Mostrar mensagens com a etiqueta Eleições. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Eleições. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Dar Rumo ao Sporting e a AG por vir

Anda-se por aí e lêem-se coisas. Uma das mais chocantes diz respeito à ausência de sentido democrático e de espiríto de união daqueles que afirmam, à partida e sem mais e para simples efeito demagógico, que sem alternativas assumidas votam Não a uma destituição da direcção. A esses convém lembrar que nada impede a direcção em funções, e eventualmente destituida, de concorrer a um novo escrutínio e até mesmo de o vencer. A marcação de novas eleições nesta altura, independentemente do seu desfecho, traria ao clube vantagens consideráveis. Tendo em conta que todos os argumentos usados por Godinho Lopes candidato foram anulados pela gestão de Godinho Lopes-presidente, - treinador, estratégia desportiva, gestores desportivos, membros da direccção, estratégia financeira - a direcção não tem, no presente, legitimidade democrática. Se, porventura, e miraculosamente, Godinho Lopes vencer novas eleições renova a legitimidade e fica com carta verde para prosseguir o eventual rumo que possa eventualmente ter. Se perder, dando lugar a outras soluções os seus proponentes ficam com tempo para preparar a próxima época desportiva e, mais importante, outro tipo de meios para ponderar a melhor forma de responder aos dramáticos desafios financeiros que se anunciam. Neste momento, e em relação à marcação de eleições os posicionamentos dos sócios do Sporting não se dividem entre aqueles que são a favor e os outros que são contra este ou aquele. A linha de clivagem fundamental no interior do nosso clube é entre aqueles que defendem a clarificação e a união e aqueles que pugnam pela confusão e pela divisão.

domingo, 3 de abril de 2011

O circo e a vergonha ou a falta dela

Estas eleições do Sporting demonstram mais uma vez o muito que há de errado com o futebol português. A imprensa que desempenhou até ao final dos anos cinquenta um papel fundamental na construção e divulgação do futebol português tornou-se desde o final dos anos oitenta no megafone dos poderes do futebol português. Cândido de Oliveira, Ribeiro dos Reis, Ricardo Ornellas, Tavares da Silva, entre muitos outros, devem estar a revolver-se nos respetivos túmulos.
O Record através do seu diretor, já veio pediu desculpa à oligarquia por se ter atrevido a sugerir na sondagem que o periódico divulgou que não ia continuar tudo na mesma. Diz que o " O erro residiu na ponderação final, da exclusiva responsabilidade do diretor deste jornal." Mas desde quando é que o diretor de um jornal aplica taxas de ponderação a sondagens? Onde é que está a ficha técnica da sondagem? O que é que a Entidade Reguladora da Comunicação, que tem o dever de "regular e acompanhar a realização e publicação deste género de estudos" tem a dizer sobre o facto de o diretor do Record ter uma palavra a dizer na "ponderação final da sondagem", seja lá o que for que isso quer dizer. Mas nada disto surpreende quando vem de alguém que se recusou a noticiar as escutas e a corrupção na arbitragem em Portugal sob o argumento de que não morde a mão que lhe dá de comer. É evidente que não. Ao mesmo já sabemos - como se não soubéssemos... - qual é a mão que lhe dá de comer. Dizia o diretor do Record, numa resposta a José Diogo Quintela: "Nós pertencemos a um circo que vive de emoções - de golos e de erros, títulos e de frustrações. E não temos vergonha disso.” O Jogo, alinhou também pela medida do Record. Mas, claro, o Jogo é propriedade de Joaquim Oliveira, que é o maior cliente de Pedro Baltazar. Mas vamos deixar isso de lado por instantes. A Bola, sempre alinhada com os poderes, sendo o único jornal que não "falhou" na noite eleitoral - seja lá o que for que isso quer dizer no cenário em que nos encontramos - chamou imediatamente Godinho para a limpeza de imagem, da mesma forma que há ano e meio tinha oferecido a Roquette um púlpito de onde pregar aos fiéis para os alertar dos aventureiros e aldrabões, que vieram um ano e meio mais tarde integrar a lista que apoiava. Mas o pior nem foi isso. Foi a notícia publicada às 00.07 de segunda-feira a anunciar os números finais das eleições. Os tais 14.619 eleitores e 91.842 votos que algumas horas antes eram 14.205 eleitores e 88-530 votos. Mas o pior não foi a publicação acrítica dos votos, como se não fosse suficientemente mau. Imaginem o que seria a Comissão Nacional de Eleições dizer que afinal a taxa de abstenção indicada no início da votação se alterou no dia seguinte à contagem dos votos. Nem em ditaduras saloias se observa este à vontade na manipulação eleitoral e mediática quanto mais no mundo civilizado. Mas, dizia, o pior nem foi isso. Foi a pura e simples mentira sobre a fonte. Às 00.37 de segunda-feira dia 28 de Março, e ao contrário do que afirma a notícia de A Bola, não havia qualquer indicação no site do Sporting sobre novos totais de eleitores e votos. A notícia que dava os resultados eleitorais tinha sido publicada horas antes, a meio da tarde, e sem totais. Porquê então escrever na notícia "Estes números, que estão no site oficial do clube, são superiores ao último balanço feito por responsáveis do clube, sábado após o último votante."?

quinta-feira, 31 de março de 2011

Onde é que eles andam?

