quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A serenidade que se impõe

É difícil compreender o comunicado do Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal rejeitando a marcação de uma Assembleia-Geral extraordinária, convocada pelos sócios. É difícil porque, em qualquer instituição com um minímo de dignidade, uma direcção com um desempenho como aquele que a de Godinho Lopes tem vindo a demonstrar já teria pedido a demissão e já se teria evaporado no anonimato, para evitar a vergonha de aparecer em público. Mas como se isso não chegasse, e depois de tudo aquilo que aconteceu e que não vale a pena relembrar porque é óbvio para todos, o Conselho Directivo resolveu entrar em guerra com a Mesa da AG. Os termos em que o comunicado é redigido são absolutamentamente lamentáveis. Cheio de julgamentos de intenções, a contestação à potencial convocatória de uma AG não só não se baseia num único facto como procura lançar lama para cima de todos aqueles que se encontram envolvidos no processo. Desde logo a Mesa da AG, o orgão máximo do clube. Mas não se fica por aí. Lança suspeitas, como se Godinho Lopes tivesse em condições de lançar suspeitas sobre quem for, sobre um candidato às anteriores eleições que tem todo o direito de participar, de corpo inteiro, em toda a vida associativa do clube. Mas pior de tudo, e como é típico de todos os autoritarismos e irracionalismos, confunde mais de um milhar de sócios do Sporting como uma seita, que conspira insidiosamente para destruir o clube por dentro. E a essa suposta seita opõe "todos os sócios, adeptos, funcionários e atletas do Sporting Clube de Portugal" apelando "para que mantenham a serenidade que se impõe e para que continuem a apoiar as equipas do nosso Clube". Pelos vistos há mil sócios do Sporting, ou mais, que não são sportinguistas. São o inimigo interno que urge destruir. E com ele, todos os seus apoiantes. Sejam eles órgãos democraticamente eleitos do clube, candidatos eleitorais ou comentadores. O Sporting é Godinho Lopes e José Maria Ricciardi. Todos os outros são, para o Conselho Directivo, os inimigos.

Em baixo uma cópia do comunicado. Para que não desapareça nem seja esquecido

«O Comunicado hoje divulgado pela Mesa da Assembleia Geral consubstancia uma atitude que, no entender do Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal, viola claramente o que está estatutariamente definido para a convocatória de uma Assembleia Geral Extraordinária.

Consequentemente, esta atitude configura, no entender do Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal, uma posição parcial, não isenta, na linha de outras publicamente assumidas por membros da Mesa da Assembleia Geral, inquestionavelmente colados a um ex-candidato. A Mesa da Assembleia Geral deve ter independência e equidistância para com todos os sócios do Sporting Clube de Portugal.

De todos os pressupostos exigíveis para a marcação de uma Assembleia Geral com estas características não há um só que se verifique: justa causa, pagamento do custo integral da sua realização e verificação de toda a documentação. Esta violação dos estatutos e da lei não deixará de merecer a resposta adequada.

Os valores de transparência, isenção, imparcialidade, independência, solidariedade institucional, que deveriam ser apanágio da MAG são mais uma vez colocados em causa, mostrando-se indiferente ao actual momento próprio para transferência de jogadores, a uma necessária, histórica e decisiva reestruturação financeira do Clube e da Sporting SAD, a uma campanha de Sócios e recuperação da equipa principal de futebol sob o comando do prof. Jesualdo Ferreira.

Esta indiferença da MAG chega ao ponto de, desde que a equipa está a ganhar, ter faltado a todos os jogos, numa clara manifestação de alheamento e incómodo face à evidente recuperação da equipa.

O Conselho Directivo solicitou, com carácter de urgência, ao Conselho Fiscal e Disciplinar um parecer sobre os factos em apreço, aguardando serenamente a sua divulgação.

O Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal tem como dever zelar e proteger o Clube, seja de quem for. E garante a todos os sócios e adeptos que, com elevado sentido de responsabilidade, continuará a assegurar a estabilidade e o regular governo e funcionamento do clube em todas as suas vertentes.

Apelamos a todos os sócios, adeptos, funcionários e atletas do Sporting Clube de Portugal para que mantenham a serenidade que se impõe e para que continuem a apoiar as equipas do nosso Clube.

22 Janeiro de 2013

4 comentários:

Divã Leonino disse...

Violar os Estatutos ou Violar o Sporting?

O recente comunicado do CD do Sporting é moralmente obsceno e é a confissão velada da violação permanente do Sporting Clube de Portugal.

O Sporting Clube de Portugal é uma associação desportiva, sendo constituída pelos seus sócios.

Os sócios são, por inerência, os donos do clube, e apenas a estes cabe decidir o futuro do clube.

Essas decisões são tomadas no órgão máximo de qualquer instituição, a Assembleia Geral de Sócios.

É pois inconcebível tamanha falta de respeito pela vontade expressa por centenas (ou milhares) de sócios no sentido de se realizar uma Assembleia Geral.

Uma Assembleia Geral é, por definição, aberta a todos os sócios e não apenas aos subscritores do pedido de realização da mesma, e como tal, existindo confiança por parte do CD que a maioria dos sócios partilha a sua visão, nada haveria a temer.

