sábado, 18 de outubro de 2008
Em Braille
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Um sócio, um voto
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Sporting - Belenenses e Vukcevic também
Faltavam cerca de 10 minutos para o inicio do encontro, dirijo-me à porta de entrada e reparo numa fila anormal. Mais uns segundos e vejo que algo se passa, a fila está parada e uma data de indivíduos aos gritos e insultos para com a segurança ou lá o que são que fazem o controlo de entrada no estádio. Mais uns minutos e alguém na fila grita que as portas estão fechadas porque o sistema de leitura nos torniquetes não funciona. Mais gritos e impaciência e empurrões e sugestões de entrada à força por parte de alguns adeptos. Nisto, quando já estavam as equipas em campo lá abriram as portas e entrou toda a gente de avalanche sem qualquer controlo ou revista (logo desta vez que não levei a minha AK-47). Mas o importante é que o sistema de entrada nos torniquetes já estava a funcionar, pelo menos deu luz verde à minha entrada. Como esta brincadeira quando entrei no estádio o jogo já ia com 5 minutos! Se isto acontece no jogo com o porto é que há mesmo um levantamento popular.
Passando ao jogo jogado desta vez ainda houve uns 60 minutos (com boa vontade) em que a equipa do Sporting se preocupou com quem tinha ido à bola.
A entrada foi frouxa e o golo apareceu quando já se esperava pelo intervalo, em que postiga marcou um golo à ponta de lança a sério (realmente o rapaz consegue jogar bem com outro ponta de lança ao lado), apesar da posição irregular.
Depois na segunda parte boa entrada (não é alheio a isto a entrada do Vukcevic) e o segundo golo de penalti. A partir daí quem quisesse ver espectáculo é melhor seguir o conselho do paulo bento e ir ao cinema (se calhar não bocejava tanto, mas devia de ser da hora!
Quanto à equipa do Sporting mais do esquema e táctica habitual, desta vez foi bem aproveitada a subida dos laterais contra em equipa do belenenses que jogou com três defesas, mas eles não são o barcelona nem jogaram com três avançados para impedir a subida dos laterais.
Esta equipa do belém pouco têm da equipa da época passada, com a venda dos melhores jogadores e mais um carregamento de jogadores brasileiros de nível discutível parecem uma equipa de futebol de praia, sem objectividade e sem agressividade.
Muito saudada foi a entrada em campo de Vuk, e quem é adepto do Sporting e convive com outros adeptos dentro e fora do estádio, daqueles que não se limitam e não frequentam blogues percebem o porquê.
Isto dá tema para uma posta sobre o assunto, mas sintetizando a relação adepto-equipa, os adeptos revêem-se nalguns tipos de jogadores e neste caso desde a saída de Sá Pinto que o Sporting não tinha um jogador agressivo e com carisma que entusiasmasse a massa associativa.
É que se há algo que me aflige nesta equipa do Sporting, há excepção de derlei (mas este já está no fim da linha) e tonel, é que a equipa é composta por jogadores copinho de leite, a começar pelo capitão que não impõe respeito a ninguém e passando por outros que não são capazes de discutir com o árbitro, encostar a cabeça e chamar nomes aos adversários. Se calhar quem só jogou à bola em amigáveis não percebe estas coisas próprias da bola. Mas é algo da essência própria do futebol, que nasceu com ele (apesar dos burocratas da fifa que nunca jogaram á bola e os comentadores que também não, quererem transformar o futebol em basquet com os pés) e que os adeptos vêm em alguns jogadores e que escasseiam na equipa do Sporting.
