segunda-feira, 31 de março de 2008

Hors d'oeuvre

Antes de passarmos à análise mais exaustiva da entrevista de Ribeiro Telles ao Correio da Manhã, comentando alguns dos comentários que a dita suscitou, fica um pequeno hors d'oeuvre (que é como as pessoas bem dizem aperitivo).

Quando o Barcelona vai buscar o Giovanni ou o Bojan, ou o Arsenal contrata Fabregas, isso é um grande acto de gestão. Quando o Sporting vai buscar o Rabiu [nigeriano], se calhar estamos a exagerar no recrutamento internacional...

Apesar de até concordar substantivamente com a ideia expressa pelo nosso insigne (hoje apetece-me usar palavras caras, o que é que querem?) gestor, não lhe ficaria mal revelar um pouco menos de ignorância e preconceito. O Barcelona não foi "buscar" Bojan a lado nenhum. O pai de Bojan é um imigrante em Espanha tendo casado com uma espanhola. Bojan, nascido em 1990, joga desde 1999 no Barcelona, onde o seu pai (antigo jogador do Estrela Vermelha) exerce as funções de olheiro desde 1997. Isto é, apesar de Bojan ter um nome "exótico" é espanhol, tendo feito toda a sua formação no Barcelona.

sexta-feira, 28 de março de 2008

A entrevista

As perguntas que eu gostava de ver respondidas ninguém as colocou. Perante um grupo de entrevistadores frouxo, mais interessado em publicitar as suas teses do que perceber o futebol do Sporting a entrevista de Paulo Bento serviu sobretudo para desanuviar um pouco o ambiente. Obviamente que, apesar das críticas que lhe têm sido feitas, o homem não é um imbecil. O problema é que as questões levantadas tinham que ver sobretudo com questões tácticas e a análise de conjunturas muito especificas. Neste plano PB saiu-se bem, ao justificar as suas opções. Mas essas também não me viram a colocá-las em causa. Da estrutura da sua argumentação retenho duas ideias básicas: a questão financeira é essencial para explicar os resultados e as exibições do Sporting e a saída de jogadores importantes no final da época passada desequilibrou o plantel. Tudo certo. O que esta argumentação mostra, ou melhor, demonstra (se me permitem o meu próprio momento Freitas Lobo) é a minha tese: a ligação orgânica e a dependência de Paulo Bento em relação às escolhas que lhe foram apresentadas por quem o contratou para o lugar. Quando falava, por exemplo, da pré-época, explicando a dificuldade em treinar um sistema táctico alternativo pela necessidade de integrar a enorme quantidade de novos jogadores, Paulo Bento caucionou (nem poderia fazer outra coisa) o processo de desmantelamento e reconstrução (?) do plantel de uma época para a outra. Referiu também a dificuldade do Sporting em adquirir alguns jogadores que tinha referenciados (novamente o argumento económico). Mas é aqui que eu volto à vaca fria. Não caberia ao treinador a decisão sobre a melhor forma de gastar os 10 ou 11 milhões que acabámos por desperdiçar em reforços? Não poderia ter preferido dois ou três jogadores médios que equilibrassem em plantel no lugar dos 10 ou 11 que chegaram? Para isso não teria sido necessário manter três ou quatro dos jogadores médios que sairam? Isso não teria permitido uma melhor e mais rápida integração dos reforços? Um treino mais intenso de um esquema táctico alternativo? Não haveria mais uma ou duas opções reais no banco?
Uma nota também para o que pareceu ser um indício da forma como se planificam as épocas no Sporting: em cima do joelho. Se é evidente que a saída de um jogador importante é quase uma inevitabilidade isso não deveria significar que o plantel para a próxima época já deveria estar pensado? Que deveriam já estar estudadas 11 (ou 22 ou 33) opções para o caso de algum dos titulares ser transferido, mas que estruturalmente as decisões teriam de estar tomadas?
Finalmente, dizer que já não há saco para a fraude que é o argumento da aposta na formação que, juntamente com a questão financeira, serve de justificação para tudo. É ir ver a média de idades do plantel, mas sobretudo dos onzes que entraram em campo ou mesmo dos 14 que jogaram na maior parte dos jogos do Sporting e compará-la com a dos principais adversários... e dizer que se isso é um problema que, olha, fossem comprar gajos mais velhos. A responsabilidade (para não dizer culpa, que parece muito self-righteous e démodé nos tempos que correm) mais uma vez parece ser dos atentados de 11 de Setembro.

quarta-feira, 26 de março de 2008

De borla ou in da club

Como uma das críticas que habitualmente se fazem aos críticos do status quo leonino é o negativismo puro dou uma de borla para o Franco, o Bento e o Garção. Jogar-se-á bom futebol, o estádio estará cheio e tolerante com os erros da equipa e a divida diminuirá. A coisa é simples e faz-se em três partes. Não é nada que não tenhamos já aqui referido mas repetimos de novo:
  • Plantel - É correr com os marrecos, os emprestados, os ostracizados e os inúteis: Stoijkovic, Gladstone, Ronny, Farnerud, Izmailov, Celsinho, Purovic, Derlei e Tiuí. No meio campo para além dos seis que estão aqui em baixo fica o Romagnoli e com alguma sorte vem o Rochemback (se não vier este tenta-se o Hugo Viana). No ataque Liedson e Vuk fazem de ama seca a Djalo, Paez e Saleiro. Na defesa a direita fica como está e entra o Carriço e o Tiago Pinto. Contrata-se um único reforço (para além do Rochemback): Grimi. Alguém pode dizer que este plantel é pior do que o deste ano?
  • Finanças - Gastam-se três milhões com o Grimi. Entra um se algum dos que é suposto ficar for vendido. O dinheiro desse gajo vai todo para pagar a divida. Com os marrecos, os ostracizados, os inúteis e os emprestados (os nossos) poupa-se nos salários e com alguma sorte o dinheiro (pouco) das respectivas transferências dá para pagar o Grimi.
  • Comunicação -Faz-se uma campanha para as novas Gameboxes a imitar o video do 50 Cent que podem ver aqui em baixo: a academia como um laboratório de talentos. A metáfora do clube que levou oito balas mas que depois de travessar um período no laboratório em recuperação e reconstrução se tornou numa máquina de jogar à bola. Para mostrar que a malta tem sentido de humor e aceita bem a crítica convida-se o Valete, (ou o Óculo Verde) para fazer o som do anúncio (e obriga-se o gajo a dizer bem do Pereirinha e do Djaló!) Manda-se a campanha de novos sócios à fava. Dá-se a todos os sócios 20% de desconto na Fan Lab, que se transforma também numa loja de artigos para a prática desportiva. Chega-se a acordo com os cinemas Alvaláxia para os sócios terem o direito a ver uns quantos filmes de borla por ano (tipo um por mês, mas isso logo se vê, não vale a pena ser picuinhas com estas merdas ).