Eu percebo que não se pode banalizar a realização de Assembleias Gerais, mas achar que convocar esta Assembleia Geral foi um acto banal é, pura e simplesmente, não estar atento ao sentimento generalizado dos sócios e adeptos do Sporting Clube de Portugal.

E são inúmeras as manifestações de desagrado, as quais, só por si, e perante afirmações como “sei que ganharia outra vez”, mereciam, por um imperativo moral, uma reavaliação das condições de governo.

Porque é disso mesmo que isto se trata, reavaliar as condições para governar deste CD.

No fundo isto é como a apresentação de uma moção de censura ao Governo na Assembleia da República. Se o mesmo tiver a maioria não cai. Se tiver minoria cai. E isto é democracia. É a vontade da maioria a ditar as regras do jogo.

Já há muito tinha percebido que a democracia no Sporting deixava algo a desejar, não imaginava era que um Conselho Directivo tivesse o descaramento de o admitir publicamente.

Batemos no fundo. À beira disto, o reinado de Pinto da Costa no fcp é um hino à democracia. Não imaginam o que me custa dizer isto, mas é a a mais pura das verdades.

Haja vergonha!

Anónimo disse...

Concordo inteiramente é vergonhoso este comunicado, e faz lembrar certas ideologias...

http://sportingdevolta.wordpress.com

Abraço

Nuno

Anjo Exterminador disse...

As leis em Portugal são assim. Começa na Constituição e acaba nos Estatutos do Sporting: são para contornar.
Os Estatutos são claros, inequívocos, a Assembleia é totalmente legítima, a sua marcação é simples, clara e dentro das Normas, a AG é necessária e não há mais nada a discutir.
Discussões, agora, é na AG (e atenção aos artistas da manipulação...)
Só por este comunicado o CD revela bem o que é e o que é o seu "sportinguismo". Se fosse só por isto, já estava chumbado!!

pedro cunha batista disse...

Acabei de ler agora o comunicado da Candidatura Independente ao Conselho Fiscal e Disciplinar, e achei por bem partilhar o mesmo,
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Comunicado sobre a solicitação de parecer ao Conselho Fiscal e Disciplinar por parte do Conselho Directivo
Publicado em 23/01/2013 por cfdindependente

Foi com perplexidade que a Candidatura Independente ao Conselho Fiscal e Disciplinar do Sporting Clube de Portugal (SCP) tomou conhecimento da posição assumida pelo Conselho Directivo (CD) empossado em 27.03.2011 sobre a admissão pela Mesa da Assembleia Geral (MAG), de um requerimento para convocação de Assembleia Geral Extraordinária, apresentado por sócios do Clube nos termos do art. 50°/1 e para os efeitos do art. 39° dos Estatutos do SCP.
Entendeu o CD solicitar ao Conselho Fiscal e Disciplinar (CFD) empossado na mesma data de 27.03.2011 a elaboração de um “parecer” sobre “os factos em apreço”, os quais, se bem se percebe, se traduzem na indevida convocação daquela Assembleia Geral, por alegada não verificação dos seus pressupostos, e na “indiferença” da MAG perante o momento financeiro e desportivo do Clube, de que será demonstrativa a ausência do Presidente da MAG dos mais recentes jogos da equipa profissional de futebol.
Ora, da análise do elenco de competências do CFD consignado no art. 58°/1 dos Estatutos do SCP, resulta que a este órgão não cabe dar quaisquer “pareceres” sobre matérias que não as previstas nas alíneas a) a e) e g) daquele dispositivo, sendo que estas respeitam, no essencial, a temas de cariz económico-financeiro, nos quais não se inclui o escrutínio do mérito jurídico dos despachos proferidos pela MAG e muito menos a apreciação qualitativa da sua actuação em matéria de transparência, isenção, imparcialidade, solidariedade institucional ou assiduidade na assistência a jogos de futebol.
Não poderá pois o CFD, no respeito pelos Estatutos, aceder à referida solicitação, sob pena de ficar, ele sim, “inquestionavelmente colado” à diatribe do CD contra outro órgão social, e de empenhar os valores de “transparência”, “isenção”, “imparcialidade” e “independência” que deveriam ser seu apanágio.
Assim, a Candidatura Independente apela aos membros do CFD empossado em 27.03.2011 para que não se deixem enredar no conflito institucional criado pelo CD, o que apenas poderá ser assegurado através da recusa liminar de elaboração do “parecer” solicitado.
Este apelo é feito na firme convicção de que os membros do CFD, tendo vindo a usar de evidente parcimónia no exercício dos poderes que efectivamente têm, seguramente não serão pródigos no exercício de poderes que não têm.
A Candidatura Independente apela ainda ao CD para que, caso persista em ver censurada a actuação da MAG, o faça nos termos previstos nos Estatutos que se obrigou a cumprir, mais concretamente através da apresentação de participações de teor objectivo em que impute aos membros da MAG, individualmente considerados, as putativas infracções disciplinares que hajam praticado, para que, então sim no exercício das suas competências estatutárias, o CFD as aprecie.
Independência. Rigor. Verdade.

23 de Janeiro de 2013
A Candidatura Independente ao Conselho Fiscal e Disciplinar