estrategicamente não construir um pavilhão e uma pista de atletismo? Quanto perdemos por termos listas de espera de pessoas que querem praticar ginástica de leão ao peito? (já foram 7666, hoje somente 1100 praticantes!). Quanto é que perdemos, semanalmente, em patrocínios, apoios, mobilização, sócios e vitórias nas modalidades?

Como grandes gestores que são com certeza fizeram já fizeram a avaliação dos resultados esperados versus resultados obtidos..
A propósito da crise, alguém graffitou na parede duma faculdade de Lisboa: “Estes economistas para quê?!”. Está na altura de nós perguntarmos: “Estes gestores para quê?!"
Reflectemos nisso, caros consócios, e
stes gestoresinhos para quê?!...

quarta-feira, 18 de março de 2009

Sporting vs General Franco - Reflectindo o Ecletismo

Na semana em que o campeão europeu de pista coberta (coisa simples num país que nem dispõe duma) mereceu destaque na pág. 19 (isso mesmo) do Jornal do Sporting, o General Franco volta a atacar raivosamente o ecletismo. No jornal onde praticamente todas as semanas, um dos atletas do clube se queixa da falta de um pavilhão, comprova-se hoje o velho adágio: mais depressa se apanha um demagogo que o Rui Patrício um atraso do Polga.

General Franco tinha prevenido que os resultados da sondagem mereciam uma grande reflexão, pois:
“…90% dos inquiridos nunca foram ver uma prova. Pior que isso, cerca de 80% nunca viu mais do que um ou dois jogos na TV.”

“60% quer um pavilhão, mas tem de ser em Alvalade. Se não for em Alvalade, só 54% quer estas instalações.”

“51% não está de acordo em comprar um lugar, mas 74% quer ter modalidades. No entanto, 70% não está de acordo que seja o futebol a pagar modalidades.”

Ora reflictam clicando aqui.

E afinal o que temos? Temos, mais uma vez, de repor a verdade adulterada pelo General Franco. De uma amostra ‘geograficamente representativa da massa associativa’ podemos inferir que:

  • Cerca de 3000 sócios conseguiram dar com o pavilhão do Casal Vistoso para ver a equipa de Andebol. Cerca de 4500 já foi a Loures apoiar o futsal e cerca de 3000 já foram ‘uma, duas, três ou mais vezes’ ver uma prova de atletismo sabe-se lá aonde;
  • Pior que isso, cerca de um terço dos sócios inquiridos já viu ‘mais do que três vezes’ jogos de Andebol na SporTV (!) mesmo sendo alguns deles transmitidos à mesma hora que a da equipa de futebol! Caros, é mais gente do que aquela que nunca viu nenhum jogo! Pior ainda, 46% já televisionou o futsal ‘mais do que três vezes’, sendo que apenas 12% nunca viu nenhum!
  • 76% (e não 60%) querem um pavilhão. 54% concorda que, na impossibilidade de ser em Alvalade, deve ser construído noutro sítio. Está visto, é só irracionalidade e ingratidão!
  • 36% (= 9720 sócios) está disposto a comprar um ‘lugar anual’ ou ‘especial para 10 anos’. Lembro que os pavilhões não costumam ter mais de 2500 lugares. E ainda faltam “arrumar” os 51% de sócios mais os não-sócios que preferem comprar ‘jogo a jogo’.
  • 63% não está de acordo que seja o futebol a pagar modalidades. Porém, 45% acha que ‘entre 20 a 30%’ da quotização deve ser canalizada para as modalidades. 23% acha que deve ser ‘30% ou mais’. Só 12% acha que deve ser ‘menos de 20%’.

Calma! Numa coisa ele diz a verdade: “Portanto contas feitas, isto tudo não dá sequer zero. Dá menos de zero.”

Ora… 1 geração roquete = -1 pavilhão - 1 pista de atletismo = - público - pagantes - sócios - milhares de espectadores - milhares em proveitos e receitas , Sim, isto dá menos de zero.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Propaganda Upgrade: a sondagem do amigo Costa com o rabo à mostra

ou... considerações sobre a sondagem de opinião da Eurosondagem S.A.

Logo a abrir, como mandam as regras, o toque de seriedade e serenidade:
"O estudo de opinião decorreu com normalidade e em geral boa participação por parte dos inquiridos. Alguns destes referiram até com agrado o Sporting preocupar-se em saber a sua opinião sobre questões que consideram importantes."
Apenas comentar que fico mais descansado por ver que as coisas correram com "normalidade" e não foi preciso a actuação do Corpo de Intervenção da PT Comunicações. Inclusive teve "boa participação". Compreendo o receio latente. Não é fácil receber uma chamada e confiar numa voz que jura vir a mando do Sporting para apenas recolher opiniões sobre a vida do seu clube, sem ter de se fornecer em troca dados pessoais ao BES, nem ter de passar num 3º andar duma paralela à Rua Augusta para ver pratos da Vista Alegre! Passados o espanto e desconfiança inicial alguns ainda foram a tempo de agradecer. Eta!

Depois, ficámos a saber, com três perguntinhas apenas, que a esmagadora maioria considera entre Boa e Razoável a 'Instituição, 'o Clube', 'a acção dos órgãos Sociais', 'a actuação do presidente Soares Franco', a 'actuação do futebol', 'da SAD' e da 'equipa técnica chefiada por Paulo Bento'. Ufa! Mas nem tudo é cinco estrelas: "A excepção é a prestação dos jogadores (equipa de futebol profissional). Nada a estranhar, nesta área a exigência é normalmente maior." Como dizia eu, com três perguntinhas apenas se esconde a palavra Aldrabice. Isso ou então os sportinguistas são o povo mais optimista do mundo no país mais pessimista da Europa (dados do Eurobarómetro e não da Eurosondagem).
Quando se vai pra saber finalmente quais eram as razões pra malta ter desaparecido... desapareceram as tabelas. Mesmo ficando sem saber se havia opções limitadas de resposta, elas lá aparecem: "Face às questões só colocadas aos sócios com Gamebox quanto à sua ausência, parece claro que tal se deve aos horários e dias dos jogos e à prestação da equipa de futebol e não a questões financeiras, o que não é de estranhar pois tratam-se de sócios que já pagaram e pouco usufruem. Já no que diz respeito aos sócios sem Gamebox, a questão financeira também se faz sentir."
Graças a Oliveira e Costa parece ter-se descoberto o grande enigma da falta de militância! E é mais simples do que se aparentava: basta jogarmos à tarde e baixarem duma vez por todas o preço exorbitante dos bilhetes e .. teremos o dobro das assistências!, e a família toda unida e feliz outra vez. Vamos a isso? Tudo a postos?

Para finalizar retoma-se a tónica da seriedade e do rigor científico: "Este estudo de opinião é um instrumento de trabalho e não uma recomendação de tratamento. É diagnóstico mas não terapeuta." Hein?!?! Deve ser uma nova gíria profissional. Isso ou a aplicação da táctica do Joãozinho que ao entregar o teste à professora deixa escapar o "juro que não copiei... Quem copiou foram os jogadores!".

É a minha vez de dar um tom sério.
Conclusion: À medida que os anos foram passando a pericialidade da propaganda clubística aperfeicou-se. À excepção da raça lampiã, em situações de adversidade as massas associativas já não vão em cantilenas de empolgamento e união, escritas em artigos saloios no jornal do clube. Nada disso. Para iludi-las, hoje em dia, o poder afinfa-lhes com estudos de associados! Ou melhor, "Instrumentos de trabalho"! E contra "fatos" não há argumentos.
Recommendations: Não enfiem essa carapuça.