Esperança

Miguel Veloso; Adrien Silva; João Moutinho; Bruno Pereirinha; (Fábio Paim; Celestino)

Dor em directo

Miguel Veloso; João Moutinho; Carlos Martins; Ricardo Quaresma

Paulo Bento - O fim

Tinha pensado escrever mais meia dúzia de postas sobre Paulo Bento, onde para para além de explanar todos os meus conhecimentos futebolísticos ainda iria introduzir a plebe aos ideais-tipo de autoridade (tradicional, racional e carismática) de Max Weber entre muitos outros conceitos, e explicar cientificamente porque é que o homem não serve, mas no fundo já foi tudo mais ou menos dito, por isso resumo a coisa nalguns pontos essenciais:
  1. Na construção do plantel cedeu a toda a linha aos esquemas de Freitas. Isso significa que é um treinador sem autonomia em relação ao "regime". Um autoritário para baixo, mas um pau-mandado para os de cima.
  2. A aposta nos jovens é uma treta. Patrício e Pereirinha são exemplares. A este respeito ler o que se tem escrito no SportingCP Sempre. Os jovens aparecem quando a coisa começa a correr mal, e servem de paliativos e para aplacar a fúria das massas.
  3. Associado ao ponto anterior, referir que não vejo um único jogador que tivesse evoluído técnica ou tacticamente sob a orientação de Paulo Bento. Repito, um único.
  4. Fisicamente a forma do plantel é uma lástima. Pode ser da responsabilidade do preparador físico mas o responsável pelo preparador físico é o Paulo Bento.
  5. Tacticamente não tenho nada contra o losângulo, que continuo a achar o melhor sistema para o Sporting. O homem revelou-se, porém, incapaz de em 2 anos 3 meio arranjar um plano B (o 3-4-3, apesar do romantismo, quando colocado em prática pelo nosso homem revelou-se suicidário).
  6. Ainda neste plano, para o homem ser o Fergusson português a questão central não era ganhar. Era fazer o futebol do clube evoluir de forma mais ou menos consistente. Ora, o que temos é regressão.
  7. O Weber entrava na parte psicológica e de gestão do plantel. O modelo tradicionalista de autoridade (à pai tirano), para além de me ofender pessoalmente, não foi coerente e não parece ter melhorado o ambiente em relação ao que se observava no tempo do "banana" democrático que era Peseiro.
Fechou a loja. Finalmente acho inenarrável o facto de pessoas que aparentemente querem assumir responsabilidades no clube, como Subtil de Sousa, virem a público comentar o treinador e as tácticas. a contestação à direcção é necessária mas deve ser feita no plano directivo e administrativo e não atacando o plantel.

terça-feira, 25 de março de 2008

Modelos

Não se trata da cadeia de supermercados do Belmiro nem do campeonato português onde o porto vai às prateleiras buscar o título quase todos os anos.
Trata-se da profusa discussão em que entrou a blogosfera sportinguista. Não só a blogosfera mas quase só, antes dos blogues ia-se para o estádio e é o que se sabe. Agora fica-se em casa e é o que se vê.
Já não sei o que comentar a seguir aos jogos do meu clube pois os comentários são invariavelmente idênticos, quer seja empate, vitória ou derrota, o denominador é comum, já nada tenho para falar de táctica pois não há vida para além do losango. (Quando tiver paciência escrevo algo sobre as tácticas alternativas que podíamos usar, pois se os jogadores são bons podem usar determinada táctica, se são maus também podem, não ficam bons).
Já não vou falar das qualidades dos jogadores para além do que já disse. Não posso fazer uma análise quando os dados mentais estão subvertidos. Mas posso ver que há jogadores com qualidade mental e outros que não a têm.
Posso ver que a nível total convertem-se 76% do penaltis que uma equipa tem, mas nós somos excepção há regra pelo medíocre atitude mental.
Posso ver que temos um treinador que não aprendeu com nenhum grande treinador e que nunca treinou uma equipa de seniores. Posso ver que quando o fez teve logo de despachar os seus ex-companheiros de equipa para não causar uma fraca personalidade, onde podia ter dito que não ou se ambicionava o lugar e não disse não o deveriam ter consentido os panascas da sad.
Vejo ainda um clube pior desde a entrada dos roquetistas e súcias e sem maneira de se resolver os problemas a não ser esperar e para o ano é que se vê. E lamento que haja sportinguistas que se contentem com um presidente a mini-time.
Continuo a ver adeptos e sócios que nivelam por baixo o clube e onde referem sempre os anos de jejum como exemplo para não seguir. Mas o exemplo não são esses anos nem os que temos, o exemplo só pode ser aquele que temos no museu e que fez o Sporting aquilo que é. Não concebo o medo do jejum pois em jejum já estamos há 6 anos e vamos continuar para o ano que vem e seguintes com a mesma política, não é preciso ser adivinho. Com estes já vamos em três e a caminhar para os quatros)
Lamento que não tenhamos ganho a taça dos campeões este fim de semana, mas como jogamos contra o manchester ou o barcelona tínhamos de apostar nos penaltis. (alias se fosse o carvalhal tinha feito o mesmo, pois a estatística dizia quais as hipóteses de o Setúbal ser vitorioso na matemática dos penaltis).
Só não lamento o único período em que tive emoção nesta taça da bejeca, os penaltis, tudo o resto foi assombroso. Alias ganhou a equipa mais regular em toda a prova.
Lamento ver onde isto vai parar e não me agrada ver os paralelismos com os bifes. Já vi que este mini-time presidente e esta sad e este treinador estagiário estão todos apoiados uns nos outros, agora é moda do clube caírem todos para o mesmo lado, pois isto é a procura do abismo.
Falam que na terra dos bifes é que é. Para vermos como se faz e como o fergusson lá está.
Ora meus amigos amigos dos bifes (eu que não posso com esses ladrões desde o tratado de methueen, espero sempre que percam e que este ano nenhum clube ganhe nada, até pode ganhar a roma, por mim) digo que então comprem o pacote por inteiro! É que não basta querer um treinador por vinte anos e que nada ganhe durante quatro anos, é preciso transformar o clube numa sociedade comercial sem sócios e ter um presidente com maioria do capital, ou seja alienar a maioria das acções do sporting na sad e vendê-las. Ou seja a morte do Sporting Clube de Portugal enquanto clube! É que não há outro modo e pagava para ver como isso ia ser cá com os nossos adeptos endinheirados e bons consumidores/espectadores sem nada a poder dizer.
Então se não querem tal para o nosso clube parem de chamar os bifes para onde não são chamados, chamem antes os espanhóis, italianos ou alemães. Aliás se o modelo dos bifes fosse o melhor então dominariam a europa do futebol. A nível de selecção é o que se sabe e de clubes posso dizer que em todas as competições da uefa (champions, uefa e taça das taças) os bifes têm 24 vitórias no total, contra 23 da espanha, 26 da itália e 17 da alemanha. Assim sendo em vez de só se falar no modelo dos bifes por que não exportar o modelo italiano ou espanhol, em espanha nem sequer há sad nos maiores clubes e que manda são os sócios e lá até os treinadores campeões são despedidos e não me digam que eles não sabem o que fazem pois continuam a ganhar, pois sem pressão e sem exigência dura e pura não há resultados.
É pois preciso mais do que falar e escrever, as revolução francesa, a revolução liberal e a revolução dos cravos não se fizeram com palavras e blogues, às vezes é preciso lutar.
P.S.: ó paulinho ainda não percebestes, não queres ver, deus já te enviou várias mensagens: final da taça uefa em casa, final do euro 2004, final da bejeca (a supertaça não conta pois na sua essência não é uma verdadeira final).
Saudações Leoninas

O Grande Cisma

Um intervalo no espancamento público do Paulo Bento (com direito a contraditório no Cacifo) para dizer que vale mesmo a pena ler esta posta no King Lizards e dizer que ao Franco, ao Telles, ao Bettencourt, ao Bento ao Alves e a quem mais vier que não, não somos todos amiguinhos!