O Record não pára. Agora garante aos seus leitores que o Sporting já contratou oito jogadores para a próxima época. Não diz que vai contratar, que está a pensar contratar, que está a negociar. Não. Já contratou. Para quando mais um editorial de Alexandre Pais a dizer que se enganou e que afinal não eram 8, eram 0. Já estou o ver o "jornalista" a dizer que "O erro residiu na ponderação final, da exclusiva responsabilidade do diretor deste jornal". Se bem que ninguém saiba exatamente o que é isso da "ponderação final" conseguimos perceber que é uma espécie de afinação. Uma afinação alinhada.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Dias Ferreira no seu melhor

Lê-se mas não se acredita. Foi através do Sporting Até Morrer Allez que tive acesso a declarações de uma "fonte" da candidatura de Dias Ferreira ao site Sapo Desporto. Diz a "fonte": «Achamos que há, de facto, indícios que justificam a impugnação. Contudo e em face do resultado, que respeitamos, não nos compete a nós impugnar». Lê-se mas mas se acredita. "Achamos que há indícios, mas não vamos fazer nada sobre o assunto"? "A resultado que respeitamos" apesar dos "indícios que justificam a impugnação"? «O facto de haver motivos para Bruno de Carvalho pedir impugnação das eleições, não significa qualquer apoio a Bruno de Carvalho»? Alguém disse "espinha vertebral de um caracol"?

Adenda às 15:23: A"fonte" já tem nome e voz. A cobardia e o taticismo, contudo, mantêm-se: "«Nós admitimos o conhecimento de algumas irregularidades ocorridas durante as eleições. Isto não quer dizer que esteja a qualificá-las ou a tomar posição sobre as eventuais consequências que elas possam ter tido no resultado», frisou Paulo Rêgo."

Afinações

Os continuadores do processo de "modernização" do clube não cessam de dar provas da sua competência e credibilidade. Como mostra Fernando Amaral, no Sporting Apoio, e como já foi referido pelo Golpe no Sporting, existe uma discrepância entre os valores oficialmente anunciados no site do Sporting ontem no final do escrutínio e os valores e os totais que se podem somar dos dados também eles oficiais no site do clube. Para além dos 2952 votos fantasma referidos por Fernando Amaral, o Golpe no Sporting faz também as contas, com base nos dados oficiais do clube, relativas ao número de eleitores. O somatório total dos eleitores dá 14619. O Sporting diz que votaram 14205 associados. Portanto, para o Conselho Directivo foram afinados 414 "sócios."Para o Conselho Fiscal a situação é um pouco menos grave. Nesta votação tivemos mais 365 sócios do que na realidade e 2920 votos a mais. Para confirmar os dados resolvi fazer eu próprio as contas para a AG.

Votos

LISTA A – 33396
LISTA B – 8881
LISTA C – 34417
LISTA D – 11341
LISTA E – 2524

Votos brancos/nulos - 740
Total - 91299
Total de votos oficialmente declarados pelo Sporting - 88530
Afinação - 2769

Votantes
LISTA A –
4533
LISTA B –
1384
LISTA C –
6247
LISTA D –
1912
LISTA E –
382
Votos brancos/nulos
- 125
Total - 14583
Total de eleitores oficalmente declarados pelo Sporting Clube de Portugal - 14205
Afinação - 378

O mais impressionante em tudo isto é que não há uma conta que bata certo. Uma só. Estamos, portanto, perante uma de duas maravilhosas conclusões: 1 - As eleições foram aldrabadas. 2 - Os membros da Mesa da AG do Sporting Clube de Portugal não sabem fazer contas de somar. Resta saber se algum jornal vai pegar nisto. Quer-me parecer que não.

domingo, 27 de março de 2011

Golpe no Sporting seguido de Lições do Dia

Golpe no SPorting é um blogue que procura tirar a limpo o que aconteceu neste processo eleitoral. A seguir com atenção.

Entretanto vale a pena começar a pensar em duas lições que o dia de ontem nos ofereceu.