Recordo a apresentação de figo no barcelona, quando o treinador Cruijff, que tinha conquistado 5 campeonatos e uma liga dos campeões, iria discursar não o conseguiu por ser brindado com uma monumental assobiadela. E porquê? Porque se atreveu a dispensar um dos ídolos da equipa, Stoitchkov. É que a história é assim mesma, e ninguém a vai mudar, quem os adeptos recordam e quem eles idolatram são os jogadores e não os treinadores (se o scolari vencer no chelsea já não se vão lembrar do mourinho), e quanto mais malucos e sem cabeça são os jogadores mais idolatrados são. Exemplos: maradona, best, o já citado stoichkov, edmundo, cantona, garrincha, gascoine, entre outros. Parece existir uma correlação entre o não alinhamento no sistema dos treinadores e a genialidade, e é ténue a linha que separa a genialidade da loucura.
Mas vamos esperar que a sempre atenta e expedita direcção sadista do Sporting faça o que se espera que quem perceba de gestão futebolística.
p.s.: Aqui pode-se ver a iniciativa da ofensiva 1906 relativamente ao preço dos bilhetes. É caso para perguntar onde estiveram os restantes 25 mil adeptos, se tudo está bem, o presidente é o melhor gestor dos clubes portugueses, o treinador é o melhor dos últimos 25 anos e o plantel é melhor do que nos anos passados, então este fenómeno é da twilight zone!
p.s. 2: por esquecimento a seguir ao jogo de barcelona não prestei uma devida homenagem. Mas como mais vale tarde do que nunca, aproveito agora para deixar a minha sentida homenagem aos 9 mil que se perderam: na deslocação a madrid para a taça uefa no ano de 95 (se a memória não me falha) e apenas aos mil e poucos que conseguiram este ano regressar a espanha. Sic Transit Gloria Mundi...
Saudações Leoninas
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Ainda bem que me avisaram
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Tontices e tesão
Começar por dizer que estou mais do que convicto em como um factor primordial para a queda do numero de sócios efectivos tem sido o esgotar desse sentimento (cujo poder se situa por vezes num plano mais simbólico e menos num plano prático) de sentir que a sua contribuição mensal serve para ajudar o SEU clube e não o clube que afinal não é assim tão dele. Uma questão de pertença.
Recapitulemos então. Até hoje (e restam poucos dias para o enterro final) os estatutos e o modelo de organização implementados permitiam que os sócios "mandassem" no clube, ou seja, eles sentiam que eram importantes para o funcionamento e crescimento do SCP. Compreensivelmente o significado disto ia muito mais do que o "ei voçê aí, me dá o dinheiro aí. obrigado, volte sempre" emanado do modelo de Soares Franco e da sua Big Band de onde as importantes decisões são os accionistas da SAD que as tomam. Ora porra, por mais "ilusório" ou deficitária que fosse o real poder de intervenção dos sócios na vida do clube (indo desde as politicas e modelos de gestão, ao preço dos bilhetes, etc.) como há quem defenda que assim era (e não era), esta transferência de poder se não é a machadada final nessa "ilusão" é o quê? E desprezando essa crença, pouco a pouco, a mama da quotização vai-se acabando. Quem pula de alegria são os accionistas e nós passamos a ser clientela. E os clientes vão dando lucro pelas vias tradicionais. Não são "tontos". Ganha-se clientes com oferta de produtos finais de qualidade aliado a uma boa estratégia de marquetingue, ou seja, avaliando por esta época, com muita sorte lá se conseguiram vender 25 mil gameboxes e duas camisolas do Bonifácio. É a lei do toma lá, dá cá. Quantas vezes eu ouvi "Eu sócio?! que ganho eu com isso?!" quando estão a querer dizer "Que valor tem isso?". Na verdade cada vez menos. Por isso, cada vez somos menos.
Para mim, tontos são aqueles que continuam a acreditar que esta "nova" mama das alienações, acções e renegociações e pardais ao ninho... é a mama milagrosa e sacrossanta que tirará o Sporting do calvário. Uma mama que toca piano e fala gestirolês mas que estratifica, divide, encolhe, isola, desrespeita, arruína e perde os seus adeptos pagantes. Que, simultaneamente, numa mão acena com novos cartões de associado para fãs S3G vendendo ilusões plastificadas e na outra mão com ultimatos de restruturações profundas onde o papel dos sócios é amputado ao extremo mas donde resultarão grandes equipas, futebol espectáculo e muitos troféus, a começar pelo que aí vem.