segunda-feira, 24 de março de 2008

A ordem do discurso e o discurso da ordem

Quando assumiu o comando da equipa técnica do plantel sénior Paulo Bento legitimou a sua posição de duas formas distintas, apesar de ambas se inscreverem numa tentativa clara de ruptura com o tempo de Peseiro: o discurso da ordem, por oposição a uma postura democrática e pouco autoritária de Peseiro (a quem alguns chamavam de banana). Neste discurso da ordem o acento tónico encontrava-se noutra ruptura. Desta feita com o passado derrotista do homem de Coruche e sua sua ordem futebolística. Paulo Bento mandou às malvas o futebol sexy e ofensivo de Peseiro apostando numa filosofia de jogo que privilegiava a segurança defensiva e se caracterizava pela ausência do novo mito do futebol moderno: as transições, ou em linguagem antiquada o contra-ataque e a pressão a todo o campo. O primeiro ano de Paulo Bento, isto é, até à segunda metade da época passada foi marcado por um futebol partido, em que na impossibilidade de levar à prática um jogo fluído a equipa optava por separar de forma quase total os momentos ofensivos e defensivos do jogo. As perdas de bola eram quase imediatamente seguidas por faltas ou bolas mandadas para fora, para impedir o contra-ataque adversário, e permitir à equipa reagrupar-se naquilo a que em futebolês moderno se designa por bloco baixo. No momento ofensivo a ideia era conquistar terreno com bolas longas. Chegados ao último terço do campo, e com a equipa organizada, apostar em jogadas mais ou menos estudadas que partiam quase sempre de lançamentos laterais ou bolas paradas e se desenvolviam a partir de combinações rápidas e triangulações curtas. Com o tempo o modelo sedimentou e o final da época passada não foi péssimo, com a fluidez de jogo (fio do jogo, para os antigos) a emergir das trevas. Os resultados pareciam combinar com o espectáculo. O que se retém, no entanto, é o mau futebol apresentado durante um ano e uma frase tonitruante: -" Se quiser entretenimento vou ao cinema!". Pelos seus próprios critérios, só existe uma formas de avaliar Paulo Bento: pelos resultados! E esses, há que dizê-lo com frontalidade, são uma merda. A equipa não ganha e leva golos como se não houvesse amanhã. Isto é, a ordem futebolística de Paulo Bento transformou-se num caos na época que deveria ser de consolidação.
Continua...

Sinopse

Em termos de resultados, na primeira meia-época de Paulo Bento, fomos ao segundo lugar e sinceramente sem consulta aos arquivos não me lembro de mais nada de particularmente significativo (talvez a vinda de Pereirinha para o plantel principal). Na época seguinte e já com um plantel da sua responsabilidade fomos à vida nas competições europeus num jogo trágico-cómico com o Spartak de Moscovo em Alvalade e na mesma semana fomos aviados pelo Benfica em casa. A época estava perdida. Jogava-se péssimo futebol. Numa altura em que já toda a gente pedia a sua cabeça veio um Tello redentor e um final de época aceitável, e com bom futebol, que levou o campeonato até à última jornada e a uma vitória na Taça (sem que tenhamos tido adversários especialmente complicados - esta época vai ser a do tira-teimas a este respeito). Esta época mais uma vez teve o plantel que quis e só me lembro de quatro bons jogos o ano todo: com o Roma e o Basileia. De resto até nas vitórias fomos medíocres (é ir aos arquivos do blog ler, por exemplo, as análises do Yazalde aos jogos). Salva a época o facto de, mesmo tendo defrontado adversários fraquinhos (mas quantos é que já não nos aviaram?) estarmos nos quartos de final da Taça UEFA, feito penas alcançado por três vezes nos últimos vinte e cinco anos. O balanço é, todavia, pobre. Três meses de bom futebol, uma Taça de Portugal e uma Supertaça, no que vão ser dois anos e meio à frente do clube. A nível quantitativo nem parece péssimo tendo em conta o historial do Sporting nos últimos 25 anos, mas quando passamos a uma análise qualitativa o argumento não cola. Assim digo PIM! a Paulo Bento - o pára-quedista. O ano passado não foi bom e os planteis foi ele que os escolheu.
Feito o resumo, vamos então à análise do seu desempenho, partindo dos parâmetros atrás indicados.
Continua...

O pára-quedista

Quando quase toda a gente pede a cabeça do treinador o Verde CDV do Sangue Leonino oferece-nos uma visão equilibrada e desdramatizada do actual momento do futebol do Sporting e do papel que o Paulo Bento desempenha na coisa. Vale a pena, por isso, começarmos por um dos seus argumentos: o treinador não aterrou de pára-quedas (é o mesmo do ano passado), o plantel é que mudou. No fundo é a questão do ceteris paribus (não confundir com pluribus unum, in vino veritas ou carpe diem): se a época passada correu bem e o Paulo Bento era o treinador e perdemos uma série de jogadores importantes então a responsabilidade pelos maus resultados não pode ser do treinador.
Respondemos:
O modo como Paulo Bento ascendeu ao cargo de treinador é digno dos melhores pára-quedistas a nível mundial. Não tinha qualquer tipo de experiência ou currículo, não foi um jogador brilhante e ainda não tinha demonstrado grande coisa como treinador dos escalões de formação. Pelo que se vai percebendo a ascensão a treinador sénior teve duas causas: a fragilidade financeira do Sporting e o facto de ser muito amigo de Freitas e Barbosa. Assumiu o control de um plantel em ruínas que os próprios Barbosa, este de forma mais ou menos assumida, e Freitas, mais dissimulado e com estratégias de poder à mistura - que levariam à saída de Dias da Cunha - se haviam encarregado de colocar no ponto de rebuçado. Daí a termos escrito na segunda posta deste blog que no dia em que Freitas saísse as coisas não seriam fáceis para Paulo Bento. Mas tudo bem. Um pára-quedista sem escrúpulos nem currículo pode ser à mesma um bom treinador.
Continua...

O debate

A derrota na Taça da Liga suscitou um debate mais ou menos alargado na blogosfera leonina sobre Paulo Bento. E ainda bem que assim é. A ler no Alvaláxia, Bancada Sul, Capicua 101, Centúria Leonina, Cacifo do Paulinho (em duplicado), Sangue Leonino, Sporting até à morte, no Visão Leonina e, claro, no Mãos ao Ar (em triplicado), sempre à frente de toda a gente. Há mais comentários à qualidade do futebol, aos penaltis e outras minudências noutros blogs, mas dos que estão na barra lateral penso que foram estes que tomaram uma posição em relação ao Paulo Bento. Dois pontos preliminares. Para discutir um treinador de futebol não é preciso perceber muito de futebol mas convém saber para que é que ele serve e na minha modesta opinião serve para três ou quatro coisas: construir o plantel (ou pelo menos ajudar e depois responsabilizar-se pelos resultados), tratar da táctica, melhorar a técnica individual dos jogadores, preparação física e a parte psicológica. É nestes parâmetros que esta maratona de postas se fundamenta. Por outro lado, resolver já a questão do "só agora é que perdemos é que te queixas, meu palhaço!". Quem fizer o favor de consultar os arquivos (e tiver a devida paciência e espírito masoquista) encontrará aí a réplica para esse tipo de objecções.
Segue para bingo...

Teses primaveris

Depois de refrescados os ânimos e de dar uma volta pela blogosfera leonina há que dar azo ao debate Paulo Bento. Contrariando todas as regras que a minha professora da primária me ensinou partilho desde já a conclusão: tem de bazar. Segue dentro de momentos em mais uma maratona de postas, no estilo pomposo que nos caracteriza. A condizer com a circunstância.

Depois...

Depois de 3 dias de clausura e não ter podido assistir à final da taça da liga ao vivo...

Depois de ver 90min de pontapés para a frente, quando o Sporting já sabia que não havia lugar a prolongamento;

Depois de ter visto o Polga a falhar pela enésima vez um penalty, quando ele próprio deveria pedir por favor ao Paulo Bento para nunca mais marcar penalties e livrar-se daquela responsabilidade;

Depois de ter visto o Liedson a falhar pela enésima-1 vez um penalty, quando ele vem reclamar a ausência de títulos no Sporting;

Depois de ter visto o Izmailov a falhar pela primeira vez um penalty, quando ele quer fazer parte do grupo da Rússia para o Euro2008;

Depois de não ter visto o Vukcevic a marcar um penalty, quando ele é dos elementos com melhor moral;

Depois de ver o Sporting perder a "Liga dos campeões";

Depois de ver o Setúbal a festejar a conquista da 1ª Taça da Liga;

Depois de ver uma adepta do Setúbal na TV a desejar eliminar o Porto, e apanhar o Sporting na final da Taça de Portugal para nos "limpar" outra vez;

Depois de ouvir da possibilidade do C. Martins regressar a Portugal, mas não para o Sporting...