1 - A Internet vale exactamente 7% dos votos. É o arredondamento dos votos da lista independente para o Conselho Fiscal e Disciplinar e da Associação de Adeptos Sportinguistas para o Conselho Leonino. A Lista Ser Sporting depois da hecatombe que foi a campanha de 2009 acabou com cerca de 10%. É o que valem a blogosfera e os fóruns anti-Projecto Roquette.

2 - Teriam sido necessários observadores da ONU e capacetes azuis para que ontem as coisas tivessem corrido bem. Mas a lição a retirar é outra. É simplesmente populista e idiota - num clube onde não se conseguem contar os votos em assembleia-gerais com 300 pessoas (como sucedeu na assembleia que aprovou o último aumento de quotas) ou sequer apresentar resultados eleitorais sem quaisquer margem para dúvidas - a ideia de alargar as votações aos núcleos. Se em Alvalade já se verificam javardices várias, imagem o que seria numa votação dispersa por cento e tal núcleos. Nunca mais qualquer direcção perdia qualquer eleição. Não deixa, porém, de ser curioso que alguns dos defensores do alargamento das mesas de voto aos núcleos ou à implementação do voto por correspondência, sejam os primeiros a recusar o elementar princípio de um homem/um voto ou se quiserem, na sua versão menos radical, uma progressiva diminuição do fosso entre aqueles que têm menos votos e os que têm mais.

Mesmo que a democracia no Sporting fique um pouco aquém dos padrões mínimos aceitáveis ela tem muitas amiguinhas giras no clube: a oligarquia, a cleptocracia e a gerontocracia. Dão-se todas bem umas com as outras.

Tanta pressa

"Bruno de Carvalho já anunciou entretanto ir impugnar as eleições que para ele acabaram em golpe de teatro. Mas uma coisa é certa, à luz dos estatutos do Sporting, não há lugar a tomadas de posse nem a cerimoniais. A partir do momento que Lino de Castro proclamou o vencedor o mesmo entra imediatamente em funções, pelo que a impugnação já anunciada poderá não ter efeitos práticos imediatos fazendo com que esta confusão se prolongue no tempo com recurso para as vias judiciais."

Deu os parabéns a quem Dr. Rogério Alves?

Ou Rogério Alves está a caminho da insanidade e da inimputabilidade ou exigem-se explicações que já deveriam ter sido dadas. São quatro da tarde e do ex-bastonário da ordem dos advogados e ex-presidente da mesa da AG do Sporting Clube de Portugal ainda não se ouviu uma palavra. Deu os parabéns a Bruno de Carvalho porquê, Dr. Rogério Alves?

sexta-feira, 25 de março de 2011

Eu voto Conselho Fiscal Independente e Bruno de Carvalho

Não tenho nada a acrescentar às razões que o Paulinho Cascavel convoca para justificar o seu voto em Bruno de Carvalho. Apensas posso sublinhar a importância dos controlos e dos equilíbrios entre os diferentes órgãos sociais do clube. Por isso mesmo é que voto na Candidatura Independente ao Conselho Fiscal e Disciplinar. Porque me parece que a auditoria e o equilíbrio financeiro são fundamentais para escrutinar o passado e preparar o futuro, este é o voto mais importante para garantir que a lista de Bruno de Carvalho respeita, de facto, os compromissos que estabeleceu com os sócios durante a campanha eleitoral. Pelo perfil, pelo sportinguismo e pelas boas ideias, ainda que genéricas, que passou durante a campanha, vou dar o meu voto para a Mesa da AG a Abrantes Mendes, por quem Zeferino Boal desistiu. Para o Conselho Leonino, mais do apoiar a voz de José Eduardo, que certamente estará próxima de Bruno de Carvalho, mantenho a minha intenção de voto na AAS.

Para mim estas eleições apresentam um aspeto central: a rotura com o Projeto Roquette. Bruno de Carvalho parece-me ser o mais bem posicionado para efetuar essa rotura. Mesmo que compreenda e seja simpático a muitos dos argumentos que são apresentados a Norte de Alvalade, penso que é essencial que todos aqueles que têm lutado por uma mudança no Sporting converjam no seu sentido de voto. Os controles dos restantes órgãos sociais poderão, deverão e terão que ser garantia para que o clube sobreviva e a SAD permaneça das mãos dos sócios. Tenho pena que a campanha, apesar de apenas a ter seguido ao longe e de forma intermitente, tenha resvalado para o nome dos diretores desportivos, treinadores e para o chavascal de nomes que se ouviram nos últimos dias. No meio desta orgia de estupidez, certamente necessária para ganhar as eleições, Bruno de Carvalho foi o único candidato que assegurou a importância de garantir a maioria da SAD, a auditoria e o controle financeiro. Aliás, nesta orgia de nomes foi dos que menos seguiu a via futeboleira mais foleira, ainda que dela não tenha abdicado, coisa aliás que seria impossível de fazer. Mesmo assim, foi interessante ter uma massa associativa inteira a discutir o Projecto Roquette, as engenharias financeiras e os negócios (não desportivos) que foram feitos aos longo dos últimos anos. Mesmo que alguns (espero que não sejam muitos) não compreendam a importância do facto, temos pela primeira vez, na história do desporto em Portugal, a possibilidade de eleger listas independentes para os diferentes órgãos. Ainda não ganhámos as eleições mas já ganhámos qualquer coisa. Se houve muita coisa má na campanha também houve elementos positivos que devem ser destacados. Amanhã podemos matar o Projecto Roquette. Viva o Sporting!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Pela separação de poderes e pela fiscalização da direcção - com ou sem sheiks, oligarcas ou banqueiros

