sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Pedimos desculpa pelo incómodo, tentaremos ser breves

A imagem não é particularmente elucidativa, mas a ideia que pretendo ilustrar é a seguinte.
Vemos muitas vezes obras na via pública ou em espaços privados, de grande dimensão ou de dimensão mais modesta. Pode ser uma pequena loja ou uma grande ponte. Uma fachada de um prédio ou uma estrada.
Frequentemente, essas obras têm afixado um aviso como o da foto. Se a obra é grande, então gastam-se fortunas em campanhas de comunicação. Servem para clarificar o que vai ser feito, especificar a duração e o custo da obra, a data prevista da conclusão e quais são as alternativas enquanto duram os trabalhos.
É uma deferência, uma advertência para que o utilizador tenha cuidado. Indica, simultaneamente, caminhos provisórios alternativos. E é, finalmente, um sinal de que algo vai mudar. "Estamos a remodelar este espaço para melhor o servir. Prometemos ser breves", dizem por vezes estes avisos.
Uma obra de remodelação, como as que descrevi, pressupõe, em primeiro lugar, que há um projecto, um desígnio. Pressupõe também que irá ter uma conclusão.
Nós somos "utilizadores", peões do Sporting. O Sporting está, teoricamente, em remodelação. Entaipado. Da obra, só poeira. Não se viu, nem se vê um projecto. Ninguém colocou um aviso a dizer que as obras (que obras!?) estão a decorrer. Ninguém indica um caminho transitório que possa ser utilizado enquanto a nova "obra" não está pronta. Só poeira.
O Sportinguista-utente não vislumbra que modificações estão em curso, não vislumbra um projecto, não lhe é pedida desculpa pelo incómodo causado pela "obra" em curso e pelo enorme transtorno que lhe é imposto. Não sabe o que há-de fazer entretanto, não sabe para onde se há-de virar, se espera ou se desespera. A "obra" arrasta-se. Não serão breves os momentos de espera, não há caminhos alternativos enquanto decorre a "obra"... Só vemos poeira.
O Sportinguista-utente viu ser destruída a obra anterior, não percebe qual é a "obra" actual e vê o ambiente à sua volta degradar-se de dia para dia. O caos é total. É só poeira.

6 comentários:

Anónimo disse...

Essa de poeira não estava á espera
?não me digas que o SCP fói ás compras ao Ipermercado N.Nazis e trouçe Pó?

Ultra, um modo de vida disse...

http://ultraummododevida.blogspot.com/

Luizinho disse...

Ó Anjo,

Eu ainda não percebi é se a destruição da obra anterior já terminou. eu diria que ainda não estamos em obras, ainda estamos no processo de demolição do Sporting, do Sporting que nem sequer precisámos de aprender a amar porque é um pouco, ou muito, daquilo que somos e fazemos: das nossas memórias (onde é que estavas em Maio de 1994) e dos nossos afectos, mas também dos nossos domingos à tarde, sábados à noite, das nossas viagens ou das nossas sociabilidades. Isto é, eu gostava de pensar que já estamos em reconstrução mas cheira-me que ainda estamos em demolição.

Anjo Exterminador disse...

A obra anterior está destruída, sem dúvida. O que vier aí (se vier...) não terá nada a ver com essa obra anterior, será outra coisa. Vamos ver é se há lugar para essas memórias, afectos, viagens e sociabilidades no novo figurino, se elas se ficam pela nossa memória apenas ou se ainda as vão transformar em produtos para a Loja do Sporting... Tudo pode acontecer.

Raul Henriques disse...

O atraso deste comentário poderia fazer que a posta estivesse já ultrapassada. Mas não! Não são umas compras de Natal que tiram actualidade ao que foi escrito. Porque, sendo embora verdade que, finalmente, se gasta dinheiro na equipa de futebol, não estou certo que tal obedeça a um critério de investimento, que possa vir a render dividendos. Antes me parece que os trolhas cobriram algumas rachas com umas colheradas de cimento. O futuro dirá, mas isto parece-me serem só remendos. Daqueles que se pagam caro...

Anjo Exterminador disse...

Abraço e obrigado pelo comment Raul.