Depois de tudo isto, ainda vem esta notícia; Parece que se tornou moda fazê-lo frente ao Sporting!

Podem considerar que estou sempre o tocar na mesma tecla, mas se há situações de jogo que não podemos controlar (penalties), há outras que podem dar ao clube o ânimo que ele precisa...a empatia com os sócios que leva às tão desejadas vitórias.

Neste momento, a imagem do post anterior, reflecte bem o actual estado de espírito...

quinta-feira, 20 de março de 2008

Em movimento


Nos próximos dias, por contingências desportivas, a Roulote desloca-se para o Algarve, não sem antes realizar uma paragem em Canal Caveira. Se Pinto da Costa pára em Fátima quando vem jogar a Lisboa nós não fazemos a coisa por menos. Paragem obrigatória nesse local mítico do futebol português, com direito a homenagem a esse não menos mítico dirigente do Sporting, mas também da Pátria (com P maiúsculo, não vão estar uns nazis a ler estas linhas - não andamos nisto para ofender ninguém), o ex-presidente do Sporting e ex-primeiro ministro da República o dr. Pedro Santana Lopes, esse baluarte do sportinguismo no estado puro.
Um grande bem-haja a todos e até Canal Caveira.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Nunca seria membro de um clube que me aceitasse como sócio

Depois do nosso ex-presidiário/ex-presidente ter sido recordado pelo Visão Leonina, agora é a vez do Cacifo do Paulinho contribuir com mais um deslumbrante exercício de memória. Desta vez o alvo da homenagem é a nossa resposta ao Manuel Vilarinho.

P.S. Vem aí congresso. Vamos lá ver a bela merda que sai dali. Apesar de tudo, e se nos deixarem, lá estaremos.

terça-feira, 18 de março de 2008

Rebuscando a numerologia do Quatro...

... passam hoje (18 Março) 44 anos que George Best disse isto: «Incrível, a diferença entre este Sporting e o de Manchester. Osvaldo Silva é um jogador admirável».

Osvaldo Silva, o herói que afiambrou 4 golos ao Manchester (um em Inglaterra e três em Alvalade)!

Vejam um cheirinho do que foi aqui.

Saudações Leoninas!!!

(foto: Via Verde)

Apenas Números

Para quem gosta de estatísticas e eu gosto aqui vão alguns números que passei rapidamente em vista enquanto via uma entrevista do augusto inácio à sportv.
Então são estes:
as médias de idades das equipas do Sporting quando foi campeão em
1999/2000=25 anos;
2001/2002=26 anos;
agora as ultimas quatro (sendo que na primeira e inicio da segunda era a dupla dias da cunha/peseiro e depois a dupla franco/bento)
2004/2005=24 anos(dava 24,48);
2005/2006=25 anos;
2006/2007=25 anos e
2007/2008=24 anos
Agora as equipas do clube dos galináceos:
em 1993/1994=26 anos (quando foram campeões, já agora nessa época a média de idades do nosso clube era de 24 anos);
2004/2005=25 anos (foram campeões) e
2007/2008= 25 anos
Agora a do clube da fruta:
em 2002/2003= 26 anos;
2003/2004=25 anos (dava 25,49),
aqueles foram os anos de mourinho e agora nos mais recentes
2005/2006= 24 anos;
2006/2007=25 anos;
2007/2008=25 anos.
Daqui se pode concluir pela frieza dos números que já fomos campeões com uma média de idades de 25 anos em 1999/2000 e que o porto já foi campeão com co adriense com uma média de idades de 24 anos em 2005/2006, idêntica á que teve o nosso clube com peseiro em 2004/2005 e paulo bento este ano. Porém analisando apenas por época verifica-se que ganhou sempre a equipa com média de idades mais elevada com excepção de 2005/2006 onde o holandês foi campeão contra a equipa de peseiro/bento e a época de 2006/2007 onde Sporting e porto têm média igual.
Resumindo se poderá dizer que a idade conta mas não é factor exclusivo e a média de idades não tem sido assim tão assimétrica. Porém o panorama pode variar se apenas se contar com a média do 11 mais utilizado em campo, mas não possuo essas contas e além de que se assim for implica dizer que então é devido à menor qualidade do plantel para utilizar jogadores mais jovens.
Só para acabar com os números tive a ver uma notícia sobre jardel e o homem está desempregado depois de uma aventura no clube campeão da Austrália, porém por problemas burocráticos fez apenas 3 jogos e não marcou golos.
Mas voltei às contas e verifiquei o seguinte na última época do goleador no sporting em 2002/2003 ele fez 19 jogos e marcou 11 golos, média=0,58. Esta época os nossos goleadores estão assim:
liedson 21 jogos/7 golos, média=0,33
simon 20 jogos/7 golos, média=0,35
purovic 15 jogos/2 golos, média=0,13
djaló 10 jogos/1 golo, média=0,10
derlei 3 jogos/1 golo, média=0,33 e
tiuí 6 jogos/0 golos, média=0,00
Pode-se verificar que o numero de jogos de simon e liedson é quase o mesmo que jardel.
Ou seja pode-se dizer que estatisticamente o jardel mesmo com depressão profunda, gordo, bêbado, drogado e viciado no jogo foi melhor do que qualquer um dos nossos avançados esta época, então se tirarmos os unicos dois bons avançados que temos, o simon e o liedson, viemos do céu para o inferno.
Já agora a título de curiosidade comparando liedson com jardel por época dá na seguinte média:
2001/2002=1,4;
2002/2003=0,58
com liedson:
2003/2004=0,56;
2004/2005=0,81;
2005/2006=0,48;
2006/2007=0,54 e
2007/2008=0,33
No total isto dá uma média para jardel de 1,08 golos por jogo e para liedson de 0,59 golos por jogo.
São apenas números e valem o que valem, mas também se diz o mesmo para os campeonatos, apenas contam os vitoriosos.
Saudações Leoninas

Quatro foram, Quatro faltam

Depois de quatro espetadas em pau de louro, o leão rugiu com vigor outra vez. Até quando ninguém sabe. O que se sabe é que entrámos agora na recta final e a quatro pontos do 2º lugar. Era bom que desta não se perdesse o fôlego.

Eis as sete jornadas que faltam ao Sporting e aos seus principais adversários (para os que estranham o Benfica nestas contas, relembro-vos que Camacho já se foi, o Paraty ainda anda por aí. Nunca fiando).

Adversários do Sporting
Naval (f)
Braga (c)
Leixões (c)
Leiria (f)
Marítimo (c)
Paços de Ferreira (f)
Boavista (c)

Adversários do Vit. Guimarães
Marítimo (c)
Paços Ferreira (f)
Boavista (c)
Académica (f)
FC Porto (c)
Belenenses (f)
Estrela da Amadora (c)

Adversários do Vit. Setúbal
Boavista (c)
Académica (f)
FC Porto (c)
Belenenses (f)
Estrela da Amadora (c)
Leixões (c)
Benfica (f)

Adversários do Benfas
Paços de Ferreira (c)
Boavista (f)
Académica (c)
FC Porto (f)
Belenenses (c)
Estrela da Amadora (f)
Vitória de Setúbal (c)

Como diz o PB "o quarto lugar é curto". A jogar assim como nestes quatro minutos ainda vamos a tempo de efectuar o nosso melhor campeonato razoável de sempre! Do calendário não nos podemos queixar. Hajam garras!

segunda-feira, 17 de março de 2008

Cúmulo da Crueldade

No estádio de alvalade, ao intervalo de um jogo com a equipa da choupana, estão dois putos do sporting a brincar. Um chateia-se com o outro e vai daí para se vingar diz-lhe: "ÉS UM FARNERUD!", bem alto para toda a gente ouvir tamanha crueldade.
Claro que o outro não gostou e não se ficou com a afronta.