O único voto que já está destinado, sem dúvidas, sem estados de alma e com certeza. Logo se vê como corre o resto, mas para o Conselho Fiscal vamos ficar bem servidos.

segunda-feira, 7 de março de 2011

I dare you

Com beijinhos para o Jordão. É claramente o meu cacifeiro preferido. I double dare you, diz lá Gu Gu Da Da outra vez:

Gu Gu Da Da

Como é evidente, o último post só foi escrito porque do outro lado se encontram pessoas que não andam a tomar os medicamentos para a esquizofrenia e depois armam-se em espertinhos e vão fazer queixinhas para a Internet porque não se aguentam numa discussão de viva voz. Gosto especialmente do "ainda acreditei em Bettencourt". Ou então são como as criancinhas como o Zé Diogo Quintela muito bem explicou. Tantas hipóteses e tão pouco tempo para as explorar... Se não veja-se:

22 de Setembro de 2010
Não, isto não é populismo: é um facto. Foi esta gente que conduziu o Sporting à situação actual. Por isso me custa hoje a acreditar que esteja nestes senhores, ou nos seus cooptados, a salvação para o buraco em que estamos enfiados. Ainda acreditei em Bettencourt: pela falta de comparência de oposição credível e talvez porque me parecesse menos engravatado que os antecessores. Mal sabia eu o que aí viria… Por isso, repito, já não consigo acreditar nesta gente.

28 de Feveiro de 2011

Se as eleições fossem hoje, estaria indeciso entre dois candidatos. Um que já o é formalmente, outro que ainda diz que será: Godinho Lopes e Pedro Baltazar.

O primeiro porque gostei do que hoje ouvi. Da postura, da desenvoltura, da convicção e, sobretudo, da forma desempoeirada como meteu na gaveta os rótulos de “homem da banca” e de “rosto do projecto de continuidade.” Acabei de vê-lo na TVI e esteve bem: sucinto, certeiro, pragmático, com ideias, convicções e a transmitir claramente a ideia de que tem um rumo bem traçado para o clube.

O que me leva à segunda opção, a do candidato que ainda não o é: Pedro Baltazar.
Porquê? Porque gosto do gajo. Como empresário, sempre me pareceu um homem sensato, equilibrado e inteligente no seu ‘métier’. Como sportinguista, investiu como ninguém no clube, chegou a ser o maior accionista individual do Sporting – mostrando aí um sportinguismo que outros apenas apregoam – e, mais importante de tudo, soube bater com a porta na altura certa, rompendo com o registo de gestão patética do JEB e criticando a lógica instalada no clube. Esse é um capital que pode valer ouro. Falta, agora, conhecer as ideias que ele tem. O projecto. As pessoas. O clube que ele quer. É aguardar.

Amigas vamos para a água, vamos todas juntas:

