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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Jornal do incrível

Leio mas não acredito. A sucessão de disparates tem um novo ponto alto. Compram-se jogadores medíocres pagos a preços de véspera de Natal e depois afinal vai-se a ver e não há cheta. Então, e para construir uma equipa competitiva no próximo ano, trata de vender a preço de fim de saldos e segunda baixa de preços um dos três ou quatros jogadores de real e indiscutível qualidade do plantel. Não só um jogador consistente e regular mas um tipo porreiro. Em relação a jogadores como Izmailov, Liedson, Moutinho ou Carriço deixei de ter ao longo destes meses qualquer problema em deixá-los sair caso assim o entendam. Estilo carta de foral. É complicado para gente decente viver no meio daquela bandalheira. Portanto, se Izmailov quer sair não vou impedir. Como dizia um amigo no dia da goleada com o Porto: "O Izmailov não merece o que lhe está a acontecer". E você, caro leitor, troca um Izmailov por um pacote com Pongolle e João Pereira e uma dívida de 3,5 milhões?

O Izmailov é isto:
"Estou muito impressionado com a atitude dos adeptos e, em verdade, não fiz nada de especial para merecer isto."
"No Lokomotiv também tive sempre boas relações com os fãs e recebi muitas cartas. Mas lá era alguém da casa, enquanto aqui sou um estrangeiro. Por isso, é que este apoio é tão tocante".

Por uma vez, um jogador faz um elogio genuíno aos adeptos, para lá das tiradas de ocasião extraordinariamente irritantes do Salema, e a primeira coisa que a direcção (?) do clube faz é por o homem no mercado. Por mim, despachem logo também os outros três e acabem de vez com a nossa agonia.

O Sporting hoje é isto, e nada mais do que isto:
A urgência do Sporting em concretizar um encaixe financeiro significativo legitima a inflexão na recusa da proposta de seis milhões de euros do Lokomotiv de Moscovo por Izmailov, declinada em Janeiro, mas entretanto entendida como viável pelos responsáveis da SAD leonina para que a transferência do influente médio russo se consuma.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Cadernos do balneário

À semelhança do que sucedeu com Paulo Bento, agora é a vez de Ricardo Sá Pinto não conseguir manter o silêncio no momento da saída. São aqueles que mais falam em união e amor à camisola os que, no Sporting, se apressam a incendiar a tenda. A razão imediata (o que não significa que não existam outras) do incidente entre Sá Pinto e Liedson foi patética e repete-se milhões de vezes todas as semanas em milhares de locais: uns preferem apoiar os seus colegas de trabalho; outros humilhar os seus subordinados. Uns acham que estão apenas a fazer o seu trabalho e acham que não têm de ser insultados por isso. Outros acham que o cliente tem sempre razão. Tanto discutimos isto entre nós a propósito do assobiar ou não um jogador, como estamos constantemente a travar este debate no nosso quotidiano e em especial no nosso local de trabalho. O que é patético em Sá Pinto é a utilização que está a fazer do incidente para queimar o melhor jogador da equipa por um desabafo deste último no banco de suplentes. Um desabafo que não teria consequência rigorosamente nenhuma, não fosse a carica do nosso exaltado director desportivo saltar com facilidade. E depois claro, anda por aí muita gente sedenta do sangue de Liedson, desde que passou a ser convocado para a selecção. Na blogosfera sportinguinta, e fora dela, há muita gente que não consegue engolir a convocatória de mais um "brasileiro" e então apressa-se a julgar Liedson que, independentemente das suas opiniões sobre os adeptos, a que tem todo o direito, se limitou, na privacidade do balneário, a defender um dos seus colegas mais jovens de um ataque extemporâneo do director desportivo. Divergências destas existem em todo o lado. Andar à pancada por isso é patético. Fazer comunicados hooliganescos no rescaldo ainda é pior.

domingo, 10 de maio de 2009

(In)decência e liberdade da imprensa

«Paulo Cristóvão, em directo para a rádio Alenquer...» foi este o primeiro dos únicos jornalistas a colocar uma questão ao candidato da lista 'Ser Sporting'. Na sala, estavam presentes muitos jornalistas de microfone na mão. Ao meu lado, o inconfundível Nuno Luz, passou o tempo todo a brincar com o seu telemóvel novo (pela pinta é dos que tuitam, cruzes!), interrompendo apenas para ordenar ao operador de câmara que filmasse o Dias da Cunha. Alguém quer colocar mais perguntas? Ninguém queria...

Como ninguém quis, n'A Bola, no dia da última AG, perguntar a J. Roquete o porquê do seu projecto ter falhado. Como justificaria ele apoiar a radical reformulação de um projecto que partia do reconhecimento da caducidade dos modelos de gestão iniciados nos mandatos - incluindo o seu - anteriores? Vítor Serpa, não quis saber disso. O próprio director, encarregou-se do serviço ao domicilio, fazendo, na 1ª página, uma ode ao pai de um "Projecto" ancorado num património que já era, aclamando o sinistro empresário como alguém genuinamente precupado com o futuro de um clube que ele próprio afundara num passivo asfixiante e que, na hora certa, qual agente priviligiado, soube sair de cena e salvaguardar o "seu".
Enquanto V. Serpa beijava a mão, o outro acompanhante ajoelhava-se abaixo do nível do ventre de Roquete e dava-nos a fotografia de capa: Roquete, olhando-nos de cima, com o seu ar de rigor, à frente da sua lareira de rigor, sentado no seu canapé de rigor. No dia da AG, folheei o resto do jornal à procura de uma voz que transmitisse as razões do 'Não', mas foi em vão..

Nesse mesmo dia, O Jogo, tratou - não sei se cobrou - da encomenda do mapa dos Núcleos que defendiam o 'Sim', sabendo nós depois, através do jornal Sporting, que muitos dos representantes estavam convencidos de ter votado numa descentralização do poder de voto. Quem apenas ouviu SF falar nesses dias o resultado só podia ser este: nem sabiam bem no que estavam a votar. Nem eles nem um amigo meu que votou 'Sim' porque era "a favor que os Núcleos pudessem votar sem vir a Lisboa". É um tipo com doutoramento ou lá o que é.

Apresentados os primeiros candidatos, A Bola, continua na estratégia da não notícia. No pasquim do Bairro Alto mudam-se as comadres mas a "conversa" sempre a mesma. Lembro-me logo desse sujeito anafado, trabalhador sem pudor, de nome Bernardo Ribeiro. Nos últimos anos, ao primeiro parágrafo seu, já o via a ronronar e a roçar pelos pés da secretária a cada vez que escrevia o nome 'Soares Franco'. Nem quero imaginar o seu vigor jornalístico se a dama dos seus olhos passar agora a ser precisamente aquele que lhe segurava a trela e amansava o pêlo...

foto: Carlos Cruz, administrador da Cofina e vogal do CD presidido por SF e candidato a seu sucessor


Em certa medida, o nosso jornalismo desportivo é aquilo que os consumidores querem e permitam que o seja. Há muito que não compro o Record ou a Bola. Vou preferindo a Internet e a blogosfera. Aqui, regra geral, consigo encontrar a decência, diversidade e liberdade que a imprensa desportiva tem preferindo mandar pro caixote.