Saudações Leoninas

Pressurização

Estou feliz.
Já sei que o Bento veio aqui ler a minha posta e imaginou-se na pele do treinador do real madrid ou barcelona.
Como vêem um pouco de pressão só faz bem.
Agora ò Bento não era preciso tanta coisa hoje, depois de termos estado a poupar-nos para a final da taça da bejeca eis que no intervalo tiveste a lucidez de jogarmos com 11 e puseste o incrivel VUK, e aí tive logo pena dos jogadores do nacional. Dito e feito.
Mas eu no post anterior disse só que era para golear, não disse que era para ARRASAR, não era preciso por o pontos. Viste como a ganhar por 4 e com o corredor todo aberto ele consegui fazer passes de ruptura, não havia necessidade!
Agora vamos lá a mais um caramelo para no sábado e se ganharmos nos penalties compro uma caixa das tais bejecas.

Saudações Leoninas

Chatices

Ah, pois é, ainda não me calei!
A propósito disto e disto e de mais umas tantas que todas as semana aparecem fizeram-me pensar (quem diria!), eles são muitos exigentes, realmente não entendo tamanho descontentamento, quer dizer o holandês apenas ganhou em quatro épocas duas ligas e uma liga dos campeões, este ano vai a sete pontos do primeiro e está nos quartos de final da liga dos campeões. O alemão entrou este ano e está em primeiro lugar, nada mais podendo ganhar. No considerado melhor clube da história o italiano o ano passado apenas ganhou a liga e foi logo para a rua. Ora tanto num caso como outro se equaciona a sua saída e os jogadores regularmente dizem que o mourinho é o melhor do mundo e que viam com bons olhos este e aquele treinador. Não se vê que as direcções saiam ou pensam assembleias gerais para lhes pedir contas nem que digam que os treinadores são para ficar enquanto eles ficarem. Mas esta malta lá do outro lado da fronteira está toda atrofiada, então não vêem como é que o Sporting faz! Aqui não se pode falar mal de ninguém, senão ficam amuados e começam a falar em justiça e coisas similares (tal como o boloni e o peseiro e outros tantos falavam quando não ganhavam), pois a época até pode correr bem e o nosso treinador já ganhou em três épocas igual número de ligas e outras tantas taças.
Não se percebe como é que com este palmarés e a hipótese de ganhar a liga (competição que realmente interessa, ao invés dos caramelos das taças) de pode ser injusto para com treinador e direcção.
A propósito de semântica para mim a definição de uma boa época só pode ser ganhar a UEFA (ir à final e perder é o mesmo que nada). Pois tudo o resto tem consigo a correlação de 20 PONTOS DE ATRASO PARA O PORTO = VERGONHA!!! (ainda no fim do jogo com o bolton a vir de metro com uns ingleses e a trocar impressões de bola com os ditos cujus eles mostraram o seu descontentamento pelo futebol praticado pela equipa e também se mostraram perplexos pois pensavem que o Sporting se encontrava perto do porto a lutar pelo título).
Ainda não descubri de facto o que querem da vida os adeptos do real madrid e do barcelona, mas eles não percebem que com a sua exigência e crítica feroz nunca ganham nada? Ponham os olhos em nós e arrangem uma direcção e treinador como o nosso e terão a receita para a felicidade.
Ou será que se após três anos com o mesmo presidente e treinador e ganhando o que nós ganhamos e podendo ganhar o 2º lugar e a uefa (não a champions) e uns caramelos nesta altura o adepto merengue ou blaugrana ainda nesta altura seria justo e comprenssivo para com as lesões e a sorte e os árbitros?
Axo que vou perguntar a um deles e depois digo a resposta.
Eu então como Sportinguistas não podemos ser hipócritas e fazendo um paralelismo com o nosso país, colocar a nossa equipa de acordo com a realidade dos números e teremos de exigir o quase nada, como o que vem à rede é peixe.


P.S.: hojé só pode ser "pra partir aquela merda toda, fodáz! É prá góleare caralho!" Se não for mais vale seguir o conselho do mister e ir ao cinema.

Saudações Leoninas

domingo, 16 de março de 2008

Imperdível ou recordar é viver ou de levar as lágrimas aos olhos (não sei se de riso ou de dor) ou ainda e tudo o vento levou

A entrevista de José Roquette [ex-presidiário (ou pensavam que era só o Vale e Azevedo) e ex-presidente do Sporting, entre muitas outras coisas que até poderiam ser para aqui chamadas mas não nos vamos dar ao trabalho de o fazer] ao jornal Record, em 1999, no Visão Leonina.

sábado, 15 de março de 2008

Promessa o caralho, o meu nome agora é Pereirinha, porra!


...Bem, acho que chega, já estou com sono. Desde que cheguei ontem do estádio ainda não parei de rever isto em modo repetição. Só me levantei para ver se nos saía o brinde do Getafe no Sorteio. Calhou o Rangers.

quinta-feira, 13 de março de 2008

My kinda labrego ou tempos de alegria



Vejam-me só a joie de vivre do homem! E aquele riso, meu Deus, aquele riso!!!!
Despudoradamente sacado do Cacifo do Paulinho

quarta-feira, 12 de março de 2008

Terrorismo Administrativo

É quiçá elucidadivo ou deprimente este retrato que o sindicalista racionalista e apoiante da banca burguesa faz do Sporting.
Ora bem agora ficamos a saber, ou não, que o nosso clube só pode dispor de 20% das suas receitas para investir na equipa de futebol. Mais um desculpa a somar aos outros choradinhos todos o porquê de sermos os coitados de portugal e da europa.
O que eu gostava de ver respondido e não vi é de quem é culpa de tal situação. Do bin laden e do terrorismo internacional dirão os lacaios do administrativismo franquista. Pois não creio que fosse o bin laden a negociar com os bancos este estapafurdio acordo. Diram que foi negociado há três anos, pelo que se a memória não me falha pelo então presidente dias da cunha, e com a anuência de franco, penso eu, pois não o vi contrastar com tal. Creio mesmo que nem podia, pois terá os seus interesses pessoais e profissionais a defender junto dos bancos (será?).
O que indigna neste acordo foi a meneira baixa e grotesta com que foi feita sem o conheciemento de quem mandava no Sporting, os sócios, foi uma acção vilipendiosa.
Não tenho de momento acesso aos documentos todos para precisar a legitimidade se tal acordo e se as suas características e vicissitudes não determinam uma nulidade de tal acordo feito por quem representava o Sporting sem o aval dos representados, os sócios.
Agora nesta altura parece óbvio que tudo se complica e obscurece e daí será necessário que se reunam os documentos necessários de modo a elaborar uma auditoria externa não só às contas mas também aos actos de gestão incluindo o tal acordo com a banca e as suas premissas, e se necessário e complementarmente com os dados reunidos a efectivação de uma queixa crime junta da procuradoria geral da republica por gestão danosa no que respeita ao tal vil acordo e ao diabólico negócio da venda dos terrenos com todo o charlatismo que tem vindo nas notícias.

P.S.: Se me dessem uma lâmpada mágica e de lá saísse um génio da lâmpada com três desejos, seguramente que um deles seria que quem fez esse acordo e com ele pactuasse que simplesmente deixasse de ter existência.