Eu vou mas é votar no Pinheiro de Azevedo se ele tornar a ir para o hospital

O Douglas diz que vai votar no Bruno de Carvalho para todos os órgãos sociais. Diz que esse voto se deve ao facto de o candidato estar alinhado com o programa dele em vários aspectos mas sobretudo porque lhe interessa distanciar-se dos meus posicionamentos. Fico muito contente com o facto de desta vez pelo menos uma pequena fracção do Cacifo do Paulinho tentar tomar decisões certas ainda que, como habitual, por razões erradas. Se não, vejamos. Só nos últimos dias o Chebakov disse que gostava muito do Futre e o Sousa Sintra manifestou-se indeciso entre Godinho Lopes e Pedro Balatazar. Mas a falta de critério também não será surpreendente para quem lê o Cacifo. Na leitura e análise da vida do clube tratam o Sporting como os lampiões ou a direcção nos últimos anos: como uma puta. Isto é, e como é assumido no post seguinte do Cintra que também remete para a discussão anterior, o Cacifo não anda aqui a formar opinião e mais do que isso acha paternalista quem o faça. Nós aqui na Roulote temos como objectivo declarado desde a fundação discutir o Sporting Clube de Portugal um pouco para além da pobreza com que é possível pensar o Sporting e o futebol na imprensa desportiva portuguesa. Mais do que isso, move-nos desde o início a oposição ao projecto Roquette. Mais do que isso, move-nos desde o início do blogue uma concepção de clube que ultrapassa o mero consumo do espectáculo desportivo. Parece-me que a Roulote mais um conjunto de blogues e outros movimentos, como o Leão de Verdade ou a AAS, para dar dois exemplos, conseguiu colocar no mapa do debate a questão das SAD's ou trazer para o espaço público a discussão sobre um conjunto de medidas de gestão danosa de que o clube foi objecto nos últimos anos. Isto é não é educar o povo mas é partilhar informação e discutir o seu significado para além dos enquadramentos dominantes. Se contudo alguém entender que isso é educar o povo, então educador me confesso.
Compreender o que se passou no clube nos últimos 16 anos e quem teve responsabilidades em que áreas é fundamental para tomar decisões no momento da escolha eleitoral que se avizinha. É legítimo que as pessoas queiram pensar o clube apenas nos termos em que o Cacifo o faz. Parece-me, contudo, de uma pobreza confrangedora. Uma forma de desqualificação social e simbólica de um dos eixos centrais da cultura popular que tão mal é tratada nos meios de comunicação social. O futebol como forma de simplesmente aliviar tensões interessa-me muito pouco. A forma como, por exemplo, o Jordão argumenta a sua potencial abstenção no próximo acto eleitoral é reveladora destes problemas. Por um lado, despreza o poder do diagnóstico, sendo que só pode transformar o clube para melhor quem faça um diagnóstico correcto do que se passou nos últimos anos. Em segundo lugar, num gesto de maior arrogância do que aquela que me é imputada ataca os candidatos por não apresentarem soluções. Eu consigo vislumbrar diferentes propostas em diferentes candidatos e identificar diferenças entre eles. Mesmo que nenhuma das listas me encha as medidas os campos são claros. De um lado, Dias Ferreira, Baltazar e Godinho Lopes. Não vou voltar a repetir tudo o que já dissemos sobre eles aqui na Roulote. No outro lado, Abrantes Mendes, Zeferino Boal e Bruno de Carvalho. Para resumir, e também para aproveitar para formar a opinião dos dois mil visitantes que potencialmente o Cacifo pode enviar para aqui, deixo brevemente o meu sentido de voto para que não haja confusões e sobretudo para tentar clarificar a forma manhosa e imbecil como o Douglas resumiu a minha intenção de voto.
Se as eleições fossem hoje votava na lista de Bruno de Carvalho para a direcção. O meu voto no Carvalho deve-se essencialmente à questão financeira: denúncia da promiscuidade entre bancos e SAD, promessa de auditoria e de procura de equilíbrio financeiro. O que me deixa um pouco de pé atrás é a questão do fundo. Quando for apresentado logo tomo a minha decisão final. Para o Conselho Fiscal vou votar na lista independente que se vai candidatar apenas àquele órgão dos corpos sociais do Sporting Clube de Portugal. É a única escolha que faço sem reservas. A lista é composta por elementos do Ser Sporting que há anos têm vindo a defender uma auditoria às contas do Clube. Para o Conselho Leonino, vou votar na AAS apesar de todos os apesares. O motivo é simples. Defendem claramente uma reforma do sistema de distribuição de votos. Finalmente a Mesa da Assembeia-Geral. Já que vou distribuir votos por diferentes grupos parece-me sensato também fazê-lo para a AG. Aí a escolha seria entre Abrantes Mendes e Zeferino Boal. Votei em Abrantes Mendes em 2006. O problema é que em 2009 apoiou Pedrou Souto, que por sua vez apoiou Bettencourt. Portanto, está fora, apesar de ser sensível à ideia que exprimiu por diversas vezes ao longo do debate do Sporting como clube popular. Clube popular que de facto é, mesmo que outros candidatos não o compreendam. Sobra Zeferino Boal. Mas não penso votar Zeferino Boal apenas por exclusão de partes. Boal tem sido desde há muito uma das vozes mais activas contra a delapidação do património do Sporting e contra o projecto Roquette. Para além disso, e para além da dimensão estética - se rebola os olhos ou é gago - tão importante para os tontos, não esteve mal no debate. Encostou Godinho Lopes e Dias Ferreira às cordas com a questão do estádio e das linhas de continuidade. Esclareceu sobre a actuação de Luís Duque e Carlos Freitas no futebol. Demonstrou conhecimento do Sporting e sublinhou não só a importância da modalidades e a necessidade de construção do pavilhão como reforçou a ideia do Sporting como associação que permite aos seus associados a prática desportiva. Reduzir a sua intervenção à coisa dos velhos é ridículo e revela incapacidade de compreender o que está em causa nestas eleições. Coisa de tontos, portanto. Finalmente, convém não esquecer o papel que teve na denúncia do caso Freeport em Alcochete. É esse conhecimento que pode ser importante num contexto em que no caso de vitória dos candidatos da continuidade uma das próximas medidas de gestão vai ser a venda dos terrenos de Alcochete e a passagem do estádio para a SAD.
Destes argumentos resultam duas conclusões que pelos vistos os meus interlocutores no Cacifo não parecem compreender. Uma está relacionada com a separação dos poderes. Diz o Douglas do alto da sua experiência e humildade: "é uma perfeita estupidez eleger listas diferentes para órgãos diferentes… é uma noção de gestão de uma instituição que só pode surgir nas cabecinhas que, provavelmente, nunca tomaram na vida uma decisão com impacto colectivo.". Em primeiro lugar, imagino que o Douglas tome decisões desse tipo todos os dias e fala com o saber da experiência feito. Em segundo, para quem vem a seguir falar em pequenos Antónios Ferro não deixa de ser surpreendente o grau de analfabetismo político destes tipos para além das evidentes contradições que caem no mesmo parágrafo. Mas estamos cá nós para esclarecer. Caso não saibam, é a primeira vez na história do Sporting Clube de Portugal que esta situação de múltiplas listas se coloca aos sócios, o que é relevador da riqueza democrática do clube. O voto em diferentes listas para diferentes órgãos permite assim criar um sistema de controlos mútuos e independentes aquilo que se designa normalmente por "checks and balances". Ora mesmo que o risco deste sistema de equilíbrios seja criar uma situação de ingovernabilidade do clube, o que não me parece ser de todo o caso, o sentido das minhas escolhas aponta na mesma direcção. Bruno Carvalho promete auditoria. Nada como votar para o Conselho Fiscal na lista independente composta por pessoas que vêm exigindo a auditoria. Um dos problemas das Assembleias-Gerais desde 2006 tem sido a forma como os presidentes da mesa - Miguel Galvão Telles, Rogério Alves e Dias Ferreira - têm sistematicamente favorecido as direcções face aos sócios que se procuram exprimir. Nada como votar num candidato que tem colocado outras questões para além da futebolite que normalmente ataca nestas altura. O Conselho Leonino tem sido um órgão inócuo. Nada como votar em quer agendar reuniões mais frequentes e propõe uma reforma do sistema de distribuição de votos. Nenhum destes grupos se sobrepõe ao outro. Se a democracia é a arte dos equilíbrios e da negociação, na minha arrogante opinião, e apenas na minha opinião, esta é capaz de ser a melhor fórmula. Admito que existam outras, mas não me parece que elas passem quer pelas linhas de argumentação quer pelos candidatos que o Cacifo tem vindo a sugerir. O problema, e volto ao argumento da puta, é que há quem ache que quem quer pensar, para além do futebol, nas questões da democracia interna, das funções de uma associação desportiva, da relação que essa associação estabelece com os poderes políticos ou os grupos económicos é um idiota arrogante. É a vida e um clube é também feito destas coisas. Dá para todos e ainda bem que assim é. De resto, olha, ó Douglas se começares a sentir um crescimento inusitado da actividade cerebral não te preocupes pá. Só tás a estranhar porque não estás habituado. Fui!

