sexta-feira, 25 de março de 2011
Votar na continuidade
O Sporting de Godinho Lopes e Luís Duque
1. Foi nesse período que a SAD mais registou prejuízos.
1997/98 - 7,5 milhões de prejuízo
1998/99 - 2,5 milhões e meio
1999/00 - 11,5 milhões
2000/01 - 21,5 milhões
2001/02 - 22,7 milhões euros
2002/03 - 27,3 milhões
2003/04 - 9,2 milhões
T = 83 milhões de euros de prejuízo
Num estudo universitário intitulado “Sobre o (des)equilíbrio financeiro da primeira década [1997/98 a 2006/07] do Sporting, Sociedade Desportiva de Futebol, SAD” a análise é clara sobre o desastre financeiro dos anos “dourados” anos de GL e LD: é sensivelmente entre 1999/2000 e 2002/03 que se avalia o maior desastre financeiro (em todas as rubricas: Fundo de Maneio, Rácios de Financiamento, Margem de Auto-financiamento, etc., etc., etc. É obra!). Tomando de empréstimo o fantasma preferido da lista de GL para termo de comparação financeira recordo que, em período idêntico, Vale e Azevedo deixou um prejuízo de 37 milhões (incluindo o que meteu ao bolso) e um passivo de 133 milhões, a fazer fé nos dados disponíveis na Net. É só comparar os números para ter uma dimensão do desastre.
2. A gestão e equipa pouco credíveis de Godinho Lopes
O nº2 da lista - Nobre Guedes - sublinhou a importância da existência, nas empresas do grupo Sporting, de administradores comuns. Assim o era no tempo de Godinho Lopes que foi vice-presidente da SGPS, do Conselho Directivo e presidente da ESTÁDIO JOSÉ ALVALADE SA, da Sporting Comércio e Serviços e presidente da EMPRESAS IMOBILIÁRIAS (bem no plural pois eram efectivamente muitas).
Não sei se foi desta passagem pela SPORTING COMÉRCIO E SERVIÇOS que GL conheceu os indivíduos pertencentes ao BES e à PT que agora integram a sua lista. É apenas uma suposição por ser público o fantástico retorno publicitário (BES – 126 milhões de Euros; Portugal Telecom – 107 milhões) que estas duas empresas obtêm com o futebol português. Fica a dúvida se é desta que as marcas vão oferecer mais ao SCP do que o SCP tem
oferecido às marcas.
Mas sei qual a factura da passagem de GL pela ESTÁDIO JOSÉ ALVALADE SA: construiu um estádio que derrapou em dezenas de milhões de euros (no folheto informativo "Roquette previu que custaria 75 milhões de euros (15 milhões de contos), mas custou para cima dos 100 milhões") sem relvado credível e - incrível! - sem pavilhão. Não me esqueço também que foi Godinho Lopes quem entregou o estádio e Alvaláxia ao arquitecto Tomás Taveira que assim nos tranquilizava: «Todo este tipo de apoio e estruturas ajudam a que o ir ao Estádio seja algo como uma saída familiar, porque enquanto uns estão no futebol, os outros poderão estar no cinema ou no ginásio. Vai ser bonito de ver e viver.» (jornal Sporting, Edição especial, Abril 2003). O que eu vi foi um fosso e cadeiras às cores. A hiper-estratificação (social e funcional) foi o reverso dos discursos sobre a “multi-funcionalidade” e “comodidade”. Uma orgânica arquitectónica que distingue e isola de forma meticulosa cada bancada ou sector, a que o espectador tem acesso. Sossego e privacidade total para as tribunas e repressão policial nas bancadas mais barulhentas. Acabaram-se os meninos à volta da 10A para os jogadores aprenderem coisas de Sporting e de verdade.
O antigo estádio implicava despesas anuais de manutenção de aproximadamente 2,5 milhões de euros ao passo que "a exploração do novo estádio e do complexo Alvalade XXI proporcionaria receitas anuais de 5 a 10 milhões de euros" (SCP, Inauguração, programa oficial, Agosto 2003). Foram tantas as receitas que até o Bingo fechou. Tiveram de vender aquilo tudo.