Saudações Leoninas (as genuínas e legítimas)

Os labregos

Há duas formas de ser labrego neste país. Uma delas é conhecida de todos. É a malta que nós vemos no Estádio da Luz; é o atrasado mental que tenho atrás de mim em Alvalade; é a malta do garrafão de cinco litros de tinto e do frango assado na praia. Só que eu, até porque frango assado e tinto são a minha cena!, tenho um fraquinho por esses labregos (menos o que se costuma sentar atrás de mim no estádio). São habitualmente pessoas decentes que por contingências da vida se viram limitadas nas suas escolhas e nos seus universos de referência. Depois há um segundo tipo de labregos. São os labregos que dirigem o Sporting ou os que têm pretensões a dirigi-lo. São de boa extracção, vestem gravatinhas de cetim verde, andaram nas melhores escolas de direito, economia e gestão e vivem algures entre Cascais e a Quinta da Marinha. Nem sequer vou entrar pelo campo da desonestidade, da acumulação primitiva e da violência a que sujeitam no dia a dia aqueles que com eles têm o azar de se ter de relacionar. Vou apenas dar um exemplo que reflecte a sua labreguice, ainda que alicerçada nas mais desenvolvidas teorias que sairam das áreas de estudo que frequentaram e que ancoram toda a sua visão do mundo, e que são ainda a única âncora dessa representação. Conhecimento técnico que incorporam sem utilizar dois neurónios. Alguns chamam-lhes tecnocratas (mas não eu!). O modo como a actual direcção do Sporting vê o futuro do futebol português e do Sporting, em particular, é ilustrativa.
Estes labregos olharam para Inglaterra. Viram que os estádios estavam a ficar cheios das chamadas classes médias urbanas. Esse grupo social compensa com dinheiro o que lhe falta em história. O futebol para eles é assim uma forma de turismo existencial, um passatempo entre outros. Um espectáculo a ser consumido ocasionalmente e em doses homeopáticas, com os devidos fins terapêuticos. Pensaram que em Portugal havia disto e começaram a gerir o clube de forma a chamar estas pessoas para o estádio. Pensaram em privatizar os clubes e começar a fazer dinheiro à bruta. Para isso acontecer tinham que retirar a "xungaria" das bancadas, que o desporto popular é giro mas o povo é que não. Foi o que aconteceu nos maiores clubes ingleses e que vai também começar a ser feito no Queens Park Rangers, por exemplo. Só que este plano tinha um problema. Esqueceram-se que estavam em Portugal, onde estas pessoas quase não existem e as que fazem parte deste grupo estão-se nas tintas para o futebol. Para dar um exemplo, compare-se o panorama mediático nos dois países em causa e em especial analisem-se as audiências e o estilo de um jornal como o Guardian, que se dirige a estas novas burguesias urbanas. O que uma análise superficial ao Guardian mostra é a existência de uma fortíssima cultura middle-brow. Uma cultura que consegue cruzar referências cultas e eruditas com gostos e práticas populares. Em Portugal não temos nada disto, por motivos que não cabe aqui desenvolver. As barreiras à mobilidade social, e uma histórica e até agora inultrapassável divisão de classe, levam a que os gostos das pessoas se segmentem em constelações de consumo que dificilmente se cruzam. Ainda assim o plano destes labregos tinha tudo para bater certo. Esqueceram-se foi que o segmento de mercado a que eles apontavam as suas baterias não existia. A xungaria saiu, é certo. Os outros é que não entraram; porque foram todos a Madrid ver a última exposição da Paula Rego, ou estão no Guggenheim Bilbau, ou ainda no São Carlos, ou se calhar no ballet Gulbenkian, ou...em muito sítio. À bola é que não vão. Os labregos esqueceram-se de fazer o estudo de mercado.

terça-feira, 11 de março de 2008

Assembleia Geral

Recebi este mail e como tal sinto que devo dar conhecimento a todos.
Assim já sabem o que se irá passar:

"Leão de Verdade - Movimento de Cidadania Sportinguista, tal como anunciou no seu aparecimento tem como objectivo convocar uma AG extraordinária com vista a discutir assuntos ligados à GESTÃO do Clube.
Os temas que iremos propor à discussão são:
1. Auditoria externa por empresa independente e idónea.
2. Negócios terrenos antigo estádio
3. Negócios património não desportivo
4. Renogociação da dívida
5. Passagem do Estádio e Academia para a SAD
Temos propostas concretas a levar a votação e tentar inverter os maus negócios queo Clube realizou. Temos informação a dar aos sócios sobre os GRAVES ERROS GESTÃO desta direcção, que contrinbui para o difícil estado que o Clube atravessa:
a. Financeiro
b. Desportivo
c. Sportinguismo - amor ao Clube, sua história e tradição
Assim iremos recolher assinaturas presencialmente nos jogos em casa. As assinaturas serão recolhidas no ALVALÁXIA - à entrada do ROCÓDROMO, no piso 0 na entrada próxima da porta 2. O primeiro será já contra o Bolton de dia 13, quinta-feira, onde estaremos presentes a partir das 18 horas. Caso desejem recolher assinaturas de vossos amigos e familiares podem entrar em contacto via e-mail info@leaodeverdade.org e facilitaremos as folhas com dados necessários a preencher. Contamos com o vosso apoio para MUDAR O CLUBE!!!

Saudações Leoninas

Frederico Abreu
Leão de Verdade - Movimento de Cidadania Sportinguista
www.leaodeverdade.org"
Saudações Leoninas,
Yazalde

Democracia participativa

Já que o clube é dos sócios fica mais uma sugestão. Sentar os traseiros do Paulo Bento e do Soares Franco numa Assembleia- Geral. Ao último perguntar pelos negócios e ao primeiro pelos critérios de formação do plantel. Era inovador, mas afinal de conta somos nós o patrão do homem. Podemos não perceber nada de futebol, mas ainda lhe pagamos o ordenado.

Exemplos:
  1. O Carlos Martins saiu porquê? "Não contava com ele" não vale e não é resposta.. Se foi por motivos disciplinares, quais foram em concreto? Se foi por motivos técnicos justifique as suas opções. Tinha melhores alternativas disponíveis? Quais? Porque é que não funcionaram?
  2. O Tiuí Henry é melhor que o Varela? Justifique a sua resposta.
  3. Porquê o Celsinho e não o Paím? É por terem a mesma idade?
  4. Qual era o problema com o Beto? O Gladstone é melhor do que ele? Justifique a sua resposta.
  5. Se a "disciplina" é um factor fundamental para si como explica a sucessão de casos de "indisciplina" que marcam o seu "mandato"?
E podia continuar até ao infinito...

Estratégia

  1. Correr com a direcção, sem olhar a meios e sem medo do futuro.
  2. Fazer 40 ou 50 milhões rapidamente para abater o passivo (mas só depois desta direcção se ir embora). Como? Vendam-se dois ou três jogadores. [João Moutinho antes dos outros todos para não apodrecer aqui na choldra. (Lá se vai mais uma oportunidade para ser convidado para escrever na Centúria Leonina )]
  3. Arranjar um treinador que goste de bom futebol e que seja bom a trabalhar com jovens. Quem? Sugestões serão bem vindas para a caixa do correio.
  4. Implementar, estatutariamente se for preciso (é um hipérbole), a obrigatoriedade de metade do plantel ser composto por jogadores saídos das escolas. (eu sei que o Adrien ontem só fez merda e que o Patrício anda com diarreia crónica, mas que se foda. Merda vai sempre acontecer, ao menos que seja barata)
  5. Impor, estatutariamente se for preciso, um número máximo de contratações externas por ano, e um tecto máximo de gastos em reforços.
  6. Acabar com a mania das grandezas. Ganhámos dois campeonatos em 25 anos. Podemos esperar três ou quatro pelo próximo.
  7. Mandar para as urtigas a patetice da campanha de novos sócios. Aumentar os sócios com base no futebol jogado. Plano - Tornas-te sócio. Oferecemos três meses de cotas.
  8. Estádio cheio. Equipa feliz. Se não ganharmos ao menos divertimo-nos, que é coisa que não fazemos há uns tempos.
Insultos e sugestões para a caixa do correio. A gerência agradece a opinião popular.