sexta-feira, 4 de março de 2011

Os dois campos

Há por aí uma corrente de opinião qualquer que acha que existe um candidato da continuidade e cinco da ruptura. Nada mais falso. Existem dois candidatos da continuidade e dois da ruptura. Sobre Boal não tenho dúvidas de que há muitos anos se encontra contra a Hidra. Sobre Bruno de Carvalho, tenho as minhas dúvidas, mas pelo menos a vontade e a promessa, claramente expressa, de realizar uma auditoria merece-me alguma atenção. Apresenta-se como alguém de fora da oligarquia dominante no clube, sem contudo ser um pára-quedista. O trabalho no hóquei revela uma sensibilidade para as modalidades e uma competência na gestão que não precisou da SAD para vingar. Vamos lá ver se não se vende entretanto ao Baltazar e tentar perceber quem são as pessoas que lhe metem o dinheiro no fundo. Dias Ferreira e Abrantes Mendes não existem. São a parte circense das eleições. Godinho e Baltazar são da continuidade. De um lado o complexo banca-construtores civis do outro o complexo política-meios de comunicação social. De um lado o BES do outro a Controlinveste. De um lado os Nobre Guedes e os Ricciardis, do outro os Santanas e os Rochas Vieira. No fundo, dois lados que são um só. É uma espécie de casinha dos horrores da falta de vergonha, incompetência e corrupção que por aí se vê. Não são, portanto, 5 contra 1. São 2 contra 2. A boa notícia do dia é que os rumores que davam conta de uma aliança entre Baltazar e Carvalho foram infundados.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O Sporting é a puta de toda a gente