Fico a pensar o que foi até hoje o Sporting dos sócios... e "ilusão" por "ilusão" prefiro as que me dão prazer e sentido à vida. E a Sporting SAD e os seus ilusionistas não me dão tusa nenhuma. Muito menos a pagar.
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Jusqu'ici tout va bien
Depois de uma monumental e histórica entrevista de Dias da Cunha hoje na SIC Notícias (onde penso ter falado com uma clareza raramente vista em Portugal), está nas nossas mãos impedir a queda de um clube que vai dizendo a si próprio que até aqui tudo vai bem. Mas como toda a gente sabe o pior não é a queda, é a aterragem. Está na hora dos sportinguistas se levantarem e pararem com a pilhagem metódica e sistemática do clube...ou então de se preparem para a aterragem.
terça-feira, 27 de maio de 2008
Agora escolha
E prefere injectar dinheiro nos seu clube como sócio ou como consumidor, eis a questão a que terá de responder amanhã à noite?
sexta-feira, 2 de maio de 2008
Azeiteiros
domingo, 2 de março de 2008
Porque razão somos hoje tão poucos sócios? - II
Isto não é Inglaterra, nem isto é o Manchester United!
Não temos mercado nem condições para viver à custa de camisolas vendidas; não vamos fidelizar para sempre uma quota mensal apenas com base em descontos nas gasolineiras e na Cosmos (Por Vukevic! Estes roquetistas são doidos!!!), nem com base no nosso inexistente futebol de primeira categoria mundial. Uma última insignificância: mesmo o MU não tem um estádio em que se torna impossível pedir um autógrafo a um jogador. Eu sei que dá um ar muito mais higiénico realizar sessões de autógrafos nas acções promocionais oficiais do que a caça ao autógrafo (ou ao apupo) à porta, mas caramba!, lá se vai a intimidade estabelecida. Quem é que se exalta com uma cópia depois de ter tido o original?
Pequenas grandes coisas cuja importância, sabe-se lá porquê, nunca entraram na cabeça de alguns. E é por estas todas e por outras maiores (política da SAD no futebol, eclipse do pavilhão, ecletismo anoréctico, venda de terrenos… you name it) que fomos perdendo “fidelizações”.
Estas estratégias centradas no mercado recriam a relação do sócio com o clube numa base de “proximidade mediada” que poderá incrementar em muitos sócios, principalmente aqueles (muitos) que estão mais distantes de Lisboa, a sensação de participação na vida do clube. Contudo, sem fomentar outro tipo de proximidade, mais mês menos mês, o filão esgota-se quando o sócio racionalmente chegar à conclusão de que pagar €12 para ter direito a alguns descontos é menos vantajoso do que se aderir a uma nova promoção que todos os dias por aí aparecem (aliás, esta ‘nóia’ dos protocolos comerciais parece-me o repisar de um chão que já deu uva. E muitas vezes da mijona.).
É isso que irá suceder com o pequeno Lourenço Borges - o primeiro sócio S3G apresentado no jogo com o Estrela – se o quiserem transformar num mero cliente como outro qualquer. Razão com razão se paga. É que nem todos são doentes pelo clube, a maioria tem juízo ou contas por pagar.
Se quisessem mesmo fidelizar, FSF e a sua Big Band, teriam de fazer exactamente o oposto do que têm feito até aqui, que tem sido: distanciar\afastar o clube dos sócios; retirar-lhes a crença, o poder e sensação (ainda que simbólico) de fazer parte activa da vida do clube. Mas o que eles querem e andam lá a fazer é que eu não sei.