Meios

  1. Academia
  2. Sócios

Limitações

  1. Externas - Olivedesportos, Apito Dourado e restantes chulos das massas, no plano nacional. Fraco interesse, e poder, do futebol português num contexto global. Crescente mercantilização do jogo.
  2. Internas (tipo esquisitices minhas) - Clube ecléctico. Clube popular, isto é, não quero ser chulado até ao tutano e mesmo aqueles sem uma certa disponibilidade financeira devem poder "consumir" o "espectáculo" que o Sporting oferece. Clube participativo, ou não andam por aí uns quantos sócios a mais.

Objectivos

  1. Reduzir o passivo.
  2. Ganhar umas coisas.
  3. Divertirmo-nos.

Diagnóstico

  1. Passivo de 195 milhões.
  2. Resta o Estádio e a Academia em termos imobiliários. Inalienáveis.
  3. Receitas decrescentes: sócios, receitas de bilheteira, publicidade e direitos televisivos.
  4. Aumento da concorrência - O Vit. Guimarães tem quase tantos sócios como nós.
  5. Plantel de futebol desequilibrado.
  6. Mau futebol.
  7. Treinador à deriva.
  8. Ausência de alternativas directivas e desportivas credíveis.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Uma Imagem Vale Mil Palavras

É verdade, vejam o Paulo Bento apanhado a sorrir.
E sem o risco ao meio, porque será?

Guimarães VS Sporting

Gostei do que vi no jogo de ontem, recordo ainda, uma paragem no jogo e o realizador da Sportv (bem haja) resolveu mostrar algo digno de registo, duas bonitas raparigas sportinguistas.
De resto nada mais recordo do jogo...
P.S: se alguém tiver a tal imagem que envie que aqui será colocada para a devida justiça.
Saudações Leoninas

Peyroteo


Faz hoje 90 anos que nasceu aquele que ainda detém a melhor média de golos marcados em campeonatos nacionais de sempre e que ainda é o recordista da média de golos marcados na Selecção Nacional. Podem saber mais aqui e aqui.

Parabéns Peyroteo

Saudações Leoninas

"Contrastes" acrílico e pedra, 09-03-08, SCP

SPORTING


domingo, 9 de março de 2008

Futebol Primitivo

Eu também não me calo, e aproveitando a onda de postas bloguistas a propósito da actuação do diz que é uma espécie de árbitro paraty (esta letra do anglicismo no fim é para dar uma certa coloração de estilo na personagem do real), também não me calo pois foi ele o árbitro do jogo do título do benfica nas últimas 14 épocas, mas é que foi mesmo pois nós até tinhamos ganho todos os jogos até então e com aquele seriamos campeões. Cristalino...
E também não me calo pois pouco há a dizer em relação à arbitragem no ultimo dérby (espero que percebam a ironia no antagonismo), mas não me calo pois eis que a divina providência providenciou ontem um belo jogo de futebol a sério com um árbitro a sério, e aposto que era o paraty quem lá estava. Eu não me calo pois não é possivel aquele golo ser validado, então o guarda-redes tentou saltar (mais ou menos) e o avançado salta com ele, toca-lhe no corpo (sagrado) dentro da área e não se apita! Isto é revoltante então o raspar da camisola do luisão no ricardo não é falta de lesa majestade?! Não me calo e não percebo nada, mas pelo nim vou continuar a dizer algo mais.
Não me digam que aquilo do futebol inglês é para ser levado a sério, então é melhor não ser aplicado cá e continuarmos com o nosso melhor futebol de prima donas que gostam de rebolar no chão e contorcer-se com dores agoniantes que fariam um qualquer birro inquisitório verter uma lágrima.
E ainda não me calo porque acredito que o futebol na sua essência é um jogo de homens a sério, não de invertidos que quando saltam á bola fecham os olhos e dizem que foram "tocados", (só me dá vontade de lhes amandar um caldo e dizer-lhes: "Faz-te homem meu granda cabrão! E quando voltares vê lá se já emborcaste uns bagaços e tens uma voz a sério, ou então dedica-te a algo condizente com a tua sensibilidade, sei lá, tipo manequim!"), e tou a ver que cá em portugal há demasiados bichos esquisitos! E não me venham dizer que estou a ser machista pois o futebol também é para mulheres de barba rija, por isso não me calo quando não consigo ver um jogo de futebol feminino onde nem sequer há a puta de uma entrada em carrinho!
E também não me calo pois o que era o futebol na sua essência se não um jogo de contacto, donde derivou o rugby, e o que querem dele agora? Que em cada 10 jogadores apareça um estereótipo de Cruyff, mas vai daí tem se deixar jogar, não se pode tocar no menino senão ele não consegue fazer habilidades com a bola tipo futebol de praia (mas como raio é que o Cruyjff fazia aquilo quando se podia entrar por detrás e com pitons de alumínio? E com pés juntos? E para continaur a jogada além de fintar era preciso saltar por cima dos carrinhos dos adversários. E onde os vermelhos eram só para ameaças ao árbitro e cenas de boxe puro e duro?). Bem se não há génios a sério muda-se as regras a ver se apareçem alguns, e aí já podemos ter alguns que jogam bem sem carrinhos dos adversários.
O futebol era o que foi na sua origem e o que resta de facto só pode ser encontrado no Reino Unido (e eu que não posso com os bifes, até quero que o manchester perca na champions com uma equipa italiana de catenaccio-só resta uma, pode ser que sim). Já estava a imaginar o lance que "segundo os entendidos" "deu o único título ao benfica nas últimas 14 épocas ser apitado por um isento e competente árbitro inglês - falta clara de jeito do guarda-redes.
Mas não me calo pois teria de dizer algo sobre o título desta posta, pois comecei pelo título e não sei muito bem o que dizer, talvez o título devesse ter sido um interlúdio par falar de futebol a sério, mas aqui vai e aproveitando a deixa das linhas acima para dizer algo sobre futebol primitivo e discordo do que foi dito acerca do jogo com o bolton, que o futebol deles era de "kick and run", e discordo pois o futebol deles não é nada disso, é mesmo futebol primitivo, uma génese das coisas como eram no princípio, uma reminiscência onde se confundia o football com o rugby e onde os estilos eram semelhantes, (eles lá só jogavam para os lados e para trás e depois chutar bola para a frente e pontaté livre para a frente), só mudava mesmo os membros que podiam ter contacto com a bola e as leis apanascadas dos pseudo-futebolistas da máfia corporativa com sede no banco mundial da suíça.
P.S.: e porque agora já não me apetece falar deixo o comentário do de certeza não isento e lampião comentador do jogo barnsley-chelsea (pronto pode não ser lampião mas é um adepto do paraty de certeza), e quando na repetição do golo ele simplesmente diz: "Mas o guarda-redes não pode protestar a sua falha, ele também pode saltar e tem mãos". (acho que é isso que às vezes nos falta, as mãos nos guarda-redes e também a falta de todos os jogadores os terem no sítio no momento do contacto com os adversários).
Saudações Leoninas (vem de leão, sinónimo de coragem e não de falta dela)

sábado, 8 de março de 2008

quinta-feira, 6 de março de 2008

Bolton - Sporting

O jogo está prestes a começar, mas o Bolton deu-nos uma lição fora das quatro linhas...

Em resposta a, Porque razão somos hoje tão poucos sócios? e a Roubalheira à vista desarmada, aqui fica esta bela notícia:

Bolton reduz preço dos bilhetes
PARA TENTAR TER CASA CHEIA COM OS LEÕES

O Bolton espera casa cheia na recepção ao Sporting, quinta-feira, em jogo da Taça UEFA de futebol, graças à redução do preço dos bilhetes e à manutenção do horário, que implicou a rejeição de ofertas para transmissão televisiva.