Paulo Sérgio é possivelmente o pior treinador da história do Sporting. Porém, não deve ser despedido. Devemos deixá-lo afundar com o clube para que nunca mais possa aparecer de cara levantada em lado nenhum. Para que ao pé dele Luís Campos seja um baluarte de dignidade e competência. Pagar-lhe uma indemenização é um prémio que não merece. A verdadeira questão não é, no entanto, Paulo Sérgio e este não deve ser o bode expiatório de tudo o que se passa, mesmo que seja um merdas que não percebe nada de coisa nenhuma. Um merdas que me envergonho de ter não só como treinador mas até como funcionário do meu clube. Mas a verdade é que o Sporting se tornou um clube ridículo, gerido por idiotas engravatados incapazes de sentir vergonha, cheios que andam de si próprios e das suas próprias razões e qualidades. A prova disso mesmo é a forma como se andam a pavonear por aí, como se nada fosse com eles, a preparar a sua participação em duas ou três listas candidatas às próximas eleições. Quando no início do ano resolveram contratar Paulo Sérgio foi porque queriam um merdas que comesse toda a trampa que lhe metessem no prato. Mas mesmo a esse merdas fizeram promessas. Ora, se o que Paulo Sérgio vê à sua volta é irresponsabilidade e trafulhice e com toda a merda que lhe fizeram porque motivo, mesmo sendo um incompetente de merda, repito, se há-de considerar, e com razão, o maior responsável pelo estado escrabroso a que chegou o clube e o seu futebol?
O que se viu ontem é que o Sporting não é só a puta do Benfica, como se cantou na segunda-feira nas bancadas de Alvalade. O Sporting não é só a puta do Rangers. O Sporting hoje em dia é a puta de toda a gente. Se até o Baltazar tem o descaramento de pensar em candidatar-se à presidência, se o Ricciardi racha lenha de fora, se o Futre é potencialmente um director desportivo, se o Dias Ferreira apresenta uma lista de ruptura, se o Bettencourt vai para o BES, se a mulher do Soares Franco dá entrevistas a dizer que a culpa desta merda toda foi dos sócios, se o Costinha dá entrevistas daquelas, se venderam o Liedson, se venderam o Moutinho, se venderam o Veloso, se contrataram a merda toda que contratam, porque caralho é que o Sporting também não há-de ser a puta do Paulo Sérgio?

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Nem notáveis, nem sheiks: a democracia no Sporting