Quando há lodo no cais o barco não ancora.
Porque razão somos hoje tão poucos sócios? - I
Esta pergunta poderia muito bem ser o título das minhas postas anteriores.
Vamos às respostas finais.
Dois pontos fulcrais:
1. A força de um vínculo é medida em função do tempo que lhe é consagrado, da intensidade das emoções que desperta, da intimidade estabelecida e da reciprocidade. (não fui eu que disse isto, hein. Foi um gajo importante)
2. Isto não é o Manchester United!
Tenho cá para mim que é na assunção destes dois pontos como receita para a efectiva fidelização leonina que reside o busílis da questão inicial.
Gestão racional desportiva é saber gerir um clube como o Sporting. É, através dela, compreender, aceitar e assimilar a vertente paixão não só no jogo mas nas práticas dos seus “clientes”. É saber bem explorar – e não explorar por explorar – a topofilia que os sócios sentem pelo estádio, o amor que sentem pelo clube. É saber dinamizar e desenvolver as parcerias e actividades com os Núcleos. É saber respeitar a história e saber cultivar os valores sportinguistas dentro e fora da organização. Cambio de gíria: investimento no fortalecimento do vínculo = sócios = $$ = títulos = fortalecimento do vínculo; outra: basta os nossos dirigentes lembrarem-se da máxima ‘um cliente perdido é um cliente que dificilmente retornará’. E sabem eles quantos sócios é que se vão perdendo com algumas das coisas que abordei atrás? Para não ir tão longe, com o que fizeram com o Iordanov? E com isto? E isto?
Continua…
sábado, 1 de março de 2008
A campanha de novos sócios
O outro dia acordei, peguei no jornal do Sporting qual não é o meu espanto quando vejo estampado “Vamos ser mais fiéis que os adeptos do Benfica!” (Soares Franco) e “Valorizar os melhores sócios do mundo” (Pedro Afra). Após me beliscar e de certificar que não tinha pegado no “Inimigo Público” por engano, reparo que se tratava do início da campanha de sócios (novo cartão e angariação numa 2ª fase). Afinal, não tinham chegado ao extremo oposto de onde começaram. Mas, ai se eu não os conhecesse, com aquelas referências ao Benfica, FSF e Afra pareciam o arquétipo da gestão passional!… na sua versão mais idiota, acrescente-se. Afinal, era uma espécie de estratégia à Camacho mais sofisticada.
Afra apresenta-nos o novo cartão de sócio «muito inovador, porque tem três vertentes: mantém todas as funcionalidades do anterior» (Eh lá!!); «…é, ao mesmo tempo, um cartão de fidelização…» (descontos nos consumos dos produtos das empresas parceiras…), «…e é também um cartão bancário...»
Resumindo, uma versão verde-e-branca das potencialidades de descontos no consumo de grandes marcas associadas e - inovação das inovações - a partir de hoje posso continuar a dar lucro aos bancos… mas com alegria! Consome baby, consome!
Em abono de Afra e da verdade, fiquei apenas esperançado quando li umas curtas linhas onde ele deixa antever o papel dos núcleos na fase de angariação e das “experiências Sporting” (se bem que para aceder a estas, primeiro vou ter de fazer despesas noutras empresas). Já é qualquer coisinha. Mais, apesar do pior timing do mundo (Por tatoutis!! Isto não vem nos manuais??!!), até dou o desconto da dúvida sobre a atracção ‘racional’ que este tipo de ofertas possa produzir. Mas, por via das mesmas dúvidas, é também aqui que a esperança se começa a evaporar. Como o Sporting precisa de soluções estruturadas e a longo prazo, receio bem que este “cartão de fidelização” se esgote em alguns meses (a não ser que venhamos a vencer o campeonato, a taça Uefa e a Champions do próximo ano. Estarão eles a contar com isso?).
O problema está pois em entender isto de fidelização.