A vertigem pelo espaço urbanizável era tal que sendo obrigatória a lotação de 50 mil espectadores preferiram contabilizar os lugares atrás dos ecrãs gigantes, atribuindo-os aos cegos, já que estes não viam o campo.
GL já presidiu muito e mal. Para além disto e do que nos conta Ricardo Andorinho, convém relembrar que, em cinco daqueles seis órgãos, GL tinha como vice Diogo Gaspar Ferreira, sinistro membro que, mais tarde, vendeu os terrenos do antigo estádio, abaixo do valor de mercado, a uma promotora imobiliária (MDC) da qual viria ser administrador. Será PPC o seu braço direito credível desta vez?
Mas voltemos a Luís Duque e ao seu petit amie Freitas. Acertam duas em dez contratações. Assim também eu e saía bem mais barato. Prescindia dos 86 mil euros de prémio depositados, em 2006/07, na conta do Freitas por ter preterido o Fábio Coentrão (nem com a dica do rapaz..) e pelo 2º lugar alcançado na Liga. Bom, aqui o Sr. Francisco lá me deu razão. Também ele conhecia bem os danos irreparáveis de Freitas, parte deles em parelha com Duque e tão bem descrita na Magnus Opus de Zeferino Boal: 70 milhões de despesa versus 5 milhões de retorno.
Realmente, para quem repete a palavra credível 86 vezes por debate isto é muito pouco. Eu quero mais. Mais credibilidade e competência. Eu também. Com outras pessoas e, já agora, que percebam de bola.
quinta-feira, 24 de março de 2011
Há anedotas que não têm tanta piada
[UPDATED]
Este para tirar as dúvidas:
Xeque-Mate
Tudo começa por aqui. Com Pedro Santana Lopes e Viegas Soares que agora aterraram na lista de Pedro Baltasar.
Foram 15 anos de Projecto, com Roquette, o pai, com Ricciardi do BES, a mãe, e com todos as outras figuras: desde Godinho Lopes - que se faz sócio pouco antes de entrar para o clube; até Bettencourt. Pautado por diferentes rostos e ciclos, todos eles fizeram parte de um mesmo Projecto falhado, na medida em que:
- ao serem legitimados (às vezes nem tanto) para representar os interesses do Sporting, salvaguardaram antes de tudo os interesses de um grupo restrito de sportinguistas, pondo em causa o primeiro;
- seguiram as mesmas premissas base de um modelo de desenvolvimento desportivo caduco, mal gerido e não-sustentado.
Primeiro ponto. Promiscuidade e separação de poderes
O grupo de interesses paralelos que se instalou no SCP é um círculo cujo raio trespassa a construção civil, a Banca e grupos financeiros dedicados aos media (atentem à intoxicação nestas semanas). Interesses aos quais o Sporting deveria saber negociar em seu benefício. Mas não soube. Na verdade, o problema surgiu dessa configuração de poderes confusamente enredados. A promiscuidade é nociva na medida em que, durante 15 anos o Sporting planeou, negociou e executou sob a direcção de pessoas que detinham também interesses particulares (conflituantes ou não) em jogo. No final das contas vemos a OPCA, firma de Soares Franco, a construir e a ocupar os pisos do Visconde de Alvalade. Principal parceiro e cliente da OPCA, o BES, depois de Project-Financiar o modelo e o seu pilar imobiliário e de tudo ter feito para proceder à transferência desse património imobiliário do clube para um fundo que protegesse o credor, continua a ser representado por Ricciardi, na lista do CF de Godinho.