"Já só temos bilhetes individuais em algumas bancadas", disse uma porta-voz do clube à Agência Lusa, sem especificar o número de entradas que ainda resta por vender.

Esta quarta-feira, no Estádio Reebok, era possível ver adeptos a comprar ingressos para o jogo da primeira mão dos oitavos-de-final da Taça UEFA, que custam apenas cinco libras (6,5 euros) para os detendores do passe para a época 2007/08.
Os restantes bilhetes custam 10 libras (13 euros) e a entrada para os menores de 16 anos acompanhados de adultos custa apenas uma libra.

"A direcção pôde, por duas vezes, mudar a hora do jogo para ter transmissão televisiva e ganhar mais dinheiro, mas entendemos que os adeptos são mais importantes", revelou o treinador, Gary Megson. "Mas este clube não se interessa só por dinheiro", frisou.

O clube britânico já tinha reduzido os preços das entradas para o jogo contra o Atlético de Madrid, na eliminatória anterior da UEFA, o que resultou num estádio cheio. O Estádio Reebok tem capacidade para 28.723 espectadores.

in Jornal Record

Srs Dirigentes, é tão fácil seguir os bons exemplos!

A Ler

Esta posta, no excelente Sporting: O Rei do Atletismo.

domingo, 2 de março de 2008

Porque razão somos hoje tão poucos sócios? - II

…continuação…

Isto não é Inglaterra, nem isto é o Manchester United!
Não temos mercado nem condições para viver à custa de camisolas vendidas; não vamos fidelizar para sempre uma quota mensal apenas com base em descontos nas gasolineiras e na Cosmos (Por Vukevic! Estes roquetistas são doidos!!!), nem com base no nosso inexistente futebol de primeira categoria mundial. Uma última insignificância: mesmo o MU não tem um estádio em que se torna impossível pedir um autógrafo a um jogador. Eu sei que dá um ar muito mais higiénico realizar sessões de autógrafos nas acções promocionais oficiais do que a caça ao autógrafo (ou ao apupo) à porta, mas caramba!, lá se vai a intimidade estabelecida. Quem é que se exalta com uma cópia depois de ter tido o original?

Pequenas grandes coisas cuja importância, sabe-se lá porquê, nunca entraram na cabeça de alguns. E é por estas todas e por outras maiores (política da SAD no futebol, eclipse do pavilhão, ecletismo anoréctico, venda de terrenos… you name it) que fomos perdendo “fidelizações”.
Estas estratégias centradas no mercado recriam a relação do sócio com o clube numa base de “proximidade mediada” que poderá incrementar em muitos sócios, principalmente aqueles (muitos) que estão mais distantes de Lisboa, a sensação de participação na vida do clube. Contudo, sem fomentar outro tipo de proximidade, mais mês menos mês, o filão esgota-se quando o sócio racionalmente chegar à conclusão de que pagar €12 para ter direito a alguns descontos é menos vantajoso do que se aderir a uma nova promoção que todos os dias por aí aparecem (aliás, esta ‘nóia’ dos protocolos comerciais parece-me o repisar de um chão que já deu uva. E muitas vezes da mijona.).
É isso que irá suceder com o pequeno Lourenço Borges - o primeiro sócio S3G apresentado no jogo com o Estrela – se o quiserem transformar num mero cliente como outro qualquer. Razão com razão se paga. É que nem todos são doentes pelo clube, a maioria tem juízo ou contas por pagar.

Se quisessem mesmo fidelizar, FSF e a sua Big Band, teriam de fazer exactamente o oposto do que têm feito até aqui, que tem sido: distanciar\afastar o clube dos sócios; retirar-lhes a crença, o poder e sensação (ainda que simbólico) de fazer parte activa da vida do clube. Mas o que eles querem e andam lá a fazer é que eu não sei.

Quando há lodo no cais o barco não ancora.

Porque razão somos hoje tão poucos sócios? - I

Esta pergunta poderia muito bem ser o título das minhas postas anteriores.
Vamos às respostas finais.

Dois pontos fulcrais:
1. A força de um vínculo é medida em função do tempo que lhe é consagrado, da intensidade das emoções que desperta, da intimidade estabelecida e da reciprocidade. (não fui eu que disse isto, hein. Foi um gajo importante)
2. Isto não é o Manchester United!

Tenho cá para mim que é na assunção destes dois pontos como receita para a efectiva fidelização leonina que reside o busílis da questão inicial.

Gestão racional desportiva é saber gerir um clube como o Sporting. É, através dela, compreender, aceitar e assimilar a vertente paixão não só no jogo mas nas práticas dos seus “clientes”. É saber bem explorar – e não explorar por explorar – a topofilia que os sócios sentem pelo estádio, o amor que sentem pelo clube. É saber dinamizar e desenvolver as parcerias e actividades com os Núcleos. É saber respeitar a história e saber cultivar os valores sportinguistas dentro e fora da organização. Cambio de gíria: investimento no fortalecimento do vínculo = sócios = $$ = títulos = fortalecimento do vínculo; outra: basta os nossos dirigentes lembrarem-se da máxima ‘um cliente perdido é um cliente que dificilmente retornará’. E sabem eles quantos sócios é que se vão perdendo com algumas das coisas que abordei atrás? Para não ir tão longe, com o que fizeram com o Iordanov? E com isto? E isto?

Continua…

sábado, 1 de março de 2008

A campanha de novos sócios

...continuação...

O outro dia acordei, peguei no jornal do Sporting qual não é o meu espanto quando vejo estampado “Vamos ser mais fiéis que os adeptos do Benfica!” (Soares Franco) e “Valorizar os melhores sócios do mundo” (Pedro Afra). Após me beliscar e de certificar que não tinha pegado no “Inimigo Público” por engano, reparo que se tratava do início da campanha de sócios (novo cartão e angariação numa 2ª fase). Afinal, não tinham chegado ao extremo oposto de onde começaram. Mas, ai se eu não os conhecesse, com aquelas referências ao Benfica, FSF e Afra pareciam o arquétipo da gestão passional!… na sua versão mais idiota, acrescente-se. Afinal, era uma espécie de estratégia à Camacho mais sofisticada.

Afra apresenta-nos o novo cartão de sócio «muito inovador, porque tem três vertentes: mantém todas as funcionalidades do anterior» (Eh lá!!); «…é, ao mesmo tempo, um cartão de fidelização…» (descontos nos consumos dos produtos das empresas parceiras…), «…e é também um cartão bancário...»
Resumindo, uma versão verde-e-branca das potencialidades de descontos no consumo de grandes marcas associadas e - inovação das inovações - a partir de hoje posso continuar a dar lucro aos bancos… mas com alegria! Consome baby, consome!

Em abono de Afra e da verdade, fiquei apenas esperançado quando li umas curtas linhas onde ele deixa antever o papel dos núcleos na fase de angariação e das “experiências Sporting” (se bem que para aceder a estas, primeiro vou ter de fazer despesas noutras empresas). Já é qualquer coisinha. Mais, apesar do pior timing do mundo (Por tatoutis!! Isto não vem nos manuais??!!), até dou o desconto da dúvida sobre a atracção ‘racional’ que este tipo de ofertas possa produzir. Mas, por via das mesmas dúvidas, é também aqui que a esperança se começa a evaporar. Como o Sporting precisa de soluções estruturadas e a longo prazo, receio bem que este “cartão de fidelização” se esgote em alguns meses (a não ser que venhamos a vencer o campeonato, a taça Uefa e a Champions do próximo ano. Estarão eles a contar com isso?).
O problema está pois em entender isto de fidelização.

Continua…

PS- Espero que desta vez não aldrabem os sócios que angariarem um novo sócio e lhes atribuam os devidos pontos convertíveis em produtos Sporting. Há ano e meio atrás não foi isso que fizeram aqui com o paulinho.