Continua…
PS- Espero que desta vez não aldrabem os sócios que angariarem um novo sócio e lhes atribuam os devidos pontos convertíveis em produtos Sporting. Há ano e meio atrás não foi isso que fizeram aqui com o paulinho.
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
O sócio e o simulacro
Director geral e gestor das áreas do marketing e da multimédia, Pedro Afra cedo revelou talento na concepção de “ofertas atractivas” para o mundo no qual se sente com peixe na água: o mundo Corporate.
Com efeito, o novo estádio permitia albergar esse público-alvo nos camarotes Sponsor, Corporate, Prestígio e Business Seats. Apesar da inflação dos preços das melhores bancadas (mais próximas da gente bem comporatada), os sócios aproveitariam as boas promoções gamebox apesar de, em termos de contabilidade directa, ser mais vantajoso adquirir uma gamebox adepto em vez de suportar o preço de quotas + gamebox sócio. Mas Afra, esperto para estas coisas, sabia que ser sócio é muito mais do que uma equação racional, não obstante os plurianuais tiros abaixo do alvo (tradicionalmente atingem os pés) quando toca a prever a fasquia do número de game boxes vendidas.
Os restantes dos restantes sócios ou têm um boa conta bancária para suportar o preço dos bilhetes em de dia de jogo ou têm de aguardar pelo jogo de “entrada livre ao sócio” ou têm de tentar ser menor de 16 anos e irem acompanhados... Ah, esperem!.. Err.. pois isso já não existe mais. Bom, não é só os sócios leoninos que têm razões de queixa. Longe vão os tempos em que vinham a Alvalade 12 mil lampiões. Agora, aparecem 1200 galinhas e já vão com sorte.
Porventura inspirado nos ensinamentos dos novos especialistas em marketing desportivo que por aí brotaram, Afra resolveu revolucionar o modo de participação do sócio e do adepto em dia de jogo. Acabou-se o domínio da Palavra, do Vernáculo nos períodos de pré-jogo/intervalo/pós-jogo, e é agora o técnico de som quem mais ordena e nos cala as matracas. Com a intenção de dar ao espectador uma função mais participativa (seguindo os termos dos manuais) substituiu-se o festim tradicional e mais o ‘penalti fidelidade’ pelos chamados métodos centralizados de animação. Isto é tudo muito bonito e “participativo” mas como nem tudo o que vem da NBA é bom, deparamo-nos com alguns limites. E, para não variar, “Os números ficam um pouco aquém do inicialmente esperado".
Não obstante estas chamadas à terra, os entusiastas deste tipo de relação com o sócio não ficaram cabisbaixos pois continuamos todos a receber sms, revistas, mailings, merchandising e material promocional sobre o clube. Só se esquecem é de avisar a malta para as Assembleias Gerais. O que é entendido como mais um sinal de hipocrisia, indiferença e desrespeito (para as más-linguas pois claro) ou como um dissimulado mas genial sinal de alerta de que estes Gestores do Olímpico afinal também falham. Hélas.
Continua…
O sócio, o 11 de Setembro e as aluci… alienações
Um ano e quatro meses após a vitória no campeonato nacional dois aviões embatem contra as torres gémeas em Nova Iorque. Este acontecimento foi talvez a única explicação directa que se ouviu até hoje do presidente FSF para justificar os desastres financeiros que começaram a surgir nas contas das várias empresas-ilhas.
Com várias consultoras contratadas para trabalhar conjuntamente com o nossos gestores, aparentemente ninguém encontrou melhor indício para explicar por que carga de água o Bingo – esse eterno gerador de receitas – alvo de investimento, todo arranjadinho, cheio de luzes e cor, deixasse de dar receitas. Ele até estava situado dentro do Family Entretainement Centre – de cognome Alvaláxia – onde as famílias passariam a divertir-se e consumir regularmente nesse monstro das “novas funcionalidades”. Imagino o quão alta terá sido a dificuldade em descobrir as falhas. Os estudos de mercado, o benchmarking dos parques desportivos norte-americanos, as simulações financeiras, enfim, fazendo fé de que tudo o que vinha no manual do bom gestor foi bem implementado, então… deve mesmo ter sido aquela ideia do Bin Laden. Terrorista filho-da-mãe!