O grupo de interesses estende-se até pessoas calibradas como Fontão de Carvalho (genro de Alves Ribeiro, construtor do novo Estádio José de Alvalade), ex-Conselheiro e ex-sócio na BDO, a empresa que auditava as contas da SAD. Também desta auditora fizeram parte o ex-Conselheiro Fiscal e Primeiro Provedor de Sócios Que Jamais Existiu: Ernesto da Silva Ferreira, vindo, dizem, para o clube pela mão de Roquette que o conhecia do BES. Para além de Ernesto (entre 2001 e 2003, R.O.C. dos CTT), passou também pelo SCP, Horta e Costa, o mesmo que vai agora a Tribunal no caso dos CTT. Tratando-se de cabotinos ou gente séria, no Sporting, todos eles falharam, sem excepção. Como membros do Conselho Fiscal, são co-responsáveis pela degradação da situação económica e por nunca terem denunciado aos sócios a condução de um clube para uma situação de falência.
O clube deve servir-se do “business” e não o contrário. A razão para o Projecto conseguir ter durado tanto tempo é porque de facto as taças de Portugal e os segundos lugares escondiam muita coisa.
Segundo ponto. Um projecto desportivo amputado.
Dos 30 milhões de euros de dívida em 1995 para os 380 milhões de euros em 2009 já muito se descobriu mas pouco se responsabilizou. Engordando a despesa através das várias empresas do Grupo Sporting, esta equipa de presidentes não conseguiu atrair as receitas prometidas. Pelo contrário. Mas percebe-se hoje porquê e também por que razão Godinho é a continuidade disfarçada… em direcção ao desastre.
Estamos longe da apologia do clube só de futebol e sem sócios, de Soares Franco. No entanto, perante a falência da primeira fase do projecto (esgotar do modelo das SAD; exploração deficitária a todos os níveis) Ricciardi apontou as soluções:
- reformular os formatos das competições profissionais (aqui fantasiava); Racionalizar estrutura de custos operacionais - outsourcing (deve ter sido por aqui que entrou o Jorge Mendes); - recrutar equipas de gestão profissionalizadas e adaptação de práticas de gestão empresarial a todos os níveis de organização; e… o acordo estipulando a obrigatoriedade de vender jogadores todos os anos.
Foram chutando, desde Alvalade até à Academia, quem sobrava em conhecimentos e cultura sportinguista, mas, sem MBA não percebiam bem o que era isso da "missão, visão e valores". Soares Franco garantia, em 2006, que o projecto não era de continuidade, que saía reforçado e que teríamos um Sporting de nível europeu.
Não perceberam, porém, que o Sporting não é uma equipa da NBA. Que nos livros de Peter Drucker não existe nenhuma fórmula dedicada ao futebol português. Godinho Lopes diz que o SCP tem de saber explorar melhor a bilheteira, de merchandising, marketing, publicidade ou sponsorização. Pois bem, mas é pena a equipa dele não dizer como. Não diz porque não sabe como esgalhar ainda mais um filão tão remexido e... sem resultados! Tal como quando JEB quis fazer a campanha de angariação de sócios e logo desistiu da ideia.
E não basta um bom plantel. Tem de saber devolver o clube aos sócios de modo a que estes se sintam identificados com ele. É a diferença entre uma participação do adepto concentrada numa exclusiva concepção de consumo assente nas regras do mercado (real ou virtual) - a visão da “continuidade”, e a de uma concepção que incorpora a dimensão associativista assente em regras democráticas directas, no fomento dos valores identitários, do que é ser do Sporting, apanágio do papel do sócio até final do século passado.
Não entenderam que por mais estratégias de marketing-mix, não recuperam os 50 mil sócios que debandaram ou as game box perdidas; nem é por transformar sócios em clientes que estes vão dar mais dinheiro. Governaram o clube como se fosse um entreposto imobiliário, um club VIP de uma empresa de renome e não como um clube nacional, eclético e popular.
O discurso mudou, mas, no meio do vazio, nota-se que o modelo, as ideias de base são as mesmas.
Imbecil
“Se o Sporting não for campeão em três anos não vai continuar a ser um clube grande”, diz o Baltazar na Bola (de onde piquei a imagem).