Ao longo das últimas semanas têm-se sucedido nos meios de comunicação social as notícias sobre reuniões entre "notáveis", putativas vagas de fundo e a autorização - sempre tácita - por parte da banca a essas candidaturas. Em todo este cenário falta sempre a coisa mais importante: os sócios e as eleições. Apesar de tudo, para a banca ou os notáveis poderem tomar conta do clube não o poderão fazer sem o apoio dos sócios do Sporting Clube de Portugal e sem lhes apresentar um programa. A pobreza do discurso dos candidatos, proto ou não, e dos media contrasta de forma absolutamente chocante com o espírito de debate e crítica - no melhor e mais democrático sentido do termo - que reina naquilo que podemos chamar de esfera pública leonina. Nas últimas semanas, mas também desde há muito tempo, personalidades como José Goulão, José de Pina, José Diogo Quintela ou Daniel Oliveira, entre outros, têm vindo a reflectir sobre a vida do clube de forma bastante interessante. Mesmo para lá destas figuras públicas a sensação com que fico ao circular pela blogosfera é que no Sporting conseguimos (e aqui acho que A Última Roulote, a par de muitos outros blogues, também contribuiu para isto) criar um espaço de debate sobre o clube que ultrapassa em muito a questão meramente desportivo-futebolística. Apesar de todos os problemas, foi nestes últimos anos de crise e em especial desde a primeira assembleia-geral no Pavilhão Atlântico em 2006, que se pôde observar a emergência, para responder a um estado de emergência, de uma vibrante e informada comunidade que debate de forma apaixonada a gestão do Sporting e o sentido da sua existência. Esta participação, e este espaço público, não se limita contudo às redes sociais e ao espaço mediático. Participei ao longo dos últimos anos em conferências organizadas por três grupos distintos. Desde um debate no hotel Barcelona organizado por pessoas próximas de Subtil de Sousa e no qual participou, por exemplo, Zeferino Boal, passando pelas iniciativas da AAS até ao Movimento Leão de Verdade penso que estamos - reafirmo a dimensão colectiva e comunitária deste processo - a transformar as formas de participação dos sócios na vida dos clubes. Claro que as roulotes, como os cafés da Europa Central onde Habermas situa as raízes da esfera pública burguesa, ou, numa analogia um pouco mais feliz, as tabernas da Inglaterra que E.P.Thompson considera fundamentais para a construção de uma identidade de classe entre os trabalhadores industriais do século XIX, são também espaços de socialização e produção de pontos de vista, tal como sucede nas bancadas do nosso estádio. Finalmente, temos as assembleias-gerais. Também elas passaram a ser bastante concorridas. Tornaram-se, contra a vontade das direcções e dos presidentes da mesa da AG, o espaço por excelência de reafirmação dessa filiação clubista e da importância que o Sporting tem nas nossas vidas.
Perante tudo isto, que não considero que seja coisa pouca, terá que surgir obrigatória e necessariamente uma alternativa credível ao projecto Roquette. Uma alternativa que não passe nem por notáveis paternalistas portugueses nem por sheiks das arábias ou oligarcas russos. A crise do Sporting e a tentativa de destruição da sua dinâmica associativa teve como efeito perverso - no melhor sentido do termo - criar esta dinâmica democrática cuja profundidade é relativamente original no contexto desportivo português. Tudo isto para dizer que surgiu mais um espaço de debate e reflexão sobre o Sporting Clube de Portugal. O Movimento Sporting Sempre. Tem entre os seus fundadores duas pessoas com quem já passei algumas horas a discutir o Sporting e que participam activamente na vida do clube: o José Gomes e o Miguel Lopes. Não sei se estaremos sempre de acordo, e nem sempre estivemos no passado, mas os pontos de encontro são muitos. Só nós é que podemos transformar o Sporting. Não são os notáveis, os sheiks ou os bancos que vão salvar o nosso clube.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Moniz Pereira

As pouco edificantes e degradantes cenas dos últimos dias e os personagens que as representaram já poucos comentários me merecem. Espero que se vão embora o mais rapidamente possível e a qualquer preço, indemnizações e bancarrota incluídos. A coisa torna-se mais séria quando Moniz Pereira ameaça abandonar a condição de sócio do clube. Apesar de ter sido incompreensível o apoio que deu às sucessivas direcções e a forma semi-silenciosa como protestou contra a situação das outras modalidades, a ausência de pavilhão e o modelo do novo estádio, ainda é daqueles sportinguistas a quem se dá o benefício da atenção sem quaisquer dúvidas. O aviso foi feito. A imprensa desportiva, claro, prefere espalhar os truques e os traques do Brás, o candidato que não chegou a ser e que excitou a maralha mediática, do que ouvir e dialogar, com tempo e calma, com aquela que é possivelmente a figura maior do desporto português da segunda metade do século XX.

Tem aqui mais outro que rasga o cartão, Professor!


O professor Moniz Pereira manifestou-se com veemência sobre a situação do Sporting. Eu diria, finalmente! O que diz é justo, é dito com conhecimento de causa e com o peso dos galões que tem.
Muito pouca gente no Sporting hoje pode reclamar o seu estatuto.
Admito que se ele tivesse dito tudo isto há quinze ou dezasseis anos iria gerar reacções adversas. Mas, desde então, perante os factos, tem havido oportunidades sem fim para mostrar o que vai mal no Clube. Tenho pena que as suas declarações só sejam feitas agora. Digo-o com sinceridade e pena.
Em todo o caso, antes tarde que nunca. O peso do professor Moniz Pereira não se evaporou e as palavras dele são, em si, um programa eleitoral para qualquer candidato que queira verdadeiramente e sem sofismas, o Sporting Clube de Portugal de volta aos carris.
Moniz Pereira ganharia ou faria ganhar qualquer candidatura que tivesse o seu patrocínio. Mas, atenção: para que isto acontecesse, o professor Moniz Pereira também teria de deixar de ceder à tentação de dar corda aos malfeitores que conduziram o Clube para a situação em que se encontra hoje. Basta aparecer, falar como falou à Lusa e tem a esmagadora maioria dos Sportinguistas consigo, professor! Para levar o Clube aonde todos o queremos ver.
Vou mais longe: independentemente da questão das modalidades, se ganhar uma candidatura que queira manter o Sporting com este estatuto de fantoche dos bancos e nesta deriva de auto-destruição também eu rasgo, finalmente, o cartão!!