Os sócios, que em número foram descendo de uns 90 mil para uns 50/60 e tal mil, nunca foram tidos em conta quanto mais darem-nos explicações sobre esse facto. Corrijo o exagero, não é bem assim. De facto, eles eram tidos em conta porquanto era daí que advinha uma importante e não negligenciável parte do bolo dos lucros. Para a “rubrica quotização” recordo como foi gerida esta receita na altura (2003/04 salvo erro) quando ainda havia uma empresa-ilha chamada NEJA (Novo Estádio José de Alvalde) criada para o projecto, construção, financiamento e exploração do novo estádio: foi “encaminhada” do SCP (que está no topo da estrutura empresarial do Grupo Sporting e dirige todas as actividades desportivas não profissionais) para a Sporting SAD poder pagar a renda que esta tinha de pagar à NEJA pela utilização, por parte dos seus jogadores (sob a alçada da Sporting SAD), do campo desportivo do estádio (sob a alçada da NEJA). Nada de extraordinário enquanto acto de engenharia financeira. É pena que estas ideias barrassem à porta das modalidades, visto que o dogma da auto-sustentabilidade destas continuava sem ser beliscado. Talvez, uma questão de prioridades e de pragmatismos.
Quanto à cotação no mercado bolsista, a montanha pariu um rato. Porém para FSF a causa não está perdida. Está convicto que a solução passa por entregar a maioria das acções da SAD aos accionistas. Para ele, um culminar de um sonho. Para ‘o sócio’ será o seu fim, tal e qual o conhecemos.
Continua…
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Era uma vez um sócio
Por via de uma segmentação organizacional foram criadas várias ilhas-empresas do arquipélago Sporting com a finalidade de gerir com maior eficácia as diferentes esferas de negócio, na qual se incluía um novo estádio cheio de cores e diversões. Gestores com MBA maiúsculo, com provas dadas na alta-roda do mercado financeiro e comercial, em quem os sportinguistas depositaram a confiança, prometeram-nos que o sucesso do clube passaria pelo rigor da gestão. (pausa para respirar fundo e contar até dez)
Tal como outra empresa qualquer, urgia eliminar as actividades que não fossem auto-sustentadas, os vícios de um associativismo arcaico e de práticas de gestão presidencialistas que até aí reinavam. Eliminou-se umas tantas modalidades e “afastaram-se” outras para não interferir com o futebol: rei do desporto e do business.
Os sócios - uns convencidos outros não – até não resmungaram por aí além, num sinal positivo de que também eles estariam dispostos a renunciar à paixão em detrimento da razão no que respeita aos tipos de gestão, já avisados que estavam quanto a certas aventuras. Arremessados diariamente com a confrontação destes dois termos antagónicos, quem pensasse o contrário era louco. Apoiados pelos ventos de mudança e numa estratégia bem delineada os gestores conseguiram sensibilizar as bases. Ver os atletas a treinar, ir ao pavilhão ou mesmo ir dar uma espreitadela às bancadas só porque lhe dava na galheta eram coisas mundanas doravante interditas a que o sócio, apesar de descontente, teria de se resignar. Ao fim ao cabo, era uma gestão moderna, porra!
Pode parecer estranho, mas por lá andava, então, o actual presidente do clube que confessou um dia mais tarde: “Quero um clube só de futebol, sem sócios mas com adeptos que não se intrometam na gestão nem tenham voto nas eleições dos corpos sociais”. Porque o futebol “é um negócio que precisa de investidores e porque para se ser bom há que ser especialista”.
Continua…