Escuta ó Baltazar: o Sporting luta para manter o terceiro lugar contra o Braga, o Guimarães, o Paços de Ferreira, o Nacional, o Leiria!!! Já há muito que saiu do campeonato dos "grandes" mas tu não deves ter dado por isso...
quarta-feira, 23 de março de 2011
Exige-se explicações!

Por que raio de carga de água é que o site oficial do Clube publica na secção Notícias do Clube, um "comunicado" da Juventude Leonina relativo a um dos candidatos às eleições?!!
terça-feira, 22 de março de 2011
O voto que mais se justifica...
...por todas as razões e mais alguma.
Hoje, entre as 18:30 e as 20:30, no auditório do Estádio José Alvalade, a apresentação pública formal da Candidatura Independente ao Conselho Fiscal e Disciplinar. Oportunidade para sessão de esclarecimentos.********
Quais são as principais respostas que esperam obter com a auditoria?
FA - A última auditoria no Sporting foi mandada fazer em 1995, no mandato de Pedro Santana Lopes, após a saída de Sousa Cintra. Na altura, o Sporting tinha um passivo de 27 milhões de euros e um activo considerável, com prédios, terrenos e outros bens imobiliários. 16 anos depois, temos um passivo gigante e não temos activos praticamente nenhuns. Esta evolução tem de ser explicada. Algum dia terá de ser feito, até para pacificar e recuperar o clube.
É de investimento que mais se tem falado nesta campanha…
JM – É precisamente por isso que é fundamental ter um CFD independente. É que, neste momento, não existe informação nem transparência.
FA – A minha pergunta é a seguinte: será que os sócios estão na posse de toda a verdade? Acho que não. É necessária a consciencialização do sócio anónimo que tem pouca informação e conhecimentos económicos. Tem de ser simplificada o economês pesado que se tem utilizado para falar do clube e que não explica que estão, na realidade, a matar o Sporting.
Um CFD independente não pode ser considerado uma força de bloqueio pela direcção?
JM – Nós não queremos ser uma força de bloqueio, mas temos de perceber que o CFD não pode estar cerceado, como até aqui, por opiniões que vêm de cima, do conselho directivo. Não há a tal separação de poderes. O que tem acontecido até agora é que um auditor e um credor do clube têm lugar no actual CFD. São executores e controladores ao mesmo tempo.
FA – E esta situação irá permanecer com a lista candidata ao CFD proposta pela candidatura de Godinho Lopes. Caso ganhe, a promiscuidade vai continuar, já que José Maria Ricciardi [presidente do Banco Espírito Santo de Investimento] integra o elenco como vice-presidente. Depois, o próprio candidato a presidente do CFD está envolvido com Carlos Barbosa, um dos principais elementos da lista para a direcção de Godinho Lopes, na direcção do Automóvel Clube de Portugal. Com estas relações, as pessoas não têm uma total independência.
E como vão tratar a informação se forem eleitos?
JM – Nós propomos organizar indicadores de gestão, que podem ser muito facilmente perceptíveis pelos sócios, comparáveis de ano para ano. Estes dados seriam depois publicitados entre os sócios, nos finais das épocas desportivas. Queremos fazer um livro branco dos últimos 15 anos, para se aprender com os erros que foram cometidos, e começar a ter uma informação transparente. Com isto, o nível de discussão no Sporting vai automaticamente elevar-se, já que os números falam por si. No passado, das vezes que solicitámos oficialmente informações nas vésperas de assembleias-gerais, acabou, na grande maioria dos casos, por ser recusada. Esta situação é sintomática. A partir do momento em que se fecha o clube aos sócios eles vão embora e, neste momento, é assustadora a curva descendente do número de associados efectivos com cotas em dia.
Os cinco sem piedade
sábado, 19 de março de 2011
Bruno de Carvalho: Sessão de esclarecimento e Van Basten
Comunicação de Marco Van Basten como futuro treinador do Sporting. Irá decorrer apresentação oficial, na sede de candidatura, às 22h30 com